Prólogo – Hondaringston

Semlya

O navio Ariete Negro viajava pela costa de Digared levando seus marujos e o sagas capitão El-Thar. O experiente pirata havia saqueado diversas naus lamormyanas e derrubado uma galera de Claymor, agora buscava vender seus espólios no grande porto de Semlya.

Um dos marujos subiu no mastro para alterar a bandeira e disfarçar o barco pirata. Lá do alto caiu a bandeira falsa, quase em cima de El-Thar. O capitão olhou para o marujo desajeitado, mas sentiu um calafrio ao ver o homem com cara de pavor. Há menos de meio quilometro havia uma escuridão na água que se movia rapidamente, felizmente cortando a frente de sua nau indo de encontro a costa.

El-Thar gritou para que diminuíssem a velocidade do Ariete Negro. Uma onda subiu a frente e engoliu as quatro primeiras galeras de Semlya. Dentro do navio pirata os marujos puderam ouvir os gritos de horror das três embarcações, que logo foram abafados pelo bater d’água.

Houve um silêncio perturbador dentro do barco. As galeras haviam simplesmente sumido, não havia mais escuridão, nada de destroços, literalmente nada. Tudo havia sumido.

– Furrinália proteja-nos – gritou Isik o manco, apontando para estibordo do barco – Cuidado senhor.

Uma grande onda emergiu tapando completamente o sol e engolindo o Ariete Negro.

 

* * *

Riornia

Advenne observava a enorme nuvem rosada que cobria quase todo o seu reino. Trovoadas esverdeadas davam um contraste magnifico, mas ao mesmo tempo horripilante.

Carla chegou ao seu lado:

– Já evacuamos os bairros mais próximos da nuvem – disse a princesa – Você realmente acredita que possa ser perigosa.

Advenne olhou para o livro sobre a mesa com uma enorme nuvem desenhada e uma gigantesca criatura com tentáculos e centenas de olhos em cada membro.

– Não sei no que mais acredito – disse o velho mago.

* * *

Ayllis saiu da cripta. O céu estava escuro e a chuva fina parecia destruir a vegetação leve ao seu redor. A vampira bebeu um pouco da água e sentiu o gosto familiar de sangue. Era um mau presságio para os mortais, mas a poderosa feiticeira vampira sabia que não havia futuro para as criaturas da noite se os primordiais dominassem Digared.

– Não são os primordiais – disse Miner descendo do céu lentamente.

– A visita mais inesperada – disse a vampira com deboche – O que está vindo?

–  Shub-Niggurath.

– Ela nem é desse mundo – comentou Ayllis.

– Não – respondeu Miner – Ela engoliu o mundo dela. E agora venho engolir o nosso.

Ayllis se ajoelhou e molhou a mão no sangue da poça:

– Precisamos de uma arma! – disse a vampira.

– Você vai nos ajudar? – perguntou Miner.

– Escolha os heróis! Mas precisamos dos melhores, uma seleção de sangue deverá ser feita ou nada feito. Você tem coragem de fazer o que tem de ser feito?

Miner olhou para a nuvem de sangue.

– Eu espalharia a cabeça de todos para salvar este mundo – respondeu a maga ruiva.

* * *

Neabline

Lesnahel acordou em seu quarto. Abriu a janela e respirou o ar profundamente. Ele olhou para a bela vista de seu reino e depois arregalou os olhos. Ele viu a vista de sua janela, ele viu as casas, as florestas, as pessoas assustadas nas ruas. Via todo o reino. Lesnahel conseguia enxergar Neabline. A cidade que era amaldiçoada com uma neblina eterna, hoje, amanhecera sem neblina.

 

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Prólogo: Estrela

Vale Azul Verdadeiro

Doze cavaleiros com capas azuis, galopavam a toda velocidade na direção do acampamento. Um sentinela de manto vermelho e amarelo ergueu uma bandeira de saudação, e o batedor mais a frente respondeu com a corneta: eram notas de paz.

Um dos cavaleiros desceu primeiro e ajudou a rainha Caligari a descer do seu alazão.

– Pode passar majestade – disse o sentinela em tom respeitoso.

A rainha cruzou o acampamento sobre olhares sóbrios dos soldados até chegar em uma tenda aberta. Ela entrou e encarou o líder daquele acampamento: Tutan Nahi.

– Sir Nahi – cumprimentou a jovem rainha.

– Majestade, sempre pontual – comentou ele polido e apontando uma cadeira para que ela se acomodasse – Por favor.

Ela aceitou e sentou-se.

– Soube que sua incursão em Alísios não fora bem aceita como esperávamos – ele comentou os rumores ouvidos.

– Seu pai? – perguntou ela recebendo uma confirmação silenciosa – Sempre soube que Hikan não era adepto aos nossos métodos.

– Meu pai é um romântico. Tudo o que ele conquistou e adquiriu foi graças a sua espada e coragem. Ele não entende nossos conceitos visionários.

– Nossos Tutan? – disse ela sorrindo – Vejo que entendestes bem nossos objetivos.

– Mais do que isto majestade – disse ele pegando a espada e colocando sobre a mesa, uma Vingadora Sagrada – Eu tenho meu próprio método de erradicar o mal deste mundo.

* * *

Alísios

Dalmerith cavalgou calado por todo o reino. Dalqer ia a frente mostrando as regiões. Os aldeões olhavam amedrontados, mas logo viam que o rei trazia moedas de prata. Os miseráveis agradeciam e o rei respondia sempre da mesma forma: – Me desculpe Alísios. Me desculpe vovô.

– Pai – chamou Dalqer apontando para o orfanato – Chegamos.

– Espero que não seja tarde para recuperar este reino – disse Dalmerith.

– Nunca é tarde – disse o príncipe afagando os ombros do rei.

Dalmerith entrou no orfanato enquanto Dalqer viu um movimento nas sombras. Ele pediu licença o pai e foi até a penumbra:

– Virou o filhinho do papai então – disse Tarcia debochada.

– Finalmente conheci meu pai – disse Dalqer – Ele recobrou a razão. Graças a Claymor.

– Adoras o deus do milagre errado meu caro Dalqer – Tarcia pegou a mochila e o cajado de caminhada.

– Para onde vai? Espere fique – falou ele pegando no braço da garota que o olhou com estranheza – Finalmente este reino vai reagir. Fique me ajude a torná-lo o que sonhamos.

– Querido – disse ela o beijando nos lábios e se afastando – Estou indo por que não sou mais necessária aqui. Tenho outras lutas, outros lugares. Não sou uma estrela na bandeira de um único reino.

– Espere-me – disse ele voltando – Vou contigo, só me deixe avisar meu pai.

– Não Dalqer Landreha. Você é estrela dessa bandeira.

* * *

Trindade

A carruagem parou e o jovem de roupas de seda branca e cabelos loiros desceu sério. Era o museu de história de Trindade, recém inaugurado e já com um grande problema. O Duque Gasuss saiu para cumprimentar o rapaz.

– Alteza Hasherom Nahi é um imenso prazer recebe-lo em nosso reino e museu.

Ele permanecia quieto e concentrado. Apenas cumprimentou o duque o seguiu pelo museu. Eles o guiaram até o aposento onde havia um pequeno pilar de um metro e meio feito de mármore coberto por um lençol. Um dos criados olhou amedrontado para o duque que fez um sinal positivo, ele ainda exitou, mas logo retirou o lençol revelando uma pedra brilhante.

Hasherom olhou incrédulo: Haveriam duas pedras Shuoa.

– Este é o artefato que lhe trouxe os tais problemas?

– Tais problemas? – disse o Duque – Por causa dele quatro pessoas morreram. O senhor pode tirar o mal dele.

Harsherom se aproximou e logo pode ver uma mão demoníaca em torno dele. Maldito seja o demônio da enganação que lhe criara aquela peça. Aquela não era a lendária pedra e sim a pedra de uma deusa venenosa.

Exorcista! – disse o demônio com voz horripilante.

Harsherom fez sinal para que todos saíssem, mas o demônio fora mais rápido e possuindo o corpo do criado voou até o clérigo e o agarrou jogando pelas vidraças do museu e o derrubando no salão. O jovem nunca havia pegado em armas, nunca precisara de um confronto físico antes.

– Digas teu nome criatura maligna!

Morra Exorcista!

O possuído usou sua telecinesia nas lanças de um armorial e as arremessou na direção do clérigo, que viu o seu fim. Mas no último instante foi abraçado e jogado no chão por outra pessoa.

– Você está bem? – questionou Mithus olhando para o possuído.

– Precisamos pará-lo!

– Precisamos matá-lo!

– Matar nunca é a resposta! – disse Harsherom segurando o braço de Mithus.

Mithus sorriu para o clérigo.

– Gostei de ti! – Mithus correu pegou uma lança e arremessou nas cortinas fazendo um corte enquanto ele a puxou por baixo rasgando pela metade – Vou lhe dar tempo!

– Filhos da Puta! Vocês morrem hoje! – gritou o possuído.

– Brigith luz do dia, a poderosa ômega de Lemúria – Harsherom puxou o pergaminho e começou a recitar suas preces – Venho a tua súplica lhe trazer o teu inimigo para tua luz!

– Morra – ele venho correndo na direção de Harsherom

Mithus se jogou ao lado e jogou a cortina ao lado do possuído, que riu da falta de mira do jovem. Mas assim que colocou os olhos nele, Mithus pegou o espelho que havia catado no chão e usou a luz do sol refletida para lhe cegar.

O possuído girou para trás e foi coberto pela cortina. Mithus puxou a corda com um laço e a arremessou e prendeu-o pelos braços. Harsherom pegou a ponta da lança e rasgou a cortina para mostrar o rosto do possuído, e mais uma vez o sol o cegou.

– Digas teu nome demônio! – gritou o clérigo – Eu o ordeno!

 

Prólogo: Reação

Riornia

O paladino Illeandru caminhava acompanhado de Calhisthiel pelo quartel de Riornia. A filha de Cahethel observava aquele exercito que se preparava urgentemente para uma guerra.

– Tu tens razão – falou Calhisthiel sentando-se na mureta – Advenne não vai esperar Claymor.

– Uma guerra mundial é inevitável – disse Illeandru pegando uma pedra e jogando no riacho – Não uma guerra contra dragões pela nossa existência e liberdade, mas uma guerra politica por poder.

– Todas as guerras são sempre sobre poder querido Illeandru – respondeu ela se deitando na mureta e olhando para o céu límpido – A ordem está querendo destruir o Impronunciável. Claymor destruir Riornia. Até mesmo os heróis que eu aprendi a respeitar podem se corromper em nome do poder.

– Nem todos! – respondeu o paladino.

* * *

Helenary

Elissa entrou no laboratório da faculdade do reino. Um dos alunos alegrou-se quando a viu.

– Senhora – disse o jovem – Ela achou uma resposta.

Elissa assentiu para o garoto e foi até a mesa onde Qevy fazia experimentos com o artefato destrutivo claymorniano. A arma criada para matar os magos, mas que felizmente Endon trouxe para que ela pudesse estudá-la. Infelizmente já haviam sete magos doentes e um havia tido óbito na primeira semana. Mas se alguém poderia encontrar uma cura seria Qevy.

– O que temos? – questionou Elissa.

– Pouca coisa na verdade – disse Qevy – Descobri a origem da doença. É como uma colônia simbiótica. Ela se comunica por telepatia e vive como uma único organismo.

– Qevy traduz! – pediu Elissa irritada, olhando para as mãos com as veias saltadas já.

– Ele ataca a fonte de magia mais poderosa que puder encontrar – Qevy começou a explicar – Mas se algo a destruir, destruirá tudo em cadeia.

– Tá precisamos fazer com que ela ataque uma fonte  de magia indestrutível que em uma reação em cadeia destrua o vírus? – Elissa tentava entender.

– Isto! – disse Qevy – Fora isto ela não tem nenhum ponto fraco.

– O que seria tão poderoso para atrair o vírus e destruí-lo? – pensou Elissa.

 

Prólogo: 3 Escolhas

Estengard

Havia uma antiga construção na rua 17 do norte de Estengard. Há muitos anos ela era utilizada pela rebelião contra Digarom. Hoje ela servia a outros fins.

– Diga minha jovem o que trouxe para mim – disse o mago de voz esganiçada que era conhecido como Anel de Ferro.

A menina que chegara era uma ladra de Wardon que havia conseguido roubar um bracelete mágico de um mago. Ela vagou durante semanas pelo continente para vender o objeto. O que ela não sabia que este item valia pelo menos 15 mil coroas.

– Bracelete velho – Anel de Ferro fez uma careta e tirou 150 peças de ouro – É tudo que posso pagar.

Ela sorriu com alegria, pegou o dinheiro e saiu.

Anelack pegou o bracelete orgulhoso. Entrou na sala secreta e guardou o item na prateleira.

– Como estão os negócios velho amigo – falou Stillgar do espelho pendurado na parede.

Anelack sorriu e foi até a imagem magicamente refletida.

– Não podia estar melhor – sorriu ele.

– Escute – Stillgar pediu atenção – Claymor desenvolveu uma doença para os magos. Isto pode criar uma grande instabilidade.

– Sim fiquei sabendo, mas acredito que isto pode limpar um pouco da concorrência – sorriu  o mago dos anéis.

– É sério amigo. É uma doença, não tem como controlar.

Anelack coçou a barba e pensou.

– Tenho uma pessoa que me deve favores. Posso acabar com o problema, mas vai custar uma grana.

Stillgar ficou pensando. Ele sabia que se aceitasse certamente estaria sentenciando a rainha Caligari a morte.

* * *

Lyn

Endon havia ido visitar seu reino natal em busca de direção. Passou um dia no lago dyn Lyn e sentiu-se revigorado. Voltando a antiga cabana de Milla, o andarilho viu um barril no meio do pátio: muito estranho.

Ele abriu-o com cautela e percebeu que havia ali água e três maçãs: magia de Ayllena.

Rapidamente ele teve um imprinting: Dalmerith havia recobrado a consciência e ele desejava reaver Carla. Mas antes ele deveria se livrar do risco que sua filha Rayka. Isto é, ele teria que matar Miner. Com o artefato de Caligari ele certamente venceria, Miner seria morta, e Aldresh viria para Alísios para se vingar. Dalmerith mataria Aldresh e Endon seria obrigado a vingar o irmão.

O feitiço de Ayllena lhe permitia aceitar matar uma pessoa daquele barril se ele começa a sua maçã. E isto pouparia outras três vidas: Dalmerith, Miner ou Aldresh.

* * *

Riornia

Hikan estava na entrada da cidade de Riornia segurando o embrulho que ganhara da rainha de Claymor. Ele não sabia se sua moralidade lhe daria condições de tomar aquela decisão.

O paladino poderia simplesmente tirar Carla do feitiço shuoa, mas isto acabaria com o casamento de seu fiel amigo Illeandru.

Ele poderia levar o Item até Advenne Chamouth, ver o mago morrer e pegar a pedra Shuoa sem riscos de se corromper por ela. E levar o artefato para um local seguro.

Ou simplesmente jogar o embrulho na fogueira que ele acabara de preparar.

Prólogo: A Digared que nos queremos

Riornia 788

Turth filho do açougueiro entrou enfurecido no quarto de sua noiva Qeria. A garota levantou seminua em um só pulo.

– Onde ele está? – gritou ele.

– Como assim ele? – respondeu ela – Você me ofende assim sabia!

Turth puxou as cobertas, olhou em baixo da cama, abriu os armários e nada. Foi então que ele se deu conta da sacada. Com um só chute ele a abriu. Mas não havia ninguém. Akille Chamouth se largou do teto e caiu, sem fazer barulho, nas costas do noivo de Qeria. Ele piscou para a garota e fugiu pela porta da frente.

Longe ouvia os gritos da garota reclamando por ter sido desrespeitada, enquanto Turth pedia perdão pela desconfiança é ciúmes. Akille atravessou as ruelas do bairro Aladren, um dos mais perigosos do reino, onde poucas pessoas desconfiariam que ele era bisneto do rei Advenne.

* * *

Arredores de Napoesh

Os soldados arrumavam os escudos e lanças e encaravam as hordas de carniças que lhes espreitavam. Os malditos mortos vivos estavam atacando o reinos semanas. O Decado protelava para mandar ajuda, diziam ser problema de Azuleno, enquanto eles falavam ser de Ergedon. Mas aquele exercito não respondia aos homens e sim a uma deusa iluminada.

– Homens – gritou Tutan Nahi filho de Hikan – Já vencemos bárbaros, exercitos de homens e bandidos saqueadores pagões. Houve momentos que lamentei que eles perecessem por nossas lâminas. Mas hoje estamos enfrentando a face do mal e do caos. Não há razão de sermos clementes. Hoje encaramos a face de Ixchel e diremos que este é o nosso mundo, e ela pode mandar quantas monstruosidades quiser, e nos mandaremos todas para o Inferno!

Houve gritos de louvor dos homens daquela centúria que ergueram os escudos com o emblema da família Nahi. E logo marcharam para cima da horda.

* * *

Alisios

Todos os criados corriam para preparar o festival de aniversario da rainha Naylline. Era uma festividade cara, mas sempre obrigatória. O príncipe Dalqer saia do palácio a cavalo quando foi parado pelos guardas.

– Alteza, a rainha pediu para que o detessem caso quisesse sair do castelo – pediu o guarda receoso.

– Bilcoon, não faça isto – pediu o príncipe – Eu vou sair meia hora no máximo.

– O senhor sempre diz isto – retrucou Bilcoon.

– Confie em mim! Eu já te deixei na mão? – sorriu o carismático príncipe.

– Duas vezes.

– E eu te tirei delas sempre não foi – falou ele sorrindo e piscando.

O guarda sorriu abrindo o portão.

– Meia hora nenhum minuto a mais viu.

Dalqer filho de Dalmerith piscou e partiu cavalgando. Cruzou o reino a pleno galope até chegar na favela. Parou o cavalo num beco e abriu o alforge. Os mendigos e miseráveis o cercaram rapidamente quando perceberam que ali havia muita comida.

– Crinças primeiro – gritou Tarcia filha de Stillgar, organizando a fila e indo até Dalqer – Você demorou!

– Tive problemas com Bilcoon!

– Ele não aprende né – ela sorriu o puxando pela mão até o prédio abandonado e o abraçou e beijou nos lábios – Quanto tempo temos?

– Ele me deu meia hora. Eu gastei uns vinte minutos para vir até aqui – disse o príncipe abraçando a ranger.

– Então ele vai ter que explicar a sua ausência – Tarcia empurrou Dalqer no feno, tirou a blusa e subiu sobre ele.

* * *

Arredores de Azuleno

Doki e Jun eram um casal de ladrões que ousava invadir terras nobres. Mas eles deveriam ter visto o emblema daquele sobrado. Joias nos quartos, seda, muito ouro, poderiam ter ido embora, mas eles pensaram porque não saquear o porão. Sempre tem coisa boa guardada no porão.

– Maldita seja Ividinia – gritou Doki.

Havia muito sangue no porão. As paredes eram forradas para não deixar o som sair. Correntes no teto segurava quatro corpos que ainda agonizavam: um sem pele, outro aberto no peito.

– Vamos sair daqui – disse Jun.

– Por que? – disse uma voz decendo as escadas e girando uma lamina afiada nos dedos.

– Que demônio é você? – perguntou Jun com horror e lágrimas nos olhos.

– Deixe me apresentar – falou ele fazendo uma reverência cortes – Vorfeu Chamouth, filho de Winfer.

* * *

Trindade

Galemitus sempre bebia de mais nas noites de folga. E agora que estava desempregado, todas as noites eram de folga. Ele já havia bebido algumas garrafas quando decidiu tentar paquerar a garçonete Monsha.

– Sai para lá Galemitus – pediu ela.

– Vem cá piranha – gritou ele.

Ela se desvencilhou, mas o grandalhão ergueu a mão para bater nela, mas teve as pernas varridas por um cabo de vassoura. O valentão não podia acreditar ao ver que foi o faxineiro que lhe derrubara.

– Você morreu seu merdinha!

– Certeza que vamos levar isto adiante – disse ele girando o bastão com maestria e destreza – Acho que tu não sabe quem eu sou não é?

O valentão ficou confuso.

– Sou Mithus A’Drake, filho do andarilho! Eu fui treinado para matar vampiros e dragões. Tem certeza que a gente vai ter que lidar com isto mesmo?

Galemitus não estava tão bebado para arriscar. Ele pegou suas coisas e saiu da taverna.

Dieghus sorriu de trás do balcão enquanto secava os copos. Mithus chegou no balcão e suspirou aliviado. Galemitus não fazia ideia que Mithus jamais havia dado um soco na vida. A única coisa que sabia era derrubar as pessoas.

– Você é rápido garoto. Devia deixar te treinas – pediu o bardo aposentado.

– Para que? – perguntou o garoto – Para ser um andarilho e viver na estrada sem raiz e sem me impotar com ninguém.

– Não foi o que você fez ao sair da casa de sua mãe? – perguntou Dieghus.

– É diferente. Não quero riquezas. Não quero viver assim. Quero achar meu lugar neste mundo. Uso o nome do meu pai adotivo apenas para evitar brigas. Nem tudo se resolve com guerra – falou ele puxando o colocar de Amabel e beijando.

Dieghus sacudiu a cabeça rindo. Nenhum dos dois percebia uma figura sombria de cabelos ruivos e pele pálida que os espreitava em uma mesa no fundo da tavernas.

* * *

Tapsa

Endon havia rastreado aquela vampira sanguinária durante semanas. Mas agora ela havia ficado encurralada naquele prédio antigo. Ele entrou assoviando e batendo com o cabo do sabre. Ela não ousaria enfrentar o melhor caçador de vampiros de Digared. Então ele abdicou do elemento surpresa. O que ele não esperava era encontrar aquilo: – uma jaula com dois bebês no alto, seguras por uma corrente que a vampira segurava.

Ela riu e se transformou em morcego largando a corrente. Endon saltou e pegou a corrente, mas ela foi muito rápida escapando pela janela.

– É contigo garota! – falou Endon torcendo.

No alto do prédio Mitra Nahi filha de Hikan mirava uma flecha no morcego que escapava da construção. Ela prendeu a respiração, seus olhos se habituaram a escuridao e seus cabelos sentiam a brisa da noite.

A flecha voou e atingiu o morcego em cheio.

Mitra assoviou e um tigre branco saltou da escuridão para finalizar o morcego com selvageria.

– Isto aí Paladino – gritou ela.

Endon saiu do prédio com as crianças no colo e olhou para a garota.

– Pegou ela – falou ele em tom sério e sombrio.

– Claro! – respondeu ela sombria – Tu não me ensinou a falhar.

* * *

Lamormy

Stillgar havia sido convidado para palestras na ULMAF. Não estava ali pelo dinheiro, apenas pela oportunidade de voltar para o seu reino livre das acusações da morte de seu pai.

– Stillgar! – gritou Leherond vindo lhe abraçar – Quanto tempo cara.

– Que surpresa te ver também – respondeu Stillgar sorrindo.

Leherond viu a adolescente ao seu lado.

– Sua filha?

– Não – falou Stillgar – Minha aprendiz.

Ela esticou a mão para baixo e sorriu jovial para Leherond, que prontamente beijou-a respeitosamente.

– Princesa Rayka Landreha, filha de Dalmerith – sorriu ela.

Os dois se entertiam no papo, enquanto a Rayka ilusão os observava e a verdadeira entrava na sala de Deyned com invisibilidade.

– Certeza que eles não vão me enxergar – disse ela transmitindo a voz nos brincos que usava.

– Fica tranquila – respondeu Stillgar enquanto pegava ponche e via a ilusão de Rayka sorrindo para Deyned agora – Só mantenha o plano.

– Ouça Stillgar criança – disse a voz esganiçada do Anel de Ferro que observava tudo em um prédio ao lado – Você está indo ótima.

– Ótima? – sorriu Stillgar disfarçadamente – Com doze anos ela domina as magias de ilusão como ninguem. É um prodígio. Como a Min…

– Não fale o nome dessa bruxa – gritou ela fazendo os brico deles apitarem.

* * *

Alisios

Isherpu filha de Stillgar acordou. A visão ainda estava turva, ela se levantou e abriu  janela. Espiou para sua cama e viu seu próprio corpo dormindo. Voltou-se para a janela e viu Raika roubando para seu pai.

Isherpu sentiu vergonha.

Beckya havia lhe dito quem seu pai era de verdade. Ela lamentou ao descobrir que seu padrinho Hikan sabia da verdade e deixara seu pai  escapar impunemente. Ela ouvia historias dos heróis que eles eram, e o que representavam para o mundo, mas saber a verdade era um fardo muito grande para uma menina de treze anos.

Ela voou pela janela e viajou até uma cripta. No fundo da escuridão ela encontrou um vulto.

– Seu dom está aprimorando criança – disse o vulto.

– Eu li sobre você – disse Isherpu – Quero ver você Ayllis dyn Kayllis.

A vampira saiu da escuridão e se mostrou para ela.

– A escuridão está vindo – disse Ayllis – Você viu as mentiras desviados pela luz.

– Sim.

– A escuridão sempre é negra, não há mentiras.

– Não estou atrás de verdades ou mentiras.  Me pai preza tanto pelo conhecimento que eu imagino que isto seja importante de alguma forma. Eu tenho apenas uma pergunta – disse Isherpu.

– Não – gritou Walter surgindo no lado direito da menina – Este não é o caminho!

– Ele tem razão querida – disse Beckya – Ela não lhe trará nada de bom.

– Eles mentem para ti! – disse Saverkalet rindo.

– Parem! – Isherpu gritou – São tantas vozes.

Ayllis quase não se aguentava de tanta emoção. Que poder único é formidável.

– pergunte criança – pediu ela.

– Você pode me ensinar? – perguntou Isherpu.

* * *

Illiguerd

Hikan chegou no templo com seriedade. Estava acompanhado de seu filho Hasherom. Illeandru fez sinal para que os soldados abrissem as portas do quarto.

– Deixe comigo agora Hikan – falou o filho puxando o livro do Sol que ele mesmo havia escrito, e o amuleto de Brigith.

Hikan ficou do lado de fora e fez sinal para que fechassem a porta. Illeandru estranhou mas não obedeceu.

No quarto Harsherom viu uma mulher de cabelos negros e olhos completamente brancos. O quarto cheirava a vomito e fezes.

– Harsherom filho de Hikan – disse a mulher com uma voz demôniaca e se contorcendo fazendo barulhos de ossos estralando.

– Infelizmente para você sim! – o jovem abriu o livro e ergueu o amuleto fazendo o sol refletir e dar no rosto d mulher possuída que imediatamente esperneou – Mãe Brigith! Guie o caminho da luz e faça de mim, seu humilde servo, o arauto de sua graça magnamina.

– Maldito! – gritou o demônio pela mulher – Eles mentem!

– Com quem falo criatura nefasta! – gritou o clerigo – Eu lhe oderno que me fale seu nome, rei das mentiras!

– Eu vim para destruí-los – gritou ela novamente.

– SEU NOME!?

– Nivi.

Prólogo: Maldição

A rebelião organizada por Aldresh, Ilita e Elissa conseguiu banir os lagartos guerreiros de Digarom. Hikan, Endon, Stillgar, Cegalia e Isa Carolyne entraram sem dificuldades em Estengard.
Quando Endon chutou a porta e gritou:
– Digarom! Endon Chegou!
– Esqueça – disse Hikan procurando o mal que jamais poderia se esconder da luz de Brigith – Ele se foi.
– Covarde! – riu Stillgar aliviado.

Poucas horas antes Digarom havia sido convencido por Myskara, a deixar o reino. Advenne estava com a Pedra Shuoa, mesmo que o ancestral dragão pudesse destrui-los, e ele podia, estaria apenas abrindo caminho para Advenne. Akille havia sido derrotado por uma garota e Advenne não poderia ser páreo para os heróis do forte Nahi.
Miner foi libertada com ajuda de Elissa, Isa e Stillgar e finalmente o domínio dos dragões em Digared acabou.

* * *

Alisios 788 edvm

O casamento de Dalmerith ocorreu 23 dias após a morte de Dalmer. Garlini, a antiga rainha parecia não se importar de casar um filho em meio ao luto.
Os noivos pareciam felizes, principalmente a noiva. Era de se esperar que Carla Chamouth e Illeandru Barezade não viessem a cerimônia.
Stillgar foi padrinho, para surpresa do próprio mago. Endon decidiu não comparecer, embora Naylline insistisse muito para que o primo viesse ver seu triunfo.
Hikan que não fora convidado, ainda assim enviou um presente,que foi descartado pela noiva.

* * *

Riornia 788

Os gritos de Carla ecoavam no castelo de Riornia. Advenne sentia-se impotente por não poder ajudar a neta. Silvik entrou nos aposentos do mago:

– Mylorde, o jovem Illeandru está aqui.
Os gritos cessaram. Uma das matronas entrou no salão e fez um sinal positivo. Advenne sorriu, e falou ao guerreiro.
– Deixe-o ve-la.

Illeandru entrou no quarto de Carla. A menina estava esgotada, suada e enfraquecida. Mas ainda mantinha a beleza de sempre.
– Carla – disse ele se aproximando.
A menina sorriu tirando a manta azul para o lado revelando um lindo bebê recém nascido com olho esquerdo azul e direito vermelho.
– Que lindo – disse o cavaleiro sorrindo e se ajoelhando diante da cama – Me diga Carla. O pai é…
– Ele não tem pai! – respondeu ela ríspida – Ele é apenas um Chamouth. Nada mais.
Illeandru concordou com um aceno positivo de cabeça.
– Estou indo para Illegard ajudr Hikan. Mas voltarei para visitá-la. Sei que estará bem aqui – ele apontou para sua testa – E aqui – apontou para o coração de Carla.
– Obrigada – disse ela sorrindo – Você tem sido um bom amigo.
Illeandru sorriu e se preparou para se retirar do quarto. Mas antes olhou para trás e perguntou:
– Carla – falou sorrindo timidamente – Se eu voltar desta campanha com Hikan. Você gostaria de… – ele não conseguiu terminar a frase.
– Sim – respondeu ela sorrindo.

* * *

Hikan conseguiu vencer os clérigos corrompidos dentro da igreja de Brigith, mas a grande parte deles conseguiu escapar com vida criando a Ordem dos Caídos.
Calacius pediu para que Hikan se torna-se o sumo sacerdote da Igreja e vivesse em Iliguerd, onde o paladino foi agraciado com o título e rei.
Stillar foi convidado por Naylline para ser seu conselheiro. Vendo que Endon quebrou os laços com ela e Dalmerith pediu distanciamento de Hikan, o mago resolveu ficar em Alísios. Onde foi agraciado com o título de Conde e terras nobres. Ele casou-se com Rarossu.
Embora Endon tenha ficado feliz em descobrir que Ilita estava viva, ele ainda assim decidiu ficar com a maga Elissa. Ela acabou por aceitar um cargo político em Helenary, para onde também foi transportado o orfanato. Eles adotaram o garoto Heldresh. Mas nem mesmo o filho fez o andarilho permanecer enraizado em um reino.
O forte foi abandonado.
Cegalia retornou para Azuleno onde casou-se com um poeta.
Dieghus casou-se com uma dançarina de Trindade e montou uma taverna.
Miner assumiu o posto de Aurin, mas ela e Aldresh se separaram. O ladrão fundou duas guildas.
Ilita voltou para Napoesh.
Illeandru, Calhisthiel e Gabi se tornaram paladinos da ordem de Hikan.
Ziziri se tornou rainha dyn Lyn.
Wesnayke conseguiu tornar Claymor mais uma vez o centro do Decado. Riquilmi seu filho mais velho se tornou um grande general, enquanto Caligari seguiu a parte política, se tornando uma senadora fascista.
Saturway, a assassina que antes fora conhecida como Azhaela, matou todos os Treze antes de ser presa e executada na arena de Claymor.
Magra voltou para o norte e foi aceita no exército de seu pai.
Kalliel dyn Kayllis se tornou um caçador de vampiros e conseguiu adquirir a espada serpente elemental de gelo.
Simba voltou para Ometardeck e tornou-se guardião do rei.
Luh-Takaha se tornou rei de Takash.
Briton se tornou guardião do rei em Hal-Has.
Mallestrizizz começou a estudar para ser paladino de Brigith.
Vorik voltou para Semlya, e com a morte do irmão: Ele, assumiu o cod-nome: Essa.
Tayrine foi morar em Illiguerd onde montou uma fábrica de máquinas e uma companhia ferroviaria.
Qestros foi morar com a irmã Elissa, em Helenary. Casou-se com uma condessa e ganhou a espada Serpente de Fogo de Hikan.
Garlini esposa de Dalmer ficou louca e foi presa na masmorra por Naylline.
Fenrish se tornou chefe da guarda de Dalmerith.
Winfer foi solta por Naylline e devolvido para Riornia, tornado-se general de Venne.
Aradiana sentou no trono de azuleno.
Isa voltou para Litarmina.
Cabriel casou-se com uma princesa.
Jirga se mudou para Riornia onde casou-se com Silvik, que se tornou chefe da guarda de Advenne.
Qevy foi contratada por Aymin para chefiar a sua industria de itens magicos.

* * *

O covil de Ayllis estava gelado, mas Advenne não importou-se. Ele apenas ia se livrando do rastro de corpos de ratos sem sangue que certamente levavam a decadente vampira.

No fundo da cripta ela jazia destruída, ainda pela magia de Miner.

– Que degradante – debochou o mago Shuoa – Nada surpreendente para mim.

O mago riu e ela nem se moveu. Ele puxou o corpo de um coelho e jogou aos pés dela. Ayllis voou no animal e arrancou o sangue de sua jugular. É uma ilusão formando a antiga Ayllis saiu da escuridao para negociar com ele.

– Bem melhor – comentou o mago – Mesmo sendo uma mentira.

– A ignorância é uma benção – comentou ela encarando Advenne – Que queres Chamouth?

Ele sorriu, e puxou a pedra para ameaçar.

– Um passarinho ruivo certa vez me contou das maldições de Ayllis. Sobre o que fizera com Hikan no deserto, com Stillgar e Anel de Ferro no assassinato de Walter – ele parou e sorrio – Mas ouvi que tu fizestes algo especial para Endon A’Drake. O original, não o Junior.

– Acredite a verdadeira amaldiçoada fui eu – falou ela lamentando.

– Conte-me – ele mostrou a pedra.

A imagem do passado venho clara para Advenne. Ele pode ouvir os passos de Endon indo enfrentar Myllis. O vampiro havia transformado Mylla, a esposa do caçador de vampiros, em uma cria. O maligno vampiro acreditava que Endon não conseguiria matá-la. Mas Ele puxou o sabre e dacaptou-a sem piedade.

A luta final entre os dois se iniciou. Na escuridão Ayllis observava o irmão lutando contra o caçador. Mas a fúria de Endon lhe deu uma vontade a mais de vencer, e Myllis foi destruído. Ela não podia acreditar que seu irmão poderoso podia ter perdido para um simples humano. Então ela puxou sua varinha de osso para invocar a maldição do Algoz.

Endon caiu no chão e sua pele ficou branca como Myllis. Seus cabelos ficaram ruivos, e toda a aparência e consciência do vampiro passaram para Endon. E assim o caçador tomou o lugar do caça.

– Você é diabólica – falou Advenne se afastando – Por isto ele não possui as fraquezas de morto vivo, por isto Endon não consegue rastrea-ló. Ele procura pelo vampiro, mas deveria estar procurando o pai.

– Vai desfazer minha maldição?

Advenne riu.

– Há… não! Sei que ainda terei problema com o Andarilho. É hora de fazer amizade com o pai…

 

Prólogo – Não era sobre eles…?

Adina Chamouth observava o antigo quarto de brincadeiras que sua mãe Yalla mandara fazer quando Traumat e Akille eram crianças. Posteriormente ela brincara ali com sua prima Wynfer e com outras amigas: o quarto estava vazio. Os fantasmas infantis de seus irmãos pareciam correr pela sua imaginação enquanto ela buscava conforto em suas paredes.

A guerreira desceu até a adega onde seu pai organizava as centenas de garrafas. Ela jogou a espada no chão. Tirou a armadura, os braceletes enquanto ele a observava com curiosidade.

– Filha – pediu ele.

– Você perdeu o direito de me chamar assim, quando trouxe ela para o nosso lar! – gritou Adina apontando para a pedra Shuoa.

– Você não entende agora – tentou explicar o mago sorrindo e acariciando a pedra com um pequeno pano negro de Veludo – Ela pode nos ajudar, vai matar nossos inimigos. Ela vai…

– Ela vai nos destruir pai – disse a guerreira com os olhos marejados – Akille pegou a pedra para se vingar de Cahethel, e foi morto pela própria filha. Não há motivos para vingança hoje enxergo isto. Traumat foi morto por Cahethel, que foi morto por Akille, mas nada disso fez nossa família voltar ao que era antes. Quantos riorniano morreram por claymornianos? Mas quantos nós matamos? Após milênios não somos capazes de afirmar que atirou a primeira flecha!

– A pedra pode responder isto – ele sorriu.

Adina se jogou aos pés do pai e se ajoelhou pegando em sua mão.

– Pai – ela parou devido ao choro, mas prosseguiu – Me deixe destruí-la! Escolha a mim ao invés dessa abominação.

– Eu sempre escolherei você e Carla – falou ele sorrindo.

– Largue a pedra papai! – ela suplicou, tateando o chão em busca da espada.

– A pedra – ele olhou a pedra com entusiasmo. Abriu os dedos e ela começou a escorregar – Não! – disse ele segurando a corrente e a deixando suspensa ao ar – Você ainda não entende.

Adina sabia que enquanto Advenne estivesse tocando a pedra com a pele, ele seria invencível. Mas agora ele tocava apenas a corrente. Era o momento perfeito: Só precisava puxar a espada, ela o Fez – A brandiu rapidamente e a enterrou no peito do seu pai!

Mas uma segunda lamina de alabarda se colocou a frente da espada de Adina.

– Você está doida! – gritou Carla jogando Advenne para trás. O mago pegou a pedra e a guardou no peito – Você ia matar o vovô!

– Carla querida – pediu Adina – Precisamos vencer a pedra. Você sabe disso, já fez isto antes! Você é a escolhida, Miner disse que o poder do amor pode vencer a pedra! Você venceu Akille e pode ser imune a Shuoa.

Advenne pegou a pedra e passou o dedo para dexa-la púrpura, assim os olhos de Carla se tornaram chamas púrpuras.

– A pedra é a resposta titia – disse Carla!

Adina recuou, jogou a espada no chão e saiu da adega em prantos. Era o momento de partir. Se livrou de tudo que tinha de Riornia. Ela não teria forças novamente para atacar seu pai. E Não ficaria para ver seus entes queridos serem consumidos por aquela maldição.

Ela saiu de Riornia para se tornar uma nômade.

* * *

Dalmer reorganizava Alisios assinando papeis. Deitado na cama após os grandes ferimentos causados na guerra com os dragões, o guerreiro temia morrer na cama: – Não era um modo justo de um Landreha morrer. Felizmente a sua futura nora Naylline era uma conhecedora de venenos draconicos, e estava lhe medicando com ótimos tônicos.

Garlini entrou no quarto lhe trazendo o último tônico.

– Naylline disse que era para que tomasse após você ter assinado todos os papeis – comentou a esposa – Pois você precisa repousar após ingeri-lo.

Dalmer assinou os ultimo papeis, declarou duas leis novas e empossou seu filho Dalmerith como rei até ele se recuperar. Depois bebeu o tônico, bocejou e dormiu.

O rei Dalmer filho de Enzigh dormiu e sonhou com as batalhas épicas que vivera, lembrou do pai e irmão Éverith que haviam lhe deixado. Ele sonhou que estava em uma nova aventura, e então nunca mais acordou.

Dalmerith se tornou rei de Alisios.

* * *

O casamento com Dalmerith traria novamente a familia A’Drake para os holofotes nobres. Taiqilles estaria orgulhoso pensou a garota sorrindo em frete ao espelho de ébano. O vestido negro que usara no velório foi muito elogiado pelas duquesas Garshilles. Aquelas velhas harpias eram sebosas, mas a nova rainha tinha que ser aprovada como uma “fada” por elas.

Naylline se virou, mas percebeu que havia alguém em seu espelho: Advenne Chamouth.

– Padrinho – disse ela irônica.

– Pelo que percebo o plano está dando certo – sorriu o mago acariciando a pedra.

– Nunca gostei deste namorinho de romance açucarado – rebochou Naylline.

– Mantenha o novo rei ocupado, e vivo pelo menos no primeiro ano.

– Um ano! – reclamou ela – o Veneno tem prazo. Logo ele vai lembrar do que sente por ela.

Advenne riu:

– Não tem problema – disse ele – Ela já estará vulnerável a pedra até lá.

O mago saiu do espelho e foi até a sacada para observar. Carla lutava com seis guerreiros com extrema agilidade e força.

– Ela é fantástica não é? – falou Advenne.

– A melhor que já treinei – respondeu Silvik com os olhos púrpuras.