As Serpentes Elementais

Não se sabe ao certo como foram criadas as Serpentes Elementais: alguns acreditam que sejam armas lemúrianas e outros que foram criadas pelos próprios deuses dragões antes de abandonarem o panteão.

Serpente de Fogo

Durante séculos elas não passaram de lendas, mas no auge da era dos magos, (ano de 450 mais exatos), uma delas foi encontrada por Myskara. Rapidamente todos os magos passaram a perseguir as armas. No entanto as armas eram mais eficientes nas mãos de guerreiros e não nas de magos e bruxos. Assim estes magos acabaram presenteando seus fieis guardiões com estes itens poderosos.

Como as Serpentes Elementais possuem uma tendência natural a se encontrarem uma com a outra e destruir suas “irmãs”, a guerra entre magos acabara se intensificando e aqueles que não possuíam os artefatos acabaram sucumbindo.

Em 608 Myskara encontrou a sua segunda Serpente e presenteou outro de seus guardiões. Porém o que ela não contava é que as duas eram inimigas e seus guardiões lutaram um contra o outro e o vitorioso matou a maga e depois caçou e matou todos os usuários das demais. E depois disso, nunca mais se ouviu falar de tais artefatos.

Objetivos da Serpente de Fogo

  • Vestir um homem de armas que tenha proficiência em espadas.
  • Se tornar a única Serpente Elemental de Digared.
  • Destruir e Humilhar o usuário da Serpente de Elemental Oposta.

Interpretando as Serpentes Elementais: As Serpentes Elementais todas agem semelhante: um artefato imparcial que tende para o bem, mas que não se recusa a obedecer a um usuário maligno desde que ele faça suas vontades. A primeira vontade dela é ser usada em batalhas, mas mais do que isto, ser lembrada e valorizada por seu usuário: Ela gosta que seu dono conte vantagens e fale para todos que ele é um usuário da Serpente de Fogo e o quão orgulhoso ele é de possuí-la. Embora ela não possa se comunicar com seu dono, ela passa emoções de orgulho para ele.

Existem atualmente oito espadas elementais no mundo, sendo que no principio eram doze, porém quatro já foram destruídas pelas inimigas: Uma Flamejante, duas Congelantes, duas Elétricas e Três Ácidas.

CONCORDÂNCIA

Contente (16-20)

“Sou imbatível com esta maravilha. Mas só pode haver uma!”

A Serpente Elemental se torna vibrante e poderosa. O bônus de melhoria nos ataques e danos aumenta para +4.

Propriedades: O personagem adquire redução de dano 10 contra o elemento da arma.

Propriedades: o dano da Lâmina Elemental sobe para 1d8 e o Elemento Alto para um 1d10+2.

Poder (Diário): Ação Mínima. O usuário pode conceder Lâmina Elemental para uma arma comum ou mágica até o final do encontro.

Satisfeita (12-15)

“Estou destinado a ser o único portador da Serpente Sagrada”

A Serpente Elemental passa a confiar no usuário para enfrentar as demais.

Propriedades: Ela concede um bônus de +2 na vontade do usuário contra efeitos de medo.

Propriedades: Ela concede um bônus de +2 em todas as defesas, contra o elemento dela.

Normal (5-11)

“Vamos nos tornar um só!”

A Serpente Elemental quer que seu portador se coloque a caminho de grandes desafios para aprimorar suas habilidades e num futuro máximo destruir as demais serpentes elementais.

Insatisfeita (1-4)

“Eu ainda posso ser o mestre das Serpentes, basta trabalhar!”

A Serpente Elemental começa a questionar seu usuário, diminuindo seu bônus de melhoria para +1

Enfurecida (0 – ou menos)

“Não posso suportar este fardo. Melhor abandonar ela antes que as outras me matem…”

A Serpente Elemental acha que nas mãos deste usuário não terá chance de destruir as demais.

Propriedades: A arma perde seu bônus de melhoria.

Propriedades: o dano da Lâmina Elemental sobe para 1d8 e o Elemento Alto para um 1d10+2.

Seguindo Seu Rumo

“Finalmente vencemos…”

A Serpente Elemental destruiu todas suas adversárias e agora pode finalmente descansar. Ela reconhece que não teria conseguido sem a ajuda do seu portador.

Se ela estiver pelo menos satisfeita, ela se destruíra e deixará no seu lugar uma espada +1 semelhante: Flamejante, Trovejante, Congelante ou Ácida. Além de deixar uma marca de uma serpente na palma da mão do usuário que lhe concede um bônus de +4 no carisma para lidar com elementais do tipo.

Anúncios

o Vale dos Malditos – Parte I

Fim do outono nas altas montanhas da serra lemúriana. A calmaria do ar gelado é rompida pelo resfolegar de um orc sufocado. Mesmo com meia dúzia de companheiros a menos de nove metros a ele, o seu assassino foge com um bracelete prateado que estava na tenda que ele guardava. Mas ao se enfiar na escuridão entre duas tendas, um cão atado e atento, denuncia sua posição.

Rapidamente sete orcs correm em sua direção, dois conseguem interceptar a sua fuga antes que ele saia do acampamento, mas a espada do assassino espalha o sangue de suas gargantas em um único golpe.

Ganhando mais distância dos demais, o assassino chega á sua montaria escondida próxima do acampamento. Um orc corre até um gongo de ferro e bate forte: o som estridente ecoa por todo o local. Ao mesmo tempo em que uma horda de bárbaros se prepara para a perseguição.

O fugitivo, já montado, desce as colinas. Seu cavalo ganha mais velocidade, os primeiros orcs continuam correndo a pé inutilmente, mas logo são ultrapassados por outros montados em worgs1 e armados com arcos.

As primeiras flechas voam quase que letais uma chegam á raspar na armadura do fugitivo, mas não em seu corpo. Rapidamente o cavaleiro muda a direção de sua montaria, entrando numa subida da colina, a qual os orcs sabem ser um desfiladeiro, mas também estar contra o vento forte do outono. Os orcs riem entre si do fim da sorte do forasteiro, que em breve encontrará um “beco sem saída”. Eles disparam novamente suas flechas, mas agora o vento impede até que o melhor dos tiros seja eficiente.

O fugitivo diminui sua cavalgada e os orcs aproveitam para acelerar e buscá-lo antes do desfiladeiro, alguns já sacam seus machados, largando seus arcos ao chão. Um deles chega a ficar lado a lado com a montaria do fugitivo, o orc brande seu machado e grita em seu idioma: – Meu machado vai beber do sangue deste infeliz! – O cavaleiro diminui rispidamente sua velocidade, permitindo que o orc e seu worg o ultrapassassem; O machado do orc corta a frente do seu cavalo e o golpe vazio deixa o orc desequilibrado, aproveitando sua vantagem, o fugitivo balança sua espada e corta a garganta to oponente, o fazendoele cair e levar sua montaria para o chão devido ao seu peso. Os dois corpos no chão atrasam os demais, um deles se desequilibra também e encontra o chão.

Ganhando mais velocidade o fugitivo aumenta sua velocidade como se não soubesse do desfiladeiro, mas isto é uma inverdade: ele solta as pregas de sua armadura, deixando o peitoral no caminho, sua espada não tem mais serventia, pois não deverá mais ter combate. Segurando apenas as rédeas do animal e o bracelete, ele solta sua mochila e alforje do cavalo, diminuindo ao máximo seu peso. Ele já vislumbra o desfiladeiro e usa todo seu talento para aumentar a aceleração até chegar à beirada do precipício e faz o animal saltar o mais longe possível.

O animal toca o outro lado do desfiladeiro apenas com as patas dianteiras, seu condutor impulsiona o corpo para frente, dando mais força e impulsão para que a montaria busque firmar-se no terreno: – Avante Coriel, AVANTE! – Grita o fugitivo. O animal avança e ganha firmeza no terreno ao mesmo tempo em que um suspiro de alivio sai da boca do cavaleiro.

Os orcs chegam até a margem do desfiladeiro, mas eles não se atrevem a seguir o fugitivo. Ele acena com a mão direita debochadamente e segue seu caminho.

A noite se torna única no céu e os primeiros lampiões dos postes de Wardon já são acesos pelos lamparinos2. A Taverna do Cálice Sem Fundo parece estar completamente lotada, devido às vozes e sombras que emanam para as ruelas da esquina a qual ela se encontra, mas mesmo assim o fugitivo escolhe como sendo um ótimo local para descansar as pernas.

Ele prende seu cavalo ao lado da taverna, e toca uma moeda para um jovem adolescente de cabelos rebeldes e vestes humildes.

– Uma moeda por seu trabalho – Ele joga mais três – duas para o alimento e banho do animal e mais uma por sua fidelidade.

– Obrigado senhor – agradece o garoto se curvando em respeito.

Já dentro da taverna, ele observa por um instante as diversas faces que ocupam o estabelecimento. A maioria está completamente bêbada e abestalhada. Ele se dirige até o balcão empurra um velho quase em coma que cai no chão sujo coberto por barro e bebida e pede um caneco de cerveja. Rapidamente o taverneiro o atende e ele percebe que sua presença já não é mais imperceptível, diversos pares de olhos o encaram disfarçadamente.

– Algum problema? – Ele grita para o alto e todos voltam aos seus a fazeres.

Apenas uma belíssima mulher de formas voluptuosas e vestes mínimas, permanecia o encarando; Mas isto não o incomodou de maneira alguma:

– Você deve ser Wesnayke de Claymor, não é?

Ele olhou para ela, sorrindo, e ajeitando o cabelo com os dedos como se fosse um pente:

– Sim – Seu sorriso de orelha a orelha demonstrava orgulho e seu olhar era de pura libidinagem – E tu, quem és guria?

– Me chamo Flavie, mas se as historias que contam sobre como trata as mulheres com certeza não lembrará o meu nome pela manhã.

– E o que contam estas histórias?

– Bem… – Ela se aproxima de Wesnayke, colocando dois dedos no seu peito robusto e forte – Dizem que você é capaz de dar muito prazer ás mulheres, mas não se prende a nenhuma…

– A Segunda parte é verdadeira, mas estaria disposta a verificar a primeira?

O sorriso de Flavie foi a resposta que ele precisava; Rapidamente puxou a moça para junto do seu corpo e a pegou no colo levanto para um dos quartos da estalagem acima.

– Ponha na conta taverneiro e não me incomodem até amanhã – Ele olhou para os curiosos da taverna – E preparem-se para ouvir e conhecer o meu nome.

Ele subiu as escadas gargalhando com a mulher no colo.

——————————————————————————————————————-

  1. Os worg são lobos sinistros, dotados de alguma inteligência e uma enorme disposição para o mal. Muitas vezes se aliam a outras criaturas malignas, particularmente os orcs ou goblins a quem servem como montaria e guardiões.
  2. homens que acendem os lampiões dos postes públicos durante a noite.

——————————————————————————————————————-

obs.: Wesnayke de Claymor foi criado pelo jogador Rodrigo Fontoura, vulgo Titi.

Esta história é baseada na revista: A Espada Selvagem de Conan: o Bárbaro Nº 183 – c0m ligeiras adaptações.

II Seção: o Grupo se Forma

15 dias atrás

Através da janela empoeirada do mosteiro Stillgar observa os goblins carregando os corpos dos guardas mortos na última batalha. Um verdadeiro massacre, ele pensa, os pobres coitados não tiveram a menor chance.

Penála senta ao seu lado no chão úmido e fica olhando para a expressão do colega mago:

– Está deprimido? – Pergunta á maga.

– Não – Stillgar evita olhar para ela – Estava só pensando no que fizemos. Muitos deles foram atacados mesmo depois de se renderem… Winfer e Minnen não tiveram nenhuma compaixão por eles.

– Assim são as amazonas de Vhalteha. Não se preocupam com os outros e não fazem prisioneiros – Ela passava a mão nos cabelos dele por atrás da orelha, de forma afetuosa – Eu vi você defender aquelas mulheres dos goblins e ajudá-las a fugir do mosteiro.

Os olhos de Stillgar se arregalaram e seu coração começou a acelerar. Já fazia dois anos que estava nesta perigosa missão; Espionando os magos de Deyned a pedidos da Tríplice Arcana; Porém agora sua máscara parecia ter caído: – Tudo por causa da maldita compaixão. Pensou ele.

– Você viu? – Ele não sabia o que mais falar, apenas tremia pálido. Seu corpo era o seu maior delator.

– Vi, mas não se preocupe, sei também porque fez isto – Ela falava calmamente, mas isto não o deixava mais tranqüilo – Não está pronto ainda, mas logo se tornara um algoz como nós.

Stillgar apenas permaneceu olhando para ele, sem reação, sem respostas e sem saber o que fazer ou pensar. Penála era uma maga do mesmo grau que ele, mas que tinha uma especialização na magia negra dos necromantes, no entanto nunca a julgara como uma pessoa compreensiva e doce.

Ela deu um beijo no rosto de Stillg

ar e levantou-se, saindo vagarosamente para o alojamento do mosteiro.

Ele permaneceu sentado ali, planejando seus próximos pas

Penala

sos: Se ela havia visto o que ele acabara de fazer, naturalmente os outros também já poderiam estar desconfiados: Era hora de abortar a missão.

* * *

Agora,

Cidade de Alísios, 17 de Kubertal de 670 e.d.vm.

Stillgar chegara á Alísios com um único objetivo: encontrar Miner ou seus comandados, entregar o relatório, para abandonar sua perigosa missão. No entanto, as coisas tinham tomado outras dimensões quando Deyned retornou de Riornia e trouxe com ele Aradiane.

Aradiane era uma jovem guerreira, porém bastante talentosa na espada, no arco e combate montado. Se isto não fosse suficiente, ela ainda possuía um sobrenome de peso: Luthenkall – o nome do antigo e lendário guardião de Tahohas.

Agora Deyned a trazia para ser sua guardiã, mas na cabeça de Stillgar só se passava um pensamento: Espionar.

Numa taverna-estalagem, próxima a cidade de Alísios. Stillgar se instalou junto com seus “aliados”: Anel de Ferro, Winfer, Veriokles, Minnen e sua guardiã Aradiane.

Anel de Ferro estava no comando e ordenou que os demais aguardassem ali Penála que estava por chegar, pois ele tinha afazeres por realizar em Alísios.

Stillgar aguardou a saída do colega e saiu também em direção a cidade, mas com outros objetivos. Acompanhado de Aradiane, ele disfarçava dizendo que estava indo conhecer a cidade. No entanto a guerreira não dava assunto para o mago e tão pouco parecia interessada nele, apenas o seguia.

Quando, próximos a um leve ruído de água corrente, os sons de espadas acompanhados de uma gritaria, ganharam a atenção dos dois. Stillgar correu para se certificar do que estava acontecendo, e logo foi seguido pela amazona.

Ao chegar ao alto de uma colina, avistou goblins atacando um grupo de humanóides distintos: um humano Berna, um elfo, um meio-lemúriano e um meio-elfo. Após uma batalha forte e aguerrida, o único goblin remanescente fugiu e foi perseguido por três dos humanóides. Stillgar correu atrás deles os seguindo de longe, e logo percebeu que a sua guardiã não estava mais atrás dele: – Talvez ela houvesse se distraído. Melhor assim, ele pensou.

Já num bosque aberto, os três humanóides se depararam com Winfer que tomou a frente do goblin, que agora Stillgar reconhecia como a mandingueira Tsen.

O elfo vestido com uma bela armadura adornada com símbolos da deusa Ividinia, tomou a frente para lutar com a amazona.

– Vocês estão frustrando os planos do mestre agora devem morrer! – gritou a guerreira que aparentemente não passava de uma jovem garota.

– Você está em desvantagem, melhor pararmos por aqui! – Lesnahel sabia das limitações do seu grupo e que Martelo Forte havia ficado sozinho para trás.

Winfer correu na direção de Lesnahel, sem mais conversas, antes que o paladino pudesse se der conta de fechar sua guarda, a amazona disparou uma Chuva de Golpes o ferindo no ventre e com mais dois golpes no peito, um bem próximo ao pescoço. Enfraquecido Lesnahel ainda tentou revidar, mas além dela ser muito rápida, vestia uma armadura muito grossa.

Simba desferiu seus ataques em Tsen antes que ela tentasse retornar para o combate – Talvez tivesse ignorado Winfer como uma ameaça. Pensou Stillgar, que lamentou a atitude do jovem arqueiro Berna. Aproveitando-se que estava sozinho, o mago tentou ajudar o paladino com magias a distancia, mas não conseguia acertá-la também. Parecia que ela estava sobre um encanto poderoso que lhe protegia de suas magias: Anel de Ferro, ele pensou.

O Paldino de Ividinia estava já sem forças e mal conseguia segurar sua espada, mas a amazona não teve misericórdia e desferiu um corte forte que o jogou no chão inconsciente. Tão rápido ele caíra e a guerreira partia para o próximo oponente, Smilgard. O bruxo lançou uma de suas mandingas que não surtiram efeito algum, Winfer saltou sobre ele, girou o corpo no ar, ganhando mais força, e o atacou na lateral do corpo. O golpe foi forte e perfeito e partiu Smilgard em dois, separando a cintura do resto do corpo.

Simba disparou suas flechas em Winfer, que desviou de uma e rebateu a outra com a espada. Stillgar lançou uma adaga de energia na amazona que só recuou um passo para trás, evitando o golpe. Ela olhou para a direção de Stillgar. O arqueiro aproveitou para fugir, e o mago viu sua oportunidade:

– Estava tentando ajudá-la – e disparou uma adaga de energia em Simba – acertando em cheio e o jogando barranco abaixo.

Winfer olhou desconfiada, mas sorriu aceitando a “ajuda”. Stillgar respirou aliviado e se preparou para seguir adiante.

– A propósito Stillgar! – Winfer falou e empunhou sua espada, Stillgar congelou de nervoso – Anel de Ferro te mandou um presente!

* * *

Endon, o Martelo Forte, permanecia em frente ao Templo da Magia se recuperando dos ferimentos do último combate. Enquanto Elissa o amparava do jeito que podia, até que dois sujeitos se aproximavam do templo.

Mesmo enfraquecido, Martelo Forte tomou a frente e foi até os dois. Um ele identificou como Krombatos, embora não conhecesse o outro, percebeu que se tratava de mais um mago.

– Abandone o posto guerreiro, acabou! – Falou o outro sujeito de voz esganiçada.

– Jamais, chegou a hora de vocês – falou Martelo Forte.

– Quem é ele? – O mago perguntou para Krombatos.

– Ninguém importante Anel de Ferro.

Então o mago fez um sinal com os dedos para cima, enquanto Krombatos recuava um pouco. Martelo Forte correu na direção do mago, mas foi atingido com força por uma flecha que veio do alto da colina.

Mas ele não desistiu, partiu na direção do mago e desferiu seus golpes com o martelo, mas sem sucesso. Logo ele percebeu que este não era como os magos que ele já havia enfrentado. Era muito mais ágil e sabia se posicionar no combate.

Um raio saiu de um dos anéis do mago e atingiu o guerreiro reduzindo sua força física. Ele estava prestes a se exaurir, mas não desistia do combate, até que mais uma flecha o atacou, mas antes que lhe acerta-se em cheio um escudo o protegeu.

O Martelo Forte quase caiu, apenas com a idéia de ter sido atingido, mas viu que uma amazona com um escudo prateado o havia socorrido. Seus olhos eram castanhos claros e seu cabelo negro, era com certeza uma rayvodia.

Ela saltou sobre o Anel de Ferro o atacando com a espada e com o escudo direcionou Endon para traz do seu corpo. O guerreiro sem força procurava no alto da colina por algum arqueiro, mas parece que ele havia fugido.

O mago recuou.

Anel de Ferro vs. Aradiane

– Sua traidora, me pagará caro! – Gritava o Anel de Ferro com sua voz esganiçada de gralha. E Aradiane permanecia em sua posição de combate com a espada brandida com a mão direita acima do ombro e o escudo empunhado a sua frente.

– Vamos! – Falou Krombatos que segurou o amigo e se teleportaram.

A guerreira ficou descansada e procurou na colina pelo arqueiro, mas parece que este sumira também.

– Obrigado… – Agradeceu Martelo Forte.

– Não fiz isto por você Endon – Falou Aradiane – Fiz isso pelo seu irmão.

– Conhece o Aldr… – Endon falava, mas fora interrompido por um zumbido vindo da espada da guerreira.

Imediatamente Aradiane correu em direção oposta ao Templo, que Endon identificou como sendo a mesma direção que seus companheiros correram para perseguir a goblin Tsen.

* * *

O arqueiro mercenário estava a posto com seu arco sobre os rochedos. Seu trabalho era bem simples: esperar o sinal do Anel de Ferro e matar o infeliz que ele apontasse. Seus tiros sempre foram muito precisos e com certeza não teria nenhuma dificuldade para liquidar o coitado e receber o ouro.

Ele odiava fazer tratos com magos, mas era um mal necessário.

Em alguns instantes lá estava o Anel de Ferro acompanhado por Krombatos, a vontade dele era acertar os próprios magos, mas havia muita grana em jogo. Logo um mestiço encarou os magos, coitado, nem imaginava o que estaria por vir.

Rapidamente ele puxou uma flecha e aguardou o sinal. Assim que o mago fez o sinal com os dedos, ele disparou quase perfeito, acertando o ombro do mestiço. Mas não foi suficiente para liquidar o infeliz, então ele sacou sem pressa outra flecha e disparou: esta foi mais forte e certeira, na direção da nuca e fim: – Droga! – Lamentou o mercenário. Uma guerreira surgiu da água e defendeu-o com o escudo…

– Não faz mal – Ele sacou uma nova flecha – Agora não terá erro!

– Que pressa é esta?

Uma voz falou das Sombras, era uma mulher atlética e esguia. O mercenário logo a reconheceu e sorriu, dando as costas para ela e mirando na nuca do alvo.

– Você por aqui Ilita – Falou ele mirando a flecha.

Ilita correu na direção do mercenário, puxou seu cabelo para trás e colocou a lamina na sua garganta.

– Espere! Quem pagou! Quem pag… – gritou o arqueiro mercenário.

– Ninguém! Este trabalho é autônomo…

O sangue da jugular do homem espirrou nos rochedos e seu corpo bateu no chão e permaneceu caído. Ele permaneceu para sempre.

* * *

Winfer derrubou Stillgar com um encontrão e se preparou para desferir um golpe mortal, mas logo foi impedida pelo escudo salvador de Aradiane que ainda a atacou com a espada, mas a guerreia pulou para trás evitando o golpe.

– Aradiane, vai se opuser a mim?

– Sempre!

As duas partiram para um duelo pessoal, Stillgar aproveitou e correu até Lesnahel para ajudá-lo. Felizmente ele ainda estava vivo.

Endon que seguia Aradiane parou para ajudar Simba que estava caído numa vala, mas sem maiores escoriações. Rapidamente os dois se uniram ao grupo.

Nisso as guerreiras lutavam entre si: Winfer lançou uma Chuva de Golpes sobre Aradiane que ao mesmo tempo estou sua espada na guerreira. Embora o ferimento tenha sido profundo, os diversos golpes de Winfer penetraram as defesas da guerreira de Azuleno decepando seu braço direito e perna esquerda. Aradiane caiu inconsciente e Winfer permaneceu parada frente aos aventureiros sem esboçar qualquer reação. O ferimento feito pela guardiã foi muito forte, mas ela se mantinha serena e intimidadora frente aos heróis.

– Acho que todos tivemos nossas perdas – Endon falou olhando para Smilgard morto e Aradiane ferida – Nós perdemos um amigo e vocês não atingiram seus objetivos. No entanto você está sozinha…

– Já chega por hoje – Completou Lesnahel.

– Da próxima vez que nos encontrarmos não serei tão misericordiosa – Winfer falou e entrou na floresta.

A guerreira caminhou por algum tempo, sua visão estava turva e seu corpo enfraquecido. Ela deitou e encostou-se a uma árvore e puxou curativos da algibeira para fechar o ferimento, mas ela já havia perdido muito sangue. Encostou à cabeça na árvore, ela sabe que não pode dormir. Seu olho pisca, a visão fica turva. E o breu lhe fecha os olhos.

* * *

Retornando ao templo os heróis se recuperam com a ajuda de Lesnahel, enquanto Aradiane era curada por Elemar. Elissa conhece um pouco mais de Endon, o Martelo Forte; Enquanto Simba encara Stillgar: Ele não aceita o ataque sofrido do mago.

Wesnayke

Próximo do final da tarde chega o reforço vindo da cidade: Wesnayke de Claymor e seus doze heróicos cavaleiros. Endon e Simba contam ao herói de Claymor sobre o ocorrido, mas logo eles percebem que a fama do mesmo não deveria se der pela sua inteligência.

Elemar disse a Stillgar que sua “amiga” já estava melhor, mas necessitava de repouso e descanso. Assim o restante do grupo decidiu retornar para Alísios, e os treze guerreiros de Claymor os escoltaram durante a viagem.

* * *

Endon e Stillgar saíram pela cidade em busca de mais informações sobre o paradeiro de Azhaela e Pituriuken. Enquanto Lesnahel e Simba resolveram permanecer na estalagem das Lanças Cruzadas para se restabelecerem e proteger Aradiane que ainda estava muito ferida.

Endon estava um pouco tranqüilo em relação á segurança de Elissa, uma guarda de Alísios e alguns dos homens de Wesnayke asseguravam sua proteção e a de Elemar. Mas o jovem guerreiro sentia que tinha falhado ao perder a vida do jovem Smilgard para a maligna guerreira rayvodia: Enterrar um amigo dividido em dois, era uma cena que não sairia tão cedo da sua cabeça.

O guerreiro e o mago percorriam todas as tavernas, estalagens, armazéns, becos escuros e até mesmo a masmorra de Alísios, em busca de informação. Ao mesmo tempo ambos usavam o tempo para se conhecerem melhor.

Cruzando um desses becos, Stillgar foi surpreendido por guardas reais de Alísios, que disfarçadamente o prenderam por algum tempo. Descobrindo do que se tratava, o mago pediu para que Endon ficasse de fora, e rapidamente passou um pergaminho com o relatório dos magos de Deyned para o guarda.

Os dois heróis seguiram para a guilda: Endon acreditava que novamente poderia obter sucesso com os ladrões. E foi na taverna dos Pescoços Quebrados que ele encontrou Ditrix: um velho ladrão da região que possuía quase que livre passagem na cidade por ter ajudado o rei em diversas missões quando aventureiros.

O experiente ladrão levou Endon e Stillgar até uma cartomante mortan que trabalhava num beco ainda na guilda e lá se despediu de Endon.

Cianni a cartomante era muito misteriosa e tinha um ar tenebroso em sua voz, mas dizia Ditrix que lia cara como ninguém. Após algumas mandingas ela contou que aquela que eles procuravam estava numa antiga masmorra subterrânea, construída pela antiga maga Crhisment e agora era habitada pelo mal. Mas eles nunca conseguiriam vencer os desafios da região sem antes buscar a Serpente de Fogo no pântano do Troll Elievall.

Os heróis retornaram para a Estalagem das Lanças Cruzadas e contaram aos amigos. Lesnahel disse que o Troll era um desafio demasiadamente forte para eles que tiveram tanta dificuldade no primeiro confronto. Seria mais prudente que o grupo ganhasse mais entrosamento. Stillgar completou que ficara desconfiado sobre Cianni: – Ela frisara muito que necessitávamos ir para o pântano! Conheço pouco de leitura de cartas, mas sei que é uma magia antiga e de oráculo, e MUITO imprecisa. – A intuição de Stillgar dizia mais: Anel de Ferro.

Endon e Simba concordaram com os amigos e principalmente, salientando que o objetivo deles agora era resgatar os amigos de Lesnahel.

* * *

Fenrish, um dos cavaleiros dos treze, segue uma pista no bosque denso durante a manhã nebulosa. Após um rastro de sangue ele percebe um corpo ao chão: Winfer, ele reconhece.

Os demais cavaleiros são chamados por Fenrish, inclusive Wesnayke. Ao se aproximarem da guerreira ela disperta e tenta levantar, mas Wesnayke pega a maça da cintura de um dos cavaleiros e agride a rayvodia com um golpe na cabeça e ela desmaia.

– Hoje é meu dia de sorte mesmo! – Comentou Wesnayke gargalhando.

* * *

No dia seguinte o grupo partiu para a masmorra de Crhisment, cruzando o antigo bosque e o cemitério dos anões. A masmorra era conhecida de Endon que era natural da região:

Quando era bem jovem, ele e Aldresh haviam ido escondidos até a masmorra. Conheciam a lenda da maga Crhisment, pois ela tinha sido aliada do pai deles durante algum tempo.

Crhis, como era conhecida pelos amigos, tinha acumulado diversos tesouros e escondido em uma de suas masmorras, ao todo eram três, mas era na mais próxima de Alísios é que estava á chave para as outras duas, que dividiam os seus tesouros. E os irmãos Ad’Draqi buscavam lá esta chave, mas na época acabaram tendo que fugir por causa de alguns orcs que haviam tomado conta da região.

Mais tarde o exercito de Alísios foi enviado pelo rei para limpar a região, mas os dois irmãos nunca mais voltaram para lá, até agora.

A entrada da masmorra permanecia igual: duas gárgulas empunhando espadas e escudos olhavam uma para a outra e entre elas havia uma pesada porta de pedra: a porta era diferente da que havia antes, pensou Endon. Mas Stillgar percebeu que aquela porta fora colocada por Deyned. O mago limpou a sujeira e os musgos que ficavam sobre a porta e encontrou inscrições em dracônico, logo abaixo na porta havia cinco mecanismos de pedra que podiam ser girados. Rapidamente ele percebeu que quando girava uma letra do alfabeto ficava saliente. O mago olhou para as inscrições e reconheceu que se tratava de uma charada:

“Na primavera, quatro colunas me sustentam,

acima da terra, num domo luzido lamentam.

Durante o verão, duas estrelas me conduzem,

um túnel cheio de portas e mistério de luz que reluzem.

No outono, três pilastras me levam adiante,

um templo vivo na Cidade Brilhante.

No inverno meus pilares viraram areia,

as ruínas da minha queda infinita na última lua cheia.


Stillgar traduziu, mas parecia impaciente e sem cabeça para resolver a questão, o mesmo acontecia com Lesnahel. Endon puxou o grimório de Stillgar e sua pena e tinta e Simba prosseguiu desenvolvendo uma lógica: os dois já tinham enfrentado um problema semelhante e passaram a trabalhar no problema. Após algum tempo, eliminando diversas possibilidades Endon e Simba mataram a charada: Homem – Na primavera (início) quatro colunas (gatinho); Durante o verão (adulto) duas estrelas (de pé); No outono (velhice) três pilastras (de pé e bengala); No inverno (final) meus pilares viraram areia (morte).

Créditos

Narração & Enrredo: Vinicius Ribeiro Lopes

Endon: Anderson Salles

Lesnahel: Rodrigo Velleda – “Patocha”

Simba: Luís Fernando Aguiar

Smilgard e Stillgar: Willian Winckler

Prólogo Antes da Segunda Seção

Advenne Chamouth observa dois pássaros fazendo um ninho do lado de fora de uma das janelas do grande salão do Templo Proibido. Seus olhos, verde esquerdo e direito castanho claro, não refletem nenhum temor ou angustia; Mesmo estando no topo da lista de inimigos do decado e possuir pelo menos duas dúzias de aventureiros o caçando, ele se sente seguro, pelo menos ali olhando para aqueles pássaros.

Advenne Chamouth

Rufere, seu meio irmão, entra no salão. A única semelhança entre os dois está na cor dos olhos: Rufere muito mais atlético e robusto, também um formidável guerreiro além de um grande líder e estrategista de batalhas. Já Advenne possui um físico bem mais esguio, mãos finas e é praticamente incapaz de erguer uma espada maior que curta.

– Irmão! Deyned está aqui – Anunciou o guerreiro.

– Deixe-o entrar – Advenne permitiu, dirigindo-se para perto de uma mesa larga e retangular com diversas cadeiras luxuosas vermelhas. Mas ao invés de sentar-se em uma cadeira, escolheu um dos degraus da pequena escadinha que levava a sacada do jardim.

Deyned entrou com seu tradicional manto e chapéu arcano azul, mantinha sua barba larga e comprida como se gostasse de ser identificado como um mago. Advenne quase podia rir por dentro: Ao contrário do aliado, odiava barbas compridas, mantos arcanos e achava o chapéu pontudo de magos uma estranheza cafonice.

O mesmo ele pensava dos tempos que trabalhou no conselho de Magia em Lamormy, onde mais da metade dos magos usava aqueles chapéus. Era incrível como a magia tenha trazido tantos avanços tecnológicos e praticamente nada em moda.

Mesmo pensando assim, Advenne não era o maior fã dos estilistas helenarianos, gostava mesmo de roupas simples. Mesmo pertencendo á nobreza, detestava as roupas pesadas de festas e reuniões políticas, na verdade a seda lhe dava alergia. Ele se sentia bem com as roupas que estava naquela tarde: camisas de linho e calças um pouco mais largas. Dispensava até mesmo sapatos ou botas; boas sandálias eram perfeitas.

– Como anda nosso plano velho amigo? – Advenne iniciou a reunião.

– Melhor impossível – Deyned olhava para o sujeito simples sentado no degrau empoeirado, com certeza pela sua cabeça passavam incertezas sobre seu real poder, mas isto não era algo para se pensar em sua presença.

Deyned

– Soube que um herói de Claymor iniciou uma cruzada prometendo destruir a nós dois? – perguntou Advenne mais como uma confirmação.

– Boatos… – Desconversou Deyned.

– Boatos? Que houve então com os irmãos Ganids?

Deyned suspirou um pouco antes de responder, e acabou sentando em uma das cadeiras vermelhas com almofadas macias.

– Acredite! Eles não serviam. Este tal…

– Cahethel! – Interrompeu Advenne.

Deyned olhou sério para o aliado com um pouco de receio e espanto, mas manteve-se calmo e tentou manter a confiança em sua voz.

– Sim. Este mesmo… Mas quero chegar ao ponto que este guerreiro não é um problema para nós. Ele é inexperiente e rudimentar. Além de não entender nada de magia. É apenas um claymormiano.

Advenne levantou-se e caminhou até a sacada. Puxou uma maçaneta e abriu uma das vidraças que levava até o jardim dos fundos. Ele saiu vagarosamente do salão se dirigindo há um muro de mármore onde se sentou como uma criança e ficou observando uma mesa de xadrez com peças bem trabalhadas. Deyned, sem entender, o seguiu até a porta da sacada e se escorou com o ombro direito nela.

– Já jogou xadrez Deyned?

Deyned apenas fez um sinal de negativo olhando para as peças bem alinhadas e posicionadas para o inicio do jogo. Mesmo sem olhar para o companheiro, Chamouth prosseguiu falando.

– Deverias! Xadrez é história de uma guerra, onde cada peça possui uma função de defesa e ataque direcionados pelos seus movimentos. Entre elas, uma possui a função mais cobiçada pelo jogador: a Rainha. Ela é quase que insubstituível, é poderosa, temida, rápida e única. No entanto se você perder ela no jogo, ainda pode permanecer jogando e ainda assim ganhar. Em contra partida, cada jogador começa jogando com oito peões: eles são lentos, não são temidos, tão pouco poderosos e geralmente são sacrificados para fins maiores. No entanto, este peão pode se movimentar apenas um quadrado, ao contrário de quase todas as demais peças; Mas caso um peão consiga chegar á oitava e última casa do tabuleiro sabe o que acontece a ele?

– Não senhor…

– Ele vira uma Rainha.

Deyned permaneceu olhando para Advenne Chamouth.

– Não deixe este peão virar uma rainha.

Cahethel Dimitriel

* * *

Deyned saiu cabisbaixo do salão, mas ao cruzar com Rufere levantou o queixo e o cumprimentou brevemente com um balançar de cabeça.

– Como andam os seus comandados Deyned? – perguntou o guerreiro.

– Muito bem. Estão trabalhando no plano.

– Minha filha disse que alguns deles não servem…

– Já disse a ela para não se meter em meus assuntos, pois se eles falharem é minha cabeça que fica a prêmio.

– Nós sabemos disso Deyned – Rufere sorriu – E não queremos isto não é? Fale-me dos seus “soldados”!

– O que quer saber?

– Quem são o que fazem? Fui incumbido de recolher todas as informações de nossos homens. Nunca se sabe quando se precisará calá-los.

Mesmo um pouco contrariado, Deyned caminhou até uma mesinha da câmara onde Rufere cuidava da segurança do templo e retirou um pergaminho comprido e abriu na frente do guerreiro.

– São sete: Aneulack Belford, vulgo Anel de Ferro. Não confio muito nele. É autoritário e um pouco atrapalhado.

– Por que o mantém? – Questionou Rufere.

– Ele possui uma coleção lendária de anéis. Parecem que foram de seu pai, um grande mago forjador e colecionador desse tipo de item mágico.

– Odeio magia! – Comentou Rufere.

Deyned olhou para a espada cintilante do guerreiro e sua armadura incomum, mas não fez nenhum comentário verbal.

– Bem! – Iniciou Rufere – Recomendo deixar que Winfer cuide dele.

– Como assim?

– Ela é uma ótima guerreira. E atenta e nada atrapalhada. Ela o colocará nos eixos. Porém não é nada criativa.

Deyned pensou, mas viu que era uma boa idéia.

– Quer solucionar os defeitos dos meus homens com os seus? – Deduziu o mago – Acho que é uma boa idéia. Prosseguindo: a segunda é Penala.

– A necromante?

– Já ouviu falar dela?

– Claro, sou um grande fã dela. Mas como você a controla?

– Como assim? – questionou o mago

– Soube que ela era candidata a Tríplice Arcana, por que largou tudo para se juntar a você?

– Isso não posso contar.

– Certo! – Não tenho idéia para um homem para ela. Mas deixamos Olien quando ele retornar do trabalho que o encaminhei.

Louvanen é um encantador. Ele pode manipular a mente das pessoas. É muito útil e eficaz…

– Porém depende de manter seus adversários á distancia para invocar seus encantos. Indico Adina Chamouth.

– A filha de Advenne?

– Ela é a melhor! Derrotou Wesnayke na batalha das dez luas.

Deyned não proferiu nada, passou para o próximo nome:

Ilkara, uma invocadora.

– O que ela faz?

– É especialista em dar vida aos seus monstrinhos – Deyned falou um pouco rude, como quem ensina uma ciência simples sem muita paciência.

– Perickles, o arqueiro das mil flechas.

– Conheço-o. Gosto!

Veriokles é um bruxo poderoso que possui pacto com os elementais do fogo.

– O deixamos com Minen de Vhalteha. Ela é ótima com o mangual e esquentadinha.

Os dois riram.

– Quem é este Cargën? – Perguntou Rufere.

– Não faz mais parte dos planos.

– Entendo… Então por fim temos Stilgard? – Falou Rufere apontando para o pergaminho.

– é Stilgar! – Corrigiu Deyned – é jovem e idealista. Bastante aplicado. Gosto dele em especial.

Aradiane filha de Luthenkal

– Então o deixamos com Aradiane filha de Luthenkal.

– Luthenkal? O guardião de Tahohas?

– Sim, o mesmo que derrotou o Impronunciável.

– Que assim seja: seis magos com seis guardiões… A era dos magos está voltando! – Sorriu Deyned.

– E o seu guardião? – Completou Rufere.

– Não preciso…

– Mas deixei os melhores para você – Rufere olhou para a porta que abria trazendo um terceiro integrante a sala.

* * * * * * * * * * *

Créditos

Narração & Enrredo: Vinicius Ribeiro Lopes

Endon: Anderson Salles

Lesnahel: Rodrigo Velleda – “Patocha”

Simba: Luís Fernando Aguiar

Smilgard & Stilgar: Willian Winckler

Início

Após a guerra dos magos, as igrejas de Ividinia, Angreifer, Argeny e Luciany, uniram-se para vigiar os magos, principalmente os lamormyanos. Esta aliança foi batizada como a Liga do Fogo Prateado.

A vigília se mostrou eficaz quando Lompallos desmascarou Deyned, na época o Aurin (Titulo Máximo da Magia), que planejava se unir ao lorde Advenne Chamouth de Riornia e recomeçar uma nova guerra de magos. Deyned se exilou juto com sete magos que lhe juraram fidelidade.

Lompallos foi morto há um ano e meio, e seu pupilo Lesnahel foi promovido para seu lugar. Agora os magos do conselho de Lamormy em reunião com a Liga do Fogo Prateado escolheram um novo Aurin. Lesnahel e mais dois membros da Liga foram escolhidos para buscar e escoltar o futuro Aurin que está em Alísios.

Aurin: Mãos Flamejantes

Algum tempo antes,

O ar gelado da masmorra arrepia o corpo de Krombatos que aguarda a chegada de seu mestre. Junto com ele mais dois sujeitos vestidos, assim como ele, com togas negras escondendo seus rostos atrás do capuz largo e escuro.

No centro do aposento um altar, feito de pedras escuras e ossos de dragão, queima em um fogo mágico, azulado e obscuro. Os três magos permanecem em torno do altar sem mover um músculo sequer.

Após alguns instantes, pela ala norte do aposento, uma porta gigantesca feita de pedra é aberta lentamente e da escuridão surge Deyned seguido de mais dois sujeitos.  Vestido com seu manto azulado, um gorro típico dos magos e carregando um cajado que parece ser feito de vidro e com um pequeno totem dourado na forma da cabeça de uma mulher. Ele vinha seguido por uma guerreira vestindo um peitoral de aço negro com detalhes em vermelho, nas bordas, e uma espada larga pendurada nas costas. Sua cara é carrancuda, o cabelo preso como rabo de cavalo e uma cicatriz em seu rosto que vinha desde um pouco acima da sobrancelha esquerda, passando sobre o olho fechado até a maçã do seu rosto.

– Krombatos! Pensei que tivesse nos abandonado – falou Deyned.

– Jamais amo! Sempre estarei ao seu lado – defendeu-se o mago.

Deyned circulou o altar ficando logo atrás dum dos outros magos:

– Cargën, você falhou!

– Sim… Digo mestre eu ainda…

– Não foi uma pergunta!

Deyned fez um sinal com os olhos para a mulher que saltou imediatamente onde estava o mago e o decapitou com um só golpe. Os dois magos restantes permaneceram imóveis.

– E você Aneulack? – Deyned voltou-se para o terceiro.

– Sim mestre, sim… Bem eu tenho ótimas informações… – Aneulack deixou seu capuz cair para trás, devido ao nervosismo, e prosseguiu falando – Soube que Elemar, o clérigo da deusa da magia nomeará um novo Aurin em Alísios.

– Novo Aurin – Deyned apertou o punho – Como ousam…

– Mestre eu posso acabar com o escolhido antes que este seja nomeado – Falou Aneulack.

– Não! – Krombatos interrompeu o colega – Deixe comigo Mestre. Elemar confia em mim…

Deyned caminhou em silêncio até dar uma volta completa nos dois, e então decidiu.

– Está certo, os dois poderão acabar com o novo Aur… – Ele hesitou por um instante – Os dois podem ir. Krombatos distraíra Elemar e Aneulack dará suporte.

– Soube que Lesnahel é o defensor de Elemar… – Completou Aneulack.

– E o que tem isto? – Deyned questionou a informação.

– Ele é um paladino! De Ividinia… – Falou Aneulack.

Deyned não deu importância, mas percebeu que seus lacaios o temiam. Ele olhou para a guerreira: – Ela protegerá vocês – A guardiã fez uma breve referencia ao seu mestre, respondendo positivamente com o sinal.

Agora!

Cidade de Trindade – 16 de Kubertal 670 e.d.vm.

A Taverna do Vesgo de dois Esquerdos é um dos melhores pontos de encontros de Trindade. Uma cidade que possui dezenas de estabelecimentos comerciais onde a mínima peculiaridade serve de diferencial para vencer a concorrência. No entanto o Vesgo de dois Esquerdos correu por fora, ficando famoso pela bebida fraca, misturada com a água, e a comida repugnante – E por estar sempre vazio, é o melhor lugar para se marcar um encontro na badalada cidade do leste.

Azhaela: Guerreira de Sarah

Em uma das mesas, o elfo e paladino de Ividinia: Lesnahel; aguardava seu amigo mago Elemar. O ividinianita era acompanhado também por Pituriuken, um leal clérigo de Luciany e Azhaela, uma guerreira claymormiana da igreja de Sarah.

Em outra mesa, um pouco mais afastados do balcão, estavam sentados dois jovens aventureiros: um jovem Berna e um mestiço de elfo um tanto sombrio.

Um pouco antes de chegar à Taverna do Vesgo de dois Esquerdos, Krombatos havia ordenado que Smilgard, seu lacaio, que entrasse um pouco depois dele na taverna. Para não despertar desconfiança e para que contratasse alguns mercenários dispostos a segui-lo. Dessa forma eles teriam mais aliados para se defender do paladino e seus companheiros.

Logo depois Krombatos se encontrou com Elemar, já em Trindade, para que os dois fossem encontrar Lesnahel.

Chegando à taverna, Elemar logo confraternizou com seu velho amigo élfico. Porém o mesmo não fez questão de ser agradável com Krombatos. Algo cheirava mal, Lesnahel sabia: Krombatos havia sido um dos asseclas de Deyned antes das coisas federem para o mago, mas após sua queda ele havia se redimido e convertido novamente para o Conselho de Magia. Embora muitos não acreditassem na sua real mudança, Krombatos havia entregado pelo menos dois nomes de traidores ao conselho. Mesmo assim, Lesnahel continuava não confiando nele.

Smilgard entrou na taverna meia hora depois de seu amo. O jovem bruxo era metade lemúriano, e temia por sua segurança numa grande cidade. Por este motivo andava sempre com um capuz que lhe cobrisse o rosto e escondesse sua verdadeira raça. No entanto, o mesmo não podia fazer com sua altura que ultrapassava o segundo metro.

O bruxo sentou-se num canto e analisou os potenciais ali então. Rapidamente ele percebeu o humano Berna e o mestiço élfico. “Com certeza seria a melhor escolha”, pensou ele, em relação ao preconceito que pudesse sofrer por escolher aventureiros que odiassem lemúrianos: um Berna tão longe de casa e que ainda anda com um meio-elfo com certeza estaria disposto a trabalhar para outro mestiço.

Ele se aproximou dos dois aventureiros e descobriu que sua escolha havia sido mais do que perfeita: o Berna era Simba, um caçador arqueiro da região. O bruxo lembrou que seu mestre comentara este nome, pois ele já havia frustrado alguns planos do Anel de Ferro. O segundo se apresentou como Martelo Forte, embora mantivesse em segredo seu verdadeiro nome, Smilgard já ouvira falar de tal de “martelo”: talvez este apelido estivesse pegando.

Não demorou muito para que os dois grupos partissem para Alísios. O primeiro liderado por Lesnahel, nem sonhava em estar sendo seguido. Já o outro, chefiado por Smilgard, seguia cauteloso. O bruxo sustentava uma mentira sobre ser escoltado em segurança por causa de alguns inimigos que caçavam mestiços lemurianos.

Ambos os grupos chegaram à noite no porto da Alameda Ensurdecida: A balsa da meia noite era o caminho mais rápido para Alísios, além de ser também o mais seguro.

Cada um matou tempo do seu melhor jeito:

Lesnahel conversava com Elemar sobre novidades e historias de viagens; Smilgard esperou uma distração de seus companheiros para procurar seu mestre; Que lhe deu ordens para aguardar um sinal para um ataque. Mas o jovem bruxo não possuía tendências malignas e começou a desconfiar que seu mestre realmente não houvesse se convertido para o lado do conselho.

Simba tentava passar o tempo e acabou conhecendo Azhaela na taverna do porto. O magnetismo entre os dois foi á primeira vista e eles teriam se conhecido melhor se não fosse Smilgard retornar para a taverna e por falta total de “tato” empatar o caminho do companheiro.

Enquanto isto o meio-elfo já havia se afastado de seus companheiros, depois de ter avistado uma linda e misteriosa moça que havia subido para o segundo piso da taverna. Inicialmente parecia ter visto um fantasma do passado, mas ao chegar mais próximo a reconheceu: Ilita.

Com um pouco de dificuldade para se comunicar ele chegou á mesa da mulher, uma belíssima humana saudidia de pele parda e olhos esverdeados. Na cabeça dele vinham várias perguntas, mas a principal era: – Por que me abandonastes? – mas por mais que ele tentasse, nenhuma silaba saiu de sua boca. Mas o mesmo não aconteceu com ela:

– Endon A’Drake! Espantoso encontrá-lo aqui.

– Agora eu me chamo…

– Martelo Forte – ela o interrompeu.

– Sim, pelo visto andas me seguindo?

– Bem que você gostaria – falou ela sorrindo.

– O que a traz aqui?

– Vim matar um homem: Lesnahel.

– Que fez este homem – questionou Endon.

– Não sei, apenas estão pagando bem por isto…

– Você continua sendo uma fria mercenária.

– Venha comigo querido, e repartiremos a recompensa.

– Não sou assassino!

– Entendo – falou ela sorrindo.

– E por que você sumiu? – arriscou ele

– Já vai começar com seu drama? – O corte dela foi ríspido e Endon não conseguiu reagir – Oh! Vai chorar?

Endon saiu de rompante. Indignado bateu a mão na parede.

Na balsa, Endon buscou conversar com Lesnahel, se apresentou como o Martelo Forte, e o informou que sua cabeça estava a prêmio. O jovem paladino, talvez por inexperiência, se refugiou com Elemar e seus companheiros, pedindo para que ficassem todos juntos até o final da viagem. Em sua mente acusava Krombatos de traição, mas mantinha-se apenas o observando.

O grupo de Smilgard mantinha-se tranqüilo, Simba aguardava instruções do bruxo, já Endon permanecia distante e triste.

Ao chegarem ao porto de Alísios, durante a madrugada, Lesnahel partiu para a estalagem das Lanças Cruzadas e deixou que seus dois companheiros vigiassem Krombatos. O segundo grupo seguiu para a mesma estalagem. Ambos pegaram se registraram no estabelecimento.

Simba decidiu ir dormir cedo, estava muito cansado. Já Smilgard e Endon resolveram ir para a taverna do Mestre Aldebran, beber um pouco.

Lesnahel aguardava seus companheiros na porta, mas quando viu apenas Krombatos retornando ficou inquieto:

– Onde estão Pituriuken e Azhaela? – Questionou preocupado.

– Ué, eles não estão com você? – Respondeu Krombatos com um sinal de interrogação no ar.

O paladino élfico mandou Elemar permanecer na taverna e saiu em busca de seus amigos. Começou pela taverna onde encontrou o Martelo Forte, que prontamente decidiu ajudá-lo. O guerreiro se preocupou tanto com o elfo que se esqueceu do bruxo na taverna. Que neste momento conhecia uma linda mulher; e após algumas doses de absinto partira para um quarto num beco escuro da cidade.

Após vinte minutos de procura nas docas, Martelo Forte encontrou o mendigo “Boca Aberta”, um antigo contato, que lhe informou que vira uma guerreira ruiva, Azhaela, e mais um asseado guerreiro, serem levados por alguns sujeitos misteriosos. Seguindo o rastro indicado, Endon deduziu que eles haviam sido levados para uma guilda de ladrões.

Os dois heróis voltaram para a estalagem em busca de Simba e depois foram á taverna atrás de Smilgard, mas este havia sumido do local. Ignorando qualquer perigo com o meio lemúriano, Endon e os outros partiram para a guilda.

Smilgard parecia contente com sua “caçada”, mal tinha chegado à cidade e já estava entrando num quarto com uma bela humana saudidia, de pele parda e olhos verdes. Mas ao se distrair um golpe forte na cabeça o desacordou.

Os três aventureiros chegaram a guilda dos ladrões, Endon advertiu os companheiros dos perigos da região. Simba matinha-se desconfiado á cada sujeito que surgia na multidão; já Lesnahel sentia-se um peixe fora d’água.

Em uma das tendas do comercio local, Endon avistou Ilita comprando alguns artigos exóticos. Ele se distanciou dos parceiros e puxou-a pelo braço:

– Que você sabe dos guerreiros do paladino?

– Uau! – Suspirou ela – Já tinha esquecido como você podia ser bruto – falou ela debochando do guerreiro, com voz sensual e lasciva.

– Fale! – a ignorou.

– Não sei de nada. Não tenho nada haver com eles… – falou ela com convicção e Endon já estava largando seu braço quando ela completou – Vim aqui trazer um lemúriano para Carcêrs.

Ilita: a Ladra

– O que? Sua…

Antes que Endon pudesse fazer qualquer coisa, a ladra sacou uma adaga escondida do antebraço e o cortou no ventre, saltando alguns metros para trás e sumindo na escuridão.

Lesnahel avistou a cena e correu para auxiliar o Martelo Forte. Rapidamente o paladino invocou uma prece e usou suas mãos para curá-lo.

Endon procurou Ilita nas imediações, sem sucesso: ela já devia estar fora da guilda – pensou ele.

– Vamos temos que salvar um companheiro – falou Endon aos seus companheiros.

Carcêrs estava em sua tenda, uma das maiores da guilda, rodeado por quatro guardas e duas gueixas. Enquanto Smilgard estava pendurado de ponta a cabeça com uma balde de ferro abaixo do seu corpo.

– O que vocês pretendem? – Suplicou o bruxo.

– Calma lemúriano, eu só precisar de alguns litros de vosso sangue – falou Carcêrs com uma voz afeminada e debochada.

Mas o rito foi interrompido por uma flecha que surgiu da escuridão e abateu o primeiro guarda que protegia a entrada da tenda. Carcêrs gritou para que seus lacaios matassem os intrusos.

Lesnahel abateu o primeiro com sua espada e Martelo Forte entrou brandindo seu martelo de guerra estourando um dos guardas, mostrando porque ganhou este nome. Os guardas de Carcêrs rapidamente pereceram frente á espada do paladino, o martelo do guerreiro e as flechas mortais de Simba deram conta de qualquer reação dos bandidos. O ladino Carcêrs viu-se obrigado a negociar sua redenção com os heróis; Mais do que ouro, sua vida foi salva através de informações sobre quem estava por traz do desaparecimento de Azhaela e Pituriuken: Anel de Ferro.

Na manhã seguinte os heróis concordaram em unir forças para ajudar Lesnahel a encontrar seus amigos. Martelo Forte e Simba acompanharam o paladino até o Templo da Magia enquanto Smilgard decidiu conseguir mais informações sondando Krombatos ainda em segredo dos amigos.

Smilgard seguiu os sinais do mago até um galpão abandonado onde espreitou uma conversa do mesmo com o Anel de Ferro, acompanhado de mais um individuo, que infelizmente não conseguiu identificar.

Aneulack Belford: o Anel de Ferro

Eles falavam sobre destruir Lesnahel e os demais aventureiros e matar o aspirante a Aurin. Krombatos avisou que enviara Tsen para caçá-los – Tsen era uma mandingueira goblin que comandava uma pequena horda dessas criaturas com certa habilidade. Sabendo do perigo que seus companheiros corriam, Smilgard correu para avisá-los a tempo.

Lesnahel procurava possíveis ameaças no Templo da Mágia, enquanto Elemar lhe apresentava o local e falava como seria o ritual á noite. Simba procurava um bom lugar para montar uma tocaia. Enquanto Endon caminhava pelo amplo local, até se deparar com uma jovem de sorriso meigo e com perfume doce como flores do principio da primavera.

Endon não escondeu sua admiração e por descuido acabou por surpreendê-la e assustá-la ao chegar pelo flanco. Rapidamente ela puxou uma varinha e invocou uma barreira de gelo que fez o guerreiro saltar quase dois metros para trás. Envergonhada pelo susto, demonstrando mais nervosismo do que vigilância, ela dissipou sua magia.

– Me perdoe… – falou ela com olhar baixo e voz tênue.

– Eu que peço desculpas, acabei por surpreendê-la

– Não, tudo bem… Mas eu preciso ir, estou com um pouco de pressa – Falou ela se dirigindo para a saída.

Elissa: o Futuro Aurin

– Espero revê-la – ele comentou antes de perdê-la de vista. E ela o respondeu apenas com um breve e delicado sorriso.

Parecia que o “Martelo Forte” fraquejava um pouco dentro de seu coração, mas ainda dentro de sua mente ocupada, pensava: Por que Ilita não podia ser assim?

Caminhando até Lesnahel, o meio-elfo ouvira a conversa do paladino com Elemar:

– Quem será escolhido Aurin? – Lesnahel perguntou.

– Uma jovem maga de nome Elissa. Ela é adorável e doce…

Endon não esperou ouvir o resto, e partiu correndo para a rua. Lesnahel o seguiu sem saber o que se passava.

Enquanto isto Simba se dirigia para uma janela no segundo andar do templo, quando avistou do lado do ribeiro que cortava o bosque a frente do templo, um grupo de goblins se aproximando de uma jovem humana que caminhava sem conhecer o perigo. Ele olhou para baixo vendo que seus companheiros já corriam para o lugar, e então pulou do segundo andar e usou uma adaga para cortar as cortinas e amortecer sua queda.

Tão cedo os heróis chegaram ao ribeiro, os goblins partiram em investida contra o grupo. Antes que eles pudessem agir, uma bola de fogo voou em suas direções acertando Endon e Lesnahel em cheio. Simba saltou, escapando apenas com escoriações leves, e assim que se recuperou, disparou uma flecha acertando um primeiro goblin que cruzava a ponte do ribeiro.

Smilgard chegava ao longe, e tão cedo chegou usou uma de suas bruxarias para disparar em um goblin. Endon tomou a frente de Elissa e passou á protegê-la enquanto Lesnahel ao seu lado o dava suporte ofensivo.

Nove goblins partiram para cima dos guerreiros, e as flechas de Simba davam cabo dos primeiros, porem eles eram rápidos e já começavam á atacar seus companheiros de perto, dificultando assim seus ataques a distância.

Um goblin mais carrancudo brandiu o machado e foi para cima de Smilgard, que rapidamente usou sua bruxaria para subjugá-lo, mas ele era muito poderoso, e acabou lhe ferindo com gravidade e lhe jogando na correnteza do ribeiro.

Endon estava envolvido com muitos adversários e tentava recuar com Elissa que assustada não esboçou reação ofensiva. Ele acabou por parar de contar com o paladino que se jogou na água para buscar Smilgard que já se afogava.

Simba diminuía a vantagem dos goblins com tiros certeiros e rápidos, dando cobertura para Endon recuar. No entanto as mandingas que Tsen disparava, visavam quase sempre o guerreiro.

O goblin guerreiro que derrotou Smilgard partiu na direção de Endon que apenas se defendia com o escudo, já que seu martelo parecia ser pouco eficaz em seu primeiro ataque. Em uma ação inesperada para o goblin, o guerreiro o empurrou com seu escudo para dentro do rio.

Lesnahel saia do ribeiro com Smilgard, e usou uma de suas preces para curar seu companheiro com a ajuda da deusa Ividinia. Smilgard tão cedo levantou, usou sua mandinga contra Tsen, que agora parecia estar sozinha; Simba acabara com todos os seus lacaios goblins, porém o guerreiro goblin, já se recuperara do golpe de Endon e retornara para a margem. Lesnahel ignorou o senso de honra dos paladinos e atacou o guerreiro goblin sem misericórdia.

Tsen fugiu, e os heróis partiram em seu encalço: Simba disparava flechas, assim como Smilgard pronunciava suas mandingas ofensivas; Já Endon e Lesnahel perseguiam o rápido goblin que ganhava distancia a cada segundo.

Até que Tsen saltou e aos pés de uma amazona riorniana, de olhos bicolores, com uma enorme cicatriz no rosto. Ela olhou para Endon e Lesnahel e puxou sua espada larga:

Winfer

– É hora do pau!

Créditos

Narração & Enrredo: Vinicius Ribeiro Lopes

Endon: Anderson Salles

Lesnahel: Rodrigo Velleda – “Patocha”

Simba: Luís Fernando Aguiar

Smilgard: Willian Winckler