Desfecho: a Revolta das Colônias

A independência de Wardon e Azuleno serviu de estopim e motivação para as demais colônias de Claymor e Riornia. Aqueles que eram tidos como os dois impérios mais poderosos, perderam muito de sua força militar e com isto não amedrontavam mais seus vizinhos.

Enzigh, rei de Alísios, convoca uma assembléia mundial para investigar o suposto mentor por trás dos seqüestros. Os quais antecederam conflitos que por pouco não causaram uma guerra mundial.

Encurralado pelas acusações; Enrich, rei de Claymor, entrega Wesnayke como suposto soldado renegado do reino. E que junto com sua milícia, conhecida como “os Treze”; Eram co-responsáveis pelos incidentes mencionados.

A assembléia então, declara o general de Claymor e seus milicianos como traidores do continente, e passa a caçá-los em o mundo. Fazendo com eles se exilem do reino.

Rufere, também exilado pelos reinos rayvodios, acaba aliando-se aos Treze e também sai de circulação.

Com a derrota de Anel de Ferro, Deyned perde o apoio dos hobgoblins. Os quais se juntariam a sua horda, garantindo suporte ofensivo para a tomada de Alísios. Contando com apenas goblins comuns, o mago não tem chances contra Enzigh e o exercito alisiênse; Que massacra as forças goblinóides do mago. Todos os lacaios do antigo Aurin são capturados ou mortos, porém ele próprio consegue escapar com vida.

Miner, filha de Enzigh, aprisiona todos os magos em Erthanen, uma masmorra prisão de segurança máxima localizada na ilha de Oxna. Entre os prisioneiros está a necromante Penala.

Diversos outros magos são caçados e aprisionados no ano que se segue. É associado, rapidamente que os prisioneiros são na maioria inimigos políticos da maga que anseia uma vaga no Conselho de Magia.

Atenta aos boatos, Elissa investiga e comprava a veracidade dos fatos. Ela extingue a Tríplice Arcana, acusando as três magas de corrupção: – Tríplice Arcana que era composta por Miner,

Nevolas

Adelle e Ayllena –             Filynsti também é afastado por ser irmão de Ayllena. Magoado o elfo retorna para Jalmandia, enquanto á irmã dirigi-se par

a Lyn.

O ladrão Nevolas é morto durante uma aventura, ao tentar penetrar na masmorra de Rastenphar, próxima a Raillen. Sua morte serve para mostrar ao mundo dos aventureiros que a maga Adelle planeja algo grandioso. Mais dois grupos tentam invadir o local, mas são igualmente mortos. Entre os mais conhecidos aventureiros estão: o lendário anão Dameron e o clérigo Elemar.

Segundo o único sobrevivente, Richilme, Adelle possui alianças com demônios. Nos eventos que se seguem, a ilha de Raillen perde contato com o continente de Digared.

Impronunciável

Rhan, o terceiro irmão de Lyn, segue uma pista deixada por Akille Chamouth, que o levaria até o Impronunciável. Infelizmente para ele a pista estava certa, e Rhan é morto em combate pelo maligno algoz.

Nos três anos que se seguem, os asseclas do algoz causam verdadeiro terror aos reinos do norte – Não há noticias do que aconteceu com o herói Akille, que partiu numa caçada contra o verdugo – E o seu paradeiro deixa o caminho livre para o Impronunciável.

Cahethel casa-se com Winfer em Dræma e ambos se aposentam no reino. A rainha Beckia, a esposa de Akille, permanece reinando e criando seus três filhos. Acreditando que seu marido um dia irá retornar. Diferente do que se espera, Beckia corta relações com Advenne Chamouth e se torna a primeira a colocar-se contra a pedra Shuoa.

Advenne Chamouth é coroado rei de Riornia, já que o rei fora assassinado por um ladrão de nome desconhecido. Sua filha, Adina, doente, permanece reclusa pelos anos que se passam. Cria-se um boato que ela tenha morrido e tornando-se um morto vivo, mas o boato é logo abafado pelo novo rei.

Aradiane Luthenkal reina soberana em Azuleno e recusa-se a aceitar Chamouth como rei. Ela acusa o antigo lorde de ter tramado o assassinato do verdadeiro rei. Visando uma provável guerra, ela monta um excelente exercito e uma milícia de elite conhecida como “os Tarkanus”.

A rainha-heroína também busca uma solução diplomática junto com Enzigh, para o que ela chama de “cativeiro da alma” ao qual sua filha Miner mantém Aldresh. O rei recusa-se a acreditar na acusação. E o que era para ser uma ação diplomática, acaba gerando uma guerra entre os dois reinos. O conflito dura sete meses, e na batalha do Fim da Era, Aradiane derrota e mata o Enzigh.

A guerra logo encontra seu fim, pois Audrey filha mais nova do monarca, declara paz e acusa a irmã de estar controlando a mente de seu próprio pai, além de pelo menos mais cinco nobres do reino.

Miner se exila para Oxna levando sua guarda pessoal composta pelos três heróis: Ditrix, Rontaros e Aldresh. E Audrey passa a governar sozinha, mas enfrenta dificuldades por sua juventude e sua origem de barda.

Azhaela Pyram é aclamada como rainha de Wardon, mas diferente do que se imaginava, ela fecha o comercio com Azuleno. A relação entre as duas heroínas volta a se estreitar, mas a guerra entre os dois reinos ainda se mantém distante; Pois a guerreira de Sarah passa a excluir as demais religiões dentro do reino, instituindo uma sangrenta perseguição religiosa. Dreshely, aliado na independência, é capturado e decaptado em praça pública durante o inicio desse conflito.

Aventura 6a Seção

Dizem que quando estamos muito perto da morte, nossa vida passa diante de nossos olhos como uma retrospectiva dos melhores momentos.

“(…) You can’t stop the time

You must know that you and I

We will grow old someday

Don’t ask me never again:

What for? And where do we aim?

You can’t stop the time

You must know that you and I

We will grow old someday

Don’t ask me never again:

What for? And where do we aim? (…)”

Tradução

“(…) Você não pode parar o tempo

E deve saber que você e eu

Envelheceremos algum dia

Jamais me pergunte de novo:

Pra quê? E pra onde nós focamos?

Você não pode parar o tempo

E deve saber que você e eu

Envelheceremos algum dia

Jamais me pergunte de novo:

Pra quê? E pra onde nós focamos?(…)”

– Close to Death, Usun

* * *

A nuvem fétida de veneno havia se extinguido com o último suspiro do mago. Endon não teve tempo para comemorar, só podia correr mais do que seus pés poderiam agüentar; Mais do que qualquer um pudesse correr: Ele tinha que correr contra o tempo!

Ilita agonizava com os lábios esverdeados e o nariz escorrendo sangue: o veneno havia destruído seu corpo por dentro e agora lhe restava muito pouco tempo.

– End… – As palavras feriram sua garganta seca.

– Calma Lila.

Endon tentou imitar o gesto do paladino ao curar o corpo de Litllen, utilizando-se da habilidade diletante de sua raça: o que lhe permitia copiar as habilidades dos outros; No entanto havia algo que ele havia esquecido: Fé.

Lesnahel demorara muito para descobrir que a Fé não é uma habilidade ou talento. Não era algo hereditário que se podia ser passado por seus pais, e tão pouco adquirir num beco ou taverna qualquer: – “O temor saudável provém da fé, já o temor errôneo provém da dúvida” – Apenas quando todas as dúvidas sumiram do coração do paladino é que ele realmente descobrira o que seu pai havia lhe ensinado em vida.

O paladino tomou o lugar do guerreiro e segurou o corpo da ladra no intuito de curá-la como o fizera anteriormente. Era agora mais do que nunca preciso, mas ele não sabia se podia realmente fazê-lo: – “Não! Não pode haver dúvidas”! – Pensou ele.

* * *

Taverna do Carvalho Negro Real – Tapsa (6 meses atrás).

Taverna

Diante da penumbra do estabelecimento, uma das mesas, mais próxima á janela e afastada da multidão, recebia um tratamento especial; Isto porque, o casal sentado ali já estava consumindo á vigésima rodada de chope.

A bela atendente cruzava o salão vestindo um avental sobre o vestido de linho marrom, enquanto o casal batia com os punhos na mesa em tom sinfônico que ia aumentando a cada passo dela, que quase não se agüentava de tanto rir.

– Bem! – Ela ria – Aqui tem mais dois “chopes”.

Os dois brindaram e entornaram mais um copo como se fosse o primeiro.

– E então Al – Falava Ilita quase caindo para o lado – Tirando a conta que temos que pagar nesta taverna, quanto sobra da minha parte em ouro.

– Não pago a conta aqui.

– Existe alguma taverna em que você pague a conta?

Ele pensou por um bom tempo, e os dois riram.

– Acho que está na nossa hora – Falou ele se levantando.

Os dois subiram para a estalagem da taverna com um pouco de dificuldade, devido aos vinte litros de álcool que cada um havia entornado.

O quarto estava arrumado e uma vela quase no fim criava uma leve penumbra no quarto: Aldresh só enxergava a cama e nela mergulhou.

Ilita guardou os pertences de ambos sobre uma mesinha e ajeitou seu cabelo antes de deitar

– Ainda dorme ao meu lado como se eu fosse uma criança!

– Para mim você sempre será a filha do meu pai. Meu verdadeiro pai…

– Isto nos torna irmãos?

– Só se você largar o Endon.

Os dois riram.

– Sabe que eu já o larguei.

Falou ela em um tom não tão alegre. Aldresh levantou a cabeça do travesseiro, olhou nos olhos dela e apontou para seu coração.

– Não o largou aqui!

Ela olhou na direção do dedo dele, e ele subiu-o acertando o seu nariz. Ela fez cócegas e ele caiu da cama; Ambos riram.

– Deixa de ser tonto! – Ela ajeitou a pose – Você sabe que Endon não é o meu tipo.

Nem toda a lábia da ladra dava veracidade á este blefe.

– Lembra que eu dizia isto da Dine.

– É diferente…

– Eu sei. Ele é verde, tem seis olhos…

– Para tonto – Ela o emburrou fazendo-o cair da cama novamente.

Ele voltou a deitar, mas num tom mais sério.

– Ilita, eu amo vocês dois. Gostaria muito que desse certo.

– É o sangue? – Falou ela – Quando você me conheceu eu tinha dez anos e você parecia ter vinte. Agora parece que nós dois temos os mesmos vinte e quatro – Seus olhos lacrimejaram – E quando eu tiver sessenta? Para mim terá passado trinta e seis anos, mas para vocês serão apenas sete.

Aldresh a abraçou, pois não havia palavras a serem ditas naquele momento, e como ele gostaria de tê-las: Ele vivera isto no passado, com os elfos de Lyn, e por isto ele viajou o mundo: Para que as mudanças o acompanhassem: – “Malditos seja o sangue elfico”.

* * *

Guilda de Ditrix – Alísios (3 meses atrás).

Um belo e caro cavalo branco, de crinas roxa, cruzava os becos mais escuros e perigosos da guilda. Carregando uma condutora nobre e rica, mas que, contudo, parecia saber onde pisava; Parou em frente há um breu escuro.

Ela apontou o cajado para o local criando uma luz mágica que o iluminou.  Revelando uma moça saudidia de olhos verdes escondida.

– Por que sempre tem que usar magia para coisas tão simples?

– Porque a magia é simples para mim “querida” – Falou Miner com voz doce e debochada – Trouxe?

– Claro!

Ela arremessou um saco de pano, fechado com uma pequena corda. Ela abriu o embrulho certificando-se que estava ali.

– Muito bem! Fiz minha parte, agora retire isto!

Ilita gritou com a maga que olhou para ela e sorriu. Ela apontou o cajado e lançou um raio de luz na ladra: Imediatamente uma serpente vermelha começou a sair do seu umbigo – A dor era quase insuportável, mas era necessária! Se ela houvesse perdido mais um dia… Aquele monstro já teria lhe comido toda por dentro.

A cobra caiu no chão e Ilita pisou em sua cabeça esmagando-a.

– Bem… Foi ótimo fazer negocio com você.

– Nunca vou te perdoar. Você podia ter tirado o encanto de Venne antes da missão!

Ilita falava ofegante se recompondo.

– Para você fugir novamente com a encomenda? Conheço-te Ilita, não esqueças que já fui aluna de Aldresh também.

– Isto não vai ficar assim!

– Há! Vai sim ou você sabe o que contarei á ele – Ela olhou séria para a ladra, mostrando que não era um blefe – Aliás, Endon já sabe?

– Sua vaca! Venha aqui e vou te ensinar como manter esta boca fechada.

Miner mudou o sorriso para uma cara séria e desceu do cavalo. Guardou o cajado no alforje e retirou sua capa ficando apenas com sua saia e um corpete azul claro. Ilita tirou o cinto que prendia na cintura e dobrou a capa, ficando apenas com suas vestes saudidias.

As duas se aproximaram uma da outra rapidamente: Ilita iniciou socando o rosto de Miner com a mão fechada; A maga deixou escapar um som de dor, e revidou com um gancho, mas a ladra esquivou com agilidade e chutou a cintura da maga que caiu no chão de joelhos, cara a cara com uma poça de água suja.

– Ta com sede?

Ilita puxou Miner pelos cabelos ruivos e afogou seu rosto na poça d’água. Dominada a maga jogou com força a cabeça para trás e acertou os lábios da saudidia que caiu sentada no chão.

As duas se levantaram ao mesmo tempo, e novamente Ilita buscou socar o rosto da ruiva, que bloqueou com o punho e imobilizou o braço da morena: colocando-o abaixo de sua axila. A ladra buscou golpear agora com a esquerda, mas a maga repetiu a defesa. Com dois braços dominados, da adversária, Miner cabeceou com a desta o nariz de Ilita que cambaleou para trás. A ruiva correu para cima da adversária e puxou seus cabelos, e puxou sua cabeça na direção do seu joelho direito. O golpe derrubou a ladra no chão.

A maga caminhou em sua direção, com o rosto pingando lama, mas antes que se aproximasse o suficiente, Ilita deu uma rasteira pegando os dois pés dela e a derrubando de cabeça no chão. A ladra ainda teve forças para descer a perna, mesmo deitada, no corpo da ruiva e acertou seus seios: novamente ela deixou escapar um grunhido de dor.

As duas permaneceram alguns segundos deitadas na lama, sentindo os fortes golpes.

– Para mim ta de bom tamanho – Falou a maga quase sem ar.

– Certo… Agente continua outro dia.

As duas se olharam deitadas em meio á lama.

– Maga vaca!

– Ladra puta!

As duas riram.

* * *

Taverna Lança Embebedada – Trindade (1 meses atrás).

Como sempre a Lança Embebedada estava completamente lotada: grupos de homens bebendo e beliscando lingüiça defumada, mulheres dançando sobre as mesas e sob os aplausos dos boêmios. As atendentes se misturavam á confusão dançando e até mesmo bebendo cerveja. Alguns casais se amassavam longe das luzes dos lampiões. E todos cantavam a música: O Dia do Mar.

O dia do mar ou das grandes marés

Para acompanhar a voz das ondas

Gostaria de seguir a voz das ondas

O dia do mar ou a maré-baixa

O dia do mar ou das grandes marés

O dia da areia, a maré-baixa

O dia das areias

Você pode sentir o rio correr?

Ondas estão dançando ao sol

Pegue a maré e enfrente o mar

E encontre um caminho a seguir-me

Deixe o campo e deixe o fogo

E encontre a chama do seu desejo

Defina o seu coração nesta terra longe

E cante o seu sonho para mim, mais uma vez

Ele é meu herói, meu fogoso amor

Ele é o meu Rei, fogoso amor

Descanso e prazer eu não tive

Desde que ele foi pra longe, meu amor

Agora chegou a hora de sair

Manter a chama e ainda acreditar

Saber que o amor vai brilhar através da escuridão

Uma estrela brilhante pra luz da onda

Canção do mar

Ouro sobre as velas

Canção do mar

Enviando as melodias…

Levante a sua voz e levante a vela

Saiba que o amor nunca vai falhar

Saiba que eu vou cantar para você

Cada noite que eu sonho de você

Ele é meu herói, meu fogoso amor

Ele é o meu Imperador, fogoso amor

Descanso e prazer eu não tive

Desde que ele foi pra longe, meu amor

Tocando no mar

Tocando no mar

Toque…

Ele é meu herói, meu fogoso amor

Ele é o meu Deus, fogoso amor

Descanso e prazer eu não tive

Desde que ele foi pra longe, meu amor

Fogoso amor, o vento e o sol

O sono é o fim, o sonho está pronto

Para o oeste onde fogo junta

Pro fogoso amor, o dia começou

Ele é meu herói, meu fogoso amor

Ele é o meu Senhor, fogoso amor

Descanso e prazer eu não tive

Desde que ele foi pra longe, meu amor

Ele é meu herói, meu fogoso amor

Ele é o meu Ídolo, fogoso amor

Descanso e prazer eu não tive

Desde que ele foi pra longe, meu amor

Desde que ele foi pra longe, meu amor

Canção do mar

Ouro sobre as velas

Canção do mar

Enviando as melodias…”

Todos cantavam menos uma mulher: Ilita olhava os pingos de chuva bater na janela e descerem rapidamente o vidro sujo e embaçado.

– Ilita! Posso me juntar a ti? – Falou um Mursh chegando com dois canecos de malzbier.

– Acho que você não me conhece elfo – Ela olhou para os canecos – Cerveja doce e sem álcool?

Ele riu. Ela apontou a cadeira da frente e ele sentou-se nela.

– Vá direto ao assunto.

– Certo. Como faço para encontrar Aldresh?

– Não faz. Qual o serviço?

– És a substituta dele?

– Sim. Tudo o que ele faz eu sei fazer – Ele entornou a cerveja doce – Só não transo com mulheres.

Ele sorriu.

– Pois bem! Preciso que alguém vigie uma pessoa.

– Apenas isto?

– Não é tão simples. Um grupo de aventureiros irão se reunir em duas semanas. Eles se meterão em algumas confusões e precisarão das habilidades de um ladrão.

– Fala como se pudesse ver o futuro.

– Eu posso.

– Impossível eu roub…

Ela travou.

– Sim eu sei. E por isto escolhi a ti.

– Você veio atrás de Aldresh.

– Não, vim atrás de ti.

Ela parou um pouco, fez sinal para uma atendente pedindo uma cerveja e voltou-se para o elfo.

– Quem é você de verdade?

– O que importa é que preciso de ti para despertar o poder de uma pessoa.

– Eu não entendo…

– Não é preciso. Precisas apenas fazer isto.

Mursh puxou o mapa da sua mochila e pegou uma pena e tinta. A cerveja chegou e Ilita novamente entornou num gole só.

* * *

Ruínas de Garant, 24 de Kumberal (Duas horas antes).

Hobgoblins

Já fazia dois dias que Simba, Ilita e Perikles haviam escapado das ruínas de Garant com vida. No entanto eles temiam pelo que havia acontecido com Dandara: Anel de Ferro havia lançado uma bola de gelo que congelara a amazona durante o duelo com Minnen.

Simba estava preocupado, embora o desvio que o grupo havia feito para a Tumba de Rhalephar tenha sido providencial, para que eles se arrumassem as armas de Lensk; Em seu coração, temia o que poderia ter acontecido com Dandara: Seu amor de adolescência. Porém a motivação do arqueiro berna ia muito mais além. O seu sentimento de vingança parecia que finalmente poderia ser saciado.

Stillgar também gostava da idéia de enfrentar Anel de Ferro, mas nenhum deles sabia sua real motivação. Na verdade, mesmo estando junto do grupo há pouco mais de uma semana, nenhum deles sabia o que se passava, ou que se passou na vida do mago.

Lesnahel sentia um misto de preocupação e falta de Litllen, ela tinha sumido com Perikles há dois dias.

Já Endon confortava Ilita e Simba sobre a situação de Dandara, mesmo sem saber o que realmente os aguardava.

Todos concordavam que Anel de Ferro seria o adversário mais poderoso que eles haveriam de enfrentar. Mas a motivação de cada um sobrepusera qualquer temor pela própria vida.

O Grupo atravessava as ruínas de Garant furtivamente, com Lesnahel e Endon á frente; Seguidos por Simba e Ilita, mais atrás, Stillgar conjurou a magia luz que revelou na escuridão a posição do grupo. Todos olharam para o mago, que: – “Ops”!

Arco Assassino de Imortais de Lensk

Em poucos segundos, um exercito de goblinóides cercava os heróis por todos os lados. Havia pouco tempo para raciocinar; E Endon correu para cima deles, deixando o grupo para trás. Ilita mandou-o ficar, mas ele já batia com seu novo Martelo Espancador nos primeiros hobgoblins.

Simba começou a disparar suas flechas nos que se aproximavam, e o paladino elfico protegeu o lado esquerdo do grupo. O flanco direito ficava desprotegido, mesmo com Endon lutando daquele lado, pois a distancia que ele mantinha do grupo permitia a invasão da horda goblinóide.

Stillgar lançou uma nuvem de adagas que liquidou com meia dúzia das criaturas que se aproximavam daquela direção. Ilita gritou para Simba e Stillgar, que olharam na direção da ladra. Ela arremessou um frasco de fogo alquímico – uma mistura concentrada que explodia ao mero impacto. Simba entendeu, e disparou sua flecha no alvo, justamente quando este estava sob a cabeça de Endon. Uma explosão acertou todas as criaturas que cercavam o guerreiro, que só não foi atingido porque o mago manipulara as chamas para evitá-lo.

Lesnahel arremessou sua espada que guiada novamente por Stillgar, foi cortando diversos inimigos que iam caindo ao chão. A espada fez uma curva na mureta que escondia os adversários que chegavam ao grupo, e retornou pelo outro lado nas mãos do paladino.

Em menos de um minuto não havia mais nenhum hobgoblin de pé. E soberbo o grupo correu adiante, mas foi novamente surpreendido por uma saraivada de flechas disparadas por goblinóides que se postavam sobre as muretas da ruína.

Espada Longa Radiante & Martelo Espancador de Lensk

Simba e Ilita, que foram mais alvejados recuaram para trás de uma coluna caída. Já Stillgar mantinha-se no centro, ao lado de Lesnahel que parecia ser impossível de ser acertado graças á sua ótima armadura e sua abençoada deusa.

Endon correu por trás da mureta, procurando oportunizar o melhor ataque. Mas felizmente para o grupo, Stillgar e Simba começaram a derrubar um a um os goblinóides.

Lesnahel, sem arco, buscava os frascos alquímicos encontrados na casa do prefeito da última aventura. O paladino parecia ser tão bom de arremesso como era com a espada: cada arremesso derrubava um arqueiro.

Apesar do susto o grupo sobreviveu a este desafio surpresa. Ilita xingou os homens pela atitude imprudente e “suicida”.

Eles seguiram para os túneis que Simba indicava ser o esconderijo do Anel de Ferro. Chegando novamente na câmara, já conhecida por Simba e Ilita, que possuía esculturas enormes de cabeças com bocas grandes de pedra.

No caminho o grupo encontrou um corpo, que parecia ser de um ladrão, alvejado com várias flechas. Simba, desconfiado, analisou se não se tratava dos projeteis de Perikles, mas sua desconfiança estava errada: as flechas eram típicas de goblinóides.

O defunto possuía uma mochila de onde saltava, aos olhos, três capas vermelhas, que Stillgar identificou como encantadas com um feitiço que resistia ao fogo, mas deixava seu usuário vulnerável ao gelo.

Nenhum dos aventureiros percebeu três coisas: que o corpo estava morto á mais de um mês; não possuía nenhum equipamento além das capas e mochila; e principalmente, com tantos saqueadores no local, ainda permanecia com seus utensílios mágicos.

Endon e Stillgar colocaram as capas, mas os demais se recusaram a usar a terceira.

Tão logo, se vestiram os aventureiros eram surpreendidos por Ilkara; A bruxa que Stillgar reconhecia como uma demonologista (controladora de práticas demoníacas) armava uma pequena milícia de esqueletos guerreiros.

– Stillgar, seu traidor vai pagar pelo que fez á mestre Deyned.

Falou Ilkara enquanto reforçava o poder de seus aliados morto-vivos. Os aventureiros se posicionaram para o combate novamente.

Stillgar lançou sua magia Chuva de Adagas para atingir a bruxa e sua horda necrótica; Ao mesmo tempo em que Endon corria á frente para atacar os esqueletos, mas de dentro de uma das cabeças de rocha surgiam tentáculos de escuridão que prenderam o guerreiro. Lesnahel correu e com a espada longa Radiante de Lensk cortou-os em um só golpe.

– Grato amigo – Agradeceu Endon, batendo na mão esticada do elfo.

Simba lançou sua flecha na direção de Ilkara, mas a bruxa esquivou e apontou a varinha para Endon, lançando a magia Abraço Vampírico: Endon deve parte da sua vitalidade sugada pela bruxa que se restabeleceu.

A horda de esqueletos cercou os heróis que enfrentavam os monstros com força e determinação.

Ilita resolveu decidir o combate sozinha; Saltou sobre a parede e correu rapidamente sobre ela, passando por toda a horda. Stillga lançou sua magia de adagas, novamente sobre os monstros, mas acertou apenas a ladra: – “Muito amigo este mago” – Pensou Ilita, partindo em investida para cima de Ilkara.

A bruxa disparou dois raios na direção da Ladra, que com muito reflexo desviou e saltou sobre a bruxa e a agrediu com o seu fabuloso golpe traiçoeiro: nas costas da bruxa, antes que ela pudesse se virar, chutou a parte de atrás do joelho. Ela caíra de joelhos, e a ladra puxou sua cabeça para trás, pelos cabelos, e cortou com o sabre sua garganta. A bruxa que caiu morta no chão.

Todos os esqueletos caíram imóveis junto com a ela.

– Coloquem na conta da Ladra este combate.

Falou Stillgar comemorando. Endon por outro lado repreendeu Ilita:

– Não deves sair correndo na frente.

– Ué! Só você quem pode?

Cajado Funcionário da Morte de Lensk

Endon sorrio, balançou a cabeça positivamente e deu um tapinha na bunda arrebitada da ladra.

Novamente o grupo seguia vitorioso com a soberba de mais um encontro de combate controlado e vencido.

Eles chegavam ao pavimento onde Dandara e Minnen duelaram, mas antes que pudessem procurar a amazona. Avistaram Anel de Ferro no fundo do salão, acima das escadas que levavam até seu refúgio.

Imediatamente o mago conjurou cinco clones que aumentavam seu campo de ação e alcance. Enquanto Minnen vinha montada num lagarto gigante sedento pela carne dos aventureiros.

– Vejam quem retornou para o velho Anel de Ferro

Falou o mago olhando para Simba puxou suas flechas e passou a agredir seus clones.

– Toma isto mago, espero que esteja com saudades.

A flecha cruzou o ar e matou o primeiro clone.

Endon gritou para Minnen, falando que sabia da sua irmã, mas sua frase soou como um afronta, mesmo vendo que a Amazona vinha em sua direção, o orgulho não permitiu concertar o “engano”.

A amazona fez sua montaria morder o guerreiro mestiço que ficou gravemente ferido. Ilita puxou as cordas mágicas de Stillgar, as quais ele mesmo havia descoberto serem bastante eficientes para prender os prisioneiros.

Anel de Ferro apontou o cajado de gelo para lançar uma Bola de Gelo na direção dos aventureiros: Ela congelou Endon e feriu todos os demais heróis. O guerreiro e o mago sentiram mais o efeito, já que usavam as capas deixadas propositalmente, pelo maléfico mago.

Stillgar fugiu para longe do combate, buscando escapar do combate. E imediatamente retirou sua capa. Endon permanecia congelado, já Lesnahel, bastante ferido, tentava ganhar a atenção de Minnen. Ilita interveio, saltando sobre o lagarto e chutou a amazona para o chão.

No melhor momento do combate, uma flecha acertou o lagarto na cabeça, fazendo-o cair no chão: Era Perikles que retornava para o grupo, acrescentando sua experiência.

Ilita aproveitou a distração de Minnen para aprisioná-la com as amarras mágicas. A amazona não conseguiu se desvencilhar e saiu de combate: agora só restava o Anel de Ferro.

Perikles e Simba corriam lado a lado, liquidando com todos os clones do mago. Endon finalmente escapava da magia, mas antes que pudesse correr em direção ao mago, viu Ilita lançando-se á sua frente para um combate mano a mano com o poderoso mago.

– Ilita!

Gritara Endon, mas a ladra não ouvira, e subiu as escadas desviando dos raios de gelo que o mago lançava em sua direção. Ela saltou sobre ele e atacou com seu sabre, mas o mago defendeu com o cajado.

– Saia daqui mulher.

Gritou Anel de Ferro lançando um Golpe Resfriante, que novamente foi esquivado pela ladra. O mago aproveitou para recuar para trás da coluna. Perikles e Simba atacaram: Simba acertou apenas a coluna, mas Perikles utilizou-se de um tiro em curva que acertou em cheio o mago, mas que era protegido por um campo de força mágico.

Todos os heróis partiam para cima do Anel de Ferro, mas era Ilita que estava mais a frente.

Minnem tentava se soltar da corda, e estava quase conseguindo:

– Pare irmã. Esta luta não é nossa.

Litllen chegava ao salão. Minnen sorriu, olhou para a situação do mago patrono e acenou positivamente com a cabeça para a irmã.

Enquanto isto, o mago maligno lançou uma nuvem de veneno em Ilita que não teve chance de esquivar-se ou seguir em frente; Caindo no chão frio do salão.

Endon gritou para a amada e correu em sua direção; Em um ato desesperado, entrou de corpo e alma dentro da nuvem de veneno e abraçou-a, puxando-a para fora da nuvem.

Lesnahel partiu para cima do mago também, cruzou a nuvem fétida e atacou o mago, mas acertou novamente o campo de força. Ele devolveu com uma Onda Congelante que além de esfolar parte do seu corpo, o empurrou para a região envenenada. O paladino caiu, mas Simba o puxou para fora antes que morresse.

Stillgar usou suas magias mais rápidas para ferir o rival, que inutilmente paravam em seu campo de força.

Enfurecido com a morte aparente de Ilita, o guerreiro lançou-se sobre o mago. Enquanto Simba servia Lesnahel com uma poção curadora que revitalizou o paladino. Stillgar e Perikles atacaram o mago, mas novamente pararam em seu campo de força. O ataque de Endon conseguiu destruir por completo o campo de força, mas novamente o mago usou sua onda Congelante e fez o guerreiro voltar para a nuvem de veneno.

Simba pegou uma de suas flechas envenenadas pela poção encontrada pelos heróis na casa do prefeito, na ultima aventura. Aproveitando-se da distração que o mago tinha com tantos inimigos, mirou usando sua sombra entre as colunas como referencia e disparou um tiro em curva: Pela primeira vez.

A flecha voou e acertou ao lado do coração do mago. Imediatamente o veneno entrou em sua corrente sanguínea e Anel de Ferro perdeu toda concentração de suas magias e caiu no chão.

Simba partiu para cima do mago e o puxou pelo pescoço.

– Ri agora! – Os olhos do berna estavam cheios de fúria, ele deu uma cabeçada quase que instintiva no rosto do mago – Onde está Dandara.

O mago apontou para uma direção e morreu logo em seguida.

Enquanto isto os demais aventureiros cercavam Endon que inutilmente tentava copiar o poder do paladino.

Lesnahel tomou o lugar do guerreiro e fez sua prece para a deusa Ividinia. Imediatamente ele entrou numa espécie de transe e buscou toda sua força para curar a ladra. Mas dessa vez não obteve o mesmo sucesso.

Ao lado da ladra, Endon segurava a sua mão, pedindo que ela não partisse. Ela olhou nos olhos do mestiço buscando despedir-se.

– Não Ilita… Não me deixe…

– Endon… – A dor das palavras consumia sua energia – Eu te amo…

Ela soluçou e engasgou. Endon deu um ultimo beijo na ladra.

– Endon… Desculpa por ter te deixado há nove anos…

– Não se preocupe… Eu não te culpo

Os olhos do guerreiro estavam cheios de lágrimas, e seus amigos não agüentavam a emoção.

– Querido… Nós tivemos um filho… Miner… Ela sabe…

2º Prólogo para a 6a Seção

Wardon – Templo de Sarah, 22 de Kumbertal de 670 e.d.vm

templo

Cinco cavaleiros acompanham uma charrete coberta com um pano negro e puxada por uma mula. Á frente, os portões no templo de Sarah (uma das deusas da guerra), que mais parece uma fortaleza guarnecida por sacerdotes que se vestem como guerreiros.

Um sacerdote abandona o posto e corre em direção ao alojamento de Azhaela: que está á paisana, vestindo um vestido vermelho de cetim e usando a pena para escrever uma carta pessoal.

– Senhora – Fala o sacerdote ofegante pela corrida – Fenrish e outros três guerreiros dos treze se aproximam do templo.

Azhaela olha surpresa para o rapaz e enrola a carta rapidamente e a sela com cera vermelha.

– Deixe-os entrar.

O sacerdote volta rapidamente para seu posto gritando ordens para os demais colegas. A sacerdotisa-guerreira chama uma de suas criadas que já estava no aposento aguardando ordens e lhe entrega a carta.

– Saia pelos fundos, use um manto escuro, cavalgue a noite e durma de dia. Leve até Aradiane em Azuleno.

A garota pegou a carta, cobriu a cabeça com o capuz negro e partiu sem falar nada: era muda, e perfeita para este tipo de missão.

Azhaela saiu do aposento e foi até o pátio onde Fenrish já á esperava.

– Depois de tudo, esperava uma recepção menos amistosa…

Fenrish falava sem tom de brincadeira, sua armadura estava muito suja e um pouco chamuscada e havia diversos cortes e ferimentos em seu rosto.

– Há pelo menos duas dúzias de arqueiros prontos para disparar, então não me venha com gracinhas.

– Certo – Ele olhou para os muros laterais para certificar-se que não era um blefe.

– Veio por causa da independência da colônia?

– Não!

Fenrish caminhou até a charrete e puxou o pano negro que a cobria, revelando o corpo de Wesnayke muito ferido e coberto por diversas queimaduras. Ele mal se mexia, parecia estar morto.

O soldado olhou para os demais colegas e todos desceram do cavalo, se aproximaram de Fenrish e seguindo-o, imitaram seu gesto: Eles se ajoelharam a frente da sacerdotisa de Sarah e Fenrish suplicou:

– Por favor… Cure-o.

Azhaele, surpresa, ficou sem reação. Caminhou até o corpo do general de Claymor, agora tão indefeso e segurou sua mão. Estava com a mão quente, mas os dedos gelados. Talvez ele não passasse dessa noite. Precisava urgente de magia divina para que voltasse a ser o velho Wesnayke.

– Certo.

Ela fez sinal para alguns sacerdotes que foram até a carroça e pegaram o corpo, levando para dentro do templo.

– Fenrish! Aguarde-me no salão da cura. Os demais serão auxiliados pelos meus servos. Eu já volto.

Ela entrou em seu alojamento pessoal, uma espécie de casa de dois quartos, e caminhou até um dos cômodos vagarosamente sem fazer barulho. Havia uma cama, e nela uma criança, um menino de mais ou menos doze anos. Ela se sentou na cama e passou a mão no seu rosto com delicadeza. Ele abriu os olhos negros e olhou para ela.

– É hora de acordar mamãe?

– Não Wesnayke. Pode dormir mais um pouco.

* * *

Lyn, 22 de Kumbertal de 670 e.d.vm

quarto

Cahethel acordou de um pesadelo e levantou-se bruscamente da cama. Sentiu as dores, nos pontos que cicatrizavam, devido ao movimento brusco.

– Tudo bem?

Perguntou Akille que estava sentado, próximo da janela gradeada, bebendo algo numa caneca de madeira.

– Não… Digo, tudo bem.

O guerreiro olhou para todas as direções, procurando alguma familiaridade: era um quarto muito bonito com duas camas e havia uma bacia com um resto de água e misturada com sangue – “Devem ter limpado seus ferimentos ali”. Ele pensou.

– Onde estamos?

– Lyn. Castelo do Rhan. Este era o quarto do Endon e Aldresh.

– Por isto esta cor de menina?

Ambos riram.

– Não lembro de quase nada – confessou Cahethel.

– Eu tão pouco.

Akille levantou, já estava vestido á paisana, mas caminhava com dificuldade. Entregou uma caneca com chá para o amigo e abriu a porta: olhou para o outro cômodo como se procurasse por alguém, mas não havia nada.

Cahethel bebeu o chá, era amargo e gelado. Ele fez uma cara de nojo. Akille riu dele:

– Ruim não?

– É! Coisa de elfo.

Os dois riram novamente.

O riorniano caminhou novamente, de um lado a outro no quarto, parecia inquieto.

– Wesnayke está muito mais forte do que imaginávamos não?

Falou Cahethel para quebrar o silencio.

– Ele não é mais problema. Elissa acabou com ele.

– Para sempre?

– Talvez.

– O que queres me contar?

Os dois estavam juntos há um bom tempo: Descobriram juntos os planos de Rufere para criar uma guerra e lucrar na venda de armas; Lutaram contra os asseclas do Impronunciável e derrotaram pelo menos uma dúzia de monstros juntos. Mas o mais proveitoso desta campanha fora a amizade que eles conquistaram. E um amigo sabe quando o outro quer dizer alguma coisa.

– Vi Rhan conversando com Fylinsti. Segundo o mago, Endon e os outros entraram em confronto com lacaios de Deyned.

– O que isto tem haver?

– Com Wesnayke e Rufere fora, voltarás tua atenção para o mago, não?

Cahethel olhou para o amigo e concordou com um aceno positivo.

– Aliás, eles poderão ajudá-lo daqui para frente.

– Vai retornar para Riornia?

– Vou.

Aquilo calou os dois. Cahethel sabia que um dia isto iria acontecer. Eles nasceram e viviam em reinos inimigos. Era apenas uma questão de tempo para que novamente fossem colocados em lados opostos.

– Eu vou contigo.

– Não! Teu lugar é aqui. Ajudando Rhan e Enzigh. Alguém tem que ajudá-lo com Deyned.

– Não. Estou indo para ficar com Winfer.

Akille riu.

– Achas que meu pai permitirá que ela fique com um claymormiano?

– Não me interessa o que teu pai pense. Ele me conhece sabe que…

– Sabe que tu és claymormiano – Akille falou alto e cortou a fala do amigo – Um claymormiano matou os pais dele. Foi duro até mesmo para mim, aliar-me a ti.

Cahethel olhou surpreso. Ele sabia que estava certo. No entanto, fora um claymormiano que matara sua mãe também. Ele sabia o que sentia e por isto não falou mais nada.

Akille juntou suas coisas, colocando a mochila nas costas e carregando sua espada na mão e dirigiu-se para a porta.

– E a pedra Shuoa?

O riorniano parou na porta com a pergunta desferida em suas costas.

– Falou uma vez que destruiríamos a pedra Shuoa juntos. Mesmo que para isto tivesse que matar seu pai.

Akille permaneceu quieto. Apoiou o rosto na porta entreaberta e pronunciou.

– Infelizmente isto é outra coisa que terás que fazer sozinho amigo – Ele suspirou – Só não te desejo sorte, pois esta tua campanha nos colocará frente a frente pela última vez.

– Certo! Foi uma honra Chamouth.

– Para mim também Dimitriel.

Akille saiu e partiu com seu cavalo para Riornia.

* * *

Dræma, 22 de Kumbertal de 670 e.d.vm

Castelo

O sol nem bem havia nascido e já começava um barulho de pesadas pisadas na cerâmica do chão do castelo real.

Rufere distribuía alguns de seus fieis soldados para varias direções do castelo. Um guarda local caminhou desconfiado até o general riorniano.

– General o que se passa?

Ele olhou nos olhos do rapaz e seus olhos bicolores, verde e azul, inverteram de lado: o rapaz foi arremessado quase dez metros na parede; E ele caiu inconsciente.

Os demais guardas do castelo correram procurando chamar auxilio para o local, mas foram interrompidos com a presença da rainha que entrava no pavimento vestindo as pressas um robe azul sobre a fina camisola.

O general olhou para a jovem, que embora recém acordada, mantinha sua exuberante beleza.

– Perdoe-me acordá-la assim minha rainha, mas estamos fazendo algumas mudanças por aqui.

– Não tens permissão Rufere. Esta cidade é governada por Akille e em sua ausência eu respondo por tudo.

Ele sorriu para ela com extrema delicadeza, novamente seus olhos inverteram de cor:

– Tu não reagirás. Obedecerá…

– Não está esquecendo algo Rufere? – Ela cortou-o – Sou uma Chamouth também.

Ele olhou espantado para ela, sem esperar esta reação e a falha do seu dom de nascença.

– Impossível. Tu não és do nosso sangue…

– Ao que parece esta “benção” familiar dos Chamouths é carregada pelo nome e não pelo sangue – ela sorriu – Bem, mas tu não tens culpa de ser ignorante não é?

Rufere olhou furioso para ela. Sabia que ela não representava ameaça alguma para ele: não passava de uma professorinha de historia que teve a sorte de casar-se com um Chamouth idiota.

– Não me provoques garota ou…

– Ou o que Rufere?

Ela gritou com o general. Seus olhos não tinham medo, pelo contrário, trazia muita confiança, talvez um pouco excessiva.

– Tu sabes que teu marido está muito longe daqui não? E não há homem em Dræma capaz de me derrotar.

– Pode não haver homem, mas há uma mulher.

A voz pronunciada nas costas do general era mais do que familiar, e ele virou-se rapidamente para sua direção. Winfer, ainda muito ferida, chegava ao castelo.

– Oh minha filha que alegria em revê-la.

– PARE! – Ela gritou enfurecida – Eu não tenho pai. Deixe Beckia e saia de Dræma ou serei obrigada a matá-lo.

Rufere sabia que era um blefe, e seria muito difícil para ela lutar naquele estado, mas ele apreendera que lutar sozinho contra uma pessoa enfurecida e magoada era por demais arriscado; Além do mais, ele não era do tipo que se arriscava neste tipo de confronto.

– Pois bem. Homens!

Os soldados de Rufere seguiram-no com presteza.

– Preparem-se, pois levarei isto ao rei de Riornia.

– Leve isto também – Falou Beckia pegando o cetro do rei de Dræma – Eu Beckia Chamouth, declaro perante a todas as testemunhas presentes, que a partir da data de 22 de Kumbertal: Dræma é declarada independente. Se o rei de Riornia não concordar, prepare-se para a Guerra!

Os soldados do castelo ergueram suas espadas e gritaram eufóricos saudando a rainha Beckia.

* * *

Helenary, 22 de Kumbertal de 670 e.d.vm

cozinha

Já era quase meio dia, mas o pátio da casa estava vazio. Os soldados não foram treinar e ganharam o dia de folga. A chuva já estava começando e Penala mexia o caldeirão na cozinha adicionando algumas ervas raras. O cheiro era ruim e bastante forte. Ela provou um pouco na colher de pau, certificando-se que estava pronto.

Puxou então uma caneca de madeira e encheu com o conteúdo do caldeirão. Colocou sobre a bandeja, acompanhada de frutas frescas e uma sopa quente e levou até o quarto de Adina.

A amazona estava deitada na cama, com a cara inchada e tossindo bastante.

– Não quero comer.

Falava a riorniana enterrando a cabeça no travesseiro por causa da claridade que vinha da porta.

– É preciso guria mimada.

A maga sentou ao lado da amazona e forçou-a comer. Após se alimentar um pouco Adina olhou para a aliada.

– Por que continuas comigo?

– Como assim?

– Deyned já te recrutou de volta, então porque continuas em Helenary?

A maga mexia em seu vestido preto como se procurasse algo nele.

– Acho que não quero mais voltar.

– Não vou mais perguntar. Assim como não vou questionar o que guardas naquele porão.

Penala olhou assustada para ela.

– Obrigada por cuidar de mim.

– Durma agora.

Penala cobriu a guerreira e pegou a bandeja vazia. Saiu do quarto e caminhou ate a cozinha, mas deixou tudo cair no chão ao ver Deyned na cozinha. Ele provava o conteúdo do caldeirão.

– Hum… Este remédio…

Penala apenas encarava o antigo patrão.

– Não é aquele antigo ritual para atrasar a gripe negra?

– Não é da sua conta.

– Quem está doente Penala? – Questionou o mago – Quem está morrendo? Não há o que fazer esta doença não tem cura!

Miner de Alísios

Agradar a si mesmo é orgulho; aos demais, vaidade”.

Miner, Princesa de Alísios

Alcunha: Miner

Altura: 1,55 m

Peso: 44 Kg

Olhos: Verdes

Raça: humano – Mantaro

Signo: Quimera

Ano de Nascimento: 630

Natural: Alísios

Aliados: Ayllena, Elissa, Enzigh, Rhan, Aldresh, Audrey e Ditrix.

Inimigos: Adelle, Deyned, Adina e Aradiane.

Vantagens: Beleza, Riqueza, Nobreza, Patrono, Artefato, Conhecimento, Status, Reputação, Aliados poderosos, Poderes Paranormais e Inocência.

Desvantagens: Ambição, Inimigos poderosos, Vaidade, Vingativa, Inveja e Luxuria.

Filha do rei de Alísios, Miner decidiu ser maga após uma apresentação de Ayllena no reino. Ela se mudou para Lamormy, estudou na ULMAF e se tornou pupila da própria Ayllena. Inicialmente criou uma rivalidade com Elissa, mas as duas se tornaram grandes aliadas.

Mesmo sendo uma princesa maga, Miner acreditava que precisava se aventurar para aprimorar suas habilidades, pois a maioria dos magos apenas teorizava a magia, enquanto aqueles que buscavam o conhecimento pleno, obtiam mais sucesso.

Peculiaridade:

Tem um familiar gato chamado Faismed;

Quando nervosa sorri sarcástica. Sempre mantém a elegância.

Cozinha sua própria comida e adora salada doce.

Gosta de chamar a atenção para seu belo corpo.

Fala pausadamente de forma proposital.

Imagem:

Endereço da Imagem Base – http://www.gods-inc.de/macavity/IsleOfShadows/elf_female.jpg

Modelo da Foto – Susan Coffey

Perikles Tamarsh

“Durante minha vida orgulhosa aprendi a ser humilde, e hoje tenho orgulho dessa humildade e de ter corrigido minha única imperfeição”.

Perikles

Alcunha: Pepê

Altura: 1,86 m

Peso: 90 Kg

Olhos: negros

Raça: humano – rayvodio

Signo: Quimera

Ano de Nascimento: 642

Natural: Azuleno

Aliados: Aradiane, Stillgar e Dandara.

Inimigos: Aldresh.

Vantagens: Lábia, Agilidade e Bonito.

Desvantagens: Ambição, Egocêntrico e Sarcástico.

Perikles Tamarsh nasceu em uma família humilde e pobre. Começou no exercito de Azuleno como qualquer outro soldado, mas sempre se destacando por sua grande agilidade: Aradiane chegou a falar que Perikles seria o homem mais ágil do mundo.

O arqueiro sempre serviu fielmente aos planos do reino, mas desertou para seguir algumas aventuras. Mas por ser desleal em combate e individualista, acabou tendo problemas de relacionamento nos grupos de aventureiros que compôs.

Após sua peregrinação pelo mundo, Perikles retornou para Azuleno. Juntou-se ao exercito de Aradiane e teve novamente problemas de relacionamento com diversos membros: entre eles Aldresh que era declaradamente amante da amazona chefe. No entanto, Aradiane nunca teve o que reclamar do arqueiro ou questionamentos sobre sua índole perante o reino de Azuleno.

Peculiaridade:

Mulherengo, gosta de flertar e adora mulheres com grandes ancas.

Se acha ótimo.

Não bebe álcool, mas utiliza-se de diversos chás calmantes para manter suas mãos firmes.

Coleciona aves empalhadas.

Coloca nomes de mulheres em algumas flechas para dar sorte.

Prólogo antes da 6a Seção

Ruínas de Garant (serra esquecida estrada Helenary / Bernadine), 22 de Kumberal.

Ruínas de Garant

Já era noite e os goblinóides guardavam a região árida de Garant. Há muito esquecida pelos humanos, que já haviam desistido de colocar um posto de observação na região.

O local era árido e praticamente sem vida, não havia propósito comercial investir em uma região tão improdutiva; Mas não era o que pensavam os militares de Helenary e Bernadine, que lutaram durante cinco anos pela região. Porem sempre que um lado vencia a queda de braços, este era atacado por goblins ou criaturas selvagens.

Um dos goblins, na realidade um “hobgoblin” (espécie de goblinóide parecido com um goblin, mas muito mais alto, até o tamanho de um ser humano), espreitava a região acima do vale, certificando-se de que estava tudo em ordem.

Dois outros hobgoblins juntaram-se ao primeiro; Estes armados com lanças e escudos de madeira. O primeiro deu a ordem para que eles ficassem postados ali mesmo, próximos á duas colunas de pedra tombadas ao chão.

Os dois soldados caminharam rapidamente para o local, mas antes que qualquer medida de segurança pudesse ser tomada, duas flechas zuniram do breu escuro e atingiram-nos em cheio; O que restara, puxou sua corneta, mas antes disso uma sombra surgiu nas suas costas e degolou sua garganta com um fino corte de adaga.

Ilita deitou o corpo do hobgoblin no chão, cuidando o mínimo ruído. Olhou para os lados procurando por mais soldados, mas não havia mais ninguém. Então ela acenou para a direção da escuridão: imediatamente Simba e Perikles correram em sua direção, logo atrás, Dandara acompanhava os arqueiros com sua espada e escudo em punhos.

– Existem duas cavernas que levam até o centro do covil. Eles estão aqui á muito mais tempo que os homens de Deyned. Mas pelo que percebi não há ninguém aqui além do Anel de Ferro e uma amazona humana – Ilita sussurrava – Há! E claro, muitos goblins.

– Hobgoblins!

Hobgoblin

Corrigiu Perikles. Ilita olhou séria para ele.

– Não são goblins, são hobgoblins.

– Há então você é um perito?

Falou ela em tom irônico, Simba e Dandara se olharam e riram. Ilita prosseguiu com as instruções e logo após partiu na direção das cavernas, seguida pelos outros três.

O grupo se esgueirava dentro do túnel escuro e frio no mais completo escuro. Os quatro humanos sabiam que estavam em uma enorme desvantagem: não conheciam o local, não enxergavam no escuro e ainda estavam em menor número. Ilita parecia ser a mais segura, havia treinado a vida toda para isto com seu pai.

Ilita parou e apontou no meio da escuridão para uma grande câmara á qual eles se aproximavam. Era preciso cautela.

– Luz!

– O que? Vão nos descobrir – Falou Dandara.

– Você luta no escuro? – Falou a ladra.

Simba puxou uma tocha e bateu a pederneira na parede criando uma faísca e em seguida ascendeu sua tocha.

– Pronto!

A luz revelou uma boa parte da câmara que possuía mais um túnel bem distante, mas o que surpreendeu os aventureiros foi às esculturas da parede: enormes cabeças com bocas grandes de pedra que aparentavam serem capazes de engolir um cavalo.

– Não gostei – Reclamou Dandara.

Caverna das Cabeças

Ilita caminhou com cautela a frente de todos, seguida logo pela amazona que puxou sua espada para mais perto de si, pronta para atacar a qualquer momento.

Perikles puxou uma flecha e deixou o arco baixo, mas pronto para agir. Simba com sua intuição desconfiada mirou uma flecha na direção de uma das bocas, como se esperasse que ela ganhasse vida para engolir todo o grupo.

– ILITA!

Gritou Perikles, quando de dentro de uma das bocas que cercava a Ladra surgiram quatro robgoblins vestidos com gibões de peles e empunhando maças estrela. O robgoblin mais próximo tentou aproveitar o momento de surpresa da ladra atacando com um golpe decidido que visava seu crânio, mas a agilidade da saudidia lhe proporcionou uma ótima esquiva.

Ilita rolou escapando do primeiro, mas indo na direção do segundo inimigo que forçou a maça na altura de seu corpo, mas devido ao seu treinamento e flexibilidade a ladra conseguiu escapar com uma manobra de abertura total das pernas (o que era muito utilizada por dançarinas em Uthera e conhecido como espacate).

Dandara correu na direção dos inimigos e jogou seu corpo sobre eles, utilizando seu escudo como proteção. Três hobgoblins caíram no chão junto com a moça, mas antes de levantar ela enterrou o escudo na garganta de um deles e trespassou sua espada meio que sem força, na carne dos outros dois.

O quarto robgoblin aproveitou-se do embolotamento da amazona e atacou com a maça, mas a flecha de Simba zuniu no ar e acertou sua cabeça.

Neste instante, das outras cabeças começaram a aparecer mais robgoblins, eram muitos para o grupo, mas não havia como retornar. Ilita correu na direção deles gritando:

– Simba! Cubra-me…

A ladra sacou seu sabre enquanto se livrava da adaga arremessando no robgoblin mais próximo atingindo-o no peito, a criatura saltou para trás caindo sobre dois aliados.

hobgoblins

– Deixa que eu te “cubro” gata!

Perikles gritou e disparou duas flechas na direção de Ilita, no caminho os projeteis ganharam um estranho efeito e desviaram da ladra acertando dois robgoblins que estavam se preparando para flanqueá-la.

Dandara levantou e correu na direção do bolo também. Simba avistou um movimento esquisito atrás do motim de goblinóides, porém seus olhos humanos eram limitados quanto a isto. Numa ação improvisada, o arqueiro berna colou sua tocha no arco, como se fosse uma flecha e disparou como um tiro longo logo atrás do motim.

– Ilita a TOCHA! – Gritou o berna.

Ilita olhou a tocha cruzando a cena de combate, ao mesmo tempo em que Dandara investia em auxilio; Lembrando dos velhos tempos, a ladra se agachou e apanhou algo dentro do inventario de sua mochila. A amazona saltou e pisou nas costas da ladra e investiu de forma louca na direção do bolo de robgoblins. Um deles conseguiu enterrar a lança na barriga de Dandara, mas ela manteve-se forte e derrubou cinco deles usando o escudo e o peso do seu corpo.

Perikles disparou duas flechas novamente, mas agora para o alto, as flechas viajaram e caíram sobre dois dos goblinóides derrubados. Ilita arremessou um frasco de vidro na tocha que com o impacto se quebrou e entrou em combustão com fogo. O clarão cegou os goblinóides mais recuados; Além de revelar suas posições e armas: arcos.

– Perikles, atinja os arqueiros!

Simba gritou para o arqueiro de Azuleno que logo percebeu o perigo que se aproximava.

Ilita saltou no meio dos robgoblins caídos e cortou a garganta de um que se preparava para levantar, enquanto isto, Dandara levantava-se atacando com sua espada o maldito que havia lhe ferido.

Os mais recuados recobravam a visão e preparavam suas flechas para atingir Ilita e Dandara que já estava liquidando com a primeira linha de combate, mas quatro flechas cortaram o ar e atingiram quatro dos cinco arqueiros goblinóides no peito. O que restara surpreso com a velocidade dos ataques, se amedrontava ao ver seus parceiros caírem ao mesmo tempo.

Dandara partia para a segunda e ultima linha de goblinóides antes dos arqueiros (agora no singular), eram quatro, postados em duas linhas de dois. A amazona usou sua espada e escudo como duas armas, abandonando toda sua defesa, e com golpes semelhantes como dois botes de serpente, ela atingiu os inimigos e os forçou a se moverem para trás, o que fez os dois primeiros caírem sobre os de trás.

Ilita aproveitou o ataque e correu saltando na direção da parede; sua corrida prosseguiu na mureta, fazendo com que a ladra ao ultrapassar a amazona, saltasse e caísse sobre os dois goblinóides derrubados. Utilizando-se da força do impacto ela cravou suas armas na garganta de cada um.

O ultimo robgoblin largou seu arco, mas antes que pudesse fugir a flecha de Perikles atingiu seu coração.

Ilita olhou furiosa para ele:

– O que deu em você!

– Desculpe-me eu sou assim mesmo – Ele sorriu – Nunca erro!

Ela andou brava ate o arqueiro.

– Ele já estava rendido e nos poderíamos ter conseguido algumas informações.

Perikles segurou a mão de Ilita e puxou a ladra para junto do seu corpo.

– Calma gata. Sem pressa – ele aproximou os lábios da saudidia – Sei do que tu precisas…

– E eu sei o que você merece.

Simba falou colocando a espada curta na direção da virilha do Azuleno que largou imediatamente a ladra que o esbofetiou com um soco.

– Acalmem-se a todos – Gritou Dandara – Nos vencemos por que lutamos em conjunto, e permaneceremos assim até o final.

Simba guardou a arma, enquanto Perikles e Ilita adiavam a briga por um tempo. Dandara chamou Ilita para investigar o local. Ordenou que os arqueiros cuidassem do local de onde eles haviam chegado, para não serem surpreendidos pelas costas.

Simba achava ótimo estar num grupo experiente e com habilidades bem definidas. As garotas eram ágeis e versáteis e aproveitavam-se bem das suas habilidades com arco. E ele não precisava se preocupar com um mago que não sabia como usar suas magias: – Acho que encontrei o meu destino! – Pensava o arqueiro.

– Então! Tu e a gostosa?

Simba olhou para Perikles após o comentário do azuleno.

– Somos apenas amigos. Mas agradeço se mudar teu vocabulário com ela.

– Entendo. Amor não correspondido?

Simba olhou para ele, e desistiu. Fez sinal de negativo e suspirou. Não havia o que dizer, ele tinha uma antipatia por aquele sujeito desde a primeira vez que o vira.

– Então! Tu e o Simba?

Ilita sorriu para a antiga amiga.

– Não, mas vejo que você gosta do negrão!

Dandara ficou vermelha e deu um sorriso sem graça.

– Foi á muito tempo, coisa de adolescente, acho que ele nem lembra mais.

– Com certeza lembra – Ilita riu – A primeira eles nunca esquecem. Vai por mim, sei muito bem o que é isto. Até hoje tenho um na palma da minha mão.

* * *

Minnen olhava para o seu reflexo diante da espada como se esperasse que ela falasse.

– Não adianta pequena. Ela não irá voltar.

Anel de Ferro falara, mas logo se arrependera, pois o olhar gelado da amazona era aterrador.

– Sabe. Não sei mais por que te protejo?

A amazona falou, levantou-se e caminhou com a espada arrastando no chão e indo na direção do mago. Ele não gostou da atitude da moça e procurou ver onde estava seu cajado, mas este estava muito longe.

– Calma, nos temos um acordo…

– Não se preocupe. Não vou matá-lo. Vou honrar nosso acordo.

Ela virou-se e voltou a se debruçou na mesa. O mago ficou aliviado e voltou seu olhar para as pernas á mostra da amazona que vestia uma típica saia de tiras de couro vhaltehiana.

Há muito tempo ele sonhava com aquela mulher, mas sabia que as amazonas de Vhalteha não simpatizavam muito com os magos, principalmente os de Lamormy. No entanto o destino havia sido ótimo com ele, colocando Minnen como sua guardiã. Mas as coisas não andavam indo tão bem depois que os irmãos Chamouth haviam brigado: Deyned perdera o apoio de Riornia e agora Minnen deveria retornar para Vhalteha. Felizmente para ele, Minnen precisava de dinheiro – ela e a irmã queriam fugir do exercito e montar uma taverna no norte: sem guerras – “Que sonho”; Ele pensava.

O plano estava indo bem: Ele havia dado um jeito em Litllen colocando-a para trabalhar para Syllis. Aquele velho vampiro era terrível, mas ele sabia como chantagear ou obter favores dele. E sua ultima cartada havia sido contratar Ilita para uma missão que a colocasse cara a cara com a amazona. A estas alturas as duas já deveriam ter entrado em confronto.

amazona

Talvez Ilita não vencesse Litllen, mas e daí?  Qualquer uma que vencesse seria um problema a menos. E com Litllen fora do caminho, Minnen se tornaria mais suscetível a suas investidas: – “Eu sou mesmo um gênio”! – Pensava o mago admirando ainda a pernas da jovem amazona.

* * *

Ilita e Dandara espreitavam a região mais interna da caverna. Agora mais bem trabalhada e com um pouco de requinte: o que dava sinais de que o Anel de Ferro estava próximo.

Dois Robgoblins guardavam uma escadaria que levava para um pavimento acima. Não havia outros guardas, o que facilitaria. No entanto, elas sabiam que logo teriam que enfrentar o Anel de Ferro e pior ainda: Minnen.

– Quero Simba naquela coluna e Perikles na outra. Tu terás que escalar aquele pavimento enquanto eu os trago para baixo.

– Vai liquidar os guardas antes – questionou Ilita.

– Não, eles servirão de alarme.

Ilita apenas fez que sim com a cabeça e guiou os arqueiros para as direções propostas por Dandara. A amazona de Azuleno refletia sobre o que aguardava pro seu futuro. Aradiane contava com seu sucesso e ela esperava não decepcionar sua rainha.

– Preocupada? – Simba surpreendeu-a.

– Sim! Um pouco…

– Confio em você – Ele se aproximou dela – E estarei te dando cobertura.

Ela sorriu. Ele se aproximou mais dela, exitou por um instante e beijo sua testa. Ele se preparou para caminhar para o local indicado, mas antes Dandara puxou-o pelo braço e o beijou docemente nos lábios. Eles se olharam nos olhos por um instante.

– Só para dar sorte.

Ele apenas sorriu e partiu para a sua tocaia: – Se eu fosse branco estaria vermelho – Pensou ele.

* * *

Um grito ecoou no pavimento de baixo. Anel de Ferro deixou cair algumas moedas que ele contava calmamente e Minnen levantou rapidamente da cama onde estava quase cochilando. Ela pegou a espada larga e correu para as escadas.

– Fique aqui mago! Tu não me serves morto.

Ele tremia de nervoso.

– Você também não me servirá morta.

Falou ele baixinho e se encaminhando para uma passagem secreta.

Minnen desceu as escadas quase saltando, ao chegar ao pavimento, encontrou Dandara acabando de liquidar os hobgoblins.

As duas se encararam. Minnen percebeu movimentos nas sombras: – Emboscada.

– Nunca gostei muito de lacaios goblinóides.

– Lembro disso, por isto os matei. Sabia que não iria se importar.

Minnen olhou sem disfarçar para onde estava Simba e Perikles.

– Não se importe com eles, esta luta é só entre nós duas.

Minnen caminhava lateralmente posicionando-se próxima a Dandara.

– Será a luta das pupilas?

– Como quiseres – Sorriu Dandara – Se bem que não somos mais pupilas de Aradiane e Adina á muito tempo.

Ela sorriu e aproximou-se mais da azulena.

– Tens razão.

As duas bateram as espadas uma com na outra. Sorriram como um cumprimento de despedida e investiram uma contra a outra.

Dandara usou o escudo novamente como arma, investindo sobre Minnen, que esquivou e atacou as costas da adversária, mas ela se abaixou e rolou para frente. Dandara ergueu-se e pulou novamente para cima da vhaltehiana atacando agora com a espada na direção da cintura, mas ela esquivou encolhendo a barriga para trás; Em resposta Minnen balançou sua espada com força buscando o ombro dela, mas o escudo eficientemente bloqueou o ataque.

As duas recuaram recobrando o fôlego. Dandara partiu em investida e girou seu corpo a frente da adversária e desceu sua espada com velocidade em diagonal: o golpe era muito rápido e buscava uma direção muito complicada para uma esquiva. Minnen só pode defender com a própria arma, perdendo assim a chance de contra-atacar.

No entanto, ela percebeu que este golpe deixava as costas da azulena muito sensível a uma rápida estocada, mas esta deveria ser muito rápida ou ela seria atingida.

– Está mais rápida.

Dandara sorriu com o elogio.

Perikles mirou sua flecha na cabeça de Minnen. Agora parada ela era um alvo muito mais fácil. Ela o estava ignorando completamente e era disso que ele precisava. O arqueiro soltou a flecha, mas ela não disparou, pois Simba a segurou antes.

– É uma luta honrada!

– Não existe honra na guerra, “Amigo”.

Minnen e Dandara permaneciam engalfinhadas em combate, o mínimo detalhe seria fatal. Dandara saltou sobre ela e atacou com a espada, mas apenas cortou um lado pedaço da armadura, mas antes que ela pudesse contra-atacar, a amazona de azuleno golpeou o rosto de Minnen com o escudo acertando seu rosto e quebrando seu nariz.

Minnen recuou alguns passos para trás, atordoada com a pancada: – “Isto não é bom”!

Minnen correu para cima da adversária, que segurou sua espada a frente, mas antes que ela pudesse chegar uma onda de gelo cobriu o pavimento e congelou-a dos pés a cabeça.

– NÃO!

Gritou Simba correndo na direção de Dandara. Minnen horrorizada se ajoelhou diante da “inimiga”.

– Desculpa Dandara! Eu não sabia.

No outro lado do pavimento Anel de Ferro e Ilkara riam da cena. Ilita saiu da escuridão correndo na direção de Simba e Perikles.

– Rápido temos que sair daqui.

– Não!

Os olhos de Simba enchiam-se de lagrimas. Mas embora ele não quisesse aceitar, ela estava certa. Eles tinham que fugir para lutar mais tarde.

Continua…

Carniçais Metamorfos

OS CARNIÇAIS METAMORFOS sentem uma fome insaciável por carne viva, que os leva a caçar suas vitimas sempre que possível. Ao devorarem suas vitimas eles acabam adquirindo algumas memórias delas e apreendem a se metamorfosear imitando as formas de seus corpos.

TÁTICAS do CARNIÇAL METAMORFO

O CARNIÇAL METAMORFO utiliza suas garras para imobilizar e depois acertar sua mordida. Uma vez que tenha liquidado com sua vitima, ele usara a forma do inimigo para atingir seus amigos e parentes.

Carniçal Metamorfo

CONHECIMENTO SOBRE CARNIÇAL METAMORFO

Um personagem sabe as seguintes informações com um teste de Religião bem sucedido.

CD 20: Os carniçais são originários da região norte do continente. No entanto alguns necromantes, com o intuito de controlar estas bestas, criaram um ritual para recriá-los com aprimoramentos: dando origem a estes seres malignos.