Prólogo I para a Próxima Campanha

 

O céu já liberava o inicio do amanhecer, quando os soldados, do forte Rhalephar (batizado assim por Simba), iniciavam a troca de turnos.

Simba vestia o peitoral da sua armadura, auxiliado por Dandara que prendia a parte de traz com as tiras de couro reforçadas. O jovem patrulheiro olhava fixamente para seu velho e mágico arco exposto sobre a lareira do salão.

– Gostaria que você não fosse.

Dandara falou quase que com um murmúrio, ele apenas olhou para a esposa e voltou seu olhar novamente para o arco.

– Não tenho escolha. E isto irá acabar hoje.

Finalmente vestido com a armadura, o berna pegou seu arco, beijo a amada e partiu para o seu destino.

*

A menos de meio quilometro do forte, Lesnahel aguardava paciente, sobre o cavalo. Os raios de sol fracos ainda, se manifestavam timidamente escondendo-se por de trás das nuvens espessas e cinzentas.

O elfo olhava fixamente para o horizonte, apreensivo como se algo dentro de seu coração quisesse abrir seu peito de dentro para fora e atacar o céu.

Ele olhava fixamente para a corrente de ouro de Litllen, amarrada em seu punho esquerdo, mas ele realmente enxergava o dia em que ele partira de Helenary:

*

Um casal apaixonado se aproxima da taverna, mas esta está fechada em pleno meio dia, o horário de maior movimento. Um estrondo de pratos se quebrando ecoa dentro do estabelecimento. O casal se afasta furtivamente a procura de outro local para almoçar.

Dentro da taverna, Litllen arremessa os pratos na direção da porta, próximo donde Lesnahel encontra-se, mas ele se mantém calmo e silencia-se com um simples cruzar de braços.

– Como eu fico? Responda!

– Não há porque se preocupar. Eu vou voltar.

O rosto da garota está vermelho e bastante emocionado, mas isto não muda em nada as convicções do paladino.

– Voltar? Está falando de Deyned, diabos! – Ela se apóia na mesa – O Anel de Ferro era um discípulo dele, e foi preciso o grupo todo para enfrentá-lo e vocês ainda perderam a Ilita. Agora você quer enfrentar o mestre de todos os magos sozinho, apenas acompanhado de Simba…

Litlen não contém as lágrimas e desatem a chorar. Lesnahel vai até a garota e a abraça com força. Turrona ela dá dois socos em seu ombro direito, mas logo amolece chorando.

*

Simba confere a sela do cavalo e se prepara para montá-lo.

– Patrulheiro Berna!

Grita Dandara acompanhada dos dois filhos mulatos do casal. Simba caminha até ela.

– Em cada adeus existe a imagem da morte – os olhos dela não contem a emoção – Portanto, um até logo.

Simba corre até a amada e a beija como se fosse á primeira vez – Ele recusa-se a pensar que será a última. Ele jamais se permitiria a isto.

Ele cavalga para o norte ele não olha para trás. Mesmo que esta possa ser a ultima vez que veja seu lar: – Ele jamais se permitiria a isto.

Lesnahel observa o cavalo de Simba se aproximando lentamente. Ele olha novamente para a corrente de ouro e guarda ao lado do coração.

– E ficaram apenas dois!

Simba ri, meio sem graça, do comentário, mas desce do cavalo para cumprimentar o amigo.

*

Deyned encosta-se na parede do salão atordoado. Como um velho abandonado pelos filhos ele devaneia em seu passado como suas ultimas visões, buscando talvez seus melhores momentos.

Lesnahel chuta a porta e Simba aponta o arco para dentro da masmorra. Não há nenhum inimigo, apenas cinzas.

– Não há ninguém! – completa o arqueiro.

– Espere!

Lesnahel entra devagar para dentro da masmorra, se abaixa buscando as cinzas com dois dedos: Elas estão quentes.

– Que ouve Lesna?

– Algo está errado.

Um estrondo das escadarias a frente do hall em que eles se encontram surpreende os dois heróis. Até que o corpo de Deyned cai rolando escada abaixo.

Simba aponta uma flecha na direção do mago, mas é contido por Lesnahel que auxiliado pela pouca luz da rua, observa com seus olhos elficos que há diversas estatuas de cinzas no estabelecimento: todos os lacaios do mago.

– Alguém chegou antes de nós…

Uma luz surge do fundo do salão e atinge os dois heróis em cheio. Lesnahel cai atordoado no chão sujo de cinzas, enquanto Simba é arremessado para trás, mas com agilidade consegue manter-se de pé.

Ele não enxerga seu alvo, mas ele arrisca duas flechas usando seu ouvido como direcionador. Elas batem em algo metálico e caem no chão: – “Não é armadura” pensa ele.

Lesnahel vê uma chama se formando ao fundo do aposento, mas não enxerga quem está conjurando tal magia. Deyned tenta se erguer, parece ignorar os dois heróis. Suas mãos tremem, mas isto parece não impedir seu bale de mãos. Após pronunciar algumas palavras em dracônico uma bola de fogo sai da ponta de seus dedos e atinge o ponto flamejante no fundo da câmara. Mas ao invés do estrondo esperado, a magia parece ser consumida pelo chama adversária, servindo apenas para alimentá-la.

No entanto agora a sala está bastante iluminada e uma élfa, vestindo um azul escuro com detalhes vermelhos seguros uma esfera de fogo.

– Adelle – Lesnahel pronuncia o nome que os elfos amaldiçoaram.

Ela ri, e solta a esfera, uma onda de chamas consome toda a extensão da sala e vai transformando tudo em cinzas, Deyned mais a frente são o primeiro a ser consumido, Lesnahel grita para Simba, que instintivamente se atira para dentro da lareira e escapa da onda, mas o paladino parece não ter a mesma sorte.

Simba aguarda a chama passar e sai enfurecido de dentro da lareira, mas logo vê que Adelle não está mais sozinha: acompanhada agora por um arqueiro drow com uma cota de malha cintilante; e uma mulher voluptuosa vestindo um maio e uma túnica que lhe cobria as costas e cabeça com um capuz.

– Deixe o negrão comigo, Mestre! – Falou o Drow.

– Não! Você ainda tem muito que evoluir para derrotar Simba – Falou Adelle para seu lacaio.

– Quem diabos é você? – Questionou o herói.

– Sou a nova rainha do mundo – A élfa olha para a mulher voluptuosa e faz um sinal de positivo.

Simba prepara seu arco, puxa duas flechas, mas é muito lento em relação a mulher misteriosa que tira o capuz e revela sua verdadeira face: uma lindíssima mulher com cabelos de víbora. Os olhos dela se tornam amarelos e é a ultima coisa que Simba consegue enxergar.

*

Aldresh caminha pelos corredores do forte diante de muita penumbra e sujeira. Resíduos de poeira e teias de aranha estão por toda parte. Ele sobe as escadarias e encontra o único aposento iluminado da morada.

– Eu não precisaria nem ser o melhor ladrão do mundo para te surpreender aqui.

Endon estava sentado em uma cadeira suja e velha á frente da janela. Ele olha para o meio irmão, com a barba enorme e os olhos cheios de olheiras.

– Melhor do mundo? Parece que o nível caiu bastante na minha ausência – Ele volta-se para a janela novamente, não contendo o sorriso.

Aldresh sorri também, mas detém-se apenas a analisar o local.

– Quanto tempo está aqui? Vinte e três anos?

– Não. Eu não fiquei tanto tempo recluso. Eu saí quando Simba virou estátua.

– Sim. Fiquei sabendo que procurou um antídoto com Miner. Ofereceu até o que não tinha.

– Malditos magos.

Endon olhou para o ladrão.

– E você, resolveu vir visitar Ilita depois de vinte três anos?

– Na verdade eu venho todos os anos nesta mesma data, mas nunca o deixo me ver.

Endon olha surpreso:

– É! Melhor do mundo mesmo.

– Não! Foi seu nível que caiu.

Os dois sorriem.

– Vim te buscar. Precisamos ir até Lesnahel.

– O elfo está morto!

– Na verdade sim. O elfo está morto, mas Lesnahel não…