Resumo Sessão X

638CA7A4-247D-4858-9969-8CA60A0C9BE6Endon mal retornou para o forte e teve que lidar com os esquisitos boatos sobre os avanços de Myllis e Akille. O guerreiro Silvik atualizava todos na sala de jkantar sobre os relatórios de Dalmerith. Enquanto ele relatava, Hikan e Endon observavam um ao outro sem dizer nada: o pior de um mau estar entres duas pessoas eram as coisas não ditas. E ali havia muita coisa não dita.

 

Interrogar Anelack Belford não levará a nada. O sujeito era muito raso, debochado e parecia também não conhecer todos os planos de Akille. Stillgar lembrou da magia que Qevy lhe havia revelado. Comunicação com itens mágicos. Valia a pena tentar para obter informações de outros que estivessem a frente deles. Endon lembrou de seu irmão Aldresh, e tentou contatá-lo.

Aldresh e Endon não se viam desde que o ladino havia trazido Carla para o orfanato. Ele esperava por uma recepção imprevisível, como era normal de Aldresh, mas ele estava abatido pela morte de Rhan. Ele contou que descobrirá que Ayllis havia pedido que Wynfer capturasse Silvik, o herói era uma peça fundamental para o plano da necromante.

Endon passou para os demais, e eles resolveram atacar antes de serem surpreendidos.

Stillgar Ainda pode confrontar Ayllis, antes da viagem. Ela havia conseguido dominar o corpo de Qevy por um breve momento, mas foi o suficiente para o mago se dar conta que era preciso quebrar as alianças com a vampira e fechar com seu grupo.

Eles partiram para o ataque: Hikan, Stillgar, Endon e Silvik. Illeandru foi apenas como guia. Dieghus foi junto como suporte, mas estava muito enferrujado e cansado após.tres anos no mar.

Illeandru mostrou o lugar marcado. Hikan ordenou que ele retornasse para o forte. Endon rastreou quatro tipos de mortos vivos no local: ghouls, inumanos, cães abissais e vampiros.

Eles invadiram a gruta destruindo os primeiros ghouls. Os inumanos tentaram usar suas maldições e mandingas, mas Endon e Hikan pareciam destemidos, Stillgar estava atento, e rápidamente os demônios sucumbiram. Mas logo a ameaça de Winfer chegou. Ela dominou Stillgar o ameacando, feriu Hikan até sangrar, mas com a proteção de Hikan e a ferocidade de Endon, ela também foi subjugada. Endon ainda a finalizou com uma esplosao de gelo de seu sabre que congelou o braço da amazona por completo.

Anel de Ferro e Winfer, os Senhores do Forte pareciam ser imbatíveis agora.

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Prólogo: Lendas

Os arqueiros estavam posicionados, as centúrias postadas e o povo de Lyn protegido. Rhan olhou para o cálice de vinho pela metade, e resolveu pegar os sabres. Filinsty olhou para Aylena que fez um sinal de negativo.

– Não irmão – disse Filinsty – Os nossos exércitos irão acabar com eles. De uma chance.

– Eu posso acabar esta guerra sozinho! – respondeu Rhan – Fiz uma promessa a Endon, se eu puder vencer para os filhos dele eu o farei.

– Myllis não luta limpo – advertiu Aylena.

– Mais um motivo para que eu o vença.

Rhan saiu de Lyn montado em sua águia.

 

* * *

Laura entrou no salão e viu dois criados arrumavam a armadura em Cahethel.

– É verdade então? – Ela perguntou cruzando os braços e se recostando na parede.

– Eu matei Traumat – falou Cahethel – Sou eu quem ele quer. Vou derrotá-lo antes que ele vá atrás de Stillgar. Nossa filha está no forte, esqueceu? A culpa é minha, eu resolverei.

Laura caminhou até o esposo, fez sinal para os criados saírem.

– Eu nunca tentei dissuadi-lo meu amor – disse Laura amarrando o peitoral enquanto os criados saiam – Sabia quem eras quando te conheci, sabia quem eras quando nos casamos, e nunca quiz mais de você. És Cahethel Dimitriel. Nunca sonhei que envelheceríamos juntos. Sei que meu futuro é morrer velha, sozinha em uma cadeira de balanços segurando tua capa e lembrando as histórias do maior herói deste continente – ela não conseguiu evitar uma lágrima – Vença Kille ou morra tentando, mas nunca: Digas que este mal que atinge nosso mundo vem de você meu querido.

Cahethel beijou Laura como se fosse o último… ou o primeiro beijo.

* * *

Rufere olhou para seus homens. As ordens de Advenne eram muito específicas, mas ele não queria lutar uma guerra por Enzigh contra Akille e Wynfer. E agora com a morte do rei não havia razões para pensar em manter os antigos votos.

– Adina – chamou Rufere – Leve está mensagem para o inimigo.

– Queres que eu leve uma mensagem para o inimigo? – perguntou a jovem amazona confusa.

Rufere acentiu e Adina percebeu que os Chamouths iriam se unir a Kille. Mesmo contra a vontade de seu pai. Ela pegou a mensagem em partiu a cavalo.

* * *

Os Morlochs abriram para a passagem para Cahethel, eles desejavam provar a carne do humano, mas nenhum deles se arriscaria a enfrentá-lo. Vorbzth guiou o cavaleiro de armadura brilhante até o acampamento de Kille. O guerreiro viu a chegada do desafeto, e sorriu sarcástico.

– Sabia que eras corajoso, mas nunca pensei que fosse burro – disse Akille rindo.

Cahethel tirou a capa e a deixou no chão. Não desembainhou a espada, resolveu aguardar.

– Eu desejava apelar para a bondade que outrora nos fez aliados – começou Cahethel – Mas eu vi as atrocidades que cometeu. E não posso perdoa-lo.

– Entendo – disse Akille rindo e pegando a espada Gloriosa e a tirando da bainha.

Agora Cahethel pegava Rarkbanth e a retirou da bainha.

– Lembro de quando meu pai lhe deu Rarkbanth – disse Akille – Ele contou a história do lago e tal. Que era uma espada de muitos mundos… tinha um nome que ela era adotada naquela língua estranha…

– Bretão – falou Cahethel sem emoção.

– Exato – Chamouth riu ignorando o ódio de Cahethel – Escalibur! Era como eles…

– Cale a boca Akille! Nao finja que somos velhos amigos. Tu te corrompeu e agora acabou.

Cahethel puxou a Rarkbanth e se preparou para o combate, Akille puxou Gloriosa, mas a arma voou para o centro do combate e emanou uma forte luz.

– Que isto – Akille esticou a mão para puxar a arma, mas ela não obedecia – venha porcaria de arma.

– Deverias ter estudado a sua espada e não a minha.

Gloriosa desapareceu com um último brilho e foi encontrar um guerreiro mais digno.

– Em nome do teu irmão irei lhe dar uma chance de se entregar – disse Dimitriel.

Akille fechou os olhos e se concentrou.

– Não seja imbecil Akille!

o riorniano gargalhou é uma sombra tomou seu sorriso. Uma energia emergiu em sua mão transformando a pedra Shuoa em uma espada.

– Meu nome – ele abriu os olhos sério – é Kille!!!

Cahethel Correu para cima de Kille brandindo a espada, mas a espada Shuoa interrompeu a lâmina de Rarkbanth e um estrondo ecoou.

* * *

Myllis saltou sobre Rhan, mas o guerreiro elfo esquivou e fez dois cortes rápidos nas costas do vampiro. Ele dançou um pouco sorriu para Rhan e seus ferimentos se regeneraram.

– Você continua liso – rebochou Myllis.

– E você é lento – Rhan bateu os sabres criando dois brilhos solares em suas lâminas – Truque novo!

Myllis ficou sério.

Rhan atacou, rapidamente Myllis esquivava, mas voou para longe quando percebeu que a luz das lâminas o feriam apenas passando perto de seu corpo.

– Maldita seja Ixchel – gritou Myllis – Lâminas do cacete!

– Hoje iras morrer Myllis – Disse Rhan mirando a arma não direção dele – Acabou!

Myllis esquivou para sair do feixe de luz emitido pela arma. Era preciso um plano B. Ele fez sinal para a escuridão e uma dezena de vampiros ghouls surgiram.

* * *

– Podemos confiar nela – perguntou Aldresh olhando serio para Adina – Ela chega em nosso acampamento dizendo que os Chamouths vão se aliar a Akille, que aliás é um Chamouth! E agora devemos confiar que Ela, que aliás, é uma Chamouth, vai nos ajudar?

– Por que você sempre fala tanto? – perguntou Dreshylin impaciente.

– Faz parte do meu charme – debochou Aldresh.

Adina resmungou com tédio:

– Os dois poderiam parar de namorar e me dar uma resposta.

– Deixamos a resposta para ela – falou Aldresh olhando para Miner que observava pensativa – Ela é a líder.

Adina encarou Miner, e a maga não recuou. Estava diante de talvez da melhor espada do continente. Mas não esperava lealdade dela diante do próprio irmão, sabia e entendia de pessoas indecisas.

– Os planos são verdadeiros? – perguntou Miner.

– Você sabe que são!

As duas se olharam com muita frieza sem dizer nada.

– Confesso que vocês se olhando assim me deixa um pouco enciumado -disse Aldresh – Mas tá um tesão…

 

* * *

Um novo corte que feriu Kille novamente.

– Nunca se deve trocar uma espada mágica no meio de uma batalha. Uma lição…

– Uma lição de Traumat – respondeu Kille apertando o ferimento novo no braço direito – Caso não lembre, ele era meu irmão. E você…

Kille atacou duas vezes Cahethel, mas a espada foi aparada com facilidade, e ele respondeu com um contra ataque feroz, enterrando a espada no abdômen de Kille.

Cahethel caminhou ao redor de Kille e preparou a arma:

– Sinto muito Akille – falou Dimitriel.

Kille olhava o sangue se acumular em uma poça em sua frente.

– Sabe – falou Kille com dificuldade – Eu sempre soube que não seria páreo para você…

– Diga a Traumat que eu sinto muito…

A espada atravessou o peito de Cahethel. É uma voz falou em seu ouvido:

– Diga você mesmo – disse Ela.

Cahethel caiu de joelhos e encarou ela nos olhos:

– Azhaela… – disse ele sem acreditar que estava diante de sua prima – Por que….

– Meu nome é Saturway – disse ela cravando a arma no coração dele.

Cahethel olhou para o céu que se punha, viu a imagem de Laura. Imaginou ela sentada em uma cadeira de balanços. Pensou em não lamentar ter falhado em seus últimos segundos de vida, e sim agradeceu a Amabel por ter amado aquela mulher.

Os olhos de Cahethel se fecharam para sempre.

Kille se levantou. Ele nao permitiu que os Morlochs devorassem sua carne.

* * *

Ayllis viu quatro cavaleiros chegando em seus domínios. Ela havia mudado de covil a pouco, era impossível alguém conhecer sua localização: a não ser que fosse Miner.

– Destrua-os – gritou a vampira para sua horda de ghouls, ela não pagaria para ver.

Miner ergueu a mão e um exército de guerreiros saiu da floresta para interceptar a horda. Ayllis riu, ela enxergava reforços para seu exército de mortos-vivos. Contudo, um instante antes do embate, a maga conjurou sua magia: – Pandemônio!

Os ghouls hesitaram, quando perceberam que os soldados não eram homens e mulheres comuns e sim os paladinos de Digared. Todos eles estavam lá e cada um deles empunhava uma espada Gloriosa. Apenas Ayllis enxergava a verdade, homens de lanças e armas comuns destruindo seus ghouls amendrotados.

– Maldita ilusionista – gritou Ayllis irritada.

Os três cavaleiros de capa negra tiraram suas capas e partiram para cima dos líderes vampiros da bruxa. Adina arrancou a cabeça do primeiro, Aldresh disparou duas setas no coração das vampiras sacerdotisas. e enquanto ele sacava sua espada, Dreshylin empunhou seu emblema de Ividinia e amedrontou os vampiros lanceiros. Adina e Aldresh só tinha-me o trabalho de cortar os desgraçados.

– Isto acaba hoje – gritou Ayllis olhando e apontando o dedo para Dreshylin – eu te ordeno: Morra!

Uma energia maligna tomou o corpo do clérigo.

– Eu Não Permito! – falou Miner invocando sua magia.

A energia se dissipou.

Ayllis olhou irritada para Miner. Ela sacou sua espada de osso e se teleportou para frente da menina, o Corte foi rápido e perfeito no pescoço da maga: mas era uma ilusão. Miner surgiu voando no alto e arremessou uma chuva de adagas de fogo. Ayllis se metamorfoseou em um enxame de mosquitos e as adagas passaram entre o enxame. Ayllis fez um tornado que se movia não direção dos soldados, Miner fez uma onda de vento quente que dissipou o redemoinho.

As duas magas se encararam frente a frente.

– Vou destruí-la ruiva – gritou Ayllis – Que truques a mais você pode usar? Eu sou uma deusa!

– Eu também trouxe um deus – disse Miner – Invocação Lendária!

Uma luz surgiu atrás de Miner e um grupo de pessoas saiu de dentro da claridade: a vampira não podia acreditar, Ralephar, Endon, Safira e Andryt. Eles correram não direção da vampira, mas de trás dos quatro surgiu ele!

– Pega ela papai! – gritou Miner para Enzigh que corria com sua espada vorpal.

– Maldita Planewalker! – gritou Ayllis puxando toda sua energia mágica.

Prólogo: Menos um, mais Uma

Um mensageiro cruzou o acampamento de campanha. Ele entrou sem cerimônias na tenda real, só depois lembrando de se ajoelhar diante do príncipe Dalmer, filho de Enzigh.

– Alteza – falou ele olhando para o chão.

– Levante-se Ferinth filho de Gonabyll.

Fenrish e Éverith, os irmãos bastardos de Dalmer, olharam para o mensageiro com visível semblante de desilusão.

– O rei, vosso pai – disse Ferinth – Ele foi assassinado.

– O que? – gritou Dalmer.

Fenrish, se ajoelhou no chão e levou as mãos ao rosto. Éverith socou a viga da tenda, depois gritou enfurecido. Dalmer olhava com os olhos cheios de lágrimas, era impossível acreditar que o heróis dos heróis, o rei dos heróis, o seu maior herói havia morrido.

– Myllis – disse o mensageiro.

– Quero todos os meus homens aqui – Dalmer gritou.

– Espere – alertou Fenrish – Envie uma guarnição para Miner e Dalmerith.

– Não será nescessario se eu matar este desgraçado – disse Dalmer pegando sua espada.

Éverith colocou a mão no ombro do irmão e olhou friamente para ele.

– Há momentos para ser um menino mimado e outros para ser um homem responsável – disse Éverith – A sua vingança será a nossa, mas devemos guardar aqueles que estão vivos antes de honrar os que se foram.

Dalmer acentiu concordando.

* * *

– Enzigh morreu? – perguntou Wesnayke alegremente – Quero cem centúrias agora. Devemos dominar o Decado.

– Estamos em guerra com os Morlochs! – alertou Oberyan.

– Enzigh estava – disse Wesnayke – Ele morreu e perdeu. Deixemos os Morlochs e Akille dominarem nossos inimigos, vamos proteger Claymor. Nossos aliados verão que a vitória está do nosso lado quando os Landrehas e Chamouths perderem.

Tricinia e Oberyan olharam para o plano que Wesnayke fazia no mapa de Digared, retirando os apoios.

– Se recuarmos aqui, perderemos muitos aliados!

– Eles não são Claymornianos – respondeu Wesnayke.

– Azhaela é sua esposa! – falou Tricinia.

Wesnayke sorriu.

 

* * *

Os avanço sobre as unidadades inimigas eram lentos, cada hectare era disputado a Ferro e fogo. E o sangue de cada homem e mulher era sentido pelas centúrias que aos poucos pareciam menos se parecerem com este nome. Azhaela viu diversos de seus homens destroçados pelos Morlochs, alguns lutaram ao lado de seu pai, outros eram filhos de seus mentores, e cada um dera tudo para aquele avanço. Era uma vitória que se aproximava.

Os morlochs mandaram toda sua infantaria, era o desespero. Era o momento dos Treze. Ela fez sinal para que Tidra da bandeira fizesse o movimento de avanço da elite.

Tindra correu e brandiu a bandeira.

Os morlochs avançaram rapidamente, os soldados de Azhaela gatinham com as lanças nos escudos aguardando o momento em que os treze deceriam a planície com a cavalaria. Era uma contagem regressiva. Os homens gritaram no momento em que a elite chegaria…

Mas ela não venho.

Os morlochs avançaram. Azhaela olhou para a colina e nada. Ela viu Tindra brandindo mais forte a bandeira, um Morloch mais avançado lançou uma lança pesada que atingiu a amazona no peito, a arremessou três metros para trás e a manteve empalada no meio do campo de batalha.

– Formação! – gritou Azhaela.

As Laranjas Furiosas se prepararam para o embate com os Morlochs que derrubaram as duas primeiras fileiras como se fosse milho e em poucos segundos destroçaram a terceira, quarta, e quando Azhaela tocou no toque de recolher, já não possuía mais exército.

Morlochs foram despedaçados pela espada flamejante de Azhaela, mas eram muitos e rapidamente ela fora vencida e levada como prisioneira.

 

Akille e Winfer vieram ver os prisioneiros das nove batalhas vencidas: Azhaela era a mais conhecida. Winfer se aproximou da amazona de cabelos laranjas e a encarou com desprezo. Havia sangue em seu queixo e olho.

– Os demais levem para os Morlochs – gritou Winfer apontando para os tenentes de Azhaela – Eles estão implorando a dias por um churrasco.

Os prisioneiros gritaram pedindo misericórdia, mas nem Wynfer e Akille foram complacentes. Azhaela arregalou os olhos: isto não era guerra, era extermínio.

– Você não é assim Akille – disse ela tentando lembrar o guerreiro – Você é o guardião da Gloriosa.

Wynfer riu da rival e chutou sua boca.

– Cale-se vadia! – disse ela puxando o cabelo de Azhaela e arrastando ela pelo chão – Olhe para isto!

Azhaela viu as piras de corpos de seus homens sendo queimados. A batalha havia comprometido a guerra: Cahethel, Lucas, Rhan e até mesmo Aradiana, todos haviam perdido. Mas apenas ela fora capturada.

Akille se agachou frente a frente com Azhaela:

– Lembro daquela campanha em Monkoles? – perguntou ele amigavelmente – nós vencemos um grupo de ananasis que com aqueles Moggs fedidos. Recuperamos a coroa do rei dos Minotauro. Aí fomos comemorar e aquele Minotauro de dentes tortos tinha apostado que a gente ia se beijar depois da meia noite…

– Era ano novo – completou ela – Era tradição nohëan de beijar a meia noite.

– Nos falamos dezenas de vezes não somos nohëans – disse ele.

– Mas eles achavam que todos os humanos eram noheans.

– E a meia noite eu queria muito te beijar – confessou ele.

– Eu também – disse ela sem tirar os olhos dele – Mas Beckya…

– Nem éramos namorados ainda mas…

– mas eu sabia que vocês ficariam juntos – completou ela – Éramos amigas e ela falava que iria casar com aquele riorniano de olhos de duas cores.

– Um Riorniano é uma Claymorniana.

– Uma claymorniana e um riorniano – disse ela, os olhos de Azhaela ficaram confusos, como ela lembrou de Beckya? Ela nunca ouvira este nome antes. Mas agora lembrava-se de seu cheiro, das festas de debutantes, das confissões de adolescentes, do dia em que ela lhe contara que estava grávida de Carla – Carla!

Akille levantou-se e mecheu na pedra Shuoa.

– Você entende? – disse ele – Por isto fiz o que fiz. Eles me tiraram tudo. Me tiraram Beckya e Carla.

– Mesmo assim Akille isto não é justificável.

– Kille! – gritou ele colocando a pedra na espada Gloriosa – Este é o nome que a pedra me deu. E a pedra clama por vingança. A vingança pela mulher que eu amei. Pela sua amiga.

Azhaela olhou confusa, seus olhos se fixaram na púrpura da gema que brilhava:

– Isto é errado -disse ela.

– Errado é terem tirado Beckya de nos. É Wesnayke ter te usado para chegar ao trono. Tua deusa Sarah não ter lhe atendido nesta batalha – ele encostou a pedra na testa dela.

– Wesnayke! – a pedra mostrou Wesnayke em uma orgia, a pedra não mentia, apenas mostrava. Enquanto ela fora humilhada, seus homens devorados vivos, Wesnayke brindava e transava com vadias.

O cabelo laranja de Azhaela se tornou fogo e Wynfer se afastou para não se queimar.

– Sarah me abandonou – disse ela – Este mundo caótico não tem espaço para ordem. Apenas o caos pode governar. O mais forte pisa no mais fraco.

– O que a pedra te diz Azhaela? – perguntou Kille.

Ela virou o rosto rapidamente para ele o encarando com fúria:

– Azhaela morreu – o cabelo dela queimou completamente ficando negro – Meu nome é Saturway!

 

Prólogo: o Sentimentos se Esvaem

No velho sobrado abandonado da rua Xingai, entrou Jacaré. O ladino de pele ébano olhou desconfiado na direção dos dois vultos que acreditavam estar escondidos dos olhos bernas do hábil ladrão – contudo, eram seus patrões, e Jacaré resolveu fingir que não os havia avistado. Sem receio, ele pegou o embrulho dentro de sua mochila batida pela estrada, colocou sobre a bancada, e desembrulhou revelando três magníficos anéis.

Anelack Belford, um dos vultos, saiu das sombras para contemplar a gema. Jacaré olhou orgulhoso para as joias, dera muito trabalho roubá-las.

– São as originais – contou Jacaré encarando o segundo vulto que se mantinha escondido.

– Sei disso – respondeu Belford entregando o pequeno estojo com doze barras de ouro.

– Isto não é uma ilusão? – perguntou Jacaré arredio.

– Pode confiar em nós – disse Stillgar saindo das sobras – E se não confiar, confie nele.

O mago mostrou o anel em seu dedo, o Anel de Walter, a quem dava garantias de seu nome. Os magos que tinham nomes de valor, nomes com crédito, tinham os anéis de Palavra. Ninguém contestava seus créditos, e Jacaré sabia do crédito de Walter. Então pegou as barras agradeceu e falou:

– lembranças ao Walter.

Aneleck mexia constantemente nos anéis, Stillgar observava.

– Pagamos caro – disse Stillgar – O comprador tem que nos dar retorno.

– Podíamos ter usado ouro de tolo – comentou Belford.

– Não posso usar subterfúgios com o nome do meu pai -respondeu Stillgar.

– Ninguém acreditaria num ladrãozinho com nome de Jacaré – debochou – Mas estes anéis a compradora vai pagar cada coroa de ouro. Há vai!

– Espero que sim – disse Stillgar – Pois acabamos de roubar a Adelle.

* * *

Fazia muita chuva quando Anelack acordou no meio da noite. Ele percebeu que algo estava errado quando a varanda estava aberta. Ele seguiu os rastros de água até a ala oeste do laboratório. Havia sangue e a porta estava aberta. Ele percebeu que algo havia de estar errado.

Aneleck entrou, fez uma luz em seu anel, e disse:

– Mestre Walter?

Anelack viu no meio do laboratório o corpo de seu mestre cheio de sangue. Próximo a janela estava Stillgar, com os anéis de Adelle e um punhal de prata. Ele riu, e fugiu pela janela.

* * *

Fazia muita chuva quando Stillgar acordou no meio da noite. Ele percebeu que algo estava errado quando a varanda estava aberta. Ele seguiu os rastros de água até a ala oeste do laboratório. Havia sangue e a porta estava aberta. Ele percebeu que algo havia de estar errado.

Stillgar entrou, fez uma luz em seu medalhão, e disse:

– Pai?

Stillgar viu no meio do laboratório o corpo de seu mestre cheio de sangue. Próximo a janela estava Anelack, com os anéis de Adelle e um punhal de ébano. Ele riu, e fugiu pela janela.

* * *

A perseguição pelas ruas de Lamormy foram extensas. Não havia tempo de chamar socorro. E ele sabia que seria incriminado pois fora a sua arma utilizada para matar Walter. Era preciso fugir de Lamormy, e depois caçar o assassino de seu mestre/pai. A vingança seria de Anelack/Stillgar.

* * *

Walter olhou para os anéis que encontrará nas coisas de Stillgar. Ele desconfiava a tempos que os ladrões de magia eram seu filho e pupilo. Eles eram muito amigos, e estava  sempre tramando travessuras. No inicio contrabando de ingredientes de magia na ULMAF, depois pergaminhos, e agora isto. Ele deveria ter lidado com isto quando eles eram jovens, agora era tarde. Eles haviam passado dos limites. Solipse, Tahohas e Deyned haviam contratado bons rastreadores para pegar os Ratos de Pergaminho, como eram chamados. E agora ele estava com as provas ali. Deveria entregar seu filho e pupilo? Independente da resposta, ele sabia que tinha falhado com os dois.

– Vejo que descobristes as identidades dos ratinhos – disse Ayllis na porta do laboratório.

– Sempre soube quem era a chefe do grupo, mas confesso que não desconfiava dos executores – respondeu Walter pegando um copo de conhaque e servindo – Não se importa que eu beba minha última bebida?

– Claro que não – sorriu ela puxando dois punhais, um de prata e um de ébano.

– Sonho Clonado? – perguntou Walter bebendo.

– Um clássico não acha? Foi o que usei para matar sua esposa – debochou ela.

– E eu culpei meu cunhado e ele me culpou. Foi uma picada de víbora, típico de você Ayllis.

– Elogios não vão te salvar meu querido – ela se aproximou dele, e cheirou seu sangue  ainda de longe – Não mais.

Walter se levantou, colocou os anéis na bancada e olhou para a janela. A chuva caía em seu belíssimo jardim, um lugar com as plantas e flores mais raras de Lamormy, um lugar que ele se sentia em paz, e imaginou um dia envelhecer com sua amada: Ayllis.

– Você me culpa por nosso fracasso, mas foi você que faltou primeiro.

– Eu tinha outras prioridades querido – respondeu ela passando as mãos geladas em sua pele velha – Como tu envelhecestes meu amor…

– Natural – sorriu ele ainda olhando para o Jardim – Enterrei minha esposa em baixo daquele Ipê. Mas enterrei meu amor quando tu deixastes aquela cama de palha no porão daquele sobrado na rua Xingai.

– Ele ainda está lá?

Walter respirou fundo.

– Apenas o sobrado – respondeu triste – Alicerces fica, sentimentos se esvaem.

Ayllis cravou os punhos nas costas de Walter e puxou seus dois pulmões para fora. Sua alma maligna ameaçou se arrepender, mas os sentimentos se esvaem com facilidade no passar dos séculos.

– Adeus meu velho – disse ela enquanto lançava a magia Sonho Clonado.

 

 

Prólogo: Origens Secretas Wynfer

O sangue do rosto da menina jorrou da boca pela terceira vez. Havia rastros de sangue na areia do pátio. Os soldados observavam, alguns aflitos outros se deleitando com a surra que a filha do general levava do próprio pai.

Rufere sempre fora um general exigente, rude e brutal. Forjava os melhores guerreiros, mas apenas os mais fortes conseguiam terminar seu treinamento. Era um teste horrível e muito duro. Apenas 5% dos recrutas terminavam o programa, mas sempre que outros generais buscavam soldados, estes vinham há Rufere.

Wynfer era a filha de Rufere, mas ela não tinha a fibra. Tinha talento com espada, agilidade e refinamento de combate, mas não era o suficiente para seu pai. E agora ela levava uma surra tão dura que todos apenas aguardavam a hora que ela desistiria.

Rufere puxou os cabelos da nuca da menina de quinze anos e fez ela olhar para seus colegas. Seu nariz estava quebrado os dentes frouxos e um olho havia sumido no meio do sangue.

– Está vendo seus colegas? – sussurrou Rufere – A bênção deles é que eles podem desistir! Mas você é uma Chamouth e só há duas maneiras de sair daqui: formada como uma guerreira que eu quero – ele a ergueu e jogou seu corpo longe, a menina rodopiou e bateu com o rosto arrastando na areia – Ou Morta! – gritou ele – Levante-se sua puta!

Wynfer fez força com as mãos para tirar o rosto do chão, os a mao direita estava quebrada. Não havia forças no joelho devido as primeiras pancadas, não havia mais forças para nada.

Rufere se aproximou, olhou serio para ela, ainda tentando se erguer.

– Já que quer dormir – Rufere chutou o rosto de Wynfer com a sola.

Ela desmaiou.

 

Os olhos de Wynfer se acostumavam com a luz. Ao seu lado o garoto Herinth molhava o pano para limpar seu rosto. Ela tentou se levantar, mas a dor ainda era imensa.

– Calma moça – disse ele – Tem que ficar parada, você está muito dodói.

– Eu preciso – disse ela, mas a dor a fez ficar quieta.

– Fique calma moça bonita – disse Herinth – Eu vou cuidar para você passar a dor – ele passou o pano nas feridas dela e começou a trocar os curativos – Sabe moça bonita, o pai de Herinth disse para vir para o centro de treinamentos para eu me tornar homem. Mas o senhor Rufere não gostou das atitudes de Herinth. Disse que era muito lerdo.

Wynfer observou o rapaz. Era alto, tinha cabelos castanhos e olhos esverdeados. Tinha o corpo forte de um homem, mas a inteligência de uma criança, e tambem sua ingenuidade. Todos debochavam de Herinth, mas ele era um criado leal ao seu pai. Fazia os trabalhos que ninguém queria fazer.

– Dorme moça bonita – disse Herinth – Amanhã o sol vai nascer de novo.

 

 

O treinamento havia sido duro, cinco haviam sido enviados para o centro de cura, mas o grupo de Wynfer havia se destacado, vencido e agora eles haviam ganhado o banquete de premio da semana. Torth e Maristy cumprimentaram Wynfer com alegria. Eles se sentaram na mureta para descansar. Rufere passou, parabenizou os dois e ignorou a filha. Ela não disse nada, apenas observou Herinth alimentado os cavalos.

– Olha o retardado – disse Maristy – Herinth! Pega papel para limpar aquele cavalo!

– Deixa ele – pediu Wynfer.

– Que houve? – perguntou Torth – Tá com penado retardado.

– Não me importo – disse Wynfer, dando de ombros.

Torth ficou olhando enquanto ela saia e ia falar com Herinth. Fazia meses que ele estava tentando cortejala, mas a menina era uma rocha. Mas agora ela sorria como uma menina para o retardado.

– Tá vendo aquilo? – perguntou Torth – Ela tá afim do pateta!

– Você ta vendo coisas – disse Maristy – Ela vê ele como uma criança.

Torth esperou Wynfer sair, puxou Maristy e foi até Herinth.

– Olha olha, se não é o velho Herinth – disse Torth.

– Herinth não é velho! – falou o garoto ajeitando os dedos das mãos – Herinth têm dez mais sete aos!

– Sim – disse Torth – Você já é um homem! Não é Herinth? E sabe por que o general não quiz você no exercito?

– Sim – disse o garoto – Ele falou por que ele era especial.

Torth se irritou, pegou a pá da mão do garoto e bateu com o cabo em sua barriga. Herinth caiu de joelhos, fazendo força para não chorar.

– Sabe por que ele não quiz você? – gritou Torth – Por que você poderia pegar uma garota e fazer filhos retardados igual a você!

– Não! – disse Herinth se explicando – Herinth não faria isto!

– Para Torth – pediu Maristy.

– Você vai pegar uma garota e fazer um monte de filhos retardados – gritou Torth – Voce deveria ter sido afogado quando pequeno Herinth, mas sua mãe era fraca.

– Não! – gritou Herinth – Herinth tem medo de agua! Por favor – gritou o garoto fugindo dali.

 

 

Wynfer terminava um circuito de obstáculos a cavalo, de forma perfeita. Todos aplaudiram, Rufere apenas observou, era a melhor nota da história do seu programa de treinamentos. A jovem, agora com dezoito anos, desceu do cavalo sendo cumprimentada por todos. Ela olhou ao longe Herinth sorrindo e batendo palmas sozinho mais orgulhoso do que qualquer um.

Torth viu a garota saindo do meio de todos para ir conversar com o garoto da fossa.

– Moça bonita foi muito bem – falou ele sorrindo.

– Obrigada Herinth – falou ela ajeitando os cabelos – Na verdade quase me atrapalhei com os cabelos, acho que vou cortar igual aos rapazes.

Herinth fez uma careta.

– Mas você é uma menina!

– Eu sei que sou Herinth – disse ela rindo – Nos falamos depois.

– Espere – disse ele pegando um lenço do bolso, ele arrumou direito e chegou próximo a ela – Deixa Herinth amarrar. Assim vai segurar o cabelo e Moça bonita não vai mais precisar cortar o cabelo.

– Segurar o cabelo com um lenço?

– Sim! Herinth vê as moças de trabalho fazendo isto!

Ela riu de como o garoto se referia às escravas saudidias. Mas se virou para que ele prendesse seu cabelo. Ela olhou para o reflexo no vidro da janela do estábulo e gostou mais do que imaginava. Ela olhou para Herinth e o beijou no rosto.

– Obrigada amigo!

Torth observava de longe.

 

Herinth corria o máximo que podia. Chegou na ponta do píer e olhou para  fundo do lago. Seus olhos lacrimejaram. Torth chegou atrás dele.

– Desistiu? – perguntou o Torth.

– Não! Mas Herinth tem medo de água!

– Eu sei “amigo”, mas este é o único jeito!

– O que eu tenho que pegar? – perguntou Herinth.

– Uma pedra do fundo – respondeu Torth – Depois eu vou fazer um chá dela que vai te deixar inteligente.

Herinth sorriu para Torth. Ninguém nunca quis ajudar ele assim. Herinth ficou feliz de ter um amigo igual Torth.

– Mas e se Herinth não conseguir voltar?

Torth empurrou Herinth no lago.

 

Wynfer emergiu de dentro do lago. Maristy, que havia lhe alertado, a ajudou a puxar Herinth do lago. O garoto era muito pesado. Maristy apressou-se para reanima-lo. Havia muita água nos seus pulmões. A garota chorava em prantos, via o corpo sem vida de Herinth.

Aos poucos os outros chegavam vendo a cena. Rufere foi o ultimo.

Agora Wynfer tentava a reanimação. Era inútil! Mas ela tentou assim mesmo. O tórax de Herinth já estava quebrada devido as tentativas, mas Herinth havia morrido no lago.

A garota se desesperou diante do corpo do amigo.

Rufere viu a oportunidade de fazer de sua filha uma guerreira como ele. Uma lutadora destemida, violenta e sadica. Ele mandou que seus homens capturassem Torth.

 

Wynfer sentou-se na carroça. Havia sangue em suas mãos. Sangue de seus guardas inúteis que permitiram que ladrões roubassem seu lenço. Ela os matara com as próprias mãos por suas faltas. Mas ela odiva-se por ter sido tão desleixada. Ela olhou para o lago e observou o sol se pondo. E pensou: quem roubaria um lenço?

Resumo Sessão IX

Endon baixou os sabres quebrando o gelo e encarou o morloch Karbaut o líder do combate.

– Veja seus homens – gritou Endon – Acabou! Está perdido, contra todas as possibilidades vocês perderam. Tu fracassou meu velho!

Karbaut viu Lorath tremendo na frente de Silvik. Viu seus homens mortos pelo campo, sangue Morloch havia sido derramado em demasia. As promessas de Akille eram como ele havia imaginado: eles eram peões descartaveis.

– Poupem os morlochs de Karbaut – pediu ele – Mas Karbaut deixa Digared aqui.

Karbaut se ajoelhou diante de Endon, o andarilho percebeu que a vergonha pela derrota do chefe era maior que seu desejo de viver. Entao ele puxou o sabre e matou Karbaut.

Dalmerith foi encarregado de levar os prisioneiros para o forte. Silvik lhe advertiu que seria melhor separa-los, enviar alguns para Helenary, Alisios e Tapsa. Enquanto isto ele Hikan, Endon e Stillgar, estudaram os planos que Akille havia deixado para Karbaut.

– Anel de Ferro – apontou Stillgar para o mapa que mostrava a sua localização – Ela está com ele, sei que está!

Hikan e Endon se olharam, mas decidiram seguir o mago. Em menos de 14 horas foi possivel chegar na localização. Os quatro acamparam próximos ao esconderijo. Resolveram atacar no amanhecer. Endon percebeu os esqueletos de batedores, e comentou com Silvik e Hikan: – Eles nunca ficam longe de seus mestres. Ele ainda está lá.

Durante a ronda de Hikan, uma carruagem saiu e parou a meio quilômetro. O paladino acordou Endon para ajudá-lo. Precisava do ranger para se mover despercebido pela mata. Os dois avançaram até estarem próximos da carroça. Endon resolveu chegar próximo: haviam cinco guardas e uma mulher. Hikan conseguiu uma distorção para que Endon entrasse na carroça. O Andarilho tinha pouco tempo e conseguiu pegar um par de luvas velhas, uma caixa de joias e um anel de assinatura.

Antes que se dessem conta, Endon e Hikan ja estavam longe da vista deles. E pelo anel eles identificaram a mulher como Winfer Chamouth.

Durante a manha eles invadiram o esconderijo cheio de esqueletos desordeiros e sarcásticos. As criaturas não foram páreo para os heróis, mas Anel de Ferro e seu aliado Lich deram trabalho. Mas os quatro foram muito precisos e Anel de Ferro acabou por se entregar.

 

– Eles vão me pegar senhor – falou Anel de Ferro para Akille Chamouth dois dias antes – Eles me mataram.

– Não – falou Akille – Hikan não vai matá-lo. Quero que apenas se entregue, dificulte as coisas, mas se entregue.

– Se este é o plano… – lamentou Anel de Ferro.

– E entregue isto para Hikan – disse Ayllis entregando um anel branco – Este anel será a maldição de Hikan e de seu grupo.

 

No forte Hikan observava o que restara do anel que ele havia quebrado. Harshepu atendeu a porta da suite:

– Ele está dormindo – mentiu ela – Amanhã eu digo que você esteve aqui.

– Ele de novo? – perguntou Hikan sem tirar os olhos da joia quebrada.

– Sim – respondeu ela – O que houve querido? Por que está evitando o Stillgar?

– É complicado. Algo aconteceu na campanha, mas não devo contar a ninguém.

– Deve esconder até de mim?

Ele não respondeu. Harshepu olhou para a joia quebrada.

– Eu entendo – disse ela.

 

Endon abraçou Silvik antes de partir. Stillgar chegou ao lado do andarilho:

– Você não precisa ir – disse Stillgar.

– Preciso – respondeu Endon.

Dalmerith apertou a mão de Endon.

– Vou sentir saudades das puxadas de orelha.

Endon sorriu e abraçou o garoto.

– Cuide do pessoal garoto – Endon se aproximou mais e falou mais baixo – De espaço para a garota.

Dalmerith olhou com os olhos arregalados para o Andarilho e deu uma engasgada. Olhou serio para Carla que chorava com a despedida.

Antes de partir ele viu Hikan da janela. Harshepu correu até Endon e lhe entregou um cesto com comida caseira.

– Este era o verdaeiro motivo de estar indo embora, Harshepu – disse ele – Tu estás me deixando gordo!

Ela sorriu com os olhos maranhados e abraçou o mestiço.

– Que Brigith ilumine seus caminhos – abençoou ela.

Silvik chegou ao lado e abraçou a cledia.

– Adeus baixinho – disse o guerreiro – Vais para onde afinal?

Endon olhou para estrada e respirou fundo.

– Sou um andarilho – disse ele – Digared é meu lar. Eu vou para casa!

 

Hikan olhou para o vulto do andarilho partindo. Stillgar passou por ele.

– Kan – disse o mago – PRecisamos conversar…

– Hoje não! – Hikan saiu.

 

* * *

Anel de Ferro estava sentado em sua cela jogando uma bola de borracha de um lado para o outro. A porta da cela abriu. Entrou um rapaz de cabelos longos e aparência bela.

– Senhor Anel de Ferro?

– Quem é voce? – perguntou o mago e voz esganiçada.

– Meu nome é Cabriel Tahohas.

Anel de Ferro olhou serio.

– Você conhece meu sobrenome – disse Cabriel – Tenho uma coisa para lhe falar.

 

* * *

Endon observava a menina Elissa cantarolando na banheira. Quando foi a Helenary atrás dela, não imaginava que ela iria seguir viajando com ele. Parecia uma princesa acostumada aos luxos, mas se adaptou muito rápido as viagens.

– Estava pensando em ir para Trindade – disse ela – Eu nunca fui ao Raqaleu.

– Nunca? – indagou ele surpreso.

Uma batida na porta.

Endon foi atender, mas não havia ninguém.

– Quem era? – perguntou Elissa enrolada em uma toalha.

– Ninguém – falou ele desconfiado fechando a porta.

 

Na esquina da taverna, Myllis observava a janela do quarto de Endon.

Prólogo: Feras Enjauladas

Semlya

Os marujos carregavam as caixas para dentro do barco. O clima estava fechado e parecia estar se aproximando uma tempestades. Aldresh mordeu um pedaço da pêra que comia e comentou com Dieghus:

– Irás mesmo viajar com este tempo?

– Tu deixas de cavalgar quando a estrada é esburacada? – debochou Dieghus.

Aldresh sorriu. Observou Vorik e Magra ainda deslocadas. Ouviu falar o que a nohëan havia feito com Carla: Se ela soubesse quem era ela de verdade.

– Eu tenho que ir amigo – disse Aldresh levantando-se – Temos que marcar uma noite para beber em Trindade.

– Será um prazer – Dieghus cumprimentou Aldresh.

O mestiço saiu do cais, enquanto Dieghus gritava com os marujos e as novas recrutas. O barco desancorou e partiu de Semlya.

A

Aldresh voltou para a taverna o gato leiteiro, mas assim que cruzou a entrada, seu rosto e aparência voltaram a ser de Anelack Belford. Ele enxergou a menina envolta em um manto escuro. Ela buscava não chamar a atenção, mas estava conseguindo exatamente o contrário.

– Você deve ser Winfer? – perguntou ele, despreocupadamente. Felizmente ele sempre levava consigo um anel identificador, que revelava o nome verdadeiro das pessoas – Sou Anelack Belford, as pessoas me conhecem por Anel de Ferro.

– Isto era para ser um apelido másculo!? – debochou Winfer arrancando uma cara emburrada do mago – Akille pediu para lhe entregar isto. Ele disse que você saberá o que fazer!

Ele pegou o anel da Hidra de Digartalla e analisou. Ainda havia sangue nele, estes caras não estavam de brincadeira.

– As ordens são claras – disse ela – Ele quer Stillgar vivo.

– Isto atrapalha um pouco as coisas! – respondeu Anelack emburrado.

– Sabemos da rivalidade de vocês…

– Isto não se trata de rivalidade, mas de vingança! – Anelack bateu a mão na mesa – Eu e Stillgar fomos sócios durante muito tempo. Éramos como irmãos, mas…

O olhar do Anel de Ferro ficou vazio.

– O que ele fez? – questionou Winfer.

Anel de Ferro olhou para os oito anéis em suas mãos. Apertou os punhos.

– Stillgar matou meu mestre. Stillgar matou Walter!

* * *

Dieghus estava enfurecido.

Olhava os piratas do velho Caveira Banguela em seu barco, quebrando tudo, enquanto seus homens estavam ajoelhados no convés. Como ele explicaria para Endon e Hikan que havia perdido o barco. Iria perder mais um barco.

As recrutas Vorik e Magra eram as únicas mulheres ali, e ele temeu por algo pior por elas, até que um dos piratas colocou os olhos no decote de Magra.

– Vem cá boneca! – falou ele a puxando para dentro da sala do capitão.

– Não ouse…

Dieghus ameacou gritar mas um dos piratas lhe deu uma coronhada com o cabo da rapier em seu olho, o fazendo cair de lado, ainda amarrado. Ele pode ver Magra se debatendo, com os braços amarrados para trás, sendo levada pelo homem, mas no último instante ela piscou para Vorik. A porta se fechou e Dieghus viu que Vorik havia sumido na escuridão da noite.

Ele olhou para Bothis e Faeghus, seus marujos mais fiéis, e fez sinal de alerta. Bothis viu que Vorik não estava ali. E logo sentiu um arrepio nas costas, mas não era um pirata. Logo ele estava desamarrado. Percebeu que os piratas não o observavam e correu para soltar Dieghus, e depois Faeghus.

Um grito de dentro da sala do Capitão. Os piratas correram na direção, pois não era um grito de mulher. A porta abriu e o homem saiu cambaleando com muito sangue nas mãos segurando a virilia. Ele caiu no chão agonizando e gemendo. O pirata mais recuado ameaçou puxar o mosquete, mas das sombras surgiu uma adaga que atravessou suas garganta por trás. Os demais olharam mais um pirata caindo, e se esqueceram da sala do capitão.

Magra surgiu gritando com um machado e o enterrou no crânio do primeiro, os miolos voaram no segundo homem, que antes de puxar a Espada teve uma adaga arremessada das sombras encontrando seu olho direito.

– Motim! – gritou Dieghus correndo com seus homens para pegar os que restavam.

A noite se tornou sangrenta, os gritos de agonia dos piratas se misturavam aos gritos de fúria da barbara. Mas ao amanhecer o Pérola do Sol manteve-se sendo do capitão Dieghus Salazar.

* * *

Dois Morlochs grandes e horrendos escoltaram Rarossu pela gruta escura. Ela temia, sabia que os Morlochs comiam carne humana, e ela estremeceu ao ver que estava sendo levada para uma sala de jantar. Mas, diferente do que imaginava, esta era uma sala de jantar incomum para uma caverna: mesa de madeira cara, cadeiras com almofadas douradas e louça e talheres de prata.

No centro da mesa estava Akille Chamouth. Ele apontou para que Rarossu senta-se  no lugar ao lado. Ela obedeceu exitante.

– Por que ainda estou viva? – começou ela antes de se sentar. Akille fez sinal para que ela se sentasse, ela obedeceu desconfiada e voltou a perguntar – O que queres de mim?

– Por hora quero que jante – respondeu ele enquanto uma escrava sacudidos trazia uma bandeija com carne de javali – Ouvi dizer que seu povo aprecia muito este tipo de churrasco.

– Não estou com fome!

– Este é um problema seu – falou ele pegando carne e misturando com salada e farofa – Se tiver a esperança de ser resgatada e estiver faminta e fraca, só dificultará as coisas para quem vier atrás de você. Se tiveres a brilhante ideia de fugir sozinha, não terás força. Isto é, não se alimentar só facilita as coisas para mim.

Rarossu pensou. Pegou um pedaço de carne com as mãos e começou a comer. Ela observou o ambiente e viu que haviam três portas, uma de onde ela havia vindo, e mais duas. Mas no canto leste havia uma prateleira grande com um objeto arredondado, ela focou os olhos, e quando a ao lado porta abriu, trazendo mais luz, ela pode identificar:a cabeça de Digartalla.

– Piedosa seja Serenia – esclamou ela cobrindo os olhos – Você é um monstro.

– Sou – disse Akille puxando a pedra Shuoa e colocando na cabeça de Rarossu – Mas você não conhece todos os monstros. Veja a verdade!!!

 

* * *

Enzigh entrou na suíte e percebeu que havia algo errado.

– Saia das sombras e se revele – gritou ele puxando a espada.

Myllis dyn Kayllis saiu das sombras com a espada Tenebrosa.

– Esperto – disse o vampiro – Mandou o neto para Endon, o filho para Lyn, a filha para o norte e a esposa para Lamormy. Achei que estava tentando criar um clima para nós.

– Não há uma noite sequer que eu não me arrependa de não ter ido com Endon para matá-lo. Ele sempre esteve certo sobre você.

Myllis sorriu, passando os dedos nas cortinas finas.

– Sabe como é ver a chama da vida de um homem se apagando pouco a pouco enquanto seu sangue é drenado pela mulher que ele ama?

Enzigh desviou o olhar ao imagina, podia ver Milla sugando a última gota de Endon, ele tinha pesadelos com aquela imagem que não vira, mas sempre lamentava. Se tivesse ido com Endon talvez o amigo ainda estaria vivo. Se tivesse ouvido-o antes talvez sua irmã também estivesse.

– Você tirou tudo de nós: a esposa de Rhan, meus amigos, minha irmã…

– Há sim Milla, sua irmãzinha… hum! – Myllis lambeu os lábios – E ela tinha um gosto tão delicioso… E sabe que não estou falando apenas de sangue não é? – disse o vampiro em tom malicioso e obceco.

O rei Enzigh gritou, brandiu a espada e correu para cima de Myllis. Mas a espada Tenebrosa encontrou seu coração. A boca se encheu de sangue e vampiro lhe segurou pelos cabelos e o encarou com os olhos vermelhos amaldiçoados.

– Você esta velho – disse o vampiro puxando a espada – Velho e morto.

Os vidros da janela real, de onde Enzigh sempre fez seus discursos, pôde-se ver o corpo do rei voando e se estatelando no chão do reino. O sangue do rei manchava o solo de Alisios.

Fim do reinado de  Enzigh.