Prelúdio Seção I – Aventura: Ascenção Lendária

DIGARED 555 e.d.vm.

O Forte Laitaw parecia adormecido aos olhos externos. Nenhum movimento, nenhum som, nenhum guarda na ronda. Era tudo o que o invocador Elipsen queria, mas ele recusava-se á acreditar que a Famosa Myskara Delforth seria tão desleixada com sua própria posição.

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Elipsen recuou incrédulo na direção de Ivan Nosther Roverth, um dos maiores guerreiros do noroeste do continente. Trajado com sua armadura de escamas de dragão azul e protegido por uma capa luxuosa de seda grossa, Ivan ajustava a posição de seus duzentos e cinquenta homens, a grande maioria armada com espadas e escudos de qualidade.

– É uma armadilha – comentou Elipsen sem tirar os olhos do Forte Laitaw.

– Tu viste? – questionou Ivan desdenhando o comentário.

– Ela não deixaria o local desprotegido – explicou o mago incrédulo – Ela é a maior feiticeira do continente e não seria tão ignorante!

– O orgulho é o complemento da ignorância, amigo mago – Ivan fez sinal para o capitão de sua tropa, este imediatamente tocou a corneta.

Os duzentos e cinquenta soldados marcharam em direção do castelo. Ivan e Elipsen seguiam montados em cavalos de guerra: Ivan com uma lança longa nas mãos, Elipsen com seu cajado de bronze adornado com uma pérola azul.

À medida que os homens se aproximavam das muralhas, zunidos ecoavam no céu, nada aparente, mas mesmo assim os sons não podiam ser ignorados.

– Pelos demônios de Stambrillö! – Exclamou Ivan temeroso – Que barulho é este mago?

Elipsen olhou para o céu vazio, reconheceu os sons, mas parecia estar sendo iludido pelo cenário: Iludido, pensou ele.

– Flechas! – Gritou Elipsen para o exercito.

A primeira fileira de soldados foi ao chão, golpeados pro uma força invisível que jogava seus sangues para o alto. Apenas quando suas costas tocaram o chão é que as flechas encobertas pela ilusão foram reveladas. Um novo zunido ecoou, e as tropas entraram em pânico.

– Formação de defesa seus idiotas – Gritou Ivan para seus homens. A nova saraivada de flechas acertou a maioria dos homens da segunda fileira que não acertaram o tempo de fechar a guarda – Faça algo mago!

Elipsen olhou para o topo da muralha, não havia ninguém: Não eram apenas as flechas que estavam encantadas. Um novo zunido, mas agora o mago ergueu o braço e apontou o cajado na direção do céu: uma ventania cruzou o campo de batalha. As flechas foram reveladas e jogadas para o alto, caindo frágeis e inofensivas no solo.

Aproveitando a ventania, Ivan acionou seu cavalo para o combate, e foi seguido por seus homens. Eufórica, a multidão atacou os portões do Forte, forçando a grossa madeira. Um grupo de soldados, carregando um grande aríete, atacou a entrada. Em resposta, os defensores invisíveis lançaram óleo quente na direção deles. Uma gota tocou a pele de um dos soltados que recuou imediatamente, mas foi surpreendido ao olhara para o alto e ver que o óleo havia sido contido por uma força invisível. Elipsen com o braço esticado lançou o óleo na direção do forte, mas antes que este tocasse os soldados invisíveis uma energia mágica transformou o óleo em água fria. Mesmo assim a posição dos defensores foi entregue e agora eles não eram mais invisíveis e mostravam estar em número muito menor que os ofensores.

A entrada foi vencida, após uma hora os agressores dominaram as forças de defesa que já haviam perecido mais da metade. Elipsen e Ivan, seguidos pelos mais valorosos guerreiros, adentraram os aposentos do Forte Laitaw encontrando apenas dois soldados na resistência protegendo uma mulher: Esta tinha a estatura alta, cabelos castanhos claros e olhos esverdeados. Trajava uma saia vermelha, com detalhes dourados, longa que expunha suas pernas na frente. Um vultoso corpete cinza claro, repletos por detalhes dourados e vermelhos, que lhe estufava os seios. Um colar do mesmo tecido, justo no pescoço, braceletes de couro vermelho com bainha dourada completavam sua indumentária.

Myskara

Myskara

– Myskara! – Exclamou Elipsen encarando a mulher com ódio – Se entregue e submeta-se ao conselho.

Ela manteve-se imóvel sorrindo para Ivan Nosther Roverth enquanto este apertava e torcia os dedos no cabo da espada longa de Llofruddwraig.

Llofruddwraig

Llofruddwraig

– Myskara – Tentou Elipsen baixando o tom da frase – Sejas razoável. Acabou!

– Não há espaço para Clemência mestre Elipsen – Replicou Ivan, caminhando na direção da maga com Llofruddwraig em suas mãos.

O primeiro protetor de Myskara correu na direção de Ivan, mas rapidamente o guerreiro o golpeou com força no peito, abrindo uma chaga fatal. O segundo buscou o flanco do oponente disparando um golpe rápido, mas Llofruddwraig foi colocada para aparar o golpe simples e em contra ataque Ivan cortou a garganta do jovem soldado que caiu de joelhos no chão segurando a própria garganta inutilmente.

Ivan olhou para Myskara com os olhos arregalados. Ela mantinha o sorriso. Ele não hesitou, pulou a sua frente em enfiou Llofruddwraig entre os dois seios da maga que parecia saltar os olhos verdes para fora e imediatamente cuspiu sangue devido à hemorragia. Ivan puxou, e a lâmina de Llofruddwraig saiu lentamente do corpo da maga enquanto se inclinava e caia de joelhos no chão frio do forte Laitaw.

– Agora acabou – Falou Ivan olhando para Elipsen com orgulho.

Uma risadinha simples e sinistra de Myskara fez com que os dois heróis se voltassem para a maga vencida.

– Acreditas mesmo que dois seres insignificantes do nível de voz seriam os algozes de Myskara – Ela cuspiu um pouco mais de sangue e riu mais – EU SOU MYSKARA! – Gritou ela e sua voz ecoou por todo o forte Laitaw.

A força da voz derrubou Elpsen e Ivan, que caíram sentados no chão. O mesmo aconteceu a todos os soldados que aguardavam ansiosos do lado de fora. Os de coração mais fracos começaram a berrar de medo, e os covardes usaram as próprias armas para o próprio alento.

Elpsen correu na direção de Myskara, percebeu que o olho esquerdo não era um olho de verdade: – Impossível! – Exclamou ao mesmo tempo em que adentrava os aposentos da maga em busca de algo. Ela se divertia nos últimos momentos de vida observando excitada ao desespero do adversário.

– Onde está! – Gritou o mago.

– O que buscas Mestre Elpsen? – Questionou Ivan ignorante ao fato.

– O grimório…

A risada de Myskara interrompeu a busca de Elpsen que olhou incrédulo para ela.

– Myskara não será derrotada hoje – Ela cuspiu seu ultimo respiro com sangue – Nem jamais…

O corpo da maga caiu ao chão, e as pupilas nos olhos abertos se dilataram. Elpsen chegou ao lado dela e enfiou os dedos no olho esquerdo.

– Que se passa – Perguntou Ivan.

– O olho é falso – Respondeu enquanto pegava a pedra incolor que estava no lugar do verdadeiro olho esquerdo – Ela não está morta. Ela separou a alma do corpo temos que encontrar o olho verdadeiro.

– Que besteira – Falou Ivan olhando incrédulo.

– Há um feitiço nesta pedra – Falou Elpsen enquanto buscava o cajado para ler a magia. Mas sua face mudou de reação imediatamente – Não…

O fogo consumiu tudo e todos e o Forte Lartaw sumiu do mapa de Digared.