Epílogo – Fonthor’s

Morgana havia ficado na estalagem para melhorar da insolação. Estava cansada e questionando-se se deveria retornar para a ULMAF e entregar o relatório finalizado. Ela saiu para dar uma volta, mas parou na praça Palatino ao ver uma aglomeração de pessoas. Dois homens abriram espaço para ela e um terceiro lhe indicou um barril para que ela sentasse. Ela agradeceu e se sentou com a leveza de uma fada.

A aglomeração observava dois cavaleiros de armadura pesada, cavalgando cavalos grandes. Eles puxavam lanças pesadas e cercavam uma mulher no centro da praça. Ela usava uma armadura leve em relação a eles e carregava um arco e flecha. Mais distante um jovem com uma túnica verde gritava:

– Vamos homens e mulheres de Semlya – ele olhou para Morgana e deu uma piscada – E bela fada – disse ele sorrindo – Façam suas apostas.

As pessoas começaram a jogar moedas para os homens do rapaz de túnica verde e rapidamente os cavaleiros foram acelerando e encurtando a distância para a arqueira que não se mexia. Um dele arremessou a lança, que sobrevoou na direção do rosto dela, mas com um passo para o lado, o projétil atingiu o chão.

O público gritou sorrindo.

O segundo cavaleiro jogou sua lança nas costas dela, mas novamente ela esquivou no último minuto, e agora sacava o arco e duas flechas. Mais rápido que o olhar da maioria, a arqueira disparou uma flecha no cavalo de um dos cavaleiros e a segunda na ponta do escudo do outro.

A primeira flecha, não acertou o corpo do cavalo, mas sim as fivelas de sua sela, que se desprendeu e soltou derrubando o homem de cima do animal. A queda não permitiu que o rapaz se levantasse sem ajuda, devido a grande armadura. Já a segunda flecha, atravessou a ponta do escuro e pregou-o na ombreira da armadura. O cavaleiro ficou com o braço preso e não conseguia pegar outra lança.

Quando o cavalo chegou próximo da arqueira, ela saltou e chutou o montador no centro do escudo, fazendo-o cair no solo. O público vibrou. E o rapaz da túnica grito:

– Lhes apresento – disse ele – Itilia Fonthor! Filha de Virtini! Cavalgou as batalhas de Claymor no oeste, venceu os calibans, acertou o olho de Jarmetrix.

Ouviu-se aplausos das pessoas. Itilia puxou uma flecha e disparou no barril de Morgana, entre seus dois joelhos. Ela se aproximou da fada e pegou a flecha sem tirar os olhos esverdeados de Morgana.

– Se assustou fadinha! – sorriu Itilia.

– Precisa de mais do que uma flecha para me assustar – respondeu Morgana com desdém, mas o coração a mil, nunca havia sentido algo assim.

Itilia sorriu e piscou para ela, puxando a flecha do barril com força, fazendo o corpo de Morgana estremecer.

Itilia saiu. E Morgana ficou sentada no barril sem reação, enquanto o povo se dispersava: – O que foi isto!? – questionou Morgana para si mesmo. Sendo uma fada estava acostumada a ter sempre os homens em seu encalço, mas aquela mulher havia mexido com ela, arrepiado sua espinha. Itilia Fonthor: era como dizia-se, “os Fonthors são amados pelas mulheres!”

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Resumo Seção V – Sonhos

Diq o garoto cavalariço, coordenou seus amigos do estábulo para contar sobre sua primeira semana trabalhando como escudeiro de Hikan.

– Já estamos sentados Diq – disse Romarong – Conta logo!

– Está bem – disse Diq – Viajamos um dia a barco, até chegar em uma estranha neblina. Sentimos um grande sono, e eu me vi compelido a dormir. Mas durante este sono tive um sonho esquisito.

Pausa dramática de Diq para ganhar a atenção da platéia, ele estava aprendendo muito com Dieghus.

– Sonhei com Hikan, Endon e Stillgar indo para a ilha. Eles deixaram Dieghus cuidando do barco para a fuga, caso necessário, enquanto Morgana estava sofrendo com insolação e estava indisposta para aportar.

– Gosto da Morgana – disse um dos garotos suspirando.

Diq olhou sério para Brucus, e o garoto se calou.

– Eles cruzaram uma relva e foram atacados por dezenas de homens peixes, criaturas horrendas, com corpo humanoide e pele de sardinha. Eles eram muitos e cercaram os heróis. Endon e Hikan estavam atolados de vísceras de peixe até o pescoço, mas as criaturas não paravam de surgir – Dik subiu numa caixa de madeira – Então ele apareceu!

– Quem? – perguntou Brucus.

– Silvik!

– Heim! Ele não é era imaginário? – perguntou Catrus confuso – Pelo menos é o que eu entendia da música de Dieghus o Verdadeiro.

– Ele era – disse Diq – Mas como disse, era a ilha da deusa Sônia.

Os quatro garotos concordaram.

– Então conta o resto! – falou Romarong.

– Com a ajuda do guerreiro, os heróis venceram com facilidade os peixes humanoides e entraram no antigo templo de Sônia – Diq fez uma pausa – Havia algumas criaturas sonolentas vagando por lá. Stillgar descobriu alguns diários dos antigos moradores de lá. Havia uma experiência que fizeram com detentos da masmorra de Semlya.

– Experiência? – questionou Romarong – De que tipo?

– Algo que o impedisse que as pessoas dormissem. A experiência deu errado e as cobaias viraram uma especie de zumbis vivos que podiam entrar e sair dos sonhos e manipular os pesadelos. Eles começaram a atingir os heróis na mente, mas a luz de Brigith invocada por Hikan mostrou o caminho da verdade e: Bam!

Diq pulou de cima do caixote imitando uma estocada de espada.

– Eles venceram? – perguntou Romarong.

– Claro que venceram – disse Catrus – São Hikan o paladino da luz e Endon o andarilho escuro.

– Não esqueçam do Stillgar – disse Brucus – Fingindo que preparava uma magia.

Diq olhou sério para os amigos que voltaram a se calar.

– Sim eles venceram. Encontraram a pedra da deusa Sônia, mas assim como os demais que haviam estado lá, resolveram deixar o artefato no templo.

– Então eles saíram de lá de mãos vazias? – perguntou Romarong.

– De mãos vazias não – Diq falou – Eles retornaram para o barco com o conhecimento que Stillgar tanto buscava, com os sabres do pai de Endon e Hikan com seu amigo Silvik, agora não mais imaginário.

As crianças ficaram olhando perplexas para o amigo que contava a história.

– E isto foi um sonho – perguntou Romarong.

– A principio pensei que sim – disse Diq – Mas depois ouvi eles contando a mesma história que sonhei para Dieghus. E Morgana que estava doente também havia sonhado igual a mim.

– Esquisito – comentou Catrus – Queria ter estado lá. Não posso ser escudeiro de andarilho?

– Não fale besteiras – disse Romarong – Andarilhos não tem escudeiros. E eles não morrem. Apenas se reagrupam no inferno.

Os jovens ficaram pensando.

Catrus levantou, pegou dois gravetos, colocou o capuz na cabeça e engrossou a voz: – Eu sou Endon o andarilho!

Romarong subiu no caixote e pegou uma espada de madeira que tinha na cintura – Eu sou Hikan, enviado pela… – ele fez uma pausa e olhou para a parede – Não me interrompa Silvik.

Brucus começou a imitar um mago.

Diq resolveu sair dali. Deixou os garotos brincando no estábulo. Se sentia mais do que uma criança que brincava de herói. Olhou seu reflexo no vidro do armazém e suspirou: Os heróis haviam realizado seus sonhos na ilha, mas ele havia realizado o seu quando ganhou o direito de ser escudeiro de Hikan.

Diq olhou sério para sua imagem refletida, limpou o rosto sujo e soltou os cabelos desgrenhados. Logo seu corpo feminino iria crescer e descobririam que ela era uma menina. Será que perderia o direito de ser escudeira do paladino?

Epílogo: Confronto

Nevolas chegou de carruagem na cidade de Trindade. Vestia-se como um nobre, a roupa pinicava em sua pele.

– Não acredito que estou fazendo isto!

Reclamou ele sozinho dentro da carruagem. Mas quem tem o Anel da Hidra nunca está sozinho.

– Fica calmo – disse Beckia – Esta roupa que compramos lhe deixará com um ar nobre.

– Roubamos – disse o minotauro ridicularizando o ladrão – Este frangote nunca passará por um nobre.

– As pessoas não olham os nobres nos olhos – disse Beckia firme – Não se preocupe querido, vai dar tudo certo.

Nevolas saiu da carruagem e entrou na estalagem. Um cavalariço lhe indicou onde se sentar e a própria dona da estalagem lhe indicou  com reverencia o salão principal one estava marcado a reunião. O ladino caminhou, Stillgar espiava apreensivo e teve que segurar a língua quando avistou o Anel de Ferro de braços cruzados do outro lado do salão.

– Segura a onda – disse Rarossú para Stillgar, felizmente ninguém podia ouvi-la, os membros do grupo podiam falar livremente entre eles.

– Sir Dreshylin Tahohas – disse o mago com a voz grave – Sou Anelack Belford, seu criado.

Nevolas manteve a pose. Não sabia como reagir – Beckia pegou o controle – E colocou as mãos cruzadas para trás e ergueu o queixo para mostrar sua superioridade. O mago não teve coragem de encara-los nos olhos. Rapidamente pegou alguns pergaminhos e os desenrolou sobre uma mesa.

– Aqui mylorde – disse Anelack – Estes são os contratos de compra.

Stillgar olhou rapidamente os documentos, estavam em rayvodio. Perickles os traduziu para o grupo – Parece Estar de acordo – comentou Beckia.

Um ruído perto das janelas: – Tem mais alguém aqui – disse Digartalla.

Nevolas olhou sério para a Janela e reclamou: – Não estamos sozinhos.

Anelack sorriu:

– Onde estou com a cabeça – disse o mago – Pode sair Aldresh. Ele é me sócio.

Aldresh saiu e encarou Nevolas nos olhos: – Ele sabe de nós – disse Digartalla. O mestiço sorriu e fez sinal para o mago.

– Deixe-nos a sós – comentou Aldresh para o Mago – Temos um assunto.

Anelack estranhou, mas confiava muito no ladrão. Então resolveu sair, sem dizer nada.

– Aldresh Bayer dyn Lyn – disse Nevolas soltando a capa nobre para ficar com mais mobilidade – A quanto tempo velho amigo.

Aldresh sorriu, pegou um anel da algibeira e colocou:

– Quantos estão contigo – perguntou o mestiço colocando um Anel.

– Impossivel – disse Stillgar olhando para a mão de Aldresh – Outro anel.

Nevolas, Stillgar, Beckia Chamouth, Périckles Luthenkall, Digartalla, Dremetron e Raarossú encararam o mestiço. Mas Aldresh, Penala, Rayllis dyn Kayllis, Willy Kruger, Porezo dos Calibans e Isa Carolyn encararam de volta.

– Isto tá ficando interessante – disse Névolas.

– Acho que a sala ficou um pouco pequena – respondeu Aldresh.

Epílogo –

Dieghus fez a primeira parada em Ometardeck, com objetivo de concertar uma das velas que “Silvik” havia puxado com muita força. O rogën estava irritado com as desculpas de Hikan – Silvik pede desculpas, Silvik isto! Quanto tempo teria que aguentar o amigo imaginário do paladino.

Hikan e Endon seguiram para uma taverna, com intuito de deixar o capitão cuidando do barco. Stillgar e Morgana ficaram para estudar algumas magias. Os dois herois entraram na estalagem em busca de um bom quarto, mas Endon decidiu que iria tomar uma cerveja antes. O paladino deixou o companheiro ir sozinho, estava muito cansado e só queria uma cama que não chacoalhasse.

A taverna da Lagosta Brilhante estava lotada, muitos bernas bêbados, mercenários, piratas bebedores de rum e putas enxeridas, era uma espelunca comparada a velha Parada Obrigatória da anã Dóris. Mas o andarilho só queria cerveja.

Encostado na parede, sentado atravessado no banco, degustava uma forte cerveja puro malte da região, o qual o nome era melhor esquecer. Então Endon a viu: traços muito finos, mas marcantes, rosto delgado com ossos fortes e olhar esverdeado e claro. Uma lindíssima – a mulher mais bonita que ele já vira – saudidia. Cheia de curvas, corpo escultural, andar felino e riso fácil. Atraia a atenção dos homens como ímã em uma caixa de pregos. E mais, gostava da atenção.

Ela sentou num banco frente ao balcão. Se encostou e cruzou as pernas com refines. Usava calças apertadas de couro, mas se comportava como uma lady. Um dos homens venho até ela, falou uma coisa no seu ouvido. Ela sorriu, respondeu algo, o homem saiu apressado amedrontado sem perceber que ela lhe roubara a algibeira. Endon percebeu por que estava distância, e também por ser irmão de uma ladrão. Mas ela parecia ser melhor.

Ela olhou para Endon.

Enquanto ele bebia e se engasgava com a cerveja. Ela o olhara, e isto o confundiu. Ficou furioso consigo mesmo. Mas agora era tarde, ela ria dele se engasgando: – Quem tá na chuva é para se molhar! é o que diria Aldresh. Então Endon levantou, limpou a cerveja do colarinho e foi ate o balcão. No caminho trocou a algibeira de lado e se encostou ao lado dela.

– Acho que me deves uma cerveja! – disse ele sério.

– Não estou fazendo caridade hoje – respondeu ela, sua voz era firme e ao mesmo tempo suave, e tinha um forte sotaque do oeste – Mestiço – a segunda parte parecia debochada, mas ele não se importou.

– Bem se tu não vai me pagar uma cerveja – ele falou fazendo sinal para o taverneiro que lhe serviu mais um caneco daquela bebida que se intitulava cerveja.

Ela riu. Balançou a cabeça e não acreditou que faria aquela pergunta.

– Só por curiosidade – disse ela, o som de seus S’s soava como três Z’s – Por que eu lhe deveria uma cerveja?

– Por que eu não estava pronto para beber em um templo.

– Templo?

– Sim – disse Endon sorrindo – Tu não és uma deusa.

Ela parou. Balançou a cabeça. E bebeu mais um gole de sua própria cerveja.

– Esta foi horrivel – disse ela.

– Foi – ele concordou rindo – Mas um amigo me ensinou que se a pior cantada possível não afastar uma mulher. Então você tem muita chance.

Ela ficou quieta. Depois sorriu:

– Ilita! – falou ela esticando a mão.

– Endon – respondeu ele.

Epílogo I – Iluminação

Dieghus ancorou o barco no porto de Rogena e pagou o arrego para o rapaz que fazia a contagem de embarcações.

– Bom dia Dieghus – disse o jovem que anotava a embarcação em sua prancheta – Voltou a ativa?

– Melhor ainda velho amigo – respondeu o bardo/capitão abraçando o sujeito – Estou com um grupo de aventureiros muito da hora! Acabamos de sair de Alísios.

– Espera – disse o rapaz tirando os olhos da prancheta – Foram vocês que venceram a gorgona?

Dieghus não respondeu apenas sorriu: – Respondo apenas em uma taverna com rum e musica.

Endon e Hikan desceram no cais e viram Dieghus retornando.

– Amigos, este é o meu reino – disse ele abrindo os braços como se mostrasse toda a região. Venham, vou mostrar para vocês a melhor taverna daqui, Donde trabaja mi gran amor: La bella Perola.

– Eu preciso pagar meu dogma antes – disse Hikan – Tem um templo de Brigith aqui?

– Claro!

Respondeu Dieghus apontando para a direção. O paladino não achou difícil e se dirigiu sozinho pelas ruas estreitas da elegante Rogena; Embora ela fedesse a peixe e camarão, havia um tom alegre e bon vivant a secular cidade. Era muito mais quente que Alísios, os cabelos negros e compridos de Hikan estavam ensopados, e ele procurava as sombras para escapar dos sóis escaldantes – Irônico um paladino do sol tentando evitá-lo nas sombras dos prédios, mas era muito quente mesmo.

Finalmente ele encontrou o templo de Brigith, bem ao lado de uma capela de Amabel. Ele se ajoelhou diante das escadarias, fez uma pequena prece e entrou no templo reverenciando as estátuas da deusa.

Haviam apenas dois sujeitos rezando em separado. Um deles terminou a prece e se retirou assim que Hikan entrou. Eles se cumprimentaram com um aceno e o paladino se ajoelhou diante do altar e orou em silêncio, louvando as graças concedidas.

– Certo mylorde, ficarei atenta.

Disse uma voz feminina tirando o paladino do transe que se encontrava.

harshepu

O sujeito que conversava com ela se retirou, Hikan mal viu ele, apenas observava a sacerdotisa a sua frente. Era uma clédia, assim como ele, de pele bronzeada e cabelos escuros e ordenados pelos ombros. Tinha os olhos oblíquos e marcantes, lábios avermelhados e o corpo esculturalmente desenhado. O paladino se levantou para cumprimentar a jovem clériga.

Ela o encarou surpresa com sua altura, muito acima da média dos clédios. Mas logo abriu um sorriso:

– Você deve ser Hikan.

Ele sorriu feliz.

– Já ouvistes falar de mim? – disse ele escondendo a timidez.

– Claro – disse ela sorrindo – Sou Harshepu filha de Calacius.

Hikan ficou sério, lembrava de Harshepu, uma menininha magrinha sem graça de 12 anos que partiu muito cedo com a mãe para longe da Khalenita. Cinco anos depois se tornara uma mulher linda e voluptuosa.

– Uau! Você está… – ele procurava as palavras – Bem, você está…

O paladino procurava as palavras, mas elas não vinham, Harshepu se divertia com a cena e cruzou os braços para deixá-lo mais desconfortável.

– Eu estou?

Hikan não conseguia sair daquela situação, pensava em uma boa palavra, mas agora parecia que qualquer palavra servia, mas não vinha nenhuma, então ele falou a primeira que apareceu:

– Velha…

– O que?

Preludio: Estopim

Traumat saiu de dentro da caverna coberto por sangue verde. Cahethel saiu rindo não muito diferente. Aldresh estava mais asseado, dificilmente se sujava com sangue nas campanhas.

– por que sangue de Troll é tão fedido – reclamou Cahethel.

– Eles são fedidos cara! – disse Aldresh s e adiantando e montando uma fogueira – Vão se lavar eu cuido do acampamento.

Traumat nem discutiu, odiava montar acampamento. Mas antes que se dirigisse para o rio foi surpreendido por uma amazona com o emblema de Rufere. Era Winfer, a filha mais velha do seu mestre.

– Olha que os ventos bons trazem – saudou Traumat Chamouth alegre.

Aldresh ajeitou o cabelo e testou o bafo da boca com a mão. Cahethel não gostou do olhar dela, parecia trazer más noticiais.

– Venho a pedido de Rufere – disse ela – Wesnayke de Claymor atacou Dræma e Azhaela atacou Azuleno – ela pausou e olhou o claymorniano Cahethel – Estamos em guerra.

Traumat e Cahethel se entre olharam. Aldresh ficou sem reação, olhava fixo, Winfer tinha coxas muito grossas.

– É – começou Cahethel – Sabíamos que este dia chegaria.

Traumat derramou uma lágrima.

– Não é justo.

Os dois amigos se abraçaram. Havia muita aliança entre os dois amigos, companheirismo, histórias de bardos, guerras, batalhas e épicas lembranças. Mas a guerra de Riornia e Claymor era mais que milenar.

– Eu te amo cara! – disse Cahethel abraçando e se separando do irmão de guerra.

Eles olharam para Aldresh e Cahethel falou:

– Melhor você ficar com a pedra até o fim da guerra. Depois decidimos o que fazer.

Traumat concordou.

Aldesh assentiu e falou:

– certo, podem confiar em mim – falou Aldresh sorrindo e olhando a pedra Shuoa em suas mãos.

 

* * *

 

Beckia havia chego em Alisios agora governada por Enzigh. Advenne olhava furioso, odiava a cunhada e a culpava pela guerra. Mas Enzigh adorava a menina, ela lhe dera a chance de finalmente atacar Claymor e governar o Decado.

– Ela é tua família – disse Enzigh – Pense na menina Carla.

– Estou pensando – disse Chamouth – Mas esta guerra vem em péssima hora.

– Temos que achar seus filhos – disse Dalmer filho de Enzigh.

– Mandei Rufere pegar Adina em Tapsa. Akille deve estar retornando para Riornia. – respondeu Advenne.

– entao – disse o rei Enzigh – Vamos para guerra.

 

* * *

Rufere chegou no centro de atletas de Tapsa tarde demais. Havia sinais de uma chacina e alguns escudos claymornianos denunciavam os agressores. O cavaleiro de Riornia deu a ordem para que seus homens vasculhassem as tendas. Ele mesmo foi para a maior, imaginava encontrar vestigio ou pistas, torcia por um sequestro, não sabia como informar a morte da caçula para seu primo.

quando entrou na tenda viu vinte e três soldados de Claymor estipados no chão. No cento da tenda Adina Chamouth estava sentada com sua espada olhando seria com o rosto cheio de sangue claymorniano. Havia fúria em seus olhos bicolores.

– Adina! – exclamou ele surpreso e aliviado, além de orgulhoso.

– Tio – disse ela – Quero ir para guerra.

Rufere o mentor dos três filhos de Advenne Chamouth sorriu com muito orgulho. Ali estava a melhor espadachim dos 45 reinos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prelúdio – Caçada

A cripta estava fechada, mas Endon a abriu com facilidade. Ele olhou para o céu vendo que o sol estava sumindo já. Puxou rapidamente uma tocha e a acendeu com o fosforo. Ele beijou a medalha de Ividinia no pescoço e fez uma prece para que seu filho ficasse bem caso as coisas dessem errado.

Então ele entrou na cripta.

* * *

Adelle derramou água quente em duas xícaras de porcelana cheias de ervas adocicadas. Voltou para o quarto e viu Endon se vestindo a camisa de linho encardida.

– Pensei que ficarias! – disse a elfa irritada.

– A noite passada foi um erro Adelle! – resmungou o andarilho humano.

Adelle quebrou as xícaras no chão e se sentou na cadeira frente a penteadeira para escovar os cabelos lisos. Endon foi até a porta, olhou para trás mas resolveu não dizer nada.

– Esqueceu aquilo – disse ela apontando para dois cabos de sabres sobre um mezanino de bronze.

– Não posso aceitar!

– É um presente – disse ela – Fiz para você, leve venda-o ou fique com você não me importa mais.

Ele pegou os dois cabos de sabre, não possuíam laminas, mas possuíam uma áurea congelante em seu lugar.

– Obrigado – disse ele, queria dizer mais, mas não sabia como. Então apenas saiu.

Adelle se olhou no espelho. Ela era muito linda, pensou consigo mesma. Ela sorriu e colocou a mão no ventre: – Obrigada a você…

* * *

Endon jogava as teias para o lado chegando a uma câmara cheia de caixões. Ele pegou um cantil negro e derramou sangue de morto no frio dos sabres, fazendo duas laminas de sangue de cadáver. O sangue de pessoas mortas era muito eficaz para matar vampiros. Ele chegou no primeiro caixão e o abriu de uma só vez: Uma menina de não mais que quinze anos, pouca mais velha que o seu filho Endon Dig. Ele não pestaneou e a decapitou com um golpe. Ele partiu para o segundo dos dez caixões.

* * *

Milla olhava enfurecida para Adelle. Aquela maldita maga havia batido na sua porta para dizer que estava com um filho de seu marido nos braços e agora queria entregá-lo para ela. O que ela pensava?

– Eu cometi um erro – disse a elfa – Pensei que podia ser mãe mas não posso. Não gosto deste bastardinho. E um passarinho me contou que seu ventre é tão podre e morto quanto os monstros que teu marido caça – ela riu.

Milla não conseguia esconder o ódio e a dor das palavras e teria puxado sua espada para empalar a maga se ela não estivesse com a criança no colo.

– Fique com ela – disse Adelle – Jogue para os lobos na floresta, afogue no lago ou crie. Eu realmente não me importo.

Adelle largou a criança no chão, com pouco cuidado. E saiu pela porta. O recém nascido começou a chorar sem parar.

Milla relutou, mas não ia deixar a criança estourar a garganta chorando. A amazona pegou o menino no colo e abriu o cobertor revelando seu rosto. Ela o olhou nos olhos fazendo com que ele parece de chorar e abrisse um sorriso.

– Oi… – disse Milla emocionada – Oi filho…

Longe dali Adelle chorava. Havia se livrado de seu filho devido as ameaças de Myllis, seu antigo amante não aceitava ter sido trocado pelo humano. E jurara matar sua prole em vingança.

* * *

Endon chegou ao fim da cripta, haviam três caixões mas todos abertos. No centro um trono de ossos e o vampiro Myllis sentado sorrindo.

– Pegue sua espada maldito – gritou Endon apontando o sabre.

– Não irei lutar contra você velho amigo! – sorriu Myllis com ar sarcástico – Tem uma pessoa aqui que gostaria muito de falar com você.

De trás do trono, saiu Milla vestindo uma armadura de amazona, mas sem armas. Embora Endon pudesse ver sua esposa, percebia em seus olhos vermelhos que não era mais ela. Myllis a havia transformado em uma vampira.

– Não… – lamentou Endon deixando um dos sabre cair no chão e quebrar a lamina de sangue – Não… Milla não…

Milla caminhava lentamente na direção dele. Estava com a boca coberta de sangue, havia se alimentado a pouco, mas a fome dos recém transformados é insaciável e uma vez que bebera a primeira gota de sangue mortal, não havia volta.

– Vamos Endon! – gritou Myllis rindo – Você não é o Caçador de Vampiros frio? – ele gargalhou.

Endon pegou o sabre e mirou na esposa.

– Maldito Myllis, malditos deuses.