Prologo – As Belas e as Feras

Já era noite quando os sacerdotes fecharam o templo. Illeandro arrumava o alforge em seu cavalo enquanto era observado por Flameram que já havia desistido de persuadi-lo em ficar em Illiguerd.

– Estás indo para onde filho? – perguntou o clérigo.

– Ainda não sei. Talvez para o sul. Perdi muito tempo da minha vida naquela porcaria de forte – disse o cavaleiro amargurado – Vou procurar o meu lugar no mundo.

Ele subiu no cavalo e partiu para longe do reino. O paladino H chegou ao lado do sacerdote sem dizer uma palavra, mas mesmo assim obteve um comentário da santidade.

– Temo jovens rebeldes e frustrado com seus mestres – falou o sacerdote buscando sabedoria – Eles ficam muito suscetíveis a ideias sombrios.

– Eu fui um jovem assim – comentou H.

– E você mudou de lado – completou Flameram.

* * *

Sika saiu das profundezas do lago e bateu as asas jogando água por todo o vale. Os soldados mais exitantes acabaram por fugir de medo. Cegalia suspirou de tédio pela covardia deles. Ela fora enviada por Hikan para liderar aquele combate e ela mostraria que poderia muito bem estar no primeiro time.

– Garotas! – gritou ela para Magra e Rarossú – Se dividam para os flancos.

Cegalia correu na direção da dragoa que sorria para a amazona, era estupidez correr para baixo de um dragão.

Rarossú beijou uma mariposa e a soltou. Enquanto Magra bebeu um gole de poção, dobrou de tamanho e se jogou em uma árvore a derrubando no lago.

Siga preparou seu feitiço para lobotomizá-la, mas perdeu a concentração com um enxame de mariposas que voaram em seus olhos dracônicos. Cegalia ergueu a espada e de dentro da mata voaram diversas flechas, a maioria visando sua asa esquerda. Magra correu por cima do tronco e jogou seu machado no mesmo membro e Sika perdeu a força do voo e caiu no lago.

Cegalia se jogou sobre o monstro e girou o corpo acertando dois cortes fortes e potentes em seu peito. Rarossú puxou o arco e disparou uma flecha no pescoço grande de Sika. Magra emergiu da água para subir o machado na pata esquerda. Sika, usou a cauda para atingir Magra, prendendo-a como uma serpente e depois a constringindo. A bárbara bateu tentava cortar com o machado, mas a dor era insuportável. Cegalia correu para acudir a nohëan, mas Sika a mordeu forte no ombro. O ferimento fora forte demais, deixando-a sem forças para manter o escudo. A chamua continuava atirando com o arco, mas Sika pegou o tronco e jogou, Rarossú tentou esquivar, mas acabou quase sendo esmagada.

Sika jogou Magra longe, e a barbara não conseguiu se levantar, estava com a espinha quebrada. Rarossú estava com fratura exposta na tíbia esquerda e o ombro deslocado. Cegalia balançou a espada e a cravou no dorso de Sika que se remexeu e atacou duas vezes com as garras, atingindo o rosto e posteriormente as costas de Cegalia. A amazona se viu cercada de seu próprio sangue, pode ver a mandíbula da dragoa se abrindo para abocanhar sua cabeça, mas uma flecha voou por cima acertando o olho direito e fazendo Sika urrar de dor. A amazona usou toda sua reserva de força para erguer a espada e saltar para enfiar a arma no cranio da dragoa que imediatamente caiu, morta, no lago.

Cegalia caiu no lago enquanto houvia os gritos de felicidade dos chamuas. Elas haviam vencido.

* * *

Dameron se sentou atrás dos escombros da gigantesca coluna de pedra para se recuperar um pouco dos ferimentos. Havia centenas de corpos de anões por todo o campo de batalha. Ele viu seus sobrinhos, dois filhos e um irmão serem engolidos por Satur. O dragão era maior que uma montanha, media mais de setenta metros e parecia ser capaz de devorar qualquer coisa.

– Venha rei dos anões – gritou Satur ileso – Estou gostando muito da carne real dos anões.

Dameron sentiu ódio e se preparou para se erguer e lutar contra o monstro, mas sentiu um toque em seu ombro para que se mante-se ali. Era Ilita que estava escondida desde o inicio do combate. Ela se levantou e encarou Satur.

– Eu sabia que você era grande e poderoso – disse ela caminhando graciosamente na frente dele – Mas não vim preparada para algo tão Imenso – ela franzi-o os olhos verdes de maneira sensual.

O dragão ficou surpreso com a coragem da menina saudidia, mas ficou ainda mais encantado com tamanha beleza. Ilita era uma ladra conhecida por suas habilidades, mas principalmente por sua beleza divina.

– Ilita de Napoesh – disse Satur.

– Você sabe meu nome – disse ela fingindo surpresa e colocando a mão sobre o coração – É um imenso privilégio Mestre Satur.

– Está tentando me engambelar menina – gritou o dragão socando uma construção a destruindo – Achas que me bajular salvará sua vida?

– Não era minha intenção ofende-lo Mestre Satur – ela se ajoelhou e baixou a cabeça em sinal de submissão – Perdoe esta estupida mulher.

Satur olhou desconfiado. Era certo que ele era o poderoso dragão, ela sabia que não tinha chances contra ele. Era uma simples humana.

– Acho que vou devora-la então – disse ele sorrindo – Quero ver se seu sabor é tão bom quanto sua beleza.

– Acredito que seja maior – respondeu ela arrancando mais espanto de Satur – Ser devorada por um Deus como você seria uma honra para minha estupida existência – Ilita se abriu os braços e soltou as armas para que o dragão a devorasse – Só sinto que morra nesta terra imunda anã e que meu algoz seja apenas um lacaio de Digarom!

– Como ousas! – gritou ele erguendo a garra sobre ela.

– Perdoe-me Mestre Satur – disse ela – Como disse sou só uma estupida, me perdoe se acredito que tão imponente Deus que você é, poderia dominar todos os dragões e fazer até mesmo os deuses se curvarem diante de seu poder supremo.

Satur olhou para os céus, depois olhou para as terras destruídas de Hal-Has. Estengard era um reino muito maior, um reino feito para dragões, não uma terra de miniaturas. Digarom ficara com o que é melhor, e por que ele aceitava isto, sendo que possuía o dobro do tamanho do dragão vermelho.

– Você Ilita de Napoesh, achas mesmo que eu poderia tomar Estengard de Digarom?

Ilita sorriu se deliciando:

– Não apenas acho como sei que eu posso ajudá-lo!

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