Prelúdio: Um conto de Fada

Morgana estava exausta, com fome e muita sede. Não havia uma única luz naquela caverna e ela se irritava apenas de ouvir a voz de seu irmão e mestre Galliel.

– Vamos Morgana! Enquanto não aparecer um raio de fogo não sairemos daqui.

– Vamos fazer uma pausa…

– Não! – gritou ele.

Morgana se concentrava de todas as maneiras, revisava as palavras em sua cabeça, os gestos, as teorias e os livros que leu, mas nem uma faísca saia de seus dedos. Então ela percebeu que estava sozinha no escuro. Ela gritou, clamou por seu irmão e nada: Ele havia lhe deixado sozinha. Ela caminhou se arranhando nas rochas, batendo a cabeça nas paredes em meio a escuridão total, até finalmente enxergar uma pequena penumbra. Havia relva e apenas duas flores. Ela as pegou com delicadeza e produziu o nectar para se alimentar, mas foi impedida por uma voz:

– Não faria isto se fosse você – disse uma velha senhora sentada na relva.

– Quem é você?

– Estas são Espertizes das Sombras. São deliciosas, mas extremamente venenosas.

Morgana soltou as flores. Depois percebeu que não havia ninguém mais ali. A fada seguiu o caminho até sair da escuridão e chegar em um pântano fétido. Era um caminho completamente diferente do que ela havia tomado para chegar lá. Mas ao mesmo tempo parecia o mesmo. Ela correu até a margem das águas, mas evitou beber daquela água. Ela gritou mais duas vezes pelo nome de seu irmão. Pensou em gritar pela velha ou qualquer pessoa, mas ela parou imediatamente ao ouvir um barulho nas sombras.

– Trolls! – gritou ela ao ver dois seres gigantescos vindo em sua direção.

– Não se preocupe senhorita – gritou um cavaleiro com um belo escudo de aço e brandindo uma espada longa.

O cavaleiro tomou a frente e atacou os trolls os cortando com força. Os monstros recuaram devido a sua implacável habilidade com a espada. O cavaleiro foi até Morgana e se ajoelhou diante dela:

– Meu nome é Vrendon, sou um cavaleiro de Guelrom – ele pegou a mão de Morgana e a beijou com gentileza.

Morgana se sentiu segura, e com a ajuda daquele cavaleiro conseguiu voltar para sua cabana. No entanto o cavaleiro sumiu.

Ela continuou treinando com seu irmão.

Ela reencontrou a senhora bondosa na cidade e as duas se tornaram amigas.

E Morgana passou a receber muitos cortejos do cavaleiro bondoso que a salvou na outra noite.

A história de Morgana parece um conto de Fadas. Mas há algo nessa história que algumas pessoas não entendem, mas ela entendeu que não era seguro ficar ao lado de seu irmão: ela deixou seu lar, sua cidade, sua amiga e seu cavaleiro. E foi viver em Lamormy, longe de Galliel.

 

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Prelúdio: Elite da Luz

Digared possui mais de quarenta reinos, todos muito diferentes entre si: Lamormy é um reino que venera a magia, Riornia o conhecimento como um todo, não vale de estudos para um claymorniano que ama as artes belícas. Quando o assunto é arte de verdade, converse com um aristocrata de Helenary. Viaje para Amabel para conhecer as maiores construções que o homem pode fazer, beba boa cerveja em Trindade, coma bem em Megïrom, reze em Laphömi e cace cervos em Duvikiburg. Mas se falar em Boleta, aí você pode estar em qualquer reino de Digared.

Boleta é um esporte coletivo, praticado por dois quartetos de atletas. Dentro de uma cúpula feita de grades de metal um trio de cada lado deve chutar ou socar uma bola de couro com 50 cm de diâmetro, na direção de um buraco redondo de 90 cm de diâmetro. O quarto jogador é responsável por ficar sentado em uma cadeira onde ele consegue movimentar o buraco, com um volante, num raio de um metro e meio.

Tapsa – dia da Final da Copa do Mundo de Boleta.

O camarote pago pelos Chamouths era muito bom, mas Traumat se incomodava com o sol refletindo em seus olhos. Os malditos Gareths estavam do outro lado na sombra bebendo vinho gelado e comendo sorvete de maçã direto de Megïrom – Traumat amava maçã. Um dos seus homens anunciou um convidado e Traumat assentiu para que deixasse entrar: Cahethel Dimitriel.

O sorriso do riorniano se acalorou com a chegada do amigo claymorniano. Os dois se abraçaram e Cahethel imediatamente colocou a mão no rosto.

– Que sol forte – disse o recém chegado.

– Nem fale! – respondeu Traumat indicando os aperitivos.

Qieara, uma das escravas saudidias de Traumat, trouxe cerveja e serviu canecos para os dois. O amo agradeceu a menina que saiu em silencio para a área de serviços.

– Rola uma aposta? – perguntou Traumat Chamouth.

– Não gosto de apostar em Semlya – respondeu Cahethel desdenhando do jogo.

– Não tenho culpa que Claymor não chegou a final – Traumat procurou cornetear o amigo já que Riornia chegava a final após uma vitória esmagadora sobre Lamormy de 11×2.

– Vou apostar mil coroas que o menino de Semlya vai marcar dois hoje – respondeu o claymorniano.

– Jamais – disse Traumat rindo – Ele fez três em Claymor, acabou o estoque de tiros dele.

Os dois riram.

– Vai apostar em quem então? Na maninha?

Os dois riram, mas Cahethel estava querendo apenas irritar. A jovem atacante da seleção de boleta riorniana, Adina Chamouth era a goleadora da competição e havia marcado já uma duzia de gols.

– Adina vai acabar com o jogo. Dobro a aposta – respondeu Traumat.

– E eu aposto que Riornia ganha sem ajuda de Adina – disse um sujeito entrando no camarote.

Traumat e Cahethel olharam para ele imediatamente, e abriram um sorriso: era Aldresh.

– Sente-se velho amigo – indicou Traumat um dos divãs.

Cahethel se levantou para cumprimentar o amigo.

– Pensei que Trindade ia longe este ano, quando vi que você havia se contundido! – falou Traumat apertando a mão do mestiço.

– Espera você se machucou? – questionou Cahethel.

– Sim – respondeu Aldresh colocando a mão no rosto – Tu vistes aquelas enfermeiras do da seleção de Helenary? Me deixaram de cama por uma semana – Aldresh completou fazendo sinais obscenos.

Os três amigos riram.

– O jogo vai começar – disse Traumat.

– Na verdade – disse Aldresh – Além de vir ver o jogo com meus amigos…

– Lá vem ele pedir favores – interrompeu Cahethel.

Os três riram, Aldresh nem ficou sem jeito.

– Fale Al, o que aconteceu? – perguntou Traumat.

– Já ouviram falar de um tal de Tahohas? – questionou Aldresh enquanto sorria para a escrava que espiava o camarote – Tenho um serviço bom para as férias de vocês.

– Missão de férias? – falou Traumat – To precisando. Poderia levar meu irmão do meio.

– Estou dentro – Cahethel falou e olhou para Aldresh – Não é nada ilegal, não é?

– Claro que não – falou Aldresh piscando para Qiera.

Adina chutou a primeira batendo no aro do buraco, fazendo a multidão suspirar.

– Ela é boa! – disse Cahethel.

– Muito “boa” – comentou Aldresh.

– Olha lá! – repreendeu Traumat olhando feio para o mestiço, depois respondendo para o Cahethel – Precisa ver ela com uma espada.

– Ela luta? – indagou Cahethel surpreso.

– Luta, joga e canta – Traumat sorriu orgulhoso, mas complementou – Nada comparado a Carmen cantando. Mas tem uma voz linda.

– E como tá a Carmen? – perguntou Aldresh.

– Olha lá! – repreendeu Cahethel.

– Que isto gente – respondeu Aldresh – Vocês me tratam como se eu fosse um animal.

Os dois olharam para Aldresh que começou a rir sozinho.

A multidão gritou e Traumat pulou do divã gritando. Cahethel e Aldresh se olharam com desgosto, pois estavam duas mil coroas mais pobres. No meio da cúpula, Adina corria de braços abertos comemorando o primeiro dos seus 7 gols para o título de penta campeão de boleta de Riornia.

 

Prelúdio: Pedras

Ayllena saiu da sala de jantar rindo e tropeçando nos próprios pés devido ao alto teor de vinho em seu corpo. Ela entrou na adega para pegar mais uma garrafa de um Garbena de cinco séculos, mas parou ao lado da porta, observando a escuridão.

– Saia das sombras – disse ela rindo.

Endon saiu da escuridão e deu uma boa encarada na elfa risonha.

– Bela festa – disse ele sério.

– Sim – sorriu ela olhando para o salão, mas fechando devagar a porta – Eu o convidaria para se juntar a nos, mas só tem pessoas felizes lá. Você poderia se sentir deslocado.

Ele resmungou e se escorou em uma das prateleiras.

– O que sabes sobre a pedra de Amabel?

– Ai! Este papo agora querido – disse ela dando as costas – Estou no meio de uma festa, eu tenho vida social…

Ayllena abriu a porta da adega, mas o mestiço empurrou e bateu a porta.

– Sua festa para os almofadinhas de Alisios e Lyn pode esperar – falou ele com a voz rouca – Eu quero saber da pedra.

– Pedras são minerais e Amabel é um reino. Deve ser um tijolo – ela riu – Satisfeito.

– Não! Eu conheci algumas pessoas que falaram de uma pedra. Encontramos a tal pedra. agora parece que surgiu um monte de pedras no mundo, de uma hora para outra – ele apontou para o pingente brilhante no pescoço da elfa – E aí eu lembrei de quem tinha uma belíssima pedra.

Ayllena ficou seria e brava. Jogou a garrafa para cima e Endon aparou com destreza.

– Dizem que cada um dos deuses escolheu um protetor. Mas isto já faz mil anos, foi cem anos antes de eu nascer.

– Você é velha – disse ele sarcástico.

– Mas muito gostosa – ela sorriu deleitando-se com as mãos no próprio corpo.

– Fale-me das pedras – insistiu ele tentando encara-la nos olhos.

– Então cada deus escolheu um protetor, e estes haviam  recebido a tarefa de proteger o mundo de demônios e horas de outros mundos. O problema que os deuses confiaram parte de seus poderes a estes protetores.

– E estas eram as pedras?

– Sim – disse ela – Mas eles não pensaram que outros poderiam roubar as pedras e utilizar o poder divino para propósitos pessoais. Assim os protetores esconderam as pedras em lugares onde ninguém as pudesse pegar.

– E esta pedra? – perguntou ele apontando para o artefato.

– Ha! Esta – disse ela – Não e pedra de deus nenhum. É só uma pedra Shuoa.

– Entendo.

Ela riu.

– Qual a graça? – perguntou o andarilho curioso.

– Nada não, mas esta piada teria graça com um mago – ela olhou para a pedra – Na verdade é uma pedra que eu mesma encantei, tem energia apenas minha. Quem sabe se um dia me tornar uma deusa…

– Muitos devaneios de uma maga bêbada. Estou de saída.

Endon saiu pela porta, mas antes:

– Espere! Tem visto meu irmão – perguntou ela.

– Rhan ou Filinsty?

– Falei do nosso irmão.

– Não! Aldresh e eu nos separamos no Vale Azul Verdadeiro. E desde então…

Ele não completou e saiu.

Ayllena pegou a pedra e a esfregou fortemente. Falou algumas palavras e conseguiu ver Aldresh na cama com uma bela loira.

– Ai! – ela jogou a pedra longe – Sempre dou azar com esta magia…

Prelúdio: Aneis

Um homem entrou na taverna do Alquimista Borracho com muitos anéis nos dedos. Um dos homens que jogava trilha comentou com o segundo.

– Aldresh, veja aquele sujeito com oito anéis nas mãos.

Aldresh o observou com cuidado, pareciam joias muito peculiares, e uma daquelas mão valia mais do que toda aquela taverna junta, e as duas juntas, um pouco menos do que ele tinha nos bolsos. O homem viu que estava sendo observado e foi até os dois sujeitos.

– Olá rapazes – disse ele com a voz bem esganiçada.

– Velho tu engoliu um gato ou tua voz é assim mesmo? – questionou Aldresh rindo.

Ele resolveu ignorar.

– Sou um grande colecionador e estou atras de uma relíquia. Eu pago muito bem.

O amigo de Aldresh olhou para o ladino com felicidade, mas o mestiço manteve-se calmo e sereno sem responder nada.

– Tens interesse no trabalho meu jovem? – perguntou o forasteiro.

– Sabe – disse Aldresh o encarando com sarcasmo – Ninguém entra em uma taverna cheia de ladrões com joias por todas as mãos se não pode se defender e se não sabe o que está procurando. E na minha opinião tu poderias colocar esta espelunca abaixo com um estalar de dedos. E também acho que tu sabes com quem ta falando.

– Muito bom mestre Aldresh – disse ele – Meu nome é Anelack Belford, mas muitos me chamam de…

– Anel de Ferro – completou Aldresh – Se quer saber acho um nome super sem imaginação, mas não sou eu quem criou tudo isto não é. Me diga o que precisa e quanto vou receber e colocarei meus honorários em cima.

Anel de Ferro riu do sujeito e disse:

– Tem um sujeito que fez um anel de uma pedra magica e eu coleciono aneis sabe.

– Deu para perceber – Aldresh olhou para as mãos do mago.

– Já ouviu falar de Tahohas?

 

 

Prelúdio: a Guerra dos Paladinos

O reino de Laphömi vivia sua maior guerra civil: uma horda de mortos-vivos – liderados pelos acólitos do paladino de Ixchel Danyr, o Amaldiçoado – em conjunto com os psarios (homens peixes) – liderados pelo paladino de Furrinália Akille Proklet – tentavam tomar a cidade. Os cruzados vermelhos de Angreifer e os cavaleiros de prata de Argeny, lideravam a resistência.

23 paladinos se uniram a guerra de um lado ou outro. Quem viu, lembrou da antiga guerra dos deuses contra os lemurianos e dragões. Quem esteve lá, teve seu nome lembrado para sempre.

Ao fim de doze dias de batalha, apenas os melhores mantiveram-se de pé, e entre eles estava o paladino de Brigith Calacius o Sol. Limpando o sangue dos vampiros de sua espada ele procurou Danyr para por fim a sua vida.

– Vós que atentas os portões do reino de nossos deuses, pagarás pela tua heresia! – gritou o paladino da luz para o algoz das trevas.

Danyr riu do rival e brandiu sua Espada de Sombras. A lamina que pingava sombras se lambeu de excitação por estar prestes a provar mais sangue de paladino. Calacius o Sol tirou a sua Espada Lamina do Sol de dentro da bainha e a noite se tornou clara como o dia. Mas antes que o combate se iniciasse dois vultos saltaram, um vindo das águas e outro vindo de cima de uma construção: Proklet o paladino das águas e a paladina fada Qarijala a Traidora dos Dezenove reinos.

– Acabou Calacius – disse Danyr – Não podes vencer uma luta contra três escolhidos divinos.

– Calacius não está sozinho!

A voz conhecida e ecoante de Andryt filho de Amabel vindo de detro de uma igreja, acompanhado de paladino de Sônia, Andriel o Sonhador.

Os seis paladinos puxaram suas armas e encararam-se frente a frente:

Andryt segurou a Espada Virgem com ambas as mãos, enquanto Qarijala batia a lâmina Rosa duas vezes no Escudo de Espinhos.

– Todos os caminhos de Andryt levam a Qarijala – disse a paladina do amor mandando beijo para ele.

– Último aviso Qarijala, ainda há tempo para arrepender-se – gritou Andryt em tom autoritário.

Proklet riscou o chão com seu Tridente Tubarão e apontou-o na direção de Andriel que girava a Espada da Esperança e a posicionava embaixo do escudo.

– Dizem que você é apenas um sonho da sua deusa – debochou Proklet.

– Todos somos irmão! – sorriu Andriel e o seu escudo se fechou mostrando o rosto de Melks o Tritão, o maior pesadelo de Proklet.

Calacius o Sol brandiu a espada fazendo sua armadura encher-se de luz, enquanto Danyr ergueu os punhos para encher o local com trevas.

– Mesmo na maior escuridão a minima chama se faz por ser vista – proferiu Calacius.

– Mesmo a maior chama do mundo pode ser apagada – respondeu Danyr – Esta na hora de apagar a luz.

Seis gritos ecoaram. E a batalha começou.

Aqueles poucos que testemunharam a batalha, falam que o tempo passou diferente. Aqueles que contam falam em dias os descrentes em horas. Mas a verdade é que nunca uma batalha foi tão igual. E vendo que o empate dava vantagem aos homens de Calacius, Danyr se reagrupou com seus aliados para uma ultima tentativa de aniquilar o inimigo.

– Acabou Danyr – gritou Calacius – Eu tenho a vida e a esperança.

– E eu estou disposto a tudo! – gritou Danyr.

O paladino das trevas ergueu a espada a frente do rosto, enquanto Qarijala e Proklet se posicionaram um de cada lado com seus escudos e armas em guarda.

– Eu invoco o Expurgo Lemúriano! – gritou Danyr.

Andryt e Andriel olharam para Calacius descrentes. Era o sacrifício único e proibido dos paladinos. Um poder altamente destrutivo que só podia ser invocado por três escolhidos dos deuses, mas era muito perigoso para ser aplicado dentro do mundo mortal.

– Vós estais loucos! – gritou Calacius.

– Como eu avisei – disse Danyr – Estou disposto a tudo.

– O que você não percebeu irmão – disse Andriel – É que desse lado tambem tem três escolhidos.

Andryt e Andriel se posicionaram ao lado de Calacius.

– É loucura! – gritou Calacius para os dois amigos.

– É a nossa única chance – disse Andryt.

Os tres paladinos bondosos se posicionaram para o expurgo. Calacius sabia que um expurgo poderia destruir Laphömi e varrer toda a vida por kilometros, agora dois Expurgos jamais haviam sido vistos. Certamente os seis não sobreviveriam.

– Eles não estão brincando – disse Proklet para Danyr.

– Ótimo! – gritou o paladino das trevas – Que contem esta história por mil anos, mas hoje eu não perderei para Calacius!

“Nem o medo nem a desordem,

Pode desafiar a nossa fé…

Mesmo agora que três se fundem,

Para que nem um inimigo permaneça de pé!

EXPURGO LEMURIANO!!!”

 

Duas energias opostas se colidiram formando uma enorme esfera de energia divina. O vendo se tornou forte, mas não havia ar para respiras. As águas pararam, o fogo se extinguiu e a terra parecia prestes a sucumbir sem a gravidade. Não havia mais luz nem trevas apenas um vazio de um nada que só pode ser visto antes da criação do mundo. Andryt e Qarijala foram os primeiros a cair, seguidos por Proklet e Andriel, e dois segundos depois Calacius e Danyr.

A energia saiu de controle e estava pronta para se apropriar do reino. Mas foi compelida por uma energia maior e mais densa vinda de um grito que faz todos os paladinos e clérigos do mundo hoje a respeitar: – Por Ividinia! – Disse Lesnahel que extinguiu a energia para um plano inferior.

– Idiotas! – gritou Lesnahel o Escolhido mais que Preferido de Ividinia.

Danyr teve forças apenas para fugir. Proklet foi tragado por uma onda enquanto Qarijala permaneceu moribunda e estendida ao chão.

– Perdão mestre Lesnahel – disse Calacius se levantando e ajoelhando perante ao paladino supremo – Foi uma guerra muito dura.

– E pelo que lutava paladino da Luz? – disse Lesnahel – Se lutava por este mundo escolheu a arma errada para defende-lo.

Lesnahel pegou Qarijala no colo e a levou para a prisão de Laphomy.

Calacius olhou para os amigos estatelados ao chão:

– Talvez não tenha sido a melhor ideia senhor – disse Andryt cuspindo sangue.

– Tu não pode morrer meu amigo! – disse Calacius – És o filho de Amabel.

– A Vida só és pela por que não é durável – disse Andryt sorrindo e pegando em sua mão. Um estralo brilhou fazendo o corpo de Calacius tremer – Viva para sempre meu amigo, este é meu presente.

Andryt morreu.

Andriel passou a mão nos olhos do amigo morto e os fechou para sempre.

– Durma bem irmão!

– Estás bem? – perguntou Calacius para Andriel.

– Não – respondeu o paladino tirando seu elmo e espada e os largando no chão – Envergonhei minha deusa e agora devo partir.

– Andriel, preciso de ti para vencer Danyr. Todos os outros caíram. Só sobraram nos dois.

Andriel sorriu para o amigo e colocou a mão sobre seu ombro.

– Não estás sozinho irmão! Você encontrará luz nessa escuridão pois lhe deixarei a esperança.

Andriel se desfez como um sonho. E Calacius viu uma estrela brilhante surgir no céu.

O Paladino de Brigith voltou para o templo. Os soldados traziam os feridos para dentro, não havia tempo para comemorar a vitória e Calacius apenas pensava nos amigos que perdera.

– Senhor! – disse um dos soldados – Iserphony retornou.

– Iserphony? – perguntou o paladino com esperança, ela era uma de suas discípulas mais fieis.

– Desculpe senhor. Ela pereceu, mas lhe deixou algo.

O homem abriu espaço e uma senhora trouxe um bebê enrolado em um pano branco.

– Não entendo – disse Calacius.

– É o filho dela meu senhor – disse o soldado – Ela não pode confia-lo a ninguem.

Calacius pegou a criança entre os braços o olhou nos olhos e sorriu:

– Esperança! – disse ele lembrando-se de Andriel. E repetiu a palavra no idioma celestial – Hikan…

Resumo Sessão I-II – Origens

A taverna Parada Obrigatória estava lotada, mas a barda Tlislana dava pouca importância aos fregueses aquela noite. Estava mais interessada em matar a saudade de seu amigo rogën Dieghus.

– Uma pedra magica? – questionou a barda nohëan descrente – Isto é lenda…

– Também pensei isto quando vim para cá – explicou ele entre um gole de cerveja – Mas havia muitos rumores que me trouxeram para cá. E ainda seguia a mesma pista de um outro grupo de aventureiros.

– Aquele do clédio gigante, a fada quieta e o mago tagarela? – comentou Tlislana lembrando dos forasteiros que haviam aparecido na taverna dias antes.

– Sim – sorriu Dieghus – Pensei que apenas eu tinha percebido como aquele cara fala.

– Sim eu vi eles na ultima noite. O clédio havia pedido informações para encontrar uma cura para a Febre Sombria que havia tomado o corpo de seu amigo. E como encontraram a pedra?

– Para começar encontrei eles por acaso. Antes, havia chegado em Alísios e Doris me comentou de um andarilho da floresta, um mestiço que poderia me ajudar.

– Endon!

– Este mesmo – sorriu o rogën – O cara é sinistro, mas parece ser boa pessoa. Ouvi dizer que ele estaria disposto a me ajudar se eu falasse dos vampiros que estou querendo destruir.

– Já ouvi falar das historias – comentou ela – Dizem que seus pais foram assassinados pelo clã de Kayllis.

– Nossa – comentou Dieghus lamentando e bebendo cerveja – Então. Eu e o andarilho fomos para o resort de Mestalles. Já na entrada descobrimos vários corpos de zumbis carbonizados. O grupo dos forasteiros estava liquidando com aqueles malditos mortos-vivos.

– Zumbis no resort? Curioso…

– Nem tanto. Acredito que alguém os tivesse convocado lá por alguma razão. Mas o principal é que combinando os ataques do paladino clédio, as magias da fada e do mago, as habilidades do andarilho e a minha simpatia e motivação os destruímos todos.

– Quantos eram?

– Não sou de exagerar, mas passavam de 700.

– Não acredito – falou ela rindo.

– Verdade! Juro pelo meu antigo navio – ele bebeu um pouco e corrigiu – Ok! Talvez fossem uns cem ou cento e cinquenta, era uma horda, não parei para contar.

– Certo! – comentou ela ainda incrédula – Continue a historia.

– Então, apos destruirmos os zumbis, chegamos em uma sala sinistra onde havia um altar super protegido. Então uma voz sinistra disse: “Vocês que ousam entrar na tumba de Mestralles serão castigados pela maldição das nove luas…”

– Espera ai! De onde venho esta voz?

– De um dragão!

– Dieghus…

– Desculpa, de um Dragão Demônio!

Ela ameaçou se levantar da mesa.

– Certo! – falou ele segurando o braço da barda – Talvez não houvesse uma voz. Mas havia uma aura límpida que emanava  de dentro do altar. Endon disse para o Hikan o paladino fazer algumas coisa. Ai ele se ajoelhou e orou: Quando a doença chegar, quando a guerra iniciar, nenhuma ameaça a Vida passará pela minha visão! E aqueles que venceram a matança irão se render, há graça de Amabel e meu poder.

Dieghus fez uma pausa, mostrou os pelos do braço arrepiados.

– E daí? – questionou ela agora curiosa.

– Então o céu se abriu! Trovoadas se agitaram e um cometa…

– Que céu Dieghus? Vocês estavam em uma tumba!

– Certo – ele sorriu encabulado – Aí ele pegou a pedra e a aura se foi.

A barda ficou olhando séria para o amigo.

– Certo, quando fores contar esta historia de novo coloque o céu e o dragão.

Os dois riram.

– E quanto ao amigo do Paladino?

– Há, ele não existia. Era uma loucura do cara. Ouvi dizer que a própria deusa Ixchel havia castigado o cara com esta maldição.

– O Castigo era uma miragem que ele tinha um amigo? Por quanto tempo?

– Não sei exato, mas uns sete meses sei lá.

– Cara – falou ela bebendo toda a cerveja – Maldita Ixchel.

– Vai tocar hoje? – perguntou Dieghus.

Ela olhou para o amigo, olhou para a taverna cheia e pegou o ukulele:

“Hikan viajou algum tempo,

Uma jornada tortuosa…

Ao lado do seu amigo do peito.

 

Amizade é tudo que se espera,

A pessoa certa para se confiar

Um irmão para se guardar…”

 

Um forasteiro entrou na taverna. Todos olharam para ele pois usava um cajado muito peculiar: era todo de metal e possuía uma energia rosa.

– Desculpe-me, não queria interromper a música – ele tirou o capuz mostrando seus chifres de carneiro nas temperas – Mas estão procurando minha irmã Morgana.

Prelúdio aventura: Origens

Um cledio muito grande caminhava pelo deserto.

O deserto de Miragem é conhecido como um dos cinco terrenos mais inóspitos de Digared. As areias finas, o solo infértil e os Sois de Brigith que castigam os viajantes, formam um labirinto de um imenso nada. O jovem paladino vagou por vinte três meses, sem saber como foi parar lá, mas com uma ideia fixa de quem o havia enviado aquele inferno.

Exausto ele parou em meio a uma duna e se ajoelhou. Gatinhou escalando uma duna e avistou uma fonte de água. Quase que incrédulo, o paladino rastejou até a beirada e com a mão em forma de concha apanhou um pouco d’Água: mas parou imediatamente. Aquela água não era límpida e clara, e sim Negra como à noite. Não se tratava de nojo, mas de fé.

– Sacie sua sede Hikan – disse uma voz que vinha das sombras de um coqueiro que crescia no meio do deserto – Beba e sacie sua sede.

– Não! – respondeu ele se afastando da água – Não quero nada que venha das trevas.

– Evitar-me só lhe trará mais sofrimento e dor. Aceite o inevitável ou sofra as consequências da minha maldição.

Hikan se ajoelhou ao chão e começou a orar: “Mesmo quando não houver luz para extinguir a escuridão, minha fé irá iluminar meu coração! Não pode haver Desespero quando o mal ameaça. Pois mesmo na mais densa noite encontrarei o farol da esperança.”

– Esta oração não vai salvá-lo paladino! – gritou a sombra provocando uma tempestade de areia que varreu o cledio para longe.

* * *

Hikan acordou dentro de uma charrete. Havia um homem de armadura e traços pesados o observando.

– Finalmente acordou – sorriu o homem com simpatia.

– Onde estou? – perguntou o cledio.

– Em uma carroça, saindo de Largan. Encontramos você desacordado, há uma semana. Que bom que está vivo. Foi difícil convencê-los a não deixá-lo para as hienas – o homem sorriu como se aquilo fosse uma piada – A propósito, me chamo Silvik.

 

* * *

Morgenstern entrou na sala do Conselho da ULMAF, obedecendo todos os protocolos. A maga Solipse tomou a palavra a frente do conselho:

– Morgenstern, fostes escolhida para esta missão pela proximidade que tens com o suspeito Stillgar filho de Walter. Mas este conselho precisa saber se a amizade entre vocês será um problema para seu julgamento nesta missão?

– Não senhora – respondeu Morgenstern pragmática.

– Parte deste conselho mostra receio com a vossa pessoa diante dos últimos ataques do seu irmão – interrompeu Deyned – Por isto saiba que estamos usando esta missão como um teste para você. Compreende.

– Sim.

Alguns magos conversaram na assembleia, enquanto Solipse entregava uma caixa de madeira de 30cm para a fada maga. Ela abriu e viu uma varinha enrolada em uma flanela aveluadada.

– Esta varinha possui 5 magias de teletrasporte. Use-a com sabedoria.

Morgenstern Agradou e saiu da assembleia.

 

* * *

Advenne Chamouth palestrava para seus alunos enquanto recebia os olhares curiosos. A maioria de seus alunos era um tanto, “fraca”, mas hoje ele tinha o reforço de seus antigos alunos da ULMAF: Stillgar e Morgenstern.

Na saída da palestra ele recebeu alguns alunos para perguntas e pediu para que os dois aguardassem em seu escritório. Chamouth cumprimentou os últimos alunos até chegar em uma linda moça de cabelos castanhos e olhos lilases.

– Boa noite Milade! Não és uma de minhas alunas – sorriu o mago professor.

– Não tive o prazer senhor Chamouth – sorriu ela.

– Helenaryana?

– Sim – sorriu ela.

– Reconheci pela beleza – falou ele galeanteador – e pelo olhar misterioso acredito que sejas do signo de Quimera…

– O senhor é muito gentil, é bastante intuitivo, acertou denovo: meu nome é Elissa Rederonth. Estou fazendo uma matéria para a Gazeta Central.

– que honra. No que posso ser útil? – perguntou Advenne.

– certo – falou ela puxando um dos livros da bolsa – Estou fazendo uma matéria sobre o seu livro As Pedras Extraplanares.

– Já foi traduzido para ilitio? – perguntou ele surpreso.

– Não, mas falo bem riorniano – sorriu ela – No capitulo 23 o senhor comenta sobre uma pedra… – ela folheia o livro cheio de marcações procurando o nome.

– Shuoa

– Isto.

– É apenas uma teoria. Ela é mais um mito do que uma história.

– Sim, mas isto era o que Deyned falou em seu livro sobre o Impronunciavel, e…

– Sim, sim, você está certa, mas qual a sua dúvida.

– Então, escrevestes que o poder construtivo da pedra Shuoa seria tão corruptivo que a sua própria existência seria um paradoxo atemporal nos mundos multiversos…

– Sim, ou quase. O poder magnífico da pedra Shuoa criaria um looping atemporal no multiverso. Fazendo ela criar diversas realidades em torno dela mesmo, recriando a mesma históriamas com ligeiras alterações.

– uau – sorriu ela enquanto anotava.

– Mas isto é tudo teoria.

– claro.

– Algo mais? – questionou ele.

– sim – falou ela – uma Curiosidade. Você cita no capítulo que a pedra estaria procurando o seu mestre.

– Sim…

– O seu livro poderia ser uma forma de manipulação da própria pedra para se aproximar do seu mestre?

O mago ficou perplexo frente a pergunta da jovem.

– Elissa… – falou ele sem graca. Estou meio ocupado. Se me der licença.

– claro desculpe-me – ela começou a se retirar, mas voltou – Só mais uma coisa. O senhor poderia autografar meu livro?