Aventura – Rastro Vazio

INTRODUÇÃO

Callisto arremessou uma pequena pedra na água. Ela saltitou uma, duas, três, quatro, cinco, sei… Cinco vezes e afundou. Ele sorriu para o céu. Já podia enxergar a primeira lua e algumas estrelas: – Esta na hora de retornar ao forte – pensou o soldado de Claymor.

            O inverno estava por terminar, mas ainda fazia muito frio na região do rio Ágape. O soldado apertou ainda mais a capa em volta do corpo; e subiu as escadas verticais de madeira da torre de observação: Faltavam dois dias para o fim do ano e para quem havia sobrado os últimos dias de ronda? Ele é claro, o novato! E para seu total infortúnio a sua dupla havia sido trocada de uma bela loira por um careca gordo de Ergedon. Callisto não possuía preconceitos contra outras cidades, mas estaria muito melhor acompanhado por uma bela amazona do que por um boçal ignorante do mesmo sexo: E isto era independente de nação.

            Ele acendeu o fogo na tocha e iluminou o alto da torre. O gordo de Ergedon estava deitado sobre uma colcha no chão, roncando e quase se afogando na própria baba. Ele o chutou de leve:

– Acorda!

O gordo grunhiu algumas palavras e acordou com dificuldade. É incrível que qualquer um consiga servir um exercito hoje em dia! Nem todos com a mesma habilidade de um claymorniano! De qualquer forma, hoje, sua vida estava nas mãos daquele boçal.

Mas Callisto sabia que isto não era uma total verdade; Ele olhou para sua própria espada longa embainhada em sua cintura: Estou em minhas mãos, e que mãos!

– Callisto, já voltou do intervalo? – Questionou o boçal.

— Não, ainda estou lá – pensou – Sim!

– Eu vou descer então, se não se importa – Falou o gordo descendo a escada.

Posto de Observação

Incrível como não quebra a escada! Tudo naquele gordo irritava Callisto: – Uma loira por um gordo! – Pensava ele.

Callisto bocejou, pegou uma laranja. Olhou para a faca que estava cravada sobre a mesa de madeira podre. Encostou o traseiro no móvel e pegou a faca para descascar a fruta.

Ele já podia enxergar as duas luas no céu. Estrelas diversas que contavam as histórias de seus antepassados: – A noite vai ser longa! – Falou baixo.

– SOCORRO!

Callisto pulou para frente: – É o gordo! – Ele correu para a escada que levava até o solo. O gordo corria, vindo do rio, seguido por dois brutamontes. A penumbra o impedia de enxergar quem eram os agressores.

– Venha para cá “Gordo”! – Gritou sem pensar.

Callisto pegou a tocha da torre e tocou no chão. Eram seis metros, mas o gordo não tinha este tempo. Ele segurou as mãos nas laterais da escada e escorregou pela escada; Chegando rapidamente e em segurança ao chão.

O gordo corria esbaforido estava há poucos metros de Callisto, mas uma azagaia atravessou suas costas junto com seus coração e peito. Ele caiu aos pés do soldado de Claymor.

Callisto puxou a espada a segurou com ambas as mãos e olhou para os inimigos: Dois Bugbears*, armados com azagaias e grandes maças estrela.

– Homenzinho será aperitivo para o churrasco que faremos do gordo – Falou o bugbear que havia acertado a azagaia no gordo.

Callisto ergueu a espada na altura da cabeça, colocando um pé à frente e outro mais atrás.

– Desculpem amigos, mas eu tinha planos para jantar com uma loira. Tive que trocá-lo pelo gordo, mas trocar por vocês é muita coisa.

Callisto correu na direção de seus oponentes, o primeiro tentou sentar a grande maça em sua cabeça, mas ele desviou se jogando para frente ao chão. Ao passar por ele, Callisto, ainda ao chão, deu uma rasteira nos calcanhares do bugbear que caiu de costas ao chão. O outro em resposta brandiu a maça em horizontal, na altura do corpo do soldado, mas ele lançou todo seu corpo para traz, escapando totalmente do golpe e ficando novamente de pé.

Bugbear

O bugbear que estava ao chão levantou-se enfurecido, ao mesmo tempo em que o seu companheiro brandiu a maça para o alto na tentativa de esmagar com o golpe o soldado de Claymor; Mas Callisto pulou na frente e usou o balançar do corpo para impulsionar um golpe fulminante que cortou o peito do primeiro, antes que ficasse de pé, e trespassou na garganta do segundo: Ambos caíram mortos no chão.

O sangue dos monstros jorrou no rosto e no peito de Callisto. Ele limpou com a manga e passou a mão no peitoral de aço que o protegia.

Antes que ele pudesse comemorar, viu que não estava ainda sozinho. Podia ver diversos pares de olhos amarelos envolvidos pelas sombras da penumbra. Ele voltou-se para perto do posto e catou sua tocha.

Sem hesitar iluminou na direção dos olhos amarelos. A luz revelou pelo menos mais duas dúzias de bugbears na direção do rio. Havia também ruídos vindo de sua retaguarda, sem pestanejar ele iluminou em outra direção: Goblins á centenas. Havia mais a sua direita, e também á esquerda.

Callisto deixou a tocha cair no chão. Segurou a espada em uma das mãos e apertou-a com a outra. Respirou fundo: – E eu pensei que a noite seria longa – Riu de si mesmo.

Callisto escolheu uma direção e correu para atacar todos que estavam ao seu alcance.

Que Digared não esqueça de Callisto.

PARTE I – Inimigos não Declarados

        Cinco aldeias fazem parte do principado de Lamormy. Entre elas está Learden: uma pequena aldeia agrícola com menos de trezentos habitantes. Protegida por muros feitos de toras de madeira.

Antes da entrada da cidade, há o templo de Ividinia, chefiado pela sacerdotisa Azilla de Teobor.

A aldeia tem como regente Lord Callum Dugald, o mantaro, vindo do sul á 50 anos atrás, mas bastante adaptado á cultura ilita.

         A taverna do Olho da Manticora, do velho Dulga, é o local mais badalado da aldeia. Ela também serve de estalagem para viajantes, mas lota com facilidade.

         As demais aldeias que se jutam a Learden são: Pilshaw, Frendresh, Poltin Alent e Willshaw.

É inicio de primavera, Szartharrax terminou seus afazeres diários e senta-se a frente do templo de Ividinia, que fica na entrada da cidade, próximo ao bosque Dugald. Szartharrax é um draconato prateado que serve ao deus Argeny como sacerdote. Ele também pertence á ordem dos dracontatos do general Argan, filho de Posendir; O general reuniu 23 Draconatos para se espalharem pelas terras humanas, e trazerem informações após 5 anos. Gorathar e Szartharrax foram enviados para o norte, mais precisamente a Aldeia de Learden.

Szartharrax lê a carta de seu irmão Salazar, ela parece falar de maus presságios:

“ Querido irmão Szarth,

           

            Este povo de Claymor é mesmo fascinante. Sua disciplina e devoção pelas táticas militares são os maiores ensinamentos que tenho tirado daqui.

            Vi crianças que mal apreenderam a andar aprendendo a dar socos. Meninos de seis anos manuseando espadas curtas como se fossem brinquedos. As mulheres lutam tão bem quanto aos homens. É uma terra de guerreiros, os quais são forjados do sangue de seus heróis antepassados e do patriotismo de sua bandeira.

            Há o lado sombrio, como em qualquer outro reino humano: Eles fazem de seus conquistados escravos. Alguns de outras raças, outros humanos mesmos e alguns até mesmo de seu próprio povo. Eles sacrificam os aleijados e renegam as crianças fracas e subnutridas aos abutres e hienas. Vi mães arremessando suas proles menos favorecidas num desfiladeiro.

            Há muito que se apreender com estes mantaros, mas também á muito que temê-los.

            Percebo em tuas cartas que desdenha muito as terras ilitas. No inicio compreendia melhor este desprezo, eu mesmo estava fascinado pelas batalhas que participava aqui do lado dos mantaros, e ficava um pouco receoso por você não poder fazer parte destas minhas aventuras. Mas confesso que após tanta carnificina, invejo um pouco as terras do norte. Gostaria de entender mais dessa magia arcana que tanto falas em tuas cartas. Como são estes magos que estudam em universidades e governam metrópoles com edifícios tão grandes. A vida não é feita de guerra meu irmão, e quando chegares a minha idade perceberá que a nossa luta é para que um dia nossos filhos não necessitem mais lutar.

            De qualquer modo, acredito que os tempos pacíficos estão acabando para ti. E é por este motivo que estou lhe escrevendo esta carta hoje.

            Ouvi rumores de que uma horda de goblinoides fora reunida por uma bruxa maligna. Não sei ao certo a identidade dela, mas dizem que poderia se passar por uma mulher comum.

            De qualquer forma, meu contato disse ter visto esta horda indo á direção as terras do norte. É provável que ataquem Lamormy. Já atacaram algumas grandes cidades do centro e do sul, mas Lamormy seria um alvo perfeito para uma bruxa maligna.

            Prepare-se meu irmão, e tenha cuidado.

 

Saudades! Que Argeny esteja conosco!

 

Salazar “

         O draconato lê intrigada a carta que recebera:

– Isto não me parece nada bom! Os tempos de bonanza parecem estar acabando… Melhor relatar estas informações á Alta Sacerdotiza – pensa enquanto se dirige à sala de Azilla.

* * *

 Enquanto isto Gorathar, o draconato dourado, encontra-se na taverna descansando após um dia de patrulha com os guardas de Learden. Ele aguarda seu bom amigo Szartharrax: Szarth.

Baicsin, o ladrão halfling, está indo a taverna do Olho da Mantícora, já pesquisou muito os velhos da região, é hora de tomar um bom vinho e relaxar. Ele chegou a pouco tempo em Learden: – Uma semana e meia; Ainda esta reconhecendo a pequena aldeia. Acostumado ao submundo de grandes cidades, Learden tem parecido muito pacato para o jovem halfling; No entanto, o jovem ladrão descobriu rumores de um templo muito antigo; mais antigo que a chegada dos Ilitas na região. Segundo suas descobertas, este fora soterrado por um terremoto que o puxou, e tudo á sua volta, para o fundo da terra. Baicsin não descobriu, ainda, se os rumores não passam de mito, mas é acredita que é melhor investigar por via das dúvidas: — ‘Um templo tão antigo, pode possuir muitos tesouros!’

Gorathar continua sentado com os guardas humanos, saboreando um ótimo faizão com salada e vinho. Ao voltar seus olhos para a janela ele percebe algo inusitado – um feixe de luz solar, se libertando do fim do crepúsculo resistindo ao final do dia. Se liberta de algumas nuvens e ilumina apenas a torre do templo de Ividini, mesmo estando o céu quase que completamente dominado pela noite – Será um presságio ou um sinal do deus Dragão Doragoas?

         Gorathar  olha curioso para o templo e para o belo fenômeno natural. Não podia se precipitar o achar que seria algum tipo de sinal, mas não se furtaria a observar com mais cautela aquilo futuramente. Não consegue evitar se furtar em pensamentos de que havia algo, com certeza, estranho naquele feixe de luz. Por hora decide-se a ficar apenas observando.

Enquanto isto, na taverna do Olho da Mantícora; Baicsin conversa com Ciniti, uma cortezã que ele conhecera de outras aventuras. Entre um gole e outro de Vinho, seu contato na aldeia lhe fala sobre suas descobertas:

Olho da Mantícora

– Soube que há uma biblioteca na sala da “puta” do templo! – Ciniti bebe um golão da bebida – Dizem que há mais livros naquela sala do que na biblioteca do velho Aurin. Podes ter certeza, se há um lugar para conseguir informações sobre este tal “Templo” seria lá!

Baicsin sorri para Ciniti e bebe um gole de seu vinho antes de comentar:

– Olha só minha querida, se é uma biblioteca tão grande e se tem tantos livros lá, você concorda comigo que deve ser um pouco “difícil” encontrar esse tal livro, certo? – faz um gesto com a cabeça – Pois então… – Olha para os lados – Você não teria pra mim, algo mais… Algo mais certo pra me dizer? – faz um gesto com a mão passando o polegar no indicador e dedo médio.

         – Você é mesmo preguiçoso pequenino! – Ela termina o vinho – Pelo que me pagaste tem sorte de ter esta informação. É uma biblioteca não uma cripta de mortos vivos. Se quiseres achar o templo vai ter que trabalhar – Ela se levanta – Adieu, mon cher! – e vai embora da mesa na direção de um rapaz aparentemente endinheirado.

Baicsin termina de tomar seu vinho observando as pessoas á sua volta e “observa” o rapaz endinheirado – Atentamente!

* * *

Szarth retorna ao templo, cruza rapidamente o hall com a carta em sua mão. – Dois sacerdotes discípulos passam por ele e fazem reverência – Ele entra por uma porta que leva a um longo corredor, atravessando diversos aposentos, até chegar á uma escadaria: para baixo leva para a dispensa do templo; Para o alto a sala da alta sacerdotisa do templo. Szarth sobe as escadas apressado e chega até ao aposento, onde a porta está aberta. Há diversas prateleiras cheias de livros, mais conhecimento que um homem comum necessitaria em toda sua humilde vida, além de duas imagens da Deusa Ividinia próximas á janela. – Azilla de Teobor, a alta sacerdotiza da região, está contemplando o crepúsculo, com o olhar atento na janela. – o sol já deitou nas copas das árvores e o céu negro de Ixchel está por se aproximar – Havia mais dois homens, da guarda pessoal dela, próximos a porta e permitem a entrada do draconato.

         Apressado com a urgência do assunto nem nota a reverência dos guardas – Milady! Desculpe incomodá-la há essa hora, mas trago notícias de suma importância! Creio ser necessário tomar providências imediatas Eminência! – fala tão rápido e afoito que deixa a Sacerdotisa um tanto quanto pasma. Entrega a carta para ela.

Azilla pega a carta, e caminha até a frente de uma escrivaninha, que está à frente da janela. Os olhos atentos e verdes da sacerdotisa iIlita parecem excitados com a noticia que acaba de se revelar. No entanto não há medo ou pavor em seu rosto;

– Vejo que Kitrini não está mesmo para brincadeiras. Um exército vindo para Lamormy…

Szarth intriga-se com a falta de espanto da sacerdotisa;

– Precisamos nos mobilizar imediatamente ou não teremos tempo de reação ao ataque! – ele esboça toda sua preocupação em sua face réptil.

A sacerdotiza dobra a carta e joga na escrivaninha na direção de Szarth. – um pensamento passa na cabeça do clérigo: – Kitrini? – Não havia nada sobre este nome na carta; Um sorriso estranho, dada às circunstâncias, sai da boca rosada da clériga:

– Não tenho tempo para isto mestre Szartharrax. – Ela caminha um passo para traz, enquanto seus guardas, agora quatro homens, tomam a sala – Tenho que preparar a chegada de minha senhora!

Szartharrax dá um salto para tras, mais como instinto do que propositalmente;

– O que houve MyLady? – fala enquanto olha de forma ameaçadora para os guardas, tentando intimidar qualquer reação indesejada dos homens.

Azilla da mais um paço para traz. A luz da primeira lua já se faz presente no céu, e o véu da noite escurece a vista da floresta na janela.

– É sempre horrível ter que usar máscaras mestre Szartharrax. Mas as falsas máscaras sempre caem algum dia. – Azila arregaça a manga do manto deixando o braço à mostra para o luar – Assim como um dia o império dos homens caíra – Ela olha nos olhos de Szartharrax: Uma tatôo de uma cobra negra, semelhante ao símbolo da deusa Onajara se materializa no braço de Azilla. Os guardas caminham na direção do draconato.

Perplexo pela revelação, Szarth observa os atos da Sacerdotisa com incredulidade.

– MyLady… – as palavras não saem mais alto do que um sussurro. Olha para os guardas – Afastem-se de mim malditos! – recua em direção a janela e não vê alternativa a não ser pula através da janela, sem pensar nas conseqüências.

* * *

Goranthar termina sua janta. Os guardas se despedem – é hora de irem para suas esposas: – “Estranho Szarth não ter vindo ainda? Talvez esteja trabalhando no templo: Mas ainda?” – o draconato dourado olha novamente para a janela, mas aquele belíssimo efeito “natura” já se foi, e as trevas de Ixchel tomaram por completo o céu. Mas antes que Goranthar pudesse pensar em qualquer coisa, algo metálico prateado é arremessado pela janela da Sacerdotisa – Ela pode estar em Perigo?!

Gorathar percebe, finalmente, que aquilo definitivamente não era normal. Antes que pudesse pensar melhor, ele simplesmente corre em direção ao local onde o que quer que fosse havia caído.

– Mas que espécie de artimanha é essa? – Resmunga o draconato amaldiçoando os deuses sem medo de represarias futuras.

Baicsin, observar o sujeito que Ciniti está adolando. Porem um gigantesco draconato esbarra em sua mesa e sai correndo para fora da taverna. Ele perde a concentração, Ciniti e o sujeito somem da sua vista quando ele volta o olhar para eles.

– Mas que diabo é isto? – fala o pequenino ladrão se levantando – Hei! Você volte aqui já, vai pagar por esse vinho que derramou – ele derrama o que restava do vinho enquanto apontava e falava bem alto, seguindo o draconato.

Gorathar corre para fora da taverna. Não há muitas pessoas na rua, talvez apenas ele tenha visto aquilo. Ele ignora o que quer que fossem que gritava á suas costas: – Alguém poderia ter se machucado com o objeto de metal que caíra da torre, grande o suficiente para ser visto daquela distância. Segue em marcha rápida, para fora da cidade – A Taverna fica bem próxima da entrada da Aldeia.

– Ei você espera ai! Você me deve algumas moedas de ouro! – grita Baicsin insistindo em seu golpe e seguindo o draconato, parcialmente para fugir da conta da taverna, e parcialmente pela curiosidade do motivo pelo qual ele estava correndo.

Chegando à entrada da cidade. O que foi que caiu deve estar nos fundos do Templo. Ele segue até o local. Ao mesmo tempo dois guardas saem às pressas do templo. Gorathar está à frente e não espera os guardas humanos.

Baicsin Looter  ao ver os guardas para de seguir o draconato, espera que passem, e logo após os segue furtivamente. O draconato chega até os fundos. O teto do celeiro desabou, e em meio a galinhas e ovelhas ele enxerga Szarth desacordado.

– Mas que… O QUE HOUVE AQUI? – Gorathar  aproxima-se do companheiro desacordado e usa suas mãos para curá-lo com o apoio do deus Doragos.

Szarth acorda no meio de feno, e vê seu consorte Gorathar. Completamente desnorteado, olhando ao redor identifica o rosto amigável do companheiro:

– Gorathar…? – fala tentando recobrar a memória. E quando o ocorrido lhe vem à mente – Precisamos sair daqui, rápido! – fala rispidamente enquanto fica de pé em um salto

Baicsin acompanha o movimento dos guardas. – Ajoelha-se atrás de um barril encostado na parede de fora do Templo. Ouve atentamente os guardas conversando.

– A mestra disse para que não deixemos nenhuma testemunha viva.

– Mesmo Gorathar? – questiona o outro guarda.

– Principalmente ele!

Baicsin: – “Não deixar testemunhas hum… Tenho essa leve impressão de que algo importante está por vir… Talvez dessa vez precise ajudar para ser ajudado, tive uma idéia…” – pensa o pequeno e maligno ladrão. Ele levanta-se e vai andando como se estivesse perdido, simula uma respiração ofegante e fingi ter visto os guardas.

No entanto os guardas ignoram sua representação e puxam suas armas para liquidá-lo. Szarth puxa Gorathar para longe dali, mas o draconato dourado vê a pequenina criatura, imagina que se trate de uma criança e corre para socorrer o halfling. Sem alternativas Szartharrax faz o mesmo.

* * *

         Krusk Morder já saiu de Claymor há seis meses. Cansou da vida no exercito e falsas ideologias que só privilegiam as classes oligárquicas. Pensa que está na hora de fazer algo mais pelo continente e colocar seu nome nas canções dos bardos.

         Ele viaja junto com Ilsemir, um comerciante que ajudou há duas noites. Ele estava sendo atacado por goblins e teve sorte por Krusk estar por perto. Ilsemir pede para que Krusk vá pegar alguns gravetos, para que possam fazer o jantar, e o guerreiro caminha um pouco pelo bosque. Ele se aproxima de um local onde há diversas lenhas cortadas, avista também a torre de um templo. Ele não recorda que símbolo religioso está estampado naqueles vitrais.

         Enquanto sua mente viaja na própria memória. Algo grande e metálico voa pela janela e atinge o chão. Sem hesitar o guerreiro corre em direção ao local.

* * *

         Baicsin corre para a copa de uma árvore. Os guardas não o seguem, pois precisam lidar com os dois draconatos. Gorathar corre na direção dos homens, mas algo prende seus pés no chão.

         Serpentes, diversas delas seguram e amarram suas pernas: – Maldição – resmunga o draconato.

         Um murmúrio vem da entrada do templo, como se uma serpente cantasse uma canção. À medida que a canção aumenta as cobras apertam mais Gorathar.

         Baicsin desce furtivamente da árvore e se esgueira até a entrada do templo para descobrir o que é isto. Enquanto isto Szartharrax invoca a ajuda de Argeny através de suas orações.

         Imediatamente suas preces são atendidas e a partir de seu símbolo sagrado é conjurada uma dragonete prateada decorada pelo emblema de Argeny. Ela emite uma explosão radiante e benevolente que incinera as serpentes que consumiam seu companheiro. Gorathar cai inconsciente.

         Krusk chega neste momento: Dois soldados humanos lutando contra dois Draconatos. Ele não reconhece que as motivações devem ser religiosas, dados os diversos emblemas divinos, mas sua ignorância religiosa não consegue criar uma opinião formada. Na dúvida ele vende sua espada:

         – Quem compra meus serviços para esta guerra?

         – Eu! – Uma voz feminina ecoa próxima a entrada do templo – 50 coroas de ouro por cabeça de draconato.

Uma mulher, de cabelos negros e olhos verdes, surge frente ao combate. Ela aponta um cajado de cristal com uma serpente desenhada na extremidade de cima: mais um símbolo religioso! Mas Krusk também não o reconhece.

O guerreiro decide aceitar a oferta e parte para cima de Szartharrax. O Draconato se volta para Krusk e aponta seu símbolo religioso: – Eu já vi isto, pensa o guerreiro – Antes que ele pudesse raciocinar a dragonete voa em sua direção, mas ele esquiva com maestria.

Azilla aponta o cajado para Szartharrax, mas Baicsin a ataca pelas costas. Ela volta sua atenção para o ladrão que agora entrou no combate.

Um dos guardas é rapidamente subjugado por Szartharrax. Quando o outro parte para cima do draconato, Krusk corre em sua defesa e o decapita o guarda com seu machado de batalha. A cabeça do soldado rola na direção de Azilla. Ela não pensa duas vezes e se teleporta com auxilio do cajado mágico.

Ao fim do combate Szartharrax se estranha enfurecido com Krusk, mas rapidamente o guerreiro se mostra ao lado do draconato.

– Você me lembra um antigo amigo que também era devoto dessa coisa!

– Coisa? – Questiona Szartharrax catando seu companheiro.

Baicsin some da visão dos heróis e desaparece completamente.

Krusk questiona diversas coisas a respeito do combate, mas Szartharrax não tem tempo para suas perguntas e diz estar indo para Learden. O guerreiro claymorniano resolve ir com ele.

– Vou ajudá-lo com seu amigo, depois tenho que retornar para junto de meu companheiro – Fala Krusk ajudando Szartharrax a carregar Gorathar.

* * *

Szartharrax leva o corpo desacordado de Gorathar para sua casa. Krusk entra recioso. Rapidamente a criada de Szarth entra em socorro do draconato ferido.

– Cuide dele – ordena o draconato – Tome cuidado, estamos sendo caçados.

– Mestre, eu estou com meu irmão lá nos fundos – Fala cheia de dedos a criada – Ele é muito forte, e pode me ajudar a levar para a casa de meus parentes. É em um local seguro, fora da aldeia.

Os sinos da aldeia anunciam ataque. Szartharrax se espanta com a rapidez das coisas. Krusk espia pela janela e vê que os goblinoides chegaram com um bando de batedores.

– Pegue sua arma draconato, pois vamos picar goblinoides – Krusk corre para fora da casa.

– Faça isto. Depois prometo que te recompensarei por tua lealdade. Szartharrax pega seu equipamento e arma e corre para o combate.

Diversos goblins atacam a aldeia, eles são muito numerosos. Os poucos guardas da cidade tentam conter a ameaça, mas a quantidade parece se opor a sua valentia.

Vendo uma adolescente em perigo, os dois heróis partem para o grupo que a ataca. Ela joga frutas num dos goblins, mas ele a puxa pelo vestido e a derruba no chão, impedindo sua fulga.

Os goblins mais próximos correm para cima de Krusk que os ataca com seu machado, mas a grande arma corta mais o ar do que as pequenas criaturas.

Szartharrax usa sua segadeira par atacar as criaturas, mas também fica no vácuo. Rapidamente as numerosas criaturas cercam os heróis. Felizmente eles melhoram sua pontaria. O guerreiro de Claymor utiliza sua habilidade para liquidá-los com golpes mais largos.

O draconato usa uma oração para invocar uma chama que dizima os mais próximos dele, mas é contra atacado por uma rajada mística invocada por um goblinoide horrendo mais afastado.

Szarth corre na direção da criatura, mas os poderes místicos do goblin castigam seu corpo com mais uma forte chama mística. O draconato grita para que Krusk o ajude. O guerreiro corre na direção do inimigo, o estuda rapidamente com a habilidade que fora treinado pelo exercito claymorniano e encontra as limitações de seu oponente.

Krusk e Szarth atacam em conjunto, o bruxo goblinoide, que se revela uma fêmea: uma horrenda fêmea.

Ela usa sua varinha para puxar seus lacaios goblins para mais perto dela, um deles parte na direção de Szarth que em resposta ataca com sua segadeira usando uma oração de guerra de Argeny. O golpe acerta o crânio do adversário e desce reto por seu corpo, dividindo-o em duas partes. O golpe traz mais vitalidade fôlego ao clérigo de Argeny que se fortalece para a batalha.

Krusk aproveita o embalo e desce o machado na bruxa goblin, ela tenta contra atacá-lo com sua varinha, mas o machado corta seu braço junto com a metade superior de seu crânio. O sangue jorra na brunea do guerreiro e o que sobre da cabeça da bruxa cai aos pés de seus lacaios, que intimidados recuam.

Rapidamente Lord Callum Dugald chega cavalgando em seu cavalo e brandindo sua espada junto com seus guardas pessoais. Os goblins mais fervorosos que se mantém no combate são massacrados e atropelados pelas patas dos cavalos. Os que escapam dos cavalos conhecem o sabor do frio aço da espada de Dugald.

O restante da horda foge para longe, os guardas ainda perseguem os mais lentos e os massacram sem piedade.

Fim da parte I

 

Narração e história

Vinicius Ribeiro Lopes

Jogadores e interpretação

André – Gorathar

Bruno Polimeni – Krusk Morder

Cristian Souza – Szartharrax

Thales Lavor – Baicsin Looter