Aventura – A Última Balada – Sessão II

            Há três anos Hikam havia saído da Khalenita para conhecer o mundo. O fiel paladino de Anssis estava em uma cruzada de autoconhecimento e prova de seus valores – contudo não havia adquirido a experiência desejada por sua ordem. Conhecera muitos reinos. Aliou-se á alguns homens e mulheres durante sua jornada; muitos deles, mesquinhos e mentirosos. Ninguém que valesse a pena se aliar; Talvez pela absurda sinceridade é que ele se aliara ao mercenário Silvik Nelshirom: um homem simples com desejos simples – ganhar dinheiro a custo do próprio trabalho.

            No início Hikam fora cauteloso com Silvik – o guerreiro pensava muito em dinheiro, gastava ouro com bebidas e festas. No entanto, quando a oportunidade de pegar um trabalho sujo, este recusou de imediato. Aos poucos o paladino da Luz percebeu que havia mais do que uma espada pronta para a batalha no guerreiro: havia coração e lealdade, e isto.

            Nelshirom conseguiu um trabalho para escoltar um comerciante de tapetes em Melgorrona para Trindade. Hikam a principio não gostou da ideia de ir á Trindade durante o Raqaleu. Mas o mercenário o convenceu com facilidade.

            – Muitas pessoas comemorando. Se algo sair do controle, ninguém vai querer se envolver – ele sorriu para o paladino – Ai entramos para salvar o dia.

            A viagem para Trindade prosseguiu sem problemas e já na cidade o guerreiro conseguiu um novo trabalho – Segurança de um bardo na taverna do Alquimista Borracho.

 

* * *

 A taverna do Alquimista Borracho vivia um pesadelo. Carmen Dimitriel havia sido sequestrada. Pajo Lebre, o alquimista, havia chamado alguns de seus guarda costas para investigar. Irritado, ele discutia com o chefe da guarda e o prefeito.

Enquanto isto, Andrius, percebia uma oportunidade – salvar a barda mais famosa do mundo e entrar para a história de Trindade. Mas para isto era necessário investigar o camarim: ele precisava passar pelos guardas.

– Como farei isto? – pensou ele falando alto.

– Deixe isto comigo – Respondeu Morgana caminhando até o meio do salão cheio de guardas e soldados da milícia.

Rapidamente ela encenou um mal estar e foi socorrida imediatamente por Silvik. Os demais homens também trataram de ajudar a bela fada a se sentar e pegar um ar. Enquanto isto Andrius fugia pelas costas destes. Coincidentemente a luz de um dos lampiões refletiu em sua direção, fazendo com que Hikam o percebesse. O paladino decidiu seguir o ladrão ao invés de entrega-lo ás autoridades.

            Andrius chegou ao camarim e tratou de procurar evidencias. Logo foi surpreendido por Hikam, mas este também estava interessado em resgatar a jovem barda, e tratou de guardar a porta para que o trindadiano pudesse investigar o local: havia roupas espalhadas por todos os lados, arranhões de garras, marcas de pegadas reptilianas e muita confusão. Os sequestradores haviam sido eficientes e rápidos e fugido por um duto que passava por baixo do salão da taverna.

            – Vamos embora que tá chegando gente – avisou Hikam.

            Andrius se apressou para sair, mas antes pegou uma amostra da terra que deixara marcas de pegadas no tapete e um pingente dourado em forma de pirâmide.

            – vamos.

 

* * *

 

            Reunidos, Andrius apresentou Hikan para Morgana, Alice e Jirga. Analisaram em conjunto a pista de terra e Morgana avaliou se tratar de terra pantanosa. Só havia um pântano próximo de Trindade, e era um lugar perfeito para sequestro, pois se distanciava de rotas comerciais.

            Hikan chamou Silvik para que este participasse dessa aventura e o mercenário convenceu Andrius que era necessário negociar uma recompensa antes. O paladino não pensava no ouro e desgostou da ideia inicialmente, mas o guerreiro e o ladino o convenceram de que um bom “patrocínio” se fazia necessário para o futuro. Assim eles foram procurar o Bardo de Trindade na taverna do Canto da Sereia – todos na cidade sabiam que este era grande amigo de Carmen.

            Enquanto isto, Alice retirou-se para descansar antes da jornada. Já Morgana e Jirga foram juntar suas coisas. A fada sabia que a nobre maga possuía uma pequena coleção de pergaminhos e desejava fazer uso deste material para a aventura; Jirga não se opôs a ceder alguns – Egoísmo não era um defeito seu.

            Andrius e Hikan conversaram sobre o rapto com o Bardo de Trindade. Era um goblin muito asseado, mas ainda era um goblin. Ele estava muito abalado com o revés de sua colega e não conseguia concentrar-se com os aventureiros. Foi então que Aldresh, o ladrão mais famoso do continente negociou uma ótima soma em dinheiro pelo resgate – agora devidamente ‘patrocinados’ eles partiram para o pântano.

           

* * *

            Como era de se esperar, muitos aventureiros jovens partiram na jornada – um grupo morreu em uma armadilha feita com rochas abaixo de um túnel natural dentro de um barranco. Isto reforçou a ideia de Andrius em manter a cautela. Hikan e Sivirk aguardavam o momento certo para enterrar suas espadas em algo maligno. As duas magas recuavam junto com a druidisa e seu lobo feroz.

            Os rastros levaram até um acampamento de Homens Lagartos. Já havia desconfiança quanto aos raptores da barda e agora pareciam estar no caminho certo. O ladino Andrius tentou aproximar-se sem fazer barulho – péssimo, ele resvalou em algumas pedras e fez um barulho que colocou todos no acampamento de pé – contudo os lagartos recuaram para um feda no lado oposto aos aventureiros.

            Morgana e Alice trataram de procurar vestígios nas barracas. Sirvic ficou de guarda com Jirga – ela se recusara a entrar em alguma daquelas ‘malocas’ -. Enquanto isto o paladino arriscou-se até a fenda; Havia dois homens lagartos jovens, no fundo podia ver algumas fêmeas e crianças: – Aquilo não era um acampamento militar e sim uma tribo aguardando seus machos.

            Hikan tentou negociar informações com os lagartos adolescentes, eles pareciam hostis e muito belicosos para mostrarem os seus valores, contudo ainda eram jovens. E por isto uma mulher lagarto, imponente, saiu da fenda para falar com o paladino. Ela detinha o título de espoas do líder e para o paladino pareceu razoável acreditar em duas palavras: Lizerti era seu nome; a esposa de Givertrix.

            Sirvic tirou o elmo para mostrar respeito: ele já havia lutado contra e a favor do homem lagarto – mas ele preferiu não contar a ninguém sobre isto -. Contudo ele sabia que o guerreiro lagarto era um individuo valoroso e muito forte.

            Lizerti contou que o pântano era dos lagartos e estava lá em paz com os humanos de Trindade há anos. Contudo havia um grande mal, algo que se apoderou do lugar tirando a liberdade de seu povo. Seu esposo havia raptado a barda sim, mas ele trabalhava a favor daquele que lhes roubou o lar: – Parecia simples ao paladino. Destrua o mal e salve a barda.

            Contudo a arrogância, típica de uma rainha, de Lizerti combinada ao pavio curto de Alice causou uma situação vil ao encontro. E quase não acabou em um banho de sangue se não fosse à habilidade diplomática do clédio.

           

* * *

 

            O encontro com Givertrix e seus homens, aconteceu no pior momento: havia outro grupo de aventureiros que o tinham encontrado antes. Os sons de espadas e machados ecoavam por todo lugar. Não tendo lado, os grupos teve que partir para o combate misto. Sirvik entrou derrubando um humano com uma besta logo na entrada. Jirga lhe dava cobertura paralisando-o antes de qualquer reação. Andrius buscava um melhor lugar para atacar, mas parecia que não era seu dia. O lobo de Alice voava hora sobre lagartos e depois humanos. A magia da fada Morgana lançava-se ao alto e chocava-se nas falhas das armaduras de seus inimigos – enquanto Hikan avançava lutando com sua espada.

            Aos poucos o combate triplo mostrou que o último grupo era mesmo o vitorioso, mas durante um embate com uma humana de cabelos curtos e uma letra ‘W’ no rosto – Andrius reconheceu-a na hora – o grande Givertrix morreu junto de sua filha. O único sobrevivente lagarto negociou uma morte de guerreiro por informações: Hikan concordou e fez sinal para Sirvic que puxou a espada e se pós ao lado do guerreiro lagarto ferido e ajoelhado ao chão.

            – A barda foi entregue á um Troll que vive no meio do pântano – ele olhou para Sirvic – Angreifer me recebe em seu lar – gritou furioso e Sirvic o decaptou.

            O corpo caiu e bateu no chão e a cabeça rolou dois passos à frente. Sirvik ajoelhou-se e colocou uma mão no ombro e outra em seu próprio peito:

– Siga as chamas do senhor da guerra meu irmão de batalha. E no futuro lutaremos lado a lado sob a bandeira de nosso deus – falou Sirvic sentindo as palavras. Hikan colocou a mão em seu ombro e abençoou o momento em nome da deusa da luz.

Enquanto isto, não muito afim dos sentimentalismos de guerreiros, Alice e Andrius vasculhavam o local. Havia uma toca onde os homens lagartos estavam guardando seus tesouros. O ladino abriu, mas surpreendeu-se por encontrar a ladra com o “W” no rosto. Ela os intimidou com o olhar, Andrius segurou o braço de Alice que amaldiçoou, em seu intimo, Ixchel por deixá-la tão vulnerável.

A ladra pegou o que procurava e encarou os dois e saiu.

– Fiquem com as migalhas, pois o pão é meu.

Ela partiu. Andrius sentiu que esta não seria a ultima vez que a veria.

 

* * *

 

Investigando o local, Hikan encontrara um colar que Givertrix usava em homenagem a esposa: era um objeto de amor. O justo paladino levou a joia até Lizerti que comovida o presenteou com um colar de conchas que simbolizava o apreço dos lagartos ao humano.

Vasculhando o pântano em busca da barda o grupo fora surpreendido por uma enorme aranha monstruosa. Ela espreitou o grupo de maneira furtiva, e quase pegou Morgana; Mas para sorte da fada Vrendon surgiu e arrancou uma pata do monstro que se refugiou para seu covil. O cavaleiro estava ferido – pela própria aranha mesmo – e necessitava de cuidados. Jirga ficou com ele, enquanto os demais seguiam para o covil. Antes Sirvic se despediu carinhosamente da maga litarminiana – havia amor no ar.

Os aventureiros encontraram um druida lagarto que reconheceu o colar dado ao paladino por Lizerti. Mostrou onde se escondia o troll e ainda usou alguns de seus incensos para recuperar os ferimentos de todos: Inclusive Vrendon.

Agora o grupo estava pronto para o Troll.

 

PERSONAGENS

Hikan – Daniel Ribas

Andrius – Alex Silva

Morgana – Melissa

Alice – Rafael Morais

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