Prologo – As Belas e as Feras

Já era noite quando os sacerdotes fecharam o templo. Illeandro arrumava o alforge em seu cavalo enquanto era observado por Flameram que já havia desistido de persuadi-lo em ficar em Illiguerd.

– Estás indo para onde filho? – perguntou o clérigo.

– Ainda não sei. Talvez para o sul. Perdi muito tempo da minha vida naquela porcaria de forte – disse o cavaleiro amargurado – Vou procurar o meu lugar no mundo.

Ele subiu no cavalo e partiu para longe do reino. O paladino H chegou ao lado do sacerdote sem dizer uma palavra, mas mesmo assim obteve um comentário da santidade.

– Temo jovens rebeldes e frustrado com seus mestres – falou o sacerdote buscando sabedoria – Eles ficam muito suscetíveis a ideias sombrios.

– Eu fui um jovem assim – comentou H.

– E você mudou de lado – completou Flameram.

* * *

Sika saiu das profundezas do lago e bateu as asas jogando água por todo o vale. Os soldados mais exitantes acabaram por fugir de medo. Cegalia suspirou de tédio pela covardia deles. Ela fora enviada por Hikan para liderar aquele combate e ela mostraria que poderia muito bem estar no primeiro time.

– Garotas! – gritou ela para Magra e Rarossú – Se dividam para os flancos.

Cegalia correu na direção da dragoa que sorria para a amazona, era estupidez correr para baixo de um dragão.

Rarossú beijou uma mariposa e a soltou. Enquanto Magra bebeu um gole de poção, dobrou de tamanho e se jogou em uma árvore a derrubando no lago.

Siga preparou seu feitiço para lobotomizá-la, mas perdeu a concentração com um enxame de mariposas que voaram em seus olhos dracônicos. Cegalia ergueu a espada e de dentro da mata voaram diversas flechas, a maioria visando sua asa esquerda. Magra correu por cima do tronco e jogou seu machado no mesmo membro e Sika perdeu a força do voo e caiu no lago.

Cegalia se jogou sobre o monstro e girou o corpo acertando dois cortes fortes e potentes em seu peito. Rarossú puxou o arco e disparou uma flecha no pescoço grande de Sika. Magra emergiu da água para subir o machado na pata esquerda. Sika, usou a cauda para atingir Magra, prendendo-a como uma serpente e depois a constringindo. A bárbara bateu tentava cortar com o machado, mas a dor era insuportável. Cegalia correu para acudir a nohëan, mas Sika a mordeu forte no ombro. O ferimento fora forte demais, deixando-a sem forças para manter o escudo. A chamua continuava atirando com o arco, mas Sika pegou o tronco e jogou, Rarossú tentou esquivar, mas acabou quase sendo esmagada.

Sika jogou Magra longe, e a barbara não conseguiu se levantar, estava com a espinha quebrada. Rarossú estava com fratura exposta na tíbia esquerda e o ombro deslocado. Cegalia balançou a espada e a cravou no dorso de Sika que se remexeu e atacou duas vezes com as garras, atingindo o rosto e posteriormente as costas de Cegalia. A amazona se viu cercada de seu próprio sangue, pode ver a mandíbula da dragoa se abrindo para abocanhar sua cabeça, mas uma flecha voou por cima acertando o olho direito e fazendo Sika urrar de dor. A amazona usou toda sua reserva de força para erguer a espada e saltar para enfiar a arma no cranio da dragoa que imediatamente caiu, morta, no lago.

Cegalia caiu no lago enquanto houvia os gritos de felicidade dos chamuas. Elas haviam vencido.

* * *

Dameron se sentou atrás dos escombros da gigantesca coluna de pedra para se recuperar um pouco dos ferimentos. Havia centenas de corpos de anões por todo o campo de batalha. Ele viu seus sobrinhos, dois filhos e um irmão serem engolidos por Satur. O dragão era maior que uma montanha, media mais de setenta metros e parecia ser capaz de devorar qualquer coisa.

– Venha rei dos anões – gritou Satur ileso – Estou gostando muito da carne real dos anões.

Dameron sentiu ódio e se preparou para se erguer e lutar contra o monstro, mas sentiu um toque em seu ombro para que se mante-se ali. Era Ilita que estava escondida desde o inicio do combate. Ela se levantou e encarou Satur.

– Eu sabia que você era grande e poderoso – disse ela caminhando graciosamente na frente dele – Mas não vim preparada para algo tão Imenso – ela franzi-o os olhos verdes de maneira sensual.

O dragão ficou surpreso com a coragem da menina saudidia, mas ficou ainda mais encantado com tamanha beleza. Ilita era uma ladra conhecida por suas habilidades, mas principalmente por sua beleza divina.

– Ilita de Napoesh – disse Satur.

– Você sabe meu nome – disse ela fingindo surpresa e colocando a mão sobre o coração – É um imenso privilégio Mestre Satur.

– Está tentando me engambelar menina – gritou o dragão socando uma construção a destruindo – Achas que me bajular salvará sua vida?

– Não era minha intenção ofende-lo Mestre Satur – ela se ajoelhou e baixou a cabeça em sinal de submissão – Perdoe esta estupida mulher.

Satur olhou desconfiado. Era certo que ele era o poderoso dragão, ela sabia que não tinha chances contra ele. Era uma simples humana.

– Acho que vou devora-la então – disse ele sorrindo – Quero ver se seu sabor é tão bom quanto sua beleza.

– Acredito que seja maior – respondeu ela arrancando mais espanto de Satur – Ser devorada por um Deus como você seria uma honra para minha estupida existência – Ilita se abriu os braços e soltou as armas para que o dragão a devorasse – Só sinto que morra nesta terra imunda anã e que meu algoz seja apenas um lacaio de Digarom!

– Como ousas! – gritou ele erguendo a garra sobre ela.

– Perdoe-me Mestre Satur – disse ela – Como disse sou só uma estupida, me perdoe se acredito que tão imponente Deus que você é, poderia dominar todos os dragões e fazer até mesmo os deuses se curvarem diante de seu poder supremo.

Satur olhou para os céus, depois olhou para as terras destruídas de Hal-Has. Estengard era um reino muito maior, um reino feito para dragões, não uma terra de miniaturas. Digarom ficara com o que é melhor, e por que ele aceitava isto, sendo que possuía o dobro do tamanho do dragão vermelho.

– Você Ilita de Napoesh, achas mesmo que eu poderia tomar Estengard de Digarom?

Ilita sorriu se deliciando:

– Não apenas acho como sei que eu posso ajudá-lo!

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Prólogo: A Floresta Vive

A chuva estava muito forte e as telhas da pequena cabana não seguravam a água. Ela deu uma espiada e fez sinal para os outros.

– Tem oito deles – falou Isa colocando-os sobre o mapa.

– Isto foi loucura vamos ficar presos aqui – comentou Akille Luthenkall – Você tem reforços?

Isa olhou para o anel da Hidra. Apenas Aldresh mantinha o anel, mas ele não o usava havia meses.

Dremael Espada Dourada era o terceiro integrande do grupo. Ele sabia que eram muito poucos para vencer Digarom. Muitos heróis estavam enfrentando os dragões, mas ele haviam preferido passar direto para a ultima fase e ganhar a guerra sozinhos. Seu mestre Calacius sentiria vergonha de seu plano idiota.

Isa Carolyn era uma guardiã-arcana poderosa, Akille antigamente era conhecido como Ditrix, tinha habilidades ladinas e de combate. Enquanto ele era o guardião do oeste.

– Não tem outro jeito – disse o paladino – Vamos agir!

* * *

Vaillan havia convocado as tribos chamuas, os rangers, centauros e os bravos de Usgar para preparar um plano para derrotar Sika Refletora. A dragoa amarela era magistral. Era conhecida por combinar efeitos de ilusão e encantos e deixar seus inimigos completamente loucos.

– Já perdemos muitos homens nesta batalha – disse Vaillan. Nimue concordou apertando sua mão, mesmo ela estando há milhares de quilômetros de distância – Mas não podemos entregar nosso reino a esta demônia.

– A tribo das Corujas vai ajudar – disse Taimen – Já convoquei meus filhos Naturan e Rarossu.

– Perdi muitos homens desde o primeiro ataque – disse Lillian, a líder dos cavaleiros da madeira – Precisamos armar um contra-ataque definitivo.

– Eu sei exatamente o que podemos fazer. Mas vamos precisar de reforços – explicou Vaillan.

* * *

Isa conjurou lavas que lhe erguiam para o alto, e quando estava na altura certa, jogou-se para atingir Digarom na cabeça. Mas a espada da litarminiana mal arranhava o poderoso Dragão Vermelho.

Ditrix tentava liquidar as salamandras deixadas pela baforada de Digarom, mas cada uma delas lançava bolas de fogo que eram guiadas pelo calor. Dremael estava muito ferido devido ao bafo flamejante e sabia que não sobreviveria a uma nova investida do dragão. Contudo, Isa era poderosa e capaz de resistir ao fogo como se fosse água. Era um plano ruim enfrentar Digarom, mas Isa poderia ter sorte se viesse com as pessoas certas: – Deusa Brigith – pediu Dremael – Me ajude agora!

O paladino correu na direção de Digarom que usou suas garras para pega-lo, mas o paladino explodiu em luz e sua armadura se despedaçou indo no corpo de Isa Carolyn. A garota foi aprisionada pelas peças de aço e jogada para o céu.

– Dremael não! – gritou ela querendo continuar até o final em um combate perdido.

Ditrix percebeu que não podia vencer e fugiu para os túneis subterrâneos de Ergedon. Ele precisaria voltar lá um dia, então começou a memorizar um mapa mentalmente.

Digarom segurou com força o corpo de luz de Dramael:

– Paladino estupido! – gritou o dragão – Achas mesmo que este pequeno jogo de luz pode vencer-me! Eu sou o poder! Eu sou o supremo!

– Sei que não posso – disse o paladino sentindo as costelas se quebrando – Mas Eu vou ensinar a eles o que eu apreendi!

Digarom riu e esmagou o corpo do paladino nas mãos.

Enquanto isto Iskaehl que voltava parar Digared, Alejandra que organizava seus cavaleiros, Tristan que lutava no norte contra os ogros e Hikan que estava no forte: sentiram a luz de Dremael Espad Dourada Guardião do Oeste.

“Irmãos! Digarom é a prioridade de nossa cruzada. Nos prometemos vencer as trevas e cuidar para que o Sol sempre se erga no dia seguinte. Não haverá mundo enquanto Digarom estiver dominando Digared. Eu pensei que podia vencê-lo sozinho, mas eu nunca estive tão errado. Peço desculpas pela minha falha, mas parto feliz por que sei que os Paladinos de Brigith poderão Triunfar onde eu pereci.”

 

Prólogo: Caverna do Dragão

Naylline corria pela floresta o mais rápido que podia. O chão tremia cada vez mais intenso, isto significava que ele estava perto. Ela se jogou dentro da abertura de uma das árvores e jogou os cogumelos no chão.

Briton chegou com as asas sangrando. O velho dragão branco olhava para todos os lados irritado procurando a jovem A’Drake.

– Apareça vadia! – gritou ele enquanto puxava o ar para fareja-la no chão, mas apenas o pesado aroma dos cogumelos roxos de Helenary vieram em suas narinas. Ele começou a espirrar forte – Malditos cogumelos – bravejava ele enquanto espirrava.

Naylline saiu do esconderijo e assoviou para Pri que saltou e do alto da copa e enterrou a A’Drake lance no olho de Briton. As duas irmãs pararam lado a lado enquanto o dragão caia sem vida no chão. Elas se cumprimentaram com uma batida de mãos ruidosa.

– Dragão branco – disse Pri colocando uma escama de Briton em seu bracelete – Fica faltando apenas o vermelho.

– Acho que devemos agradecer o Chamouth – disse Naylline – Só ouvia falar em dragões, enfrentá-los é completamente diferente.

Pri pegou a lança e colocou nas costas. Naylline juntou sua coisas na mochila.

– E como são nossos primos?

– Conversei mais com Endon – disse Naylline – Ele parece legal, mas sei lá. Aldresh eu não tive muito contato.

– Não perguntei isto – disse Pri sorrindo maliciosamente – São pegáveis?

– Vadia – falou Naylline rindo da irmã – Acho que talvez você se acerte mais com o Aldresh então.

Pri deu um tapa na bunda de Naylline e saiu correndo gritando: – Uma corrida até o castelo! – Pri saltou o desfiladeiro e seu corpo sumiu, e em poucos segundos uma águia gigante voou para o céu com a garota montada. Naylline correu e saltou sobre a segunda águia. E as duas voaram para o castelo dos A’Drake.

* * *

– Precisamos entrar nos antigos túneis dos anões. Pelo subterrâneo de Hal-Has. No entanto meus antepassados deixara muitas trancas e armadilhas. E é aí que você entra – disse ele sorrindo com um dente de ouro.

Ele jogou o saco sobre a mesa e as moedas rolaram para fora de tão recheado que estava. Ilita olhou displicente.

– Dinheiro anão?

– Dinheiro anão? – gritou Dameron irritado – Este é o verdadeiro dinheiro minha jovem – falou ele apontando e chamando o irmão Djoks para ajudá-lo – Fala para ela.

– Sim. É verdade – concordou Djoks.

Ilita pegou uma moedas entortou e jogou dentro do saco.

– É muito ouro na composição. Maleável demais.

– Você não sabe que ouro é o que tem de mais valioso! – gritou Dameron, apontando para Djoks.

– Sim. É verdade – concordou Djoks.

– Não queira me ensinar rei Dameron – disse ela – Mas não trabalharei por moedas. O peso. Do ouro não condiz com o valor talhado. E suas moedas me darão muito trabalho no cambio.

A ladra levantou e saiu da mesa e se sentou no balcão. Dameron ficou irritado, mas a anã Six apertou o braço forte do marido e pediu para falar com ela. Ele deu de ombros e se sentou para beber com Djoks.

– Ilita não é – começou Six recebendo um olhar de desprezo da ladra – Sei que não é apenas o ouro que taxa os seus serviços.

– Do que você está falando mulher! – debochou a ladra saudidia.

– O roubo do conde em Lamormy. As crianças em Guelrom, os escravos de Monkoles –  comentou ela – Trabalhos muito mal pagos.

– Eu era uma estupida nestes tempos – disse Ilita.

– Bem minha querida. Os tempos são de problemas enormes. E os problemas estão devorando as pessoas de nosso reino. Precisamos destruir Satus e reconstruir nossa cidade. Por isto não despendemos de tantas riquezas – Six pegou um pingente e colocou no balcão – Espero que isto possa integrar o pagamento.

Ilita olhou o pingente, duzentas coroas no máximo. Estava muito gasto nas pontas.

– Era de sua mãe – perguntou Ilita, ela apenas concordou – Aceito as moedas. E quero um pouco daquele metal muito loco de vocês, mas não quero seu pingente.

– Obrigada – disse Six abraçando a ladra.

* * *

Taiquiles olhava triste para o quadro sobre a lareira. Envergonhava-se de estar sentado naquele castelo, com seus irmãos e filhas. Ele havia sucumbido e libertado os dragões que agora destruíam o continente.

– Não sejas tão duro consigo mesmo meu pai – pediu Naylline – Há muitos mistérios sobre os poderes das pedras.

Naylline fez sinal para Pri, mas ela fez uma careta. Ela percebia, agora, que a irmã não foi capaz de perdua-lo.

Marzus mantinha-se quieto enquanto Cyrsen vasculhava as imagens em seu espelho.  Ela viu a morte de Uramant. Wesnayke de Claymor havia vencido dois dragões já e os A’Drake estavam encerrados no castelo lamentando.

– Chega – disse ela se levantando e esticando a mão para materializar uma A’Drake Lance – Venham meninas vamos caçar!

Naylline e Pri se ajeitaram para a aventura. Taiquiles olhou entristecido para a irmã.

– Fique aí lamentando e se envergonhando do que fez – disse ela – Eu não me importo e não tenho tempo para isto. Mas lembre-se que você carrega um sobrenome!

As três se teleportaram.

Marzus olhou para Taiquiles como quem pede auxilio e direção. O primogênito o ignorou. Então, Marzus pegou suas lanças, colocou na gigantesca aljava das costas e saiu do castelo.

Taiquiles continuou olhando para o quadro. Sempre imaginou que matar dragões o tornaria um guerreiro forte e destemido, mas agora sabia que a verdadeira força estava naqueles que conseguiam renascer das suas maiores derrotas. Ele fechou os olhos colocou a cabeça bem próxima da lareira e deixou de viver.

Prólogo: Invente algo Illiguerd

Ela olhava impaciente para o chão. Colocava as mãos ao lado das pernas e apertava a cadeira com força. Sacudia as pernas em sinal de impaciência. Se arrependeu de ter mandado Dalmerith ficar aguardando na taverna: – Que idiota você é Carla, ele é um príncipe e seu avô um Rei. Eles se dariam bem, teriam o que conversar. E agora aqui está você, uma Ninguém.

– Carla – disse uma voz saindo de uma porta que se abrira sem que ela percebesse – Você é Carla – disse Advenne sorrindo emocionado.

Ela se levantou, arrumou o cabelo para trás e balançou a cabeça concordando. Ela então correu e o abraçou com força. Advenne sorriu e se emocionou.

* * *

O grande chocolate branco, como é conhecido carinhosamente o castelo Real de Illiguerd, ganhou recentemente uma cobertura esverdeada: Saverkallet, o dragão verde. Temido pelos próprios dragões, por possuir um sangue tão venenoso que poderia matar qualquer coisa, até mesmo um deus.

O gigantesco lagarto atacou o reino sobrevoando-o com sua presença aterrordora. Jogou seu veneno nas águas e ameaçou espalhar um gás que mataria todas as crianças do reino. Não houve resistência ao sitio e a cidade se rendeu ao monstro.

* * *

Irmão Flameram Ometrath recebeu os Iluminados no grande templo da Luz. Ele fechou as portas e os guiou pelas antigas catacumbas. As armaduras brilhantes dos Iluminados deixavam a escuridão incomodas, Flameram não precisava usar tochas. Ele admirava aqueles soldados marchando ordeiramente, e ele se perguntava quem era H.

O clérigo abriu a porta que levava a câmara de Brigith revelando uma mesa oval enorme de pedra. Os iluminados pararam em frente as mesas e retiraram seus elmos, eram 17 ao todo. Um deles mantinha o elmo: H.

– Devo dirigir-me a você como o líder, imagino? – perguntou Flameram.

Todos os cavaleiros olharam ao mesmo tempo para ele e depois dirigiram seus olhares parar o cavaleiro de elmo.

– Os tempos são difíceis mestre Ometrath – começou a falar H, com sua voz ecoante que saía de dentro do elmo – No Preterido escolhido foi corrompido pela pedra e a deusa nos deixou na mão. Rumores de que a jovem Carla possa ser a sucessora natural, mas ela falhou no teste de sangue.

– Foi coletado sangue da menina tão rápido?

Questionou o clérigo surpreso e um dos cavaleiros ergueu a mão para falar. Era jovem de cabelos longos.

– Eu coletei mestre Ometrath – disse Illeandru – Eu treinei junto com ela no forte Nahi. Ela passa no teste da Luz, mas apresenta efeitos da escuridão também.

– Ela empunhou a espada Gloriosa! – disse o clérigo em defesa.

– Acreditamos que ela é capaz de empunhar tanto a espada Gloriosa como a Tenebrosa – respondeu H.

– Ninguém pode fazer isto! – falou o clérigo.

Houve um silêncio.

– E qual será  o próximo passo – H pediu direcionamento.

– Vencer Saverkallet. Foi o que a deusa nos prometeu.

– A deusa nos prometeu um Preterido – reclamou H – Só não disse que este seria consumido pela pedra.

– Talvez a interpretação de profecia tenha sido equivocada – disse Illeandru recebendo os olhares fervorosos do clérigo e de H – Digo. Interpretamos que aquele que viria do reino ordeiro e carregasse o sobrenome esquecido reviveria o guardião banido pelas Trevas. Os Chamouths nunca foram esquecidos, e o guardião banido que Akille trouxe acabou sendo ele próprio.

– Draema é e sempre foi o reino de Brigith – disse o Clérigo.

– Sim, mas os ensinamentos dizem que onde houver luz a palavra poderá ser ouvida. Sempre ignoramos Laphomy e Khalenita por seu politeísmo, mas…

– Sei onde queres chegar – disse H – Já falamos sobre isto, mas Hikan nunca conseguiu a destruição divina, ele não é capaz de ser o Preterido.

– Isto não é interamente verdade – disse Flameram – Informantes contam que a morte de Uramant foi atribuída por Hikan e outros heróis e que a Destruição Divina fora decisiva neste combate.

* * *

Advenne observava a menina no museu real com admiração. Adina sempre desprezava aquelas antiguidades: coisa de velho, dizia ela. Akille não tinha paciência  tambem. Apenas Traumat gostava de ver os artefatos antigos dos seus antepassados.

– Teve outra Carla na sua família? – perguntou ela admirada olhando o bracelete de bronze com a plaqueta dourada abaixo: Braceletes de Carla Lidra Chamouth, 1347-1390 e.d.b.

– Sim, seu pai adorava as histórias dela – respondeu Advenne sorrindo – E é nossa família.

Ela sorriu para o avô.

– Eu tenho algo que gostaria de deixar aqui com o senhor – disse a garota retirando a pedra Shuoa do bolso – Acho que ela estará mais segura aqui contigo vovô Advenne.

Advenne olhou para a pedra nas mãos da neta e a segurou pela primeira vez em seus dedos. Seus olhos se tornaram púrpura e seu sorriso não conseguiu se conter dentro dos lábios. E em seu ouvido apenas um sussurro ecoava:

– Shuoa…

 

Prologo – Reagrupando

Carla colocou a mão na barriga para segurar o corte que havia recebido, sua tia Adina estava com a espada ainda pingando com seu sangue. Ela espiou para ver o corpo sem vida de Dalmerith, eles não tiveram nem chance de enfrenta-los. As magias de Advenne e o poder destrutivo da melhor espadachim do mundo foram fatais.

– Por favor – pediu Carla – Eu posso explicar…

– Explicar! – gritou ela – Você matou meu irmão!

Adina correu para atacar mais uma vez Carla, mas Advenne a interrompeu.

– Calma querida – disse ele usando sua magia para levitar Carla – Ela não merece morrer pela espada: Desintegre maldita!

O corpo de Carla começou a despedaçar, seus gritos ecoaram: primeiramente sua pele se desprendeu da carne, depois a carne se esfarelou e por fim seus ossos viraram pó.

– CARLA! – gritou Dalmerith acordando a garota que estava suando na cama – Acorde querida!

Carla abriu os olhos bicolores horrorizada, mas aliviada por ter sido um pesadelo. Ela levantou e sentou-se na cama cobrindo o corpo com um lençol. O garoto pegou o jarro e encheu-o de água.

– Eu vi eles – disse ela bebendo a água – Era muito real. Vi meu avô e minha tia. Eles me despedaçaram.

– Calma – pediu Dalmerith – Foi apenas um pesadelo.

– Eu matei meu pai! – gritou ela – Existe lugar no inferno para quem faz isto?

– Não seja tão dura meu amor. Não culpe a você ou a ele, culpe a pedra!

Carla arregalou os olhos. Saltou da cama de uma só vez e correu até a mochila. Tirou uma flanela enrolada em torno da pedra Shuoa. Ela suspirou aliviada, depois se deu conta e encarou o namorado.

Dalmerith olhou para baixo e suspirou entristecido.

– Você achou que eu a tivesse pego?

Carla sacudiu a cabeça, mas não conseguia mentir. Ele vestiu as calças, pegou uma camisa e saiu do quarto.

– Dal! – ela o chamou mas ele não deu atenção, apenas bateu a porta.

Ela enfiou a pedra na mochila e começou a chorar. Ela sentia que vestia um fardo muito grande para uma adolescente. Como ela seria recebida pelos Chamouths?

* * *

Hikan viu com pesar a queda de seu forte. Felizmente as baixas foram minimizadas por seus recrutas e as maiores perdas eram materiais. Felizmente seus filhos haviam sido protegidos por Jirga no abrigo impenetrável.

Cegalia recebeu-os com relatórios preparados, mas Hikan só queria saber do que havia acontecido com Silvik. Ele havia  sido levado, mas o paladino sentia que o amigo ainda estava vivo. Não houve pausa para descanso: ele recrutou uma reunião com Endon, Aldresh, Cegalia e Stillgar para organizar um resgate.

– Espere – disse Aldresh – Precisamos resgatar Miner antes.

– Acho melhor nos focarmos em um problema de cada vez – disse Hikan.

– Por que Silvik é mais importante do que ela – reclamou Aldresh.

– Não é isto irmão – explicou Endon – É que Miner foi levada para Digarom precisamos enfraquece-lo primeiro.

– Eu não vou ficar aqui recebendo ordens de vocês – disse o ladino – Vou atrás dela eu mesmo!

Aldresh saiu da reunião, e Endon pediu paciência para Hikan. Cegalia arregalou os olhos em sinal de tédio e pediu para que Hikan prosseguisse a reunião.

– O que temos até então? – disse ela e Hikan pediu para Elissa mostrar o mapa.

– Temos alguns contatos informando de domínio de quinze reinos. Temos aliados atacando em diversos deles, mas em três em especial precisamos de intervenção – ela olhou para Hikan – Infelizmente não temos certeza que Silvik esteja em algum desses reinos.

– Quais são nossas opções então – perguntou Stillgar.

– Illiguerd, Hal-Has e Usgar – disse Elissa.

Resumo Sessão XII

Trindade havia sido dominada pelo gelo de Uramant. Stillgar, Endon e Hikan avançavam dia a dia enfrentando hordas de Congelados: vitimas do frio de Uramant que eram reanimadas pelo gelo maligno do dragão. Diferente dos zumbis tradicionais, Endon havia descoberto que eles eram muito coordenados e espertos.

Stillgar se separou do grupo para investigar uma pista, sem dar muitas informações aos outros. Até mesmo Rarossú ele deixara com os companheiros. O grupo conseguiu se refugiar em uma casa com um enorme porão, onde puderam alocar os sobreviventes. Elissa e Harshepu se uniram a eles para explorar o centro da cidade. Após diversos combates com os inconvenientes congelados – com direito a diversas explosões de fogo da capa flamejante de Endon, que baniram dezenas de mortos-vivos para o inferno. E um combate solo de Hikan contra uma aranha inter-planar de gelo -, e Endon reencontrar seu meio-irmão Aldresh, eles recuperaram o centro da cidade.

* * *

Um lendário dragão como Uramat era capaz de feitos incríveis, como fechar as fronteiras de uma cidade com muralhas de gelo, congelar o ar, entre outros feitos. Para Myllis um vampiro demônio do fogo era um algoz interessante. Por mais poder que tivesse, era pouco eficaz imaginar que venceria o dragão branco sozinho. Mesmo assim, ele não morreria de frio, acovardado em Trindade. O guerreiro vampiro entrou na torre para chegar no dragão, mas foi surpreendido por um recém chegado: Endon II.

Os dois se alfinetaram como era de costume, Endon sempre muito crianção com piadas infantis e Myllis com seu ar arrogante. Aldresh chegou possuído por um ódio vingativo, mas Hikan conseguiu amaciar os ânimos.

Todos sabiam que era preciso reunir forças para vencer um inimigo tão poderoso, mas ninguém queria assumir isto, e ficaram aliviados por Hikan ministrar a aliança temporária.

* * *

Uramat declarava todo seu ódio aos heróis quando Aldresh saltou das sobras e agrediu o imenso réptil na jugular. Endon e Myllis atacaram o peito, procurando o coração, mas havia uma carcaça gelada que impossibilitava maiores danos. Hikan utilizou-se do lendário escudo dos Ents para crescer, o grande clédio passou a ser gigante, e com um melhor ângulo ele pode acertar Uramat na cabeça: O paladino brandiu a espada Furiosa para o alto um raio da luz do amanhecer invadiu as frestas da torre; e com a força do paladino aliada a sua fé em Brigith, ele acertou com força o dragão na cabeça e o empurrou para fora da torre. Os dois caíram, mas o paladino aproveitou para se chocar com armadura, escudo e peso no corpo do inimigo, quebrando completamente sua carapuça de gelo no peito.

Uramat balançou um pouco, não acreditava na dor em que sentia. Ele usou todo seu poder para baforar uma onda de gelo que arrebentou os heróis. Myllis foi quem mais sentiu o frio, Hikan teve duvidas de sua coragem, mas Endon conseguiu se recuperar e arrebentar seu sabre em diversos golpes rápidos que finalizaram o monstro.

Ver o poderoso Uramat sem vida foi quase que surreal. Mas os quatro respiraram se recuperando dos gravíssimos ferimentos de batalha. Endon espiou Myllis para, mas Hikan o interrompeu: – Hoje não! – disse o paladino. Aldresh olhava inquieto para o vampiro que suspirava de alívio por ter sobrevivido ao gélido halito.

Os heróis vasculharam os espólios para observar o que teria de útil: Hikan sugeriu um sorteio para que não houvesse mais disputas pelos tesouros, e todos concordaram.

* * *

Stillgar passou dias vasculhando a biblioteca de Aysmin. Infelizmente Uramat havia destruído tudo assim que dominou a cidade. Uma seta passou zunindo ao lado da sua orelha e o mago se virou apontando o cajado na direção daquele que o atacava: Eram três sujeitos de mantos escuros e capuz.

– Acalme-se – pediu um dos sujeitos.

– Difícil dizer isto para alguém que recém foi atacado.

– Se quiséssemos matá-lo já estarias cruzando o vale de Taissen – disse a outra.

Stillgar encarou-os com sobriedade, poderia lançar uma magia rapidamente, mas eles pareciam muito ágeis, então resolveu aguardar.

– Stillgar não é? – disse aquele que parecia ser o líder, enquanto tirava o capuz – As pessoas me conhecem por Ele.

– Ele? Você é irmão de Vorik! – comentou Stillgar.

– Sim – disse ele – Precisamos de um favor. Já ouviu falar dos Túneis de Myskara?

– É uma lenda antiga – disse Stillgar – Dizem que Myskara havia construído túneis para subterrâneos carregados de portais dimensionais que levavam para diversos pontos desde e de outros mundos.

– Correto – disse Ele – Exceto que não é uma lenda.

– Por que isto não me surpreende? – debochou o mago – E onde eu entro nisso?

– Precisamos de um mago para abrir os túneis – respondeu a outra estranha.