Prólogo: Caverna do Dragão

Naylline corria pela floresta o mais rápido que podia. O chão tremia cada vez mais intenso, isto significava que ele estava perto. Ela se jogou dentro da abertura de uma das árvores e jogou os cogumelos no chão.

Briton chegou com as asas sangrando. O velho dragão branco olhava para todos os lados irritado procurando a jovem A’Drake.

– Apareça vadia! – gritou ele enquanto puxava o ar para fareja-la no chão, mas apenas o pesado aroma dos cogumelos roxos de Helenary vieram em suas narinas. Ele começou a espirrar forte – Malditos cogumelos – bravejava ele enquanto espirrava.

Naylline saiu do esconderijo e assoviou para Pri que saltou e do alto da copa e enterrou a A’Drake lance no olho de Briton. As duas irmãs pararam lado a lado enquanto o dragão caia sem vida no chão. Elas se cumprimentaram com uma batida de mãos ruidosa.

– Dragão branco – disse Pri colocando uma escama de Briton em seu bracelete – Fica faltando apenas o vermelho.

– Acho que devemos agradecer o Chamouth – disse Naylline – Só ouvia falar em dragões, enfrentá-los é completamente diferente.

Pri pegou a lança e colocou nas costas. Naylline juntou sua coisas na mochila.

– E como são nossos primos?

– Conversei mais com Endon – disse Naylline – Ele parece legal, mas sei lá. Aldresh eu não tive muito contato.

– Não perguntei isto – disse Pri sorrindo maliciosamente – São pegáveis?

– Vadia – falou Naylline rindo da irmã – Acho que talvez você se acerte mais com o Aldresh então.

Pri deu um tapa na bunda de Naylline e saiu correndo gritando: – Uma corrida até o castelo! – Pri saltou o desfiladeiro e seu corpo sumiu, e em poucos segundos uma águia gigante voou para o céu com a garota montada. Naylline correu e saltou sobre a segunda águia. E as duas voaram para o castelo dos A’Drake.

* * *

– Precisamos entrar nos antigos túneis dos anões. Pelo subterrâneo de Hal-Has. No entanto meus antepassados deixara muitas trancas e armadilhas. E é aí que você entra – disse ele sorrindo com um dente de ouro.

Ele jogou o saco sobre a mesa e as moedas rolaram para fora de tão recheado que estava. Ilita olhou displicente.

– Dinheiro anão?

– Dinheiro anão? – gritou Dameron irritado – Este é o verdadeiro dinheiro minha jovem – falou ele apontando e chamando o irmão Djoks para ajudá-lo – Fala para ela.

– Sim. É verdade – concordou Djoks.

Ilita pegou uma moedas entortou e jogou dentro do saco.

– É muito ouro na composição. Maleável demais.

– Você não sabe que ouro é o que tem de mais valioso! – gritou Dameron, apontando para Djoks.

– Sim. É verdade – concordou Djoks.

– Não queira me ensinar rei Dameron – disse ela – Mas não trabalharei por moedas. O peso. Do ouro não condiz com o valor talhado. E suas moedas me darão muito trabalho no cambio.

A ladra levantou e saiu da mesa e se sentou no balcão. Dameron ficou irritado, mas a anã Six apertou o braço forte do marido e pediu para falar com ela. Ele deu de ombros e se sentou para beber com Djoks.

– Ilita não é – começou Six recebendo um olhar de desprezo da ladra – Sei que não é apenas o ouro que taxa os seus serviços.

– Do que você está falando mulher! – debochou a ladra saudidia.

– O roubo do conde em Lamormy. As crianças em Guelrom, os escravos de Monkoles –  comentou ela – Trabalhos muito mal pagos.

– Eu era uma estupida nestes tempos – disse Ilita.

– Bem minha querida. Os tempos são de problemas enormes. E os problemas estão devorando as pessoas de nosso reino. Precisamos destruir Satus e reconstruir nossa cidade. Por isto não despendemos de tantas riquezas – Six pegou um pingente e colocou no balcão – Espero que isto possa integrar o pagamento.

Ilita olhou o pingente, duzentas coroas no máximo. Estava muito gasto nas pontas.

– Era de sua mãe – perguntou Ilita, ela apenas concordou – Aceito as moedas. E quero um pouco daquele metal muito loco de vocês, mas não quero seu pingente.

– Obrigada – disse Six abraçando a ladra.

* * *

Taiquiles olhava triste para o quadro sobre a lareira. Envergonhava-se de estar sentado naquele castelo, com seus irmãos e filhas. Ele havia sucumbido e libertado os dragões que agora destruíam o continente.

– Não sejas tão duro consigo mesmo meu pai – pediu Naylline – Há muitos mistérios sobre os poderes das pedras.

Naylline fez sinal para Pri, mas ela fez uma careta. Ela percebia, agora, que a irmã não foi capaz de perdua-lo.

Marzus mantinha-se quieto enquanto Cyrsen vasculhava as imagens em seu espelho.  Ela viu a morte de Uramant. Wesnayke de Claymor havia vencido dois dragões já e os A’Drake estavam encerrados no castelo lamentando.

– Chega – disse ela se levantando e esticando a mão para materializar uma A’Drake Lance – Venham meninas vamos caçar!

Naylline e Pri se ajeitaram para a aventura. Taiquiles olhou entristecido para a irmã.

– Fique aí lamentando e se envergonhando do que fez – disse ela – Eu não me importo e não tenho tempo para isto. Mas lembre-se que você carrega um sobrenome!

As três se teleportaram.

Marzus olhou para Taiquiles como quem pede auxilio e direção. O primogênito o ignorou. Então, Marzus pegou suas lanças, colocou na gigantesca aljava das costas e saiu do castelo.

Taiquiles continuou olhando para o quadro. Sempre imaginou que matar dragões o tornaria um guerreiro forte e destemido, mas agora sabia que a verdadeira força estava naqueles que conseguiam renascer das suas maiores derrotas. Ele fechou os olhos colocou a cabeça bem próxima da lareira e deixou de viver.

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