Prólogo: Glória e Terror

A Era anterior as Eras

 

– Como é ser humano?

Vernille Rayvodio pensou na pergunta da lemúriana Luciany.

– Difícil de responder. Para começar é menos solitário.

– Acha que somos solitários? – perguntou a lemuriana de pele prateada e olhos de diamantes.

– Não no sentido de estar sozinho, mas de não encontrar semelhantes. Eu sou igual ao meu pai, e aos meus irmãos. Todos os humanos são semelhantes, ocorrendo apenas diferenças sutis de aparência – ele olhou as unhas de vidro dela – Tu és prateada, há aquela moça de cabelos de fogo, teu pai tem trinta metros, Ralekar tem rosto de tigre. Todos os lemurianos são completamente distintos entre si.

Luciany ouviu e olhou as mãos prateadas e se sentiu sozinha pela primeira vez no mundo. Ela possuía nove irmãos e todos eram completamente distintos. Enquanto seus escravos humanos eram completamente iguais.

– Por isto voces usam sobrenomes?

– Como? – questionou Rayvodio.

– Vocês usam sobrenomes, para se sentirem diferentes – ela sorriu – Diferentes e iguais perante a seus laços de sangue.

 

* * *

Era atual.

– O que queres aqui escória rayvodia! – gritou Burtoq o Infiel encarando Akille Chamouth que apenas o encarava olhando para cima sem desviar os olhos bicolores do gigante morloch – Como ousa entrar nas terras de Apoesh?

O guerreiro percebia que de dentro das enormes cavernas, dezenas de morlochs o espreitavam a espera do momento certo para atacar, mas ele manteve-se calmo. Não sentia medo, desde que pegara a pedra de Aldresh, havia percebido que sentimentos haviam sumido de seu coração: medo, dor, consciência, arrependimentos, tudo havia sido substituído por um ódio. Ódio de Stillgar.

– Tenho uma proposta para você Burtoq filho de Riorkan – disse Akille colocando a espada Gloriosa Shuoa no chão, mas perto do seu alcance.

Burtoq olhou para a arma mágica. Os boatos de Radamesty eram verdadeiros, ele havia unido-se a pedra. Burtoq sabia que a pedra Shuoa traria devastação ao mundo dos homens. Ele odiava os homens, mais do que eles, odiava os rayvodios, mas mais do que isto, odiava Akille Chamouth: o algoz de Riorkan o Terror das Planices.

– Os morlochs ouviram o que Akille filho de Advenne, tens a dizer – as palavras de Burtoq fizeram aqueles que espreitavam se aquietarem.

– Burloq, e todos os Morlochs – disse Akille – Ouçam, Talimeres, Radmesty filha de Áasik, Mitranus, Klostus. E tantos outros guerreiros da terra de Apoesh. Lhes trago uma oportunidade para sairem da escuridão e tomar Digared para voces.

Ele se apoximou de Burloq e ergueu a mão em seu ombro.

– Esquecemos o passado para sobrepujar nossos inimigos – propôs Akille.

Burloq o rei dos Morlochs encarou o desafeto. Ele odiava Akille, mas odiava também Cahethel, Wesnayke, Rhan, Dalmer e tantos outros humanos. Talvez fosse ora de esquecer um de seus inimigos para pegar o demais.

– Os Morlochs vão a guerra de Akille Chamouth!

 

* * *

Luciany olhava para o caixão de gelo de Rayvodio. A morte de seu amante fora uma dura perda, principalmente pela forma que fora: assassinado por outro humano, Mantaro. Nunca um humano havia matado outro. Isto era desprezível, mas ela sabia que não fora culpa de Mantaro, ele havia sido manipulado por Onajara a Víbora.

O céu se tornou prata e Argeny desceu. O grande deus Dragão de Prata. Ele reverenciou a lemuriana.

– Os deuses se solidarizam com sua perda – disse Argeny – Mas eu vim para apelar para vosso bom senso!

– Viestes para impedir que eu mate Onajara – replicou Luciany a Prateada – Sangue humano foi derramado.

– A solução não é derramar sangue lemuriano – respondeu Argeny.

– Por que não? Isto traria equilíbrio!

– Equilíbrio?

– Argeny tu és o Deus da Justiça. Deve entender o que eu digo. Há de existir equilíbrio.

– Tu argumenta por equilíbrio, mas eu ouço vingança. O caminho da Ordem não é fácil de trilhar, mas a dificuldade está nas escolhas corretas.

Luciany observou Argeny. Suspirou e pegou sua espada. Saiu sem dizer nada.

* * *

Advenne Chamouth foi o ultimo a chegar na reunião de Alisios. Ele pode ver os olhares desconfiados de Wesnayke e Cahethel, mas Enzigh tratou de acomodar o amigo ao seu lado na mesa retangular.

– Vejo que me aguardaram – comentou o mago riorniano.
– Não foi por nossa escolha – disse Wesnayke.

– A sapos que temos que engolir, velho inimigo – disse Advenne – Estou sentado diante de inimigos que mataram muitos compatriotas meus – ele olhou para Cahethel. – E diante do algoz de meu filho.

Cahethel baixou a cabeça. Advenne observou o braço reconstituído do guerreiro.

– Deixemos antigas desavenças de lado – pediu Rhan – Hoje estamos aqui para unir forças contra a união dos Morlochs, Ayllis e Akille – ele fez uma pausa ao falar o nome do filho para Advenne – Precisamos unir forças neste momento. Digared precisa.

Advenne olhou a mesa: Enzigh e Dalmer Landreha encabeçando a ponta. Rhan dyn Lyn, Wesnayke de Claymor, Cahethel Dimitriel e Daryus Barezade. Do outro lado, Mergolon e Solipse Tahohas, Fargathu Red’Ronth, Rogarth Takarage e Vhalshirom Luthenkall.

– Pensei que Hikan Nahi viria – lamentou Advenne.

– Achamos melhor não metê-lo nisto – explicou Enzigh – Afinal ele está com as “crianças”.

Advenne observou a resposta sem comentar nada.

– Os relatórios – iniciou Wesnayke – Falam de ataques em Napoesh, Vhalteha, Ergedon e recentemente em Lyn. Akille está atacando com os Morlochs e aliados de Ayllis.

– Ha rumores de que Ayllis é a manda-chuva – comentou Solipse – Lamormy indicou já a prisão de Stillgar Nahi. Segundo nossos espiões ele é o estopim de Akille.

– Akille sempre foi o inimigo primário dos Morlochs – comentou Vhashirom – Se entregarmos Stillgar para ele nos estaríamos recuperando-o. Não concorda Advenne?

O mago pai baixou a cabeça e balançou negativamente.

– Não acho que Akille vai parar com a morte de Stillgar – Advenne suspirou – talvez se fosse meu filho Akille, mas este que vos ataca é Kille da pedra Shuoa.

– Akille é detentor da espada Gloriosa – comentou Darius – Deve haver esperança.

– Não diante da pedra – respondeu Advenne se levantando – Esta pedra é o verdadeiro caos.

– Onde esta indo Advenne? – perguntou Enzigh.

– Nao vou ficar. Não vou ajudá-los. Não vou lutar contra meu filho – ele se retirou – Me perdoem.

 

* * *

Luciany entrou no palácio Ilmatar e entregou Onajara para Ividinia. Argeny olhou orgulhoso, ela fora presa e entregue viva.

Ividinia olhou a traidora Onajara e depois olhou parar Ixchel, a deusa das Trevas.

– Diante dos crimes cometidos pela lemuriana Onajara filha de Loncratesh – declarou Ividinia – Eu a declaro culpada!

Onajara olhou para Ixchel apreenciva, mas a deusa da noite piscou para ela.

– E sua pena – disse Ividinia – Será cumprida em uma advertência. Na próxima infração irás ser enviada para o deserto da agonia.

Onajra sorriu delirante.

– Isto é injusto! – gritou Luciany.

Argeny fez sinal para que a lemuriana se conte-se mas ela estava furiosa.

– Eu fiz o que tu mantastes – falou ela para Argeny – Eu coloquei o equilíbrio a frente da vingança!

– Calma – criança pediu ele a tirando do salão.

– Eu não acredito nisso – gritou Luciany chorando.

– Estou orgulhoso – falou ele.

– Por ser humilhada por uma víbora?

– Não – respondeu Argeny – Por escolher o caminho mais difícil. O Caminho da ordem, da verdade e da justiça. E não o mais fácil: e Isto é Glorioso.

A espada de Luciany se iluminou.

– Esta é a dádiva da Justiça – disse ele – E sempre a Entregue para quem for trilhar o caminho mais difícil.

Luciany olhou a Espada Gloriosa. E percebeu que havia encontrado o seu caminho.

 

* * *

Myllis se alimentava do sangue da menina que seus lacaios haviam trazido. Era o sangue doce da virgindade adolescente, o seu preferido no inicio da semana. Um de seus lacaios o interrompeu e o vampiro maligno o olhou com furor.

– Desculpe Mylorde, mas ele está aqui – disse Rotllys.

O vampiro mestre suspirou, jogou o corpo da menina sem vida no chão e voou para a entrada do salão. Akille o aguardava, estava com a Espada Gloriosa Shuoa na mão direita. O vampiro puxou a espada Tenebrosa.

– Sempre imaginei que quando nos encontrássemos seria o fim para um de nós – comentou Akille sorrindo.

– Ainda pode ser – disse Myllis recluso.

– Não – disse ele – Você não ousaria. Nossas armas se destinam ao confronto, mas nossos destinos estão cruzados em direções paralelas.

– E por que acredita nisto? – Perguntou Myllis – apenas por que minha irmã lhe ajudou não quer dizer que eu compartilhe dessa insanidade.

– eu sei que não – Akille largou a espada no centro do salão e se sentou no trono de Myllis – Mas sei que um andarilho está em uma cruzada contra ti. Um andarilho filho de um caçador de vampiros.

– Ele é um inseto!

– Insetos picam e matam – respondeu Akille.

– Estás me oferecendo a cabeça de Endon? – perguntou Myllis.

– Não ofereço nada. Só lhe proponho um acordo. Quero fazer este mundo tremer, quero ver Stillgar, Endon, Aldresh e Hikan perderem tudo. Quero lavar o chão deste continente com o sangue deles, quero que eles implorem pela morte, supliquem pelo alívio de receber um golpe final de minha espada. Quero que as netas deles enviuvem pela eternidade. Quero todo o mal para eles,  todo mal que os deuses que eles adorem temam.

O vampiro ficou surpreso pela resposta. Mas ao final ele gostou.

– Os Ad’Drakes tem me dado um pouco de trabalho – comentou Myllis – Acho que podemos trabalhar juntos.

Akille apertou o braço do vampiro Myllis.

– Não se engane – disse Chamouth – No final, eu vou matá-lo e destruí-lo de uma vez por todas.

Myllis sorriu.

* * *

Daynamorsh o deus dragao vermelho lancou uma baforada na espada de aço negro. Onajara e Ixchel olharam para a arma.

– Esta espada é terrível – comentou Onajara.

– Ela é Tenebrosa – completou Ixchel – Ela destruirá a Gloriosa.

Daynamorsh sacudiu a cabeça.

– Ela não ficou boa o suficiente – respondeu o dragão deus – Elas se equiparam. A luta das duas decidirá o futuro do mundo.

Ixchel sorriu.

– Meio a meio eu confio – disse ela.

– Seria bom se elas trabalhassem juntas – disse Onajara – Juntas do nosso lado. As duas espadas.

Daynamors e Ixchel se olharam e riram.

– Seria preciso muita manipulação para isto minha cara Deusa da Traição – disse Daynamorsh.

Onajara sorriu.

– Isto não é difícil – respondeu ela – Eu lido a muitos séculos com humanos.

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Resumo da Sessão VIII

Rarossú ajeitava o broche de coruja que usava para prender sua capa azul. Ela espiou, pelo espelho, Stillgar dormindo. Se aproximou do mago e beijou sua testa, despertando-o imediatamente.

– Bom dia!

– Não acredito que vai embora hoje…

Ela o interrompeu colocando o dedo em seus lábios.

– Eu volto no final da estação – disse ela beijando Stillgar.

 

* * *

Digartalla ajustava os últimos ingredientes do seu ritual: ervas, cogumelos, pelos de manticora e sangue de recém nascido. Ela se vira imediatamente quando a borra é colocada abaixo.

– Quem ousa – ela grita, mas para assim que enxerga Akille Chamouth entrando com dois Morlochs – Merda.

Os morlochs já a cercam um de cada lado enquanto Akille caminha pelo covil da bruxa arrastando sua espada.

– A Bruxa Digartalla – fala ele analisando os potes e crânios de crianças nas prateleiras – Este é o seu nome hoje?

Ela permanece quieta.

– Procurada em nove reinos. Eu seria um herói só por pegala, não seria.

Ela permanece quieta.

— Tem que sair daí — diz Nevolas para ela.

– Eles estão ai? – Pergunta Akille – Nevolas, Daryan, Gorbach, Perickles, Rarossu… Esta faltando alguém? Ha! Sim Stillgar?

Digaratalla tira o anel da Hidra.

– é ele quem você quer? Ele matou sua esposa. Pegue o anel, eu não quero mais. Posso lhe ajudar. Ele tem uma irmã, ele é apaixonado pela Chamua Rarossu. Ela é filha do pajé. Sei onde encontrá-la. Sei onde encontrar todos eles – Digartalla se ajoelha – Eu me ajoelho diante de você para servi-lo Mestre Chamouth.

– Achas que preciso de alguém tão víbora quanto você?

– Ele tem aliados poderosos. E eu sei as falhas de todos eles. Observei eles por muito tempo: Hikan tem um filho, Endon é irmão de Aldresh, tem uma maga que ele está se envolvendo. Por favor não me mate senhor – ela começa a chorar.

– Você é desprezível -diz Akille irritado se virando para ela.

– Sei mais uma coisa -diz ela sorridente em meio lágrimas – Eles estão afeiçoados por uma fedelha. Uma menina, Carla. Ela…

Akille se vira rapidamente e olha furioso para Digartalla: – Fedelha?

Os morlochs se afastam para não se sujar com o sangue da bruxa, assim que a espada Gloriosa ter decaptado-a.

 

* * *

Stillgar desceu as escadas correndo. Estava apreensivo, Rarossu estava encurralada por morlochs na floresta. Hikan pediu para ele se acalmar, rapidamente Endon e Silvik escolheram aqueles que iriam para a batalha: Simba, Tayrine, Calhistiel e Dalmerith.

Os oito viajaram para o local que Rarossu se comunicou com Stillgar pela última vez, mas desde então a conexão do anel fora perdida. E seu último contato fora as ruínas de Perenosko. Uma antiga torre de observação destruída há séculos.

Stillgar investigou o local. Endon percebia que havia algo errado. Foi quando Simba gritou sobre Os morlochs. Dezenas.

Embora Hikan quisesse o grupo unido, Silvik rapidamente se jogou e m uma montanha de monstros. stilgar utilizou sua bola de fogo, mas ela parecia pouco eficiente tamanho a força dos monstros. A batalha seguiu firme e sangrenta. Dalmerith lutava ao lado de Hikan, Simba tinha dificuldade de manter seus oponentes longe, e Silvik enfrentava um Morloch destemido que não se entregava fácilmente.

A batalha estava longe de acabar.

Prólogo: Distração

– Está bem! – disse Hikan finalmente.

– Jura????

gritou Jirga pulando no pescoço do paladino e lhe dando vários beijos no rosto. Ele ficou envergonhado, principalmente por sua esposa estar a dois passos deles, mas ela apenas riu, não havia maldade na menina, apenas felicidade.

– Você não vai se arrepender – prometeu ela.

Jirg correu, tinha pouco tempo para organizar um baile no forte.

* * *

Dalmerith havia ensaiado várias vezes no espelho. Esperou até Carla estar sozinha, limpava as baias dos cavalos todas as manhãs devido à seu castigo. Ele chegou viu  menina ajoelhada esfregando o chão.

Pigarreou.

Carla olhou para ele sem dizer nada.

– Oi! – disse ele enquanto ela permanecia em silêncio – Então, eu queria saber s você gostaria de me acompanhar no baile – disse ele mexendo nos dedos.

– Bem, eu já tenho par. Cabriel me convidou ontem à noite.

– Entendo – disse ele – Mas gostaria de saber se você gostaria de dançar comigo – ele fez um pausa e completou rápido – No baile. Claro!

– Sim – disse ela se levantando.

– Jura?

– Claro – disse ela sorrindo – É um baile Dal. As pessoas dançam lá.

Ela saiu, e Dalmerith esperou ela se afastar para comemorar com uma dancinha besta.

* * *

– Eu não vou com ninguém no baile – respondeu Endon – Não tenho tempo para as piras da tua irmã.

– Já entendi – respondeu Stillgar se sentando no sofá – É que pensei que se nos dois fossemos, não seria estranho chegarmos juntos sem par. Seríamos dois caras no baile.

Endon parou olhou sério para o mago e respondeu:

– Cara, isto! Seria muito estranho. Eu não vou ao baile e pronto – Endon se levantou e deu de cara com Qestros que entrava na biblioteca – Bom riam guri!

– Bom dia – disse ele saindo já – Deixa o senhor está ocupado.

– Pode falar!

– Bem, é minha irmã. Ela recebeu o convite da Jirga para o baile, e ela me perguntou se teria problema de eu acompanhá-la, mas eu já vou com a Cegalia. Aí eu pensei que  o senhor podia acompanhá-la.

– Mas o Endon não vai no baile – disse Stillgar.

– Cala a boca – gritou Endon – Bem, acho que terei que ir, né! – falou cordial para Qestros – Hikan jamais me perdoaria se deixasse uma convidada nossa, assim, desamparada.

Stillgar e Qestros ficaram olhando segurando  a risada.

– Bem melhor eu ver algo para vestir, talvez o Silvik tenha algo – Endon saiu rapidamente.

Qestros e Stillgar riram.

– Então convidou a Cegalia? – indagou Stillgar surpreso.

– Quem? eu? Capaz, aquela mulher me põe medo. Foi armação mesmo – debochou Qestros.

– Então! Meu amigo, não seria estranho chegarmos juntos sem par. Seríamos dois caras no baile.

Qestros ficou sério e respondeu:

– Cara! Seria muito estranho!

* * *

– Cara não sobrou ninguém – respondeu Illeandru para Dalmerith – você demorou muito com a Carlinha.

– A Magra! – lembrou Dalmerith.

– Vai com o Simba – disse Illeandru.

– A peitudinha, das máquinas, Tayrine?

– Vai com o Riquilmi.

– A orelhudinha.

– O nome dela é Ziziri, acho melhor tu aprender o nome das meninas se quiser um par para o baile.

Dalmerith se atirou na cama.

– Cara por que o Cabriel me tisorou?

— Por que ele é um filho da puta — falou baixinho Illeandru, mas era só ele quem se dera conta disso no forte. A verdade era que ele estava sempre dedurando os demais para Silvik e Endon, e era recompensado com isto. Illeandru já pensava em sair do forte.

– Cara o que eu faço. Desse jeito eu vou ter que ir com o Stillgar.

Os dois se olharam e riram.

– Afinal cê vai com quem?

– A menina nova, Naylline.

– Atacando as novatas? – disse Dalmerith.

– Melhor do que nenhuma – respondeu Illeandru rindo.

Dalmerith chutou. E lembrou: – Qevy!

Ileeandru olhou sério.

– Nao né?

* * *

Stillgar se arrumava para o baile. Iria sem par. Estudou as magias de ilusão para criar um par, mas achou que Qevy perceberia. Até ela tinha um par, iria com Dalmerith. O poderoso Dalmerith, claro, para ele era fácil convidar uma menina para um baile. Ele sempre tivera dificuldades nesta questão.

– Podia ter deixado que eu convidava – disse Darian.

– Eu pensei nisso, mas Ainda seria eu na frente delas – repondeu Stillgar mexendo no anel da Hidra.

– Sozinho em um baile – falou Digartalla – É muita depressão.

– Não estarei sozinho, estarei com vocês.

Os demais se olharam e riram.

– E Raarossú? – perguntou Stillgar.

– Ela parou de usar o anel esta semana – respondeu Nevolas – Acho que ela pensou que você iria convidar alguém e não quis ver.

Todos riram menos Stillgar.

– As vezes eu queria que vocês saíssem da minha cabeça.

Stillgar desceu as escadas indo até o salão. Viu Hikan e Silvik lhe encarando: maldito Silvik, convidou sua irmã antes dele. Mas Endon havia lhe advertido depois que seria estranho ir com a irmã a um baile.

– Oi amigos! Que passa.

– Chegou um cavalo. Com um visitante, disse que conhecia você – contou Hikan apontando para a direção da entrada do forte.

Stillgar olhou, enquanto o cavalariço levava o animal, que saia da frente do visitante: era uma mulher de cabelos muito negros, pele parda. Ela cumprimentava Jirga como se a conhecesse, Stillgar nunca a tinha visto, não pessoalmente.

– Raarossú? – disse ele – Raarossú! – gritou ele.

Ela o olhou para ele e correu em sua direção. Pulou em cima do mago e o beijou nos lábios com muita paixão.

Endon parou ao lado de Hikan e Silvik que observavam boquiabertos.

– O mago tá pegando alguém? – perguntou Endon.

– Acho que ela tá pegando nosso mago… – respondeu Silvik incrédulo.

– Ele não era… – Hikan comentou.

Prólogo: Ascensão Shuoa

Os passos de Akille Chamouth ecoavam nos corredores da cripta de Kayllis. Nos vãos escuros, alguns vampiros o espreitavam deleitando-se com o cheiro de seu sangue vivo; porem, espertos o bastantes para evitar a espada Gloriosa com a insígnia Shuoa.

Ele abriu as portas duplas que levavam ao covil principal. Quatro vultos se surpreenderam com a ousadia, mas apenas Millys tomou a dianteira.

– Petulância maldito! – gritou o vampiro erguendo a mão e puxando com telecinese a espada Temebrosa.

Ayllis viu a luz da Gloriosa se ascender com a menor tensão de conflito, mas ela não emitia mais aquele brilho solar que ferira tantos de sua raça durante tantos milênios: era uma luz avermelhada que trazia dor e sofrimento para vampiros, mortos, vivos, e tudo que existisse neste plano, nos outros e naqueles que ousassem existir. Irônico que a espada mais poderosa da Ordem fosse completamente dominada pelo Caos da pedra Shuoa. Mais irônico que fosse Akille: que significava “Aquele que não sucumbirá ao Caos”;

– Pare! Antes que eu mude de ideia em deixá-lo vivo – falou Akille mostrando a espada e olhando com desprezo para o vampiro – Ou seja lá como vocês chamam isto, de estarem andando e mortos.

Os outros dois sujeitos olhavam furiosos, mas se continham ao lado de Ayllis. Traynatinis esfregava as quatro mãos apreesivo, seus dentes vampirescos coçavam diante do humano, mas o sentimento de autopreservação ainda lhe dava lucidez. A ananasi Virtanica, por outro lado, subira pela parede e se pendurara em uma teia, parando de ponta cabeça, aguardando sua líder.

– Tua arrogância lhe custará caro maldito – gritou Myllis erguendo a espada.

Akille ergueu a espada Gloriosa Shuoa, a insígnia brilhou e um raio vermelho indolor passou sobre Myllis inicialmente nos pés, subindo por todo o corpo até a ponta da cabeça. Sem causar nenhum mal a ele. Myllis estranhou o “ataque”, mas os olhos de Ayllis quase saltaram para frente quando ela percebeu a dilatação dos olhos de Akille e a associação dela foi inevitável: – Impossível!

– Isto é tudo o que tens? – debochou Myllis saltando.

Akille fechou os olhos.

O vampiro balançou a espada Tenebrosa fazendo um corte forte, na direção do peito de Akille. Sangue jorrou para cima, molhando o chão acizentado. Myllis girou e acertou o segundo golpe na direita, decepando seu braço esquerdo. Um novo giro e um vulto voou sobre o ombro do vampiro e a cabeça de Akille caiu ao chão.

Akille abriu os olhos: enxergou Myllis vindo com o primeiro ataque, era um corte no peito, ele esquivou displicente, mesmo com toda a velocidade do vampiro. Ele girou, sim Akille sabia que ele giraria, mas quando Myllis mirou em seu braço esquerdo, o corpo do guerreiro já estava todo na direita. Ele giraria novamente para golpear sua cabeça, e quando o fez, Akille estava agachado, e cravou a espada na virilia de Myllis abrindo uma artéria e fazendo o sangue jorrar como um cano com pressão.

– Fique tranquilo – disse Akille – O ferimento seria mortal para alguém vivo, mas você só precisa jantar para se recuperar. Vou poupalo por hora.

– Como é possível! – indagou Myllis incrédulo.

– Ele anteviu todos seus golpes – disse Ayllis.

– Não apenas isto – disse Akille – Todas as técnicas, habilidades e talentos que ele sabe, agora eu também sei – o guerreiro sorriu – E farei isto com os melhores guerreiros do continente: e me tornarei o deus da guerra.

* * *

Havia uma aliança antiga entre os Luthekall e os Chamouth, maiores do que  Advenne e Vhalshyron pudessem se lembrar. E naquela sala, esta aliança estava sendo reforçada. Os irmãos Advenne e Rufere, juntos com suas respectivas filhas Adina e Winfer, sentavam ao lado norte da mesa de tábuas grossas. No lado sul, os irmãos Vhalshyrom e Krombatos, juntos com os filhos do primeiro Pericles, Akille L. e Aradiana. Apenas Cegalia que estava no forte Nahi, estava ausente.

A porta da sala se abriu e Akille C. entrou.

– Parece que sempre estou entrando em meio a reuniões que não sou convidado – disse ele em tom sarcástico.

– És bem vindo Akille Chamouth, filho de Advenne – disse Vhalshyron disfarçando e mentido, já que a reunião era sobre ele.

Advenne que perdera um filho para a espada de Cahethel, agora via o segundo consumido por um poder sem igual: — Shuoa — sussurrava a pedra.

– Deixe-me que fale com meu filho – disse Advenne saltando da mesa e levitando lentamente até a frente dele — Os boatos são reais — sussurrou para ele.

– Sim Advenne – respondeu o filho – A pedra que tanto falastes, agora está em meu poder.

– Akille você é meu filho, sei que és muito inteligente, não vê que é ela que o tem? Como podes deixar que um artefato caótico como este o domine meu filho.

– Por que ela é a resposta – disse Akille – Perdi Beckya, perdi Traumat, perdi Carla. Não vou perder mais ninguém, pois eu tenho todo o poder agora.

– Carla? – Advenne não entendeu, mas ele tinha o dever de detê-lo antes que fosse tarde. Então passou a mão na frente de seu rosto para fazê-lo dormir.

Akille permaneceu acordado.

– Algum problema Advenne?

Rufere e Adina se levantaram incrédulos, o Sono Chamouth poderia colocar um dragão para dormir.

– Desculpe-me filho – disse Advenne puxando o cajado e se afastando para lançar uma magia mais forte – “Atordoe”.

Akille permaneceu de pé.

– Use a morte – gritou Krombatos – Use a morte antes que ele nos mate!

Vhalshyrom pegou a espada, Pericles não exitou e disparou um alarme flecha no olho de Akille, mas ele a segurou com a mão. Olhou ela sorrindo e a arremessou com a mão nua, mais forte que um arco. O projetil cravou no ombro de Pericles, o jogando longe. Aradiana e Akille L. levantaram puxando as espadas. Adina e Rufere puxaram as suas.

– Acalmem-se – disse Akille Chamouth – Eu tenho outras pessoas para matar. Não quero matá-los hoje, mas para demonstrar minha generosidade vou permitir que unam-se a mim.

– Unir-se para que? – questionou Aradiana.

– Para matar Enzigh, dominar o continente e vingar todos que nos feriram.

Todos ficaram quietos.

– Ninguém? – perguntou ele sorrindo.

Winfer se levantou e caminhou na direção dele.

– Não! – disse Rufere.

– Vou seguir meu primo – disse ela – Isto se me quiseres, pois dizem que eu sou violenta demais – falou ela ironizando o pai.

– Violenta demais? – riu Akille – Isto será muito útil.

Os dois saíram. Advenne gritou uma última vez.

– Por favor filho. Akille?!

Ele parou, e falou sem se virar.

– Meu nome é Kille! – os olhos vermelhos Shuoa brilharam.

 

 

 

Prólogo: Ameaça

Ayllis ouve as notícias dadas por seus morcegos. As criaturas mostram a morte de Mestalles para as espadas de Endon e Silvik. Os raios lunares de Stigar que reduziram seus ghoulls. E a presença de Hikan, o paladino da sua deusa rival.

Os planos da sacerdotiza maga vampira sempre foram de aumentar seu poder, servir Ixchel e assumir o lugar da deusa um dia. Mas deixar Hikan vivo poderia lhe custar caro no futuro. Além disso seria preciso liquidar com Endon, não era bom deixar um caçador de vampiros solto pelo mundo. Quantas vezes ela precisaria matar Silvik? Como ele retornou da sua magia de Desaparecer? Isto nunca aconteceu antes. Stilgar poderia ser útil, ele sonha com o poder, ele é vil, poderia servi-la. E um mago solitário é mais fácil de destruir.

– Senhora – chamou Tramör, Cinco Maldições – Ainda temos aquela saída.

Ayllis ouviu e sorriu.

– É claro…

 

* * *

continuacao da Batalha Épica.

Os duelos de heróis continuavam em grande intensidade. Traumat Chamou lançou a espada na direção de Cahethel Dimitriel, que aparou com a espada e devolveu um golpe fulminante que encontrou o escudo do riorniano.

Tricinia jogou o chicote na direção de Akille que saltou para a esquerda, depois para a direita, evitando as batidas da arma. Mas finalmente se viu obrigado a bloquear com o bracelete. O chicote se enrolou no braço, e as farpas cortaram o bracelete, mas Akille aproveitou para puxar ela é chutar seu peito, Tricinia caiu no chão desacordada.

Wesnayke pulou jogou a espada na direção de Aradiana que esquivou, tentou contra atacar,  mas errou o golpe de maneira infantil. O claymorniano viu o braço da princesa de Azuleno passando e bateu forte com a espada no meio. Sangue jorrou e, a espada de Aradiana caiu ao chão, junto com seu braço.

Traumat dançou na frente de Cahethel, os dois lutaram dezenas de vezes juntos, ele sabia o que vinha: dança, finta, salto para a direita e ataque na cintura. O riorniano dançou, fintou, e na hora de saltar, foi para esquerda, mas Cahethel balançou a espada e o interceptou. Traumat olhou desacreditando que o amigo intuísse que ele mudaria o lado. A espada de Cahethel estava enterrada em seu peito e o gume da arma podia ser visto nas suas costas.

– Não! – gritou Akille Chamouth.

Cahethel viu editou, em puxar sua arma e liquidar de vez com o amigo ou receber o rei de Draema completamente desarmado. Mas ele não editou. Dois cortes rápidos, um chute no estômago, cabeçada com o elmo no nariz de Cahethel. O guerreiro caiu no chão com o nariz e rosto desfigurado. Viu o braço do seu escudo ao seu lado jorrando sangue. E com o braço que lhe sobrará, usou para segurar a barriga e manter as viveras dentro do corpo.

Wesnayke interceptou o ataque final de Akille. Os dois bateram as espadas várias vezes até Wesnayke fazer sinal de recuo. Itilia apontou a flecha para Akille:

– Recue, acabou – disse ela.

Akille avançou, Itilia disparou a flecha no peito dele, mas o guerreiro segurou a flecha com a mão. A quebrou com os dedos e arremessou a espada na direção dela. A arma enterrou-se no ventre de Itilia. Ele fez um gesto a distância, a espada começou a girar dentro da arqueiro que berrou de dor. Então ele puxou a espada de volta com telecinese. Wesnayke olhou incrédulo, Akille deveria ser parado.

Advenne surgiu, passou a mão na frente de seu filho Akille e o jovem dormiu. o mago olhou para Wesnayke e fez sinal para que fosse embora. Ele resolveu obedecer. Chamou seus homens e recolheram Cahethel e Itilia que agonizavam em dor.

Adina Chamouth chegou a cavalo e viu o corpo morto de Traumat. A menina entrou em desespero. Advenne lamentou, e abraçou a filha. Traumat era o futuro rei de Riornia e um dos maiores heróis do continente, merecia futuro maior. Mas o mago sabia que os melhores sempre vão primeiro.

* * *

Akille partiu para longe dos reinos de Riornia. Não podia viver mais com seu pai, aquele que lhe negou sua vinganca. Ele precisava liquidar com Cahethel e Wesnayke e todos que ficassem em seu caminho. Havia um vazio em seu coração, um vazio maior que o que já sentia a muito tempo.

o Cavalo de Akille parou no vigésimo terceiro dia de viagem. Seriam os calibans na estrada? Era noite e eles sempre espereitavam neste horário. Haviam apenas dois vultos: uma mulher e um homem corcunda horrendo. Ele puxou sua espada, mas ela esticou a mão e o paralisou.

– Calma guardião do sul – disse Ayllis – Tenho um presente que lhe trará paz.

um raio verde saiu das mãos da maga e entrou na cabeça de Akille. O cavalo relinchou se agitou e derrubou Ele no chão. O corpo do guerreiro se contorceu e aos poucos começaram diversas memórias entrando em sua cabeça. Ele ficou calmo derrepente. Abriu os olhos e falou:

– Beckya.

Ayllis sorriu. Akille Chamouth se levantou e olhou sério. Respirou fundo.

– Devo matar Stillgar Nani e todos a sua família.

* * *

Trindade

Um homem entra no quarto acompanhado de duas mulheres. Ele sente uma presença.

– Saiam rápido – ele grita.

A espada e mais rápida e as duas putas são decapitadas. Uma mão chega em seu pescoço e o ergue no alto!

– Cadê a minha filha Aldresh? – grita Akille com os olhos enfurecidos- Onde esta Carla?

Aldresh se contorce, está engasgando.

– Eu não sei… do que tu tá falando rapaz…

Akille pega coloca a outra mão na testa de Aldresh o bracelete brilha verde, presente de Ayllis:

– Diga!

os olhos de Aldresh ficam verdes e ele fala sem conseguir se conter.

– Está com Endon – Aldresh recobra seu controle – Espera, deixa eu explicar…

Akille arremessa Aldresh na cômoda, ela se quebra junto com duas estátua de gesso. O ladrao fica desacordado. O guerreiro se prepara para ir embora, mas um brilho de algo que estava dentro da estátua chama sua atenção.

Uma bela pedra.

— Shuoa… — um sussurro vem ao seu ouvido.

Ele pega a pedra.

(o jogo começou)

 

Resumo Sessão VII

Taiqilles A’Drake ouvia atento os relatos de sua filha Naylline.

– Depois de introduzir mensagens no sonho daquela menina louca, a tal de Qevy. Foi fácil imaginar que Stillgar morderia a isca. Endon e Hikan organizaram uma expedição para o local, onde descobri que o Anel de Ferro se escondia. Ele parece estar trabalhando para Ayllis.

– Está gruta no leste não fica onde ouvimos falar do tal Teju? – lembrou Taiqilles.

– Tejú Yágua – completou ela – um lagarto gigante com sete cabeças de lobo. Acho que era o último daquela região.

– Era?

– Sim eles o venceram: Começaram atrapalhados, mas o Teju não teve chance com os ataques coordenados do grupo. Endon, Stillgar, Hikan e Silvik mesclavam experiência com os jovens Dalmerith, Tayrine, Qevy e Kalliel.

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O monstro usou suas mordidas par pegar Stillgar e Kalliel, mas eram muitos alvos para poucas cabeças, já que Endon e Silvik trataram de diminuí-las rapidamente.

– Silvik? Este nome não me é estranho – comentou Taiqilles – Então eles liquidaram com o Teju?! Não é um dragão, e depois?

– Eles seguiram para a cripta.  Identificaram os ghouls e mandaram os novatos embora. Um deles, o filho de Dalmer, filho de Enzigh, acabou tendo um chilique e não reagiu bem.

– Isto me lembra uma pessoa – comentou ele.

Ela riu.

– Eles prosseguiram até o covil de Mestalles. Enfrentaram um combate sangrento, com ele e seus ghoulls vrikolakas. Não houve baixas e rapidamente eles os venceram.

– Eles pegaram o Anel de Ferro?

– Não – respondeu ela – Estranhamente ele recebeu uma mensagem anônima para fugir antes da chegada deles – sorriu Naylline.

– Ótimo! Pode ser que precisemos do mago ainda.

– E o que faço agora? Continuo espionando o forte?

– Não. Agora quero que você se infiltre lá. Quero relatórios mais de perto sobre Endon, mas principalmente, quero que fiques de olho no tal Stillgar. Se ela estiver certa – ele pegou a espada e olhou para ela – E ela sempre está certa. Pode ser que precisemos cuidar do mago.

– Certo senhor!

Naylline saiu rapidamente do cômodo, fechou as portas dupla com as maos e se retirou do castelo.

– A menina é jovem, talentosa, não tens que ser tão duro com ela – disse a espada.

– Ela é fraca. Tem muito da mãe nela. Deveria ter cuidado dela antes – comentou ele – Talvez o forte possa lhe ajudar.

– E se ela, sua filha, não for capaz?

– Então descartaremos como os outros – falou Taiqilles frio enquanto bebia seu wyski.

* * *

Dalmerith jogou as coisas no chão, tirou a armadura e bateu forte com o punho na porta do armário. Cabriel olhou para o colega e foi vê-lo:

– O que houve rapaz?

– Eles me chutaram! – gritou Dalmerith – Eles me descartaram como se eu fosse um novato.

– Você é um novato – disse Illeandru do outro lado do quarto.

Cabriel sorriu para Illeandru, mas chegou mais perto de Dalmerith e falou baixo para apenas ele ouvir.

– Dal, você aparenta ser novato, mas eu e você sabemos que és muito mais.

– Esquece – disse Dalmerith – Talvez eles estejam certos.

– Certos? – disse Cabriel – O que Endon sabe? Você viveu com os melhores guerreiros, vem de uma família de reis, uma cidade de heróis e o que ele é? E o tal Hikan, ele é apenas um cara grande de uma deusa ridícula. Nem vou falar do mago estupido é fraco. Este forte é decadente, precisamos de você.

– Eu não concordo com as coisas que falas Cabriel – alertou Dalmerith.

– Mesmo?

Cabriel saiu devagar. Sabia que já tinha picado com seu veneno.

* * *

Tayrine abriu a arca deixada por Hikan no armorial, eram os itens encontrados na gruta de Mestalles. Qevy parou ao lado dela e pediu:

– Manda a primeira.

Tayrine pegou três anéis e os passou para Qevy.

– Não – disse Qevy – Estes dois são usados juntos. Eles compartilham a dor. São raríssimos.

– E o terceiro? – perguntou Tayrine – Este que parece uma garra de dragão.

– É uma garra de dragão – respondeu Qevy – Raro também. Enrigessem a pele.

Tayrine puxou duas espadas.

– Armas – disse Tayrine – Está grande parece boa.

– É sim. Ela equipara precisão e força, a outra é a espada de Myskara.

– Já ouvi falar dessa, mas parece diferente – falou Tayrine.

– É o primeiro protótipo. Depois que ela terminou ela fez a outra que você está pensando.

Tayrine puxou os braceletes e o escudo.

– Bracelete de pedra não é? – disse Tayrine, Qevy concordou – Meu pai usava um desses.

– Você não fala muito nele.

Tayrine ficou em silêncio, e Qevy não falou mais nisso, só puxou o escudo.

– Escudo de Estrela – Falou Qevy catalogando.

Jirga entrou no armorial. Estava usando um belo e caro vestido e salto alto.

– Vim ajudar!

– Já estamos no final – comentou Tayrine entediada com a menina.

– Então vou sentar aqui – Jirga se sentou e começou a pintar as unhas.

Qevy e Tayrine se olharam irritadas. Mas não surpresas.

– E o que está rolando entre você e Dalmerith – Perguntou Qevy.

– Nada – respondeu Tayrine sorrindo – somos apenas amigos.

– Claro – disse Jirga se metendo – Ele gosta da menina de olhos diferentes.

– Carla! – perguntou Tayrine surpresa.

Jirga concordou com a cabeça enquanto assoprava as unhas.

– Bem ele me chamou para cavalgar estes dias – disse Tayrine esperançosa.

– Verdade? – animou se Qevy.

Tayrine baixou a cabeça e balançou negativamente:

– Na verdade eu pedi aulas de equitação.

Jirga balançou a cabeça negativamente.

– Esquece ele. É o pior tipo. Amor não correspondido – comentou Jirga – Eles ficam obsessivos. Igual ao Endon.

– Pare – falou Qevy – Da para ver como ele vê a irmã do Qestros, e como ela olha par ele. Ali vai rolar certo.

– Pode até rolar – disse Jirga – Mas ele é obcecado por outra. Uma mulher de fora. Não sei o nome dela, mas ela tem cabelos castanhos e pele parda. Ele sempre observa mulheres assim no vilarejo, depois fica bravo e suspira. Ela deixou ele.

– Você não sabe de nada Jirga – falou Tayrine rindo – Endon não ficaria assim por uma mulher.

Jirga apenas franziu o senho, levantou se e pegou o último item do baú: um cajado, o cajado de Mestalles.

– Este é legal – comentou ela.

– Duvido que fique aqui muito tempo – comentou Qevy – Teu irmão pega sempre os melhores.

Jirga colocou o cajado na mesa. E voltou-se para se sentar.

– Afinal qual é a do teu irmão?- perguntou Tayrine – Ele é…

Jirga negou:

– Ele é obcecado com a magia só isto. Ele suspira por uma menina que ele sonha, mas nada mais. Nem gosta dela de verdade, ele é apaixonado por poder.

As duas se olharam, vendo a frustração da menina.

– Ele quer vingar nosso pai, é o que dizem. Mas às vezes acho que os boatos de Lamormy estão corretos.

– Como assim? – perguntou Qevy.

Jirga sorriu sem graça e desconversou.

– Já que não precisam de mim vou passear.

Jirga saiu do armorial e caminhou pela torre. Era um lutar enorme e cheio de pessoas, mas Jirga se sentia solitária.

 

Prólogo: Esquecidos

IMG_0662O pequeno castelo localizado na estrada Velha que liga Estengad á lugar nenhum, passa despercebido para a maioria dos viajantes. Alguns idiotas ainda pensam em saqueado-lo, pois está sempre deserto. Mas a maioria teme os fantasmas que ali habitam. Fantasmas de carne e osso, forjados Fogo, Gelo e Ácido. Errantes que a muito decidiram deixar de ser ovelhas e passaram a caçar seus predadores. Uma família que foi renomeada com nome de seus inimigos, e tem seu sobrenome temido pelos dragões: o castelo dos A’Drake.

Cyrsen cavalgava seu hipogrifo, avistando a torre de pouso do castelo. Desceu, assim que pousou e sua montaria voltou para o céu em busca de quero-queros. A Sacerdotiza, ladina, ranger, feiticeira, entrou no castelo atravessando as paredes e entrando na sala de reuniões de seu irmão Taiqilles. O homem de três metros se levantou para cumprimentar a irmã a distância.

– Notícias de Marzus? – perguntou ele.

Ela pegou uma garrafa de wisky e serviu num copo largo, conjurou duas pedras de gelo e falou antes de beber:

– Foi caçar em Flershal – respondeu ela bebendo tudo – Descobriu algo sobre o tal andarilho?

– Naylline foi fazer isto para mim.

– Se ele for realmente um A’Drake, então os rumores sobre a morte de nosso tio para o vampiro Myllis se tornam verídicos. Não podemos permitir que o sangue de nossa família seja derramado por um simples vampiro.

– Esta é a menor das nossas preocupações – Taiqilles parecia pensativo – O outro já não se mostrou digno, talvez seja o sangue ruim dos silvestres.

– Quem nasceu gado, morre gado querido – falou ela sorrindo e se sentando na poltrona para encarar a grande parede com dezenas de cabeças de dragões.

* * *

Lamyo entrou no templo de Hamon, encontrando sua irmã Lamyo. Ela orava para a estátua de Hamon.

– Os rumores se confirmaram cara irmã Lamyo, o tal Hikan trouxe o nome de nossa família para a evidência.

Lamyo ela, pesou a cabeça lamentando.

– Ele ainda – continuou Lamyo ele – Nomeou alguns infiéis com nosso sobrenome.

Lamyo ela, terminou suas preces e abriu uma caixa, retirou um incenso e colocou sobre o sarcófago de Hamon.

– Nosso deus verdadeiro está prestes a despertar – disse Lamyo ela – Não podemos deixar que o sobrenome Nani seja associado aos infiéis. Mande Pirâmide cuidar desses insetos.

Lamyo ele concordou e saiu do templo.

Lamyo ela se debruçou sobre o sarcófago de Hamon e beijou a pedra.

– O momento está chegando meu verdadeiro Deus. Em breve Digared descobrirá o verdadeiro poder dos Nahis.

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