Epílogo I – Iluminação

Dieghus ancorou o barco no porto de Rogena e pagou o arrego para o rapaz que fazia a contagem de embarcações.

– Bom dia Dieghus – disse o jovem que anotava a embarcação em sua prancheta – Voltou a ativa?

– Melhor ainda velho amigo – respondeu o bardo/capitão abraçando o sujeito – Estou com um grupo de aventureiros muito da hora! Acabamos de sair de Alísios.

– Espera – disse o rapaz tirando os olhos da prancheta – Foram vocês que venceram a gorgona?

Dieghus não respondeu apenas sorriu: – Respondo apenas em uma taverna com rum e musica.

Endon e Hikan desceram no cais e viram Dieghus retornando.

– Amigos, este é o meu reino – disse ele abrindo os braços como se mostrasse toda a região. Venham, vou mostrar para vocês a melhor taverna daqui, Donde trabaja mi gran amor: La bella Perola.

– Eu preciso pagar meu dogma antes – disse Hikan – Tem um templo de Brigith aqui?

– Claro!

Respondeu Dieghus apontando para a direção. O paladino não achou difícil e se dirigiu sozinho pelas ruas estreitas da elegante Rogena; Embora ela fedesse a peixe e camarão, havia um tom alegre e bon vivant a secular cidade. Era muito mais quente que Alísios, os cabelos negros e compridos de Hikan estavam ensopados, e ele procurava as sombras para escapar dos sóis escaldantes – Irônico um paladino do sol tentando evitá-lo nas sombras dos prédios, mas era muito quente mesmo.

Finalmente ele encontrou o templo de Brigith, bem ao lado de uma capela de Amabel. Ele se ajoelhou diante das escadarias, fez uma pequena prece e entrou no templo reverenciando as estátuas da deusa.

Haviam apenas dois sujeitos rezando em separado. Um deles terminou a prece e se retirou assim que Hikan entrou. Eles se cumprimentaram com um aceno e o paladino se ajoelhou diante do altar e orou em silêncio, louvando as graças concedidas.

– Certo mylorde, ficarei atenta.

Disse uma voz feminina tirando o paladino do transe que se encontrava.

harshepu

O sujeito que conversava com ela se retirou, Hikan mal viu ele, apenas observava a sacerdotisa a sua frente. Era uma clédia, assim como ele, de pele bronzeada e cabelos escuros e ordenados pelos ombros. Tinha os olhos oblíquos e marcantes, lábios avermelhados e o corpo esculturalmente desenhado. O paladino se levantou para cumprimentar a jovem clériga.

Ela o encarou surpresa com sua altura, muito acima da média dos clédios. Mas logo abriu um sorriso:

– Você deve ser Hikan.

Ele sorriu feliz.

– Já ouvistes falar de mim? – disse ele escondendo a timidez.

– Claro – disse ela sorrindo – Sou Harshepu filha de Calacius.

Hikan ficou sério, lembrava de Harshepu, uma menininha magrinha sem graça de 12 anos que partiu muito cedo com a mãe para longe da Khalenita. Cinco anos depois se tornara uma mulher linda e voluptuosa.

– Uau! Você está… – ele procurava as palavras – Bem, você está…

O paladino procurava as palavras, mas elas não vinham, Harshepu se divertia com a cena e cruzou os braços para deixá-lo mais desconfortável.

– Eu estou?

Hikan não conseguia sair daquela situação, pensava em uma boa palavra, mas agora parecia que qualquer palavra servia, mas não vinha nenhuma, então ele falou a primeira que apareceu:

– Velha…

– O que?

Preludio: Estopim

Traumat saiu de dentro da caverna coberto por sangue verde. Cahethel saiu rindo não muito diferente. Aldresh estava mais asseado, dificilmente se sujava com sangue nas campanhas.

– por que sangue de Troll é tão fedido – reclamou Cahethel.

– Eles são fedidos cara! – disse Aldresh s e adiantando e montando uma fogueira – Vão se lavar eu cuido do acampamento.

Traumat nem discutiu, odiava montar acampamento. Mas antes que se dirigisse para o rio foi surpreendido por uma amazona com o emblema de Rufere. Era Winfer, a filha mais velha do seu mestre.

– Olha que os ventos bons trazem – saudou Traumat Chamouth alegre.

Aldresh ajeitou o cabelo e testou o bafo da boca com a mão. Cahethel não gostou do olhar dela, parecia trazer más noticiais.

– Venho a pedido de Rufere – disse ela – Wesnayke de Claymor atacou Dræma e Azhaela atacou Azuleno – ela pausou e olhou o claymorniano Cahethel – Estamos em guerra.

Traumat e Cahethel se entre olharam. Aldresh ficou sem reação, olhava fixo, Winfer tinha coxas muito grossas.

– É – começou Cahethel – Sabíamos que este dia chegaria.

Traumat derramou uma lágrima.

– Não é justo.

Os dois amigos se abraçaram. Havia muita aliança entre os dois amigos, companheirismo, histórias de bardos, guerras, batalhas e épicas lembranças. Mas a guerra de Riornia e Claymor era mais que milenar.

– Eu te amo cara! – disse Cahethel abraçando e se separando do irmão de guerra.

Eles olharam para Aldresh e Cahethel falou:

– Melhor você ficar com a pedra até o fim da guerra. Depois decidimos o que fazer.

Traumat concordou.

Aldesh assentiu e falou:

– certo, podem confiar em mim – falou Aldresh sorrindo e olhando a pedra Shuoa em suas mãos.

 

* * *

 

Beckia havia chego em Alisios agora governada por Enzigh. Advenne olhava furioso, odiava a cunhada e a culpava pela guerra. Mas Enzigh adorava a menina, ela lhe dera a chance de finalmente atacar Claymor e governar o Decado.

– Ela é tua família – disse Enzigh – Pense na menina Carla.

– Estou pensando – disse Chamouth – Mas esta guerra vem em péssima hora.

– Temos que achar seus filhos – disse Dalmer filho de Enzigh.

– Mandei Rufere pegar Adina em Tapsa. Akille deve estar retornando para Riornia. – respondeu Advenne.

– entao – disse o rei Enzigh – Vamos para guerra.

 

* * *

Rufere chegou no centro de atletas de Tapsa tarde demais. Havia sinais de uma chacina e alguns escudos claymornianos denunciavam os agressores. O cavaleiro de Riornia deu a ordem para que seus homens vasculhassem as tendas. Ele mesmo foi para a maior, imaginava encontrar vestigio ou pistas, torcia por um sequestro, não sabia como informar a morte da caçula para seu primo.

quando entrou na tenda viu vinte e três soldados de Claymor estipados no chão. No cento da tenda Adina Chamouth estava sentada com sua espada olhando seria com o rosto cheio de sangue claymorniano. Havia fúria em seus olhos bicolores.

– Adina! – exclamou ele surpreso e aliviado, além de orgulhoso.

– Tio – disse ela – Quero ir para guerra.

Rufere o mentor dos três filhos de Advenne Chamouth sorriu com muito orgulho. Ali estava a melhor espadachim dos 45 reinos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prelúdio – Caçada

A cripta estava fechada, mas Endon a abriu com facilidade. Ele olhou para o céu vendo que o sol estava sumindo já. Puxou rapidamente uma tocha e a acendeu com o fosforo. Ele beijou a medalha de Ividinia no pescoço e fez uma prece para que seu filho ficasse bem caso as coisas dessem errado.

Então ele entrou na cripta.

* * *

Adelle derramou água quente em duas xícaras de porcelana cheias de ervas adocicadas. Voltou para o quarto e viu Endon se vestindo a camisa de linho encardida.

– Pensei que ficarias! – disse a elfa irritada.

– A noite passada foi um erro Adelle! – resmungou o andarilho humano.

Adelle quebrou as xícaras no chão e se sentou na cadeira frente a penteadeira para escovar os cabelos lisos. Endon foi até a porta, olhou para trás mas resolveu não dizer nada.

– Esqueceu aquilo – disse ela apontando para dois cabos de sabres sobre um mezanino de bronze.

– Não posso aceitar!

– É um presente – disse ela – Fiz para você, leve venda-o ou fique com você não me importa mais.

Ele pegou os dois cabos de sabre, não possuíam laminas, mas possuíam uma áurea congelante em seu lugar.

– Obrigado – disse ele, queria dizer mais, mas não sabia como. Então apenas saiu.

Adelle se olhou no espelho. Ela era muito linda, pensou consigo mesma. Ela sorriu e colocou a mão no ventre: – Obrigada a você…

* * *

Endon jogava as teias para o lado chegando a uma câmara cheia de caixões. Ele pegou um cantil negro e derramou sangue de morto no frio dos sabres, fazendo duas laminas de sangue de cadáver. O sangue de pessoas mortas era muito eficaz para matar vampiros. Ele chegou no primeiro caixão e o abriu de uma só vez: Uma menina de não mais que quinze anos, pouca mais velha que o seu filho Endon Dig. Ele não pestaneou e a decapitou com um golpe. Ele partiu para o segundo dos dez caixões.

* * *

Milla olhava enfurecida para Adelle. Aquela maldita maga havia batido na sua porta para dizer que estava com um filho de seu marido nos braços e agora queria entregá-lo para ela. O que ela pensava?

– Eu cometi um erro – disse a elfa – Pensei que podia ser mãe mas não posso. Não gosto deste bastardinho. E um passarinho me contou que seu ventre é tão podre e morto quanto os monstros que teu marido caça – ela riu.

Milla não conseguia esconder o ódio e a dor das palavras e teria puxado sua espada para empalar a maga se ela não estivesse com a criança no colo.

– Fique com ela – disse Adelle – Jogue para os lobos na floresta, afogue no lago ou crie. Eu realmente não me importo.

Adelle largou a criança no chão, com pouco cuidado. E saiu pela porta. O recém nascido começou a chorar sem parar.

Milla relutou, mas não ia deixar a criança estourar a garganta chorando. A amazona pegou o menino no colo e abriu o cobertor revelando seu rosto. Ela o olhou nos olhos fazendo com que ele parece de chorar e abrisse um sorriso.

– Oi… – disse Milla emocionada – Oi filho…

Longe dali Adelle chorava. Havia se livrado de seu filho devido as ameaças de Myllis, seu antigo amante não aceitava ter sido trocado pelo humano. E jurara matar sua prole em vingança.

* * *

Endon chegou ao fim da cripta, haviam três caixões mas todos abertos. No centro um trono de ossos e o vampiro Myllis sentado sorrindo.

– Pegue sua espada maldito – gritou Endon apontando o sabre.

– Não irei lutar contra você velho amigo! – sorriu Myllis com ar sarcástico – Tem uma pessoa aqui que gostaria muito de falar com você.

De trás do trono, saiu Milla vestindo uma armadura de amazona, mas sem armas. Embora Endon pudesse ver sua esposa, percebia em seus olhos vermelhos que não era mais ela. Myllis a havia transformado em uma vampira.

– Não… – lamentou Endon deixando um dos sabre cair no chão e quebrar a lamina de sangue – Não… Milla não…

Milla caminhava lentamente na direção dele. Estava com a boca coberta de sangue, havia se alimentado a pouco, mas a fome dos recém transformados é insaciável e uma vez que bebera a primeira gota de sangue mortal, não havia volta.

– Vamos Endon! – gritou Myllis rindo – Você não é o Caçador de Vampiros frio? – ele gargalhou.

Endon pegou o sabre e mirou na esposa.

– Maldito Myllis, malditos deuses.

Prelúdio – Anel da Hidra

Reino de Dræma

Beckia Chamouth observa os soldados retornando ao reino. A ex-duquesa claymorniana nunca sonhou que um dia estaria torcendo para que os riornianos vencessem os soldados de Claymor. Mas sua vida estava totalmente transformada desde que ela se apaixonara por Akille Chamouth.

– Abram os portões – disse o capitão Traauth para os soldados.

Beckia se colocou atras de exercito visando encontrar um dos batedores de seu esposo com informações da campanha de guerra. O primeiro soldado entrou cavalgando vagarosamente, mas havia algo de errado com ele – havia uma tatuagem de dragão em sua mão.

– Não! – gritou ela.

O soldado sorriu, e puxou a espada de baixo da sela do cavalo e golpeou rapidamente os dois primeiros sentinelas. Ele saltou da montaria, pegou a primeira amazona que se aproximava e a segurou contra o corpo para usá-la como escudo. As flechas dos arqueiros visavam o ofensor, mas sua velocidade fez com que as seis fossem no corpo da garota. Um grito ocorreu do lado de fora, e dezenas de soldados de Claymor começaram a invadir o forte.

Beckia olhou enfurecida para o soldado que derrubara sozinho as defesas de seu esposo. Ela o reconhecia como seu primo Wesnayke. O guerreiro claymorniano liderava sua falange de soldados bem treinados – eles eram conhecidos como os Treze, eram a elite da elite. Os melhores dentre os melhores. Apenas quatro centúrias de Dræma não seriam suficientes.

– Preciso de ajuda! – disse Beckia olhando para seu anel de Hidra.

 

Stillgar acordou no meio da noite, o barco sacudia muito, ele já havia se acostumado com o enjoo, mas agora sentia forte cheiro de fumaça. Em instantes se viu em Dræma no meio do terror que Beckia passava.

– Onde está Givertrix? – questionou Beckia decepcionada.

– Ele… – Stillgar procurava as palavras, mas logo viu que um grupode soldados se aproximava dela, então ele tomou o controle – CUIDADO MENINA SALVE-SE: Mãos Flamejantes!!!

Quatro soldados de Claymor chegavam em Beckia, mas ela se virou para eles, abriu as mãos e lançou um leque flamejante que os queimou na hora. Embora não tenha sido suficiente para mata-los, foi útil para que ela fugisse.

Beckia correu para dentro do castelo, seus homens empurravam barricadas. Ela viu as escadarias que levavam até seu quarto, mas eram muito longas.

– Deixa comigo! – disse Nevolas assumindo o controle e correndo na direção de uma tapeçaria decorativa.

Os soldados viram Bechia abraçando a tapeçaria e cortando com uma adaga a corda de sustentação e deixando que a tapeçaria a levasse para o segundo piso. Eles se entreolharam não acreditando no atletismo avantajado da rainha.

Beckia correu até o quarto, foi até o berço e pegou a pequena criança que chorava devido ao barulho.

– Calma meu anjo – disse ela aninhando sua filha com a mão tremula.

– Acalmar-se você precisa – disse Raarossú olhando para a criança chorona – Você precisa sair daqui e ela precisa estar quieta.

– Não há como eu ficar calma agora – reclamou Beckia enfurecida.

Raarossú tomou o controle. Respirou profundamente três vezes e olhou para a menina em sue colo que parava de chorar para encarar a mãe. Embora enxergasse ela como sua mãe, a criança sentia que havia uma outra pessoa ali.

– Onde está o bebê? – disse Raarossú acalmando a criança que gargalhava para ela.

– Obrigada!

Beckia retomou o controle e correu para a saida de emergencia que eram os tuneis. O alçapão estava preso, ela largou Carla com cuidado e forçou o alçapão, mas estava muito pesado. Sempre viu que eram preciso dois homens para abrir aquele alçapão.

– Deixa comigo – disse Dremetron o Minotauro, tomando o controle da situação.

Em um único impulso Beckia arrancou o alçapão abrindo passagem para sua fuga.

– Eles vão te seguir – disse Digartalla.

– Você!? – exclamou Beckia desconfiada – Você nunca nos ajudou.

– Quer ajuda ou não quer?

– O que sugere? – perguntou a rainha.

Digartalla pegou o controle, com a mão livre pronunciou algumas palavras fazendo criando uma ilusão que fez o alçapão sumir.

Beckia fugiu pelos tuneis chegando até a praia. Haviam barcos saindo, um dos soldados gritava para que ela viesse. Ela correu o máximo que pode e entregou Carla para uma amazona. O soldado soltava o barco, mas recebeu uma flecha claymorniana no peito. Ela olhou para trás e viu meia duzia de arqueiros vindo.

– Um arco! – pediu a rainha, recebendo a arma e uma aljava de uma das amazonas do barco.

– Majestade, sabes atirar? – questionou outro soldado.

– Meu filho – respondeu Perikles tomando o controle – É só o que eu sei fazer!

Péricles pegou duas flechas e disparou ao mesmo tempo. Cada uma encontrou o peito de um dos claymornianos que os perseguiam. Sem esperar o arqueiro puxou mais uma flecha e disparou, esta acertou em cheio no olho direito do terceiro. Uma quarta flecha acertou o olho esquerdo do quarto. E ele ainda teve tempo de disparar mais uma flecha de aviso, fazendo os demais soldados se esconderem atrás de um tronco.

Beckia correu para o barco e ficou observando o seu reino em chamas. Stillgar, Nevolas, Dremetron, Raarossú, Digartalla e Perikles estavam ao seu lado.

– Valeu gente! – disse Beckia sorrindo para eles enquanto pegava Carla no colo.

– Não precisa agradecer – disse Stillgar olhando para os demais – É isto que fazemos não é? Protegemos uns aos outros.

Nevolas e Dremetron concordaram e os demais sorriram comemorando a vitória da Hidra.

Resumo Sessão III – Origens

Stillgar conversava com Eliot na Taverna Estação Boêmica enquanto observava os diversos sujeitos suspeitos que circulavam no estabelecimento.

– O lugar é seguro? – questionou o mago temeroso.

– Fica calmo, tamo em casa chefia! – respondeu Eliot olhando sem cuidado as duas pérolas que Stillgar estava comercializando – Só poderei pagar cem!

– Cem? – Stillgar quase gritou – Cem cada? – sussurrou.

– As duas.

– Cê tá de brincadeira – Stillgar ameaçou pegar as gemas.

– De repente se elas tiverem uma boa história – disse Eliot examinando novamente – Onde cê encontrou elas?

– Não muito longe daqui: “Eu e alguns aliados fomos pedir ajuda dos lagartos, para ajudar um amigo nosso em uma empreitada. Os lagartos são famosos guerreiros, mas estavam passando por um problema até então…

– Eu sei, ouvi dizer – disse o ladino Jacaré na taverna Canto da Sereia, em Trindade para Eliot – Dizem que uma gorgona havia atacado os lagartos. E o que vocês fizeram? – perguntou Jacaré para Eliot.

– Eles encontraram um acampamento apenas com crianças e fêmeas dos lagartos, um cavaleiro, apaixonado por uma fada, estava protegendo aqueles coitados. A esposa de Gibertrix, o líder deles, contou que a gorgona havia petrificado os melhores guerreiros deles, inclusive seu esposo. Então eles entraram na masmorra secreta de Givertrix – contou Eliot.

– Eles quem Jacaré? – perguntou o bardo Givedus, Língua Presa, em Melgorona.

– Stillgar o aprendiz de Advenne Chamouth, a fada Morgana, o Paladino Hikan de Brigith, o andarilho Endon filho de daquele Endon e um bardo chato que esqueci o nome – respondeu Jacaré.

– Certo Givedus, já ouvi falar de alguns deles – respondeu Pérola a Diva das Praias, enquanto analisava as duas pérolas na Taverna Bardo Maldito – Conte o que aconteceu depois que eles entraram?

– Eles começaram a vasculhar os corredores da dungeon sorrateiros. Pegando os soldados lagartos um a um. deixando-os Vivos para que eles colaborassem com os alisiênses no futuro. Stillgar encontrou um anel Hidra e conseguiu convocar um assassino para ajudar eles. Mas o mais incrível não foi isto – disse Givedus pausando para tomar um gole de rum.

– Conta logo Pérola – disse Carmen Dimitriel ansiosa na arena de Helenary, ignorando a grande tourada.

– Certo – continuou Pérola falando perto da barda – Dizem que Hikan enlouqueceu através da maldição de Ixchel. E que ele fala sozinho, mas na verdade ele imagina ter um amigo, um tal de Silvik. E mais de uma vez os seus amigos viram o paladino enlouquecido usando a força de dois homens.

– Tu tá louca! – exclamou Elissa ouvindo a história de Carmen – Quem é este Hikan? Não é aquele clédio gigante de três metros de altura?

– Sim já ouvi falar – disse Ele conversando com Elissa e olhando as pedras – E como termina a historia?

– Eles adentraram a masmorra. e foram vencendo os desafios de Givertrix. Morgana teve que ficar para trás para distrair uma aranha gigante, e Endon lidou com os lagartos permitindo que Stillgar, Hikan e Dieghus chegassem na gorgona. A luta foi feroz, mas eles conseguiram lidar com a maldita com velocidade. O paladino pegou a cabeça dela e empacotou no tapete velho.

– E esta é toda a historia – terminou Ele falando para Aysmin – Agora me diga, estas perolas valem ou não valem 4 mil?

 

O barco desembarcou em Semlya cinco semanas depois do embarque. Stillgar acompanhou Dieghus para comprar provisões, parando a frente da vitrine da loja Distrito Aysmyn.

– Olha só – Stillgar apontou para um jogo de pérolas negras na vitrine – Nove mil coroas.

– Por quanto tu vendeu as tuas?

– 550 cada – falou Stillgar.

– É que estas devem ter uma ótima história – disse Dieghus.

– Verdade – concordou Stillgar curioso pela história.

Prelúdio: Um conto de Fada

Morgana estava exausta, com fome e muita sede. Não havia uma única luz naquela caverna e ela se irritava apenas de ouvir a voz de seu irmão e mestre Galliel.

– Vamos Morgana! Enquanto não aparecer um raio de fogo não sairemos daqui.

– Vamos fazer uma pausa…

– Não! – gritou ele.

Morgana se concentrava de todas as maneiras, revisava as palavras em sua cabeça, os gestos, as teorias e os livros que leu, mas nem uma faísca saia de seus dedos. Então ela percebeu que estava sozinha no escuro. Ela gritou, clamou por seu irmão e nada: Ele havia lhe deixado sozinha. Ela caminhou se arranhando nas rochas, batendo a cabeça nas paredes em meio a escuridão total, até finalmente enxergar uma pequena penumbra. Havia relva e apenas duas flores. Ela as pegou com delicadeza e produziu o nectar para se alimentar, mas foi impedida por uma voz:

– Não faria isto se fosse você – disse uma velha senhora sentada na relva.

– Quem é você?

– Estas são Espertizes das Sombras. São deliciosas, mas extremamente venenosas.

Morgana soltou as flores. Depois percebeu que não havia ninguém mais ali. A fada seguiu o caminho até sair da escuridão e chegar em um pântano fétido. Era um caminho completamente diferente do que ela havia tomado para chegar lá. Mas ao mesmo tempo parecia o mesmo. Ela correu até a margem das águas, mas evitou beber daquela água. Ela gritou mais duas vezes pelo nome de seu irmão. Pensou em gritar pela velha ou qualquer pessoa, mas ela parou imediatamente ao ouvir um barulho nas sombras.

– Trolls! – gritou ela ao ver dois seres gigantescos vindo em sua direção.

– Não se preocupe senhorita – gritou um cavaleiro com um belo escudo de aço e brandindo uma espada longa.

O cavaleiro tomou a frente e atacou os trolls os cortando com força. Os monstros recuaram devido a sua implacável habilidade com a espada. O cavaleiro foi até Morgana e se ajoelhou diante dela:

– Meu nome é Vrendon, sou um cavaleiro de Guelrom – ele pegou a mão de Morgana e a beijou com gentileza.

Morgana se sentiu segura, e com a ajuda daquele cavaleiro conseguiu voltar para sua cabana. No entanto o cavaleiro sumiu.

Ela continuou treinando com seu irmão.

Ela reencontrou a senhora bondosa na cidade e as duas se tornaram amigas.

E Morgana passou a receber muitos cortejos do cavaleiro bondoso que a salvou na outra noite.

A história de Morgana parece um conto de Fadas. Mas há algo nessa história que algumas pessoas não entendem, mas ela entendeu que não era seguro ficar ao lado de seu irmão: ela deixou seu lar, sua cidade, sua amiga e seu cavaleiro. E foi viver em Lamormy, longe de Galliel.

 

Prelúdio: Elite da Luz

Digared possui mais de quarenta reinos, todos muito diferentes entre si: Lamormy é um reino que venera a magia, Riornia o conhecimento como um todo, não vale de estudos para um claymorniano que ama as artes belícas. Quando o assunto é arte de verdade, converse com um aristocrata de Helenary. Viaje para Amabel para conhecer as maiores construções que o homem pode fazer, beba boa cerveja em Trindade, coma bem em Megïrom, reze em Laphömi e cace cervos em Duvikiburg. Mas se falar em Boleta, aí você pode estar em qualquer reino de Digared.

Boleta é um esporte coletivo, praticado por dois quartetos de atletas. Dentro de uma cúpula feita de grades de metal um trio de cada lado deve chutar ou socar uma bola de couro com 50 cm de diâmetro, na direção de um buraco redondo de 90 cm de diâmetro. O quarto jogador é responsável por ficar sentado em uma cadeira onde ele consegue movimentar o buraco, com um volante, num raio de um metro e meio.

Tapsa – dia da Final da Copa do Mundo de Boleta.

O camarote pago pelos Chamouths era muito bom, mas Traumat se incomodava com o sol refletindo em seus olhos. Os malditos Gareths estavam do outro lado na sombra bebendo vinho gelado e comendo sorvete de maçã direto de Megïrom – Traumat amava maçã. Um dos seus homens anunciou um convidado e Traumat assentiu para que deixasse entrar: Cahethel Dimitriel.

O sorriso do riorniano se acalorou com a chegada do amigo claymorniano. Os dois se abraçaram e Cahethel imediatamente colocou a mão no rosto.

– Que sol forte – disse o recém chegado.

– Nem fale! – respondeu Traumat indicando os aperitivos.

Qieara, uma das escravas saudidias de Traumat, trouxe cerveja e serviu canecos para os dois. O amo agradeceu a menina que saiu em silencio para a área de serviços.

– Rola uma aposta? – perguntou Traumat Chamouth.

– Não gosto de apostar em Semlya – respondeu Cahethel desdenhando do jogo.

– Não tenho culpa que Claymor não chegou a final – Traumat procurou cornetear o amigo já que Riornia chegava a final após uma vitória esmagadora sobre Lamormy de 11×2.

– Vou apostar mil coroas que o menino de Semlya vai marcar dois hoje – respondeu o claymorniano.

– Jamais – disse Traumat rindo – Ele fez três em Claymor, acabou o estoque de tiros dele.

Os dois riram.

– Vai apostar em quem então? Na maninha?

Os dois riram, mas Cahethel estava querendo apenas irritar. A jovem atacante da seleção de boleta riorniana, Adina Chamouth era a goleadora da competição e havia marcado já uma duzia de gols.

– Adina vai acabar com o jogo. Dobro a aposta – respondeu Traumat.

– E eu aposto que Riornia ganha sem ajuda de Adina – disse um sujeito entrando no camarote.

Traumat e Cahethel olharam para ele imediatamente, e abriram um sorriso: era Aldresh.

– Sente-se velho amigo – indicou Traumat um dos divãs.

Cahethel se levantou para cumprimentar o amigo.

– Pensei que Trindade ia longe este ano, quando vi que você havia se contundido! – falou Traumat apertando a mão do mestiço.

– Espera você se machucou? – questionou Cahethel.

– Sim – respondeu Aldresh colocando a mão no rosto – Tu vistes aquelas enfermeiras do da seleção de Helenary? Me deixaram de cama por uma semana – Aldresh completou fazendo sinais obscenos.

Os três amigos riram.

– O jogo vai começar – disse Traumat.

– Na verdade – disse Aldresh – Além de vir ver o jogo com meus amigos…

– Lá vem ele pedir favores – interrompeu Cahethel.

Os três riram, Aldresh nem ficou sem jeito.

– Fale Al, o que aconteceu? – perguntou Traumat.

– Já ouviram falar de um tal de Tahohas? – questionou Aldresh enquanto sorria para a escrava que espiava o camarote – Tenho um serviço bom para as férias de vocês.

– Missão de férias? – falou Traumat – To precisando. Poderia levar meu irmão do meio.

– Estou dentro – Cahethel falou e olhou para Aldresh – Não é nada ilegal, não é?

– Claro que não – falou Aldresh piscando para Qiera.

Adina chutou a primeira batendo no aro do buraco, fazendo a multidão suspirar.

– Ela é boa! – disse Cahethel.

– Muito “boa” – comentou Aldresh.

– Olha lá! – repreendeu Traumat olhando feio para o mestiço, depois respondendo para o Cahethel – Precisa ver ela com uma espada.

– Ela luta? – indagou Cahethel surpreso.

– Luta, joga e canta – Traumat sorriu orgulhoso, mas complementou – Nada comparado a Carmen cantando. Mas tem uma voz linda.

– E como tá a Carmen? – perguntou Aldresh.

– Olha lá! – repreendeu Cahethel.

– Que isto gente – respondeu Aldresh – Vocês me tratam como se eu fosse um animal.

Os dois olharam para Aldresh que começou a rir sozinho.

A multidão gritou e Traumat pulou do divã gritando. Cahethel e Aldresh se olharam com desgosto, pois estavam duas mil coroas mais pobres. No meio da cúpula, Adina corria de braços abertos comemorando o primeiro dos seus 7 gols para o título de penta campeão de boleta de Riornia.