Prólogo: A Floresta Vive

A chuva estava muito forte e as telhas da pequena cabana não seguravam a água. Ela deu uma espiada e fez sinal para os outros.

– Tem oito deles – falou Isa colocando-os sobre o mapa.

– Isto foi loucura vamos ficar presos aqui – comentou Akille Luthenkall – Você tem reforços?

Isa olhou para o anel da Hidra. Apenas Aldresh mantinha o anel, mas ele não o usava havia meses.

Dremael Espada Dourada era o terceiro integrande do grupo. Ele sabia que eram muito poucos para vencer Digarom. Muitos heróis estavam enfrentando os dragões, mas ele haviam preferido passar direto para a ultima fase e ganhar a guerra sozinhos. Seu mestre Calacius sentiria vergonha de seu plano idiota.

Isa Carolyn era uma guardiã-arcana poderosa, Akille antigamente era conhecido como Ditrix, tinha habilidades ladinas e de combate. Enquanto ele era o guardião do oeste.

– Não tem outro jeito – disse o paladino – Vamos agir!

* * *

Vaillan havia convocado as tribos chamuas, os rangers, centauros e os bravos de Usgar para preparar um plano para derrotar Sika Refletora. A dragoa amarela era magistral. Era conhecida por combinar efeitos de ilusão e encantos e deixar seus inimigos completamente loucos.

– Já perdemos muitos homens nesta batalha – disse Vaillan. Nimue concordou apertando sua mão, mesmo ela estando há milhares de quilômetros de distância – Mas não podemos entregar nosso reino a esta demônia.

– A tribo das Corujas vai ajudar – disse Taimen – Já convoquei meus filhos Naturan e Rarossu.

– Perdi muitos homens desde o primeiro ataque – disse Lillian, a líder dos cavaleiros da madeira – Precisamos armar um contra-ataque definitivo.

– Eu sei exatamente o que podemos fazer. Mas vamos precisar de reforços – explicou Vaillan.

* * *

Isa conjurou lavas que lhe erguiam para o alto, e quando estava na altura certa, jogou-se para atingir Digarom na cabeça. Mas a espada da litarminiana mal arranhava o poderoso Dragão Vermelho.

Ditrix tentava liquidar as salamandras deixadas pela baforada de Digarom, mas cada uma delas lançava bolas de fogo que eram guiadas pelo calor. Dremael estava muito ferido devido ao bafo flamejante e sabia que não sobreviveria a uma nova investida do dragão. Contudo, Isa era poderosa e capaz de resistir ao fogo como se fosse água. Era um plano ruim enfrentar Digarom, mas Isa poderia ter sorte se viesse com as pessoas certas: – Deusa Brigith – pediu Dremael – Me ajude agora!

O paladino correu na direção de Digarom que usou suas garras para pega-lo, mas o paladino explodiu em luz e sua armadura se despedaçou indo no corpo de Isa Carolyn. A garota foi aprisionada pelas peças de aço e jogada para o céu.

– Dremael não! – gritou ela querendo continuar até o final em um combate perdido.

Ditrix percebeu que não podia vencer e fugiu para os túneis subterrâneos de Ergedon. Ele precisaria voltar lá um dia, então começou a memorizar um mapa mentalmente.

Digarom segurou com força o corpo de luz de Dramael:

– Paladino estupido! – gritou o dragão – Achas mesmo que este pequeno jogo de luz pode vencer-me! Eu sou o poder! Eu sou o supremo!

– Sei que não posso – disse o paladino sentindo as costelas se quebrando – Mas Eu vou ensinar a eles o que eu apreendi!

Digarom riu e esmagou o corpo do paladino nas mãos.

Enquanto isto Iskaehl que voltava parar Digared, Alejandra que organizava seus cavaleiros, Tristan que lutava no norte contra os ogros e Hikan que estava no forte: sentiram a luz de Dremael Espad Dourada Guardião do Oeste.

“Irmãos! Digarom é a prioridade de nossa cruzada. Nos prometemos vencer as trevas e cuidar para que o Sol sempre se erga no dia seguinte. Não haverá mundo enquanto Digarom estiver dominando Digared. Eu pensei que podia vencê-lo sozinho, mas eu nunca estive tão errado. Peço desculpas pela minha falha, mas parto feliz por que sei que os Paladinos de Brigith poderão Triunfar onde eu pereci.”

 

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Prólogo: Caverna do Dragão

Naylline corria pela floresta o mais rápido que podia. O chão tremia cada vez mais intenso, isto significava que ele estava perto. Ela se jogou dentro da abertura de uma das árvores e jogou os cogumelos no chão.

Briton chegou com as asas sangrando. O velho dragão branco olhava para todos os lados irritado procurando a jovem A’Drake.

– Apareça vadia! – gritou ele enquanto puxava o ar para fareja-la no chão, mas apenas o pesado aroma dos cogumelos roxos de Helenary vieram em suas narinas. Ele começou a espirrar forte – Malditos cogumelos – bravejava ele enquanto espirrava.

Naylline saiu do esconderijo e assoviou para Pri que saltou e do alto da copa e enterrou a A’Drake lance no olho de Briton. As duas irmãs pararam lado a lado enquanto o dragão caia sem vida no chão. Elas se cumprimentaram com uma batida de mãos ruidosa.

– Dragão branco – disse Pri colocando uma escama de Briton em seu bracelete – Fica faltando apenas o vermelho.

– Acho que devemos agradecer o Chamouth – disse Naylline – Só ouvia falar em dragões, enfrentá-los é completamente diferente.

Pri pegou a lança e colocou nas costas. Naylline juntou sua coisas na mochila.

– E como são nossos primos?

– Conversei mais com Endon – disse Naylline – Ele parece legal, mas sei lá. Aldresh eu não tive muito contato.

– Não perguntei isto – disse Pri sorrindo maliciosamente – São pegáveis?

– Vadia – falou Naylline rindo da irmã – Acho que talvez você se acerte mais com o Aldresh então.

Pri deu um tapa na bunda de Naylline e saiu correndo gritando: – Uma corrida até o castelo! – Pri saltou o desfiladeiro e seu corpo sumiu, e em poucos segundos uma águia gigante voou para o céu com a garota montada. Naylline correu e saltou sobre a segunda águia. E as duas voaram para o castelo dos A’Drake.

* * *

– Precisamos entrar nos antigos túneis dos anões. Pelo subterrâneo de Hal-Has. No entanto meus antepassados deixara muitas trancas e armadilhas. E é aí que você entra – disse ele sorrindo com um dente de ouro.

Ele jogou o saco sobre a mesa e as moedas rolaram para fora de tão recheado que estava. Ilita olhou displicente.

– Dinheiro anão?

– Dinheiro anão? – gritou Dameron irritado – Este é o verdadeiro dinheiro minha jovem – falou ele apontando e chamando o irmão Djoks para ajudá-lo – Fala para ela.

– Sim. É verdade – concordou Djoks.

Ilita pegou uma moedas entortou e jogou dentro do saco.

– É muito ouro na composição. Maleável demais.

– Você não sabe que ouro é o que tem de mais valioso! – gritou Dameron, apontando para Djoks.

– Sim. É verdade – concordou Djoks.

– Não queira me ensinar rei Dameron – disse ela – Mas não trabalharei por moedas. O peso. Do ouro não condiz com o valor talhado. E suas moedas me darão muito trabalho no cambio.

A ladra levantou e saiu da mesa e se sentou no balcão. Dameron ficou irritado, mas a anã Six apertou o braço forte do marido e pediu para falar com ela. Ele deu de ombros e se sentou para beber com Djoks.

– Ilita não é – começou Six recebendo um olhar de desprezo da ladra – Sei que não é apenas o ouro que taxa os seus serviços.

– Do que você está falando mulher! – debochou a ladra saudidia.

– O roubo do conde em Lamormy. As crianças em Guelrom, os escravos de Monkoles –  comentou ela – Trabalhos muito mal pagos.

– Eu era uma estupida nestes tempos – disse Ilita.

– Bem minha querida. Os tempos são de problemas enormes. E os problemas estão devorando as pessoas de nosso reino. Precisamos destruir Satus e reconstruir nossa cidade. Por isto não despendemos de tantas riquezas – Six pegou um pingente e colocou no balcão – Espero que isto possa integrar o pagamento.

Ilita olhou o pingente, duzentas coroas no máximo. Estava muito gasto nas pontas.

– Era de sua mãe – perguntou Ilita, ela apenas concordou – Aceito as moedas. E quero um pouco daquele metal muito loco de vocês, mas não quero seu pingente.

– Obrigada – disse Six abraçando a ladra.

* * *

Taiquiles olhava triste para o quadro sobre a lareira. Envergonhava-se de estar sentado naquele castelo, com seus irmãos e filhas. Ele havia sucumbido e libertado os dragões que agora destruíam o continente.

– Não sejas tão duro consigo mesmo meu pai – pediu Naylline – Há muitos mistérios sobre os poderes das pedras.

Naylline fez sinal para Pri, mas ela fez uma careta. Ela percebia, agora, que a irmã não foi capaz de perdua-lo.

Marzus mantinha-se quieto enquanto Cyrsen vasculhava as imagens em seu espelho.  Ela viu a morte de Uramant. Wesnayke de Claymor havia vencido dois dragões já e os A’Drake estavam encerrados no castelo lamentando.

– Chega – disse ela se levantando e esticando a mão para materializar uma A’Drake Lance – Venham meninas vamos caçar!

Naylline e Pri se ajeitaram para a aventura. Taiquiles olhou entristecido para a irmã.

– Fique aí lamentando e se envergonhando do que fez – disse ela – Eu não me importo e não tenho tempo para isto. Mas lembre-se que você carrega um sobrenome!

As três se teleportaram.

Marzus olhou para Taiquiles como quem pede auxilio e direção. O primogênito o ignorou. Então, Marzus pegou suas lanças, colocou na gigantesca aljava das costas e saiu do castelo.

Taiquiles continuou olhando para o quadro. Sempre imaginou que matar dragões o tornaria um guerreiro forte e destemido, mas agora sabia que a verdadeira força estava naqueles que conseguiam renascer das suas maiores derrotas. Ele fechou os olhos colocou a cabeça bem próxima da lareira e deixou de viver.

Prólogo: Invente algo Illiguerd

Ela olhava impaciente para o chão. Colocava as mãos ao lado das pernas e apertava a cadeira com força. Sacudia as pernas em sinal de impaciência. Se arrependeu de ter mandado Dalmerith ficar aguardando na taverna: – Que idiota você é Carla, ele é um príncipe e seu avô um Rei. Eles se dariam bem, teriam o que conversar. E agora aqui está você, uma Ninguém.

– Carla – disse uma voz saindo de uma porta que se abrira sem que ela percebesse – Você é Carla – disse Advenne sorrindo emocionado.

Ela se levantou, arrumou o cabelo para trás e balançou a cabeça concordando. Ela então correu e o abraçou com força. Advenne sorriu e se emocionou.

* * *

O grande chocolate branco, como é conhecido carinhosamente o castelo Real de Illiguerd, ganhou recentemente uma cobertura esverdeada: Saverkallet, o dragão verde. Temido pelos próprios dragões, por possuir um sangue tão venenoso que poderia matar qualquer coisa, até mesmo um deus.

O gigantesco lagarto atacou o reino sobrevoando-o com sua presença aterrordora. Jogou seu veneno nas águas e ameaçou espalhar um gás que mataria todas as crianças do reino. Não houve resistência ao sitio e a cidade se rendeu ao monstro.

* * *

Irmão Flameram Ometrath recebeu os Iluminados no grande templo da Luz. Ele fechou as portas e os guiou pelas antigas catacumbas. As armaduras brilhantes dos Iluminados deixavam a escuridão incomodas, Flameram não precisava usar tochas. Ele admirava aqueles soldados marchando ordeiramente, e ele se perguntava quem era H.

O clérigo abriu a porta que levava a câmara de Brigith revelando uma mesa oval enorme de pedra. Os iluminados pararam em frente as mesas e retiraram seus elmos, eram 17 ao todo. Um deles mantinha o elmo: H.

– Devo dirigir-me a você como o líder, imagino? – perguntou Flameram.

Todos os cavaleiros olharam ao mesmo tempo para ele e depois dirigiram seus olhares parar o cavaleiro de elmo.

– Os tempos são difíceis mestre Ometrath – começou a falar H, com sua voz ecoante que saía de dentro do elmo – No Preterido escolhido foi corrompido pela pedra e a deusa nos deixou na mão. Rumores de que a jovem Carla possa ser a sucessora natural, mas ela falhou no teste de sangue.

– Foi coletado sangue da menina tão rápido?

Questionou o clérigo surpreso e um dos cavaleiros ergueu a mão para falar. Era jovem de cabelos longos.

– Eu coletei mestre Ometrath – disse Illeandru – Eu treinei junto com ela no forte Nahi. Ela passa no teste da Luz, mas apresenta efeitos da escuridão também.

– Ela empunhou a espada Gloriosa! – disse o clérigo em defesa.

– Acreditamos que ela é capaz de empunhar tanto a espada Gloriosa como a Tenebrosa – respondeu H.

– Ninguém pode fazer isto! – falou o clérigo.

Houve um silêncio.

– E qual será  o próximo passo – H pediu direcionamento.

– Vencer Saverkallet. Foi o que a deusa nos prometeu.

– A deusa nos prometeu um Preterido – reclamou H – Só não disse que este seria consumido pela pedra.

– Talvez a interpretação de profecia tenha sido equivocada – disse Illeandru recebendo os olhares fervorosos do clérigo e de H – Digo. Interpretamos que aquele que viria do reino ordeiro e carregasse o sobrenome esquecido reviveria o guardião banido pelas Trevas. Os Chamouths nunca foram esquecidos, e o guardião banido que Akille trouxe acabou sendo ele próprio.

– Draema é e sempre foi o reino de Brigith – disse o Clérigo.

– Sim, mas os ensinamentos dizem que onde houver luz a palavra poderá ser ouvida. Sempre ignoramos Laphomy e Khalenita por seu politeísmo, mas…

– Sei onde queres chegar – disse H – Já falamos sobre isto, mas Hikan nunca conseguiu a destruição divina, ele não é capaz de ser o Preterido.

– Isto não é interamente verdade – disse Flameram – Informantes contam que a morte de Uramant foi atribuída por Hikan e outros heróis e que a Destruição Divina fora decisiva neste combate.

* * *

Advenne observava a menina no museu real com admiração. Adina sempre desprezava aquelas antiguidades: coisa de velho, dizia ela. Akille não tinha paciência  tambem. Apenas Traumat gostava de ver os artefatos antigos dos seus antepassados.

– Teve outra Carla na sua família? – perguntou ela admirada olhando o bracelete de bronze com a plaqueta dourada abaixo: Braceletes de Carla Lidra Chamouth, 1347-1390 e.d.b.

– Sim, seu pai adorava as histórias dela – respondeu Advenne sorrindo – E é nossa família.

Ela sorriu para o avô.

– Eu tenho algo que gostaria de deixar aqui com o senhor – disse a garota retirando a pedra Shuoa do bolso – Acho que ela estará mais segura aqui contigo vovô Advenne.

Advenne olhou para a pedra nas mãos da neta e a segurou pela primeira vez em seus dedos. Seus olhos se tornaram púrpura e seu sorriso não conseguiu se conter dentro dos lábios. E em seu ouvido apenas um sussurro ecoava:

– Shuoa…