Prelúdio aventura: Origens

Um cledio muito grande caminhava pelo deserto.

O deserto de Miragem é conhecido como um dos cinco terrenos mais inóspitos de Digared. As areias finas, o solo infértil e os Sois de Brigith que castigam os viajantes, formam um labirinto de um imenso nada. O jovem paladino vagou por vinte três meses, sem saber como foi parar lá, mas com uma ideia fixa de quem o havia enviado aquele inferno.

Exausto ele parou em meio a uma duna e se ajoelhou. Gatinhou escalando uma duna e avistou uma fonte de água. Quase que incrédulo, o paladino rastejou até a beirada e com a mão em forma de concha apanhou um pouco d’Água: mas parou imediatamente. Aquela água não era límpida e clara, e sim Negra como à noite. Não se tratava de nojo, mas de fé.

– Sacie sua sede Hikan – disse uma voz que vinha das sombras de um coqueiro que crescia no meio do deserto – Beba e sacie sua sede.

– Não! – respondeu ele se afastando da água – Não quero nada que venha das trevas.

– Evitar-me só lhe trará mais sofrimento e dor. Aceite o inevitável ou sofra as consequências da minha maldição.

Hikan se ajoelhou ao chão e começou a orar: “Mesmo quando não houver luz para extinguir a escuridão, minha fé irá iluminar meu coração! Não pode haver Desespero quando o mal ameaça. Pois mesmo na mais densa noite encontrarei o farol da esperança.”

– Esta oração não vai salvá-lo paladino! – gritou a sombra provocando uma tempestade de areia que varreu o cledio para longe.

* * *

Hikan acordou dentro de uma charrete. Havia um homem de armadura e traços pesados o observando.

– Finalmente acordou – sorriu o homem com simpatia.

– Onde estou? – perguntou o cledio.

– Em uma carroça, saindo de Largan. Encontramos você desacordado, há uma semana. Que bom que está vivo. Foi difícil convencê-los a não deixá-lo para as hienas – o homem sorriu como se aquilo fosse uma piada – A propósito, me chamo Silvik.

 

* * *

Morgenstern entrou na sala do Conselho da ULMAF, obedecendo todos os protocolos. A maga Solipse tomou a palavra a frente do conselho:

– Morgenstern, fostes escolhida para esta missão pela proximidade que tens com o suspeito Stillgar filho de Walter. Mas este conselho precisa saber se a amizade entre vocês será um problema para seu julgamento nesta missão?

– Não senhora – respondeu Morgenstern pragmática.

– Parte deste conselho mostra receio com a vossa pessoa diante dos últimos ataques do seu irmão – interrompeu Deyned – Por isto saiba que estamos usando esta missão como um teste para você. Compreende.

– Sim.

Alguns magos conversaram na assembleia, enquanto Solipse entregava uma caixa de madeira de 30cm para a fada maga. Ela abriu e viu uma varinha enrolada em uma flanela aveluadada.

– Esta varinha possui 5 magias de teletrasporte. Use-a com sabedoria.

Morgenstern Agradou e saiu da assembleia.

 

* * *

Advenne Chamouth palestrava para seus alunos enquanto recebia os olhares curiosos. A maioria de seus alunos era um tanto, “fraca”, mas hoje ele tinha o reforço de seus antigos alunos da ULMAF: Stillgar e Morgenstern.

Na saída da palestra ele recebeu alguns alunos para perguntas e pediu para que os dois aguardassem em seu escritório. Chamouth cumprimentou os últimos alunos até chegar em uma linda moça de cabelos castanhos e olhos lilases.

– Boa noite Milade! Não és uma de minhas alunas – sorriu o mago professor.

– Não tive o prazer senhor Chamouth – sorriu ela.

– Helenaryana?

– Sim – sorriu ela.

– Reconheci pela beleza – falou ele galeanteador – e pelo olhar misterioso acredito que sejas do signo de Quimera…

– O senhor é muito gentil, é bastante intuitivo, acertou denovo: meu nome é Elissa Rederonth. Estou fazendo uma matéria para a Gazeta Central.

– que honra. No que posso ser útil? – perguntou Advenne.

– certo – falou ela puxando um dos livros da bolsa – Estou fazendo uma matéria sobre o seu livro As Pedras Extraplanares.

– Já foi traduzido para ilitio? – perguntou ele surpreso.

– Não, mas falo bem riorniano – sorriu ela – No capitulo 23 o senhor comenta sobre uma pedra… – ela folheia o livro cheio de marcações procurando o nome.

– Shuoa

– Isto.

– É apenas uma teoria. Ela é mais um mito do que uma história.

– Sim, mas isto era o que Deyned falou em seu livro sobre o Impronunciavel, e…

– Sim, sim, você está certa, mas qual a sua dúvida.

– Então, escrevestes que o poder construtivo da pedra Shuoa seria tão corruptivo que a sua própria existência seria um paradoxo atemporal nos mundos multiversos…

– Sim, ou quase. O poder magnífico da pedra Shuoa criaria um looping atemporal no multiverso. Fazendo ela criar diversas realidades em torno dela mesmo, recriando a mesma históriamas com ligeiras alterações.

– uau – sorriu ela enquanto anotava.

– Mas isto é tudo teoria.

– claro.

– Algo mais? – questionou ele.

– sim – falou ela – uma Curiosidade. Você cita no capítulo que a pedra estaria procurando o seu mestre.

– Sim…

– O seu livro poderia ser uma forma de manipulação da própria pedra para se aproximar do seu mestre?

O mago ficou perplexo frente a pergunta da jovem.

– Elissa… – falou ele sem graca. Estou meio ocupado. Se me der licença.

– claro desculpe-me – ela começou a se retirar, mas voltou – Só mais uma coisa. O senhor poderia autografar meu livro?

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