Planos

A representação divina em Digared é tratada com muito cuidado e respeito. Os deuses conhecidos pelos mortais fazem-se temidos por seu poder infinitamente superior. O mais antigo mago ousaria mirar uma magia em um deus, nem o mais valoroso guerreiro levantaria a sua espada á frente do deus da guerra. Felizmente tais confrontos seriam praticamente impossíveis de acontecer: deuses e mortais vivem em planos separados.

Ouve tempos em que os deuses viviam em Digared e governavam os mortais. Após a guerra dos dragões, Ividinia e os demais deuses, perceberam que era melhor um refugio protegido e afastado de todos, de modo que seu poder apenas influenciasse os mortais, os deixando com suas escolhas.

Klispel, o plano onde se localiza Digared, possui uma forma piramidal. Ou seja: uma face quase plana – onde está Digared – onde é sua “base” e outras quatro faces planas, onde suas arestas se encontram em um ponto chamado, pelos teólogos, de Eixo de Astarde. Cada face desta pirâmide é um plano Elemental, reconhecidos pelos digaredianos como Terras Densas. São eles: Sarahthy, Sanayello, Fuhinall e Lemúria.

Outros planos estão escondidos em dimensões paralelas, não igualmente como estes planos anteriores, mas semelhantes. Alguns são muito pequenos do tamanho de uma casa simples, outros tão grandes quanto o próprio continente de Digared ou até maiores. Os principais planos são: Stambrillö, Deserto da Agonia, Miragem, Yurnen, Taissen e Woodigen.

 

Lemúria

“Acordei em uma terra estranha. Existiam frutos de todos os tipos e cores. Animais fantásticos e amistosos. Estava me sentindo leve e não sentia a dor da espada que me ferira no coração. Estava em Lemúria…”.

– Rontaros, Aventuras de Guerreiro.

 

Lemúria é onde vivem os Deuses e seus escolhidos. Cada deus possui um bolsão, uma dimensão paralela a Lemúria que é controlado e moldado a gosto da divindade que o domina.

Os mortais só têm permissão a viajar até Lemúria quando são convidados por uma divindade, e só podem permanecer no bolsão desta. As janusias são responsáveis por manter esta lei em vigor.

Antes dos deuses se refugiarem em Lemuria, este paraíso era dominado pelos lemurianos, que foram expulsos de lá pelos deuses e obrigados a voltar para Digared. Uma nova tentativa de retomar o antigo lar foi feita no fim da era do dragão verde, mas novamente eles foram derrotados. Desta vez poucos sobreviveram, e os que restaram se esconderam no continente ou foram escravizados por alguns deuses.

 

 

Stambrillö

“O céu de trevas parecia estar prestes a nos engolir para dentro do mal que nos cercava. Respirávamos com dificuldade devido a dor que causava em nossos pulmões. (…) Aradiane me chamou a atenção novamente para o céu: Inexistente; Estávamos abaixo da terra…”

– Aldresh, Contos de Aventureiro.

 

Stambrillö (estambririo) é o plano negativo onde se encontra todo o mal banido de Digared. O céu é sempre cinza e parece estar coberto por um teto rochoso. A temperatura é sempre fria estando sempre negativa. O território de Stambrillö é um lugar onde apenas energias do mal são manipuladas. Embora haja lugares malignos dentro dos outros planos (até mesmo em Lemúria), em Stambrillö não há um centímetro de espaço para as energias benevolentes.

É proibido para as deusas descerem até este plano. Lá os demônios são supremos, e tem o controle de tudo o que acontece. Apenas os Naiches são capazes de entrar lá e saírem, quando quiserem. Mas geralmente o fazem para levar as almas condenadas do Woodigen.

Alguns clérigos consideram Stambrillö como um Deus do mal, muito mais poderoso e indestrutível que a própria Ividinia. Outros consideram um plano como Lemúria e Klispel.

Os demônios vivem recolhendo todas as criaturas malignas que foram banidas ou mortas para compor uma grande horda que um dia irá atacar Lemúria. Eles ainda usam os infantes condenados (Veja Capítulo Monstros) para atacar os portões de perola de Lemúria.

O plano demoníaco é dividido em cinco bolsões:

Zamedon – o inicio do plano, de onde se chega e por onde se pode sair. É até aqui que os Naiches podem vir trazendo as almas. Zamedon nada mais é que uma grande cidade com uma grande e diversificada população humanóide. Os zamedons não são almas condenadas e sim habitantes naturais do plano. Eles não gostam dos condenados e não permitem que eles fiquem mais do que três dias na cidade.

Três locais se destacam em Zamedon: a Taverna Stambrillö, o Castelo de Kinedda e o Último Cais. Este último é onde estão os barcos de prata que atravessam o lago acido de Stambrillö, chegando até a Alameda.

Alameda – após atravessar o imenso lago chega-se a Alameda: uma longa estrada de terra negra que queima a menor faísca e coça em contato com a pele até fazer sangrar. Quando se caminha por ela se está sozinho, pois o ar da Alameda não mostra quem realmente está do seu lado. Aqueles que terminam o percurso chegam ao portão de Cinienos.

Cinienos – conhecido como o cemitério dos condenados. É para onde vão todas as almas trazidas pelos Naiches. Cinienos é uma terra abstrata onde os Espectros e Bestas lutam pelas almas condenadas. Poucos conseguiram ultrapassar o cinienos, aqueles que o fizeram deixaram para traz o titulo de condenados, e ficaram conhecidos como caídos.

Krobandos – a terra dos caídos. Krobandos é uma cidade como Zamedon, onde habitam os caídos e outros demônios como: Sucubus, Incubus, Perdidos e Diabos.

Hondaringston – no centro de Krobandos existe uma montanha gigantesca e em seu cume se pode tocar em uma árvore que nasceu com as raízes no céu de Stambrillö e permanece de cabeça para baixo: Hondaringston. Esta árvore possui seiva maligna capaz de matar ao se olhar, folhas afiadas que cortam diamante e uma vez ao ano produz um único fruto que pode matar os deuses. No entanto nenhum demônio, condenado ou habitante de Stambrillö pode se aproximar dela.

 

Terras Densas

“As águas eram tão quentes e incandescentes que derreteram nossos remos. Era uma questão de tempo para que nosso barco dissolvesse naquela água escaldante”.

– Léia, o Livro de Léia

 

As terras elementais estão em três dos quatro lados da Pirâmide. Em cada um há um plano denominado pelos digaredianos como terras densas.

Sarahthy (çaráti): o oceano de fogo; Um cenário de águas que não param de ferver e derretem tudo que ali passa. Além das grandes explosões de mais de quatro milhões de vulcões submersos.

Sanayello (çanaiêlo): o oceano dos tornados; Logo que se chega neste lugar, se vê uma gigantesca nuvem que carrega uma tempestade que nunca acaba. Alem de relâmpagos que acertam quase todos os pontos do oceano, há também uma horrível quantidade de tornados que carrega tudo o que está no caminho.

Fuhinall (fúrrinau): as ondas da morte; não há como cruzar estas águas normalmente. Pois a agitação das águas cria gigantescas ondas que destroem e varre tudo o que passa a sua frente. Algumas delas chegam até 650 metros, e em média nunca são menores que 75 metros.

Mesmo mediante a toda esta adversidade alguns navegadores tentaram passar pelas terras densas para chegar a Lemúria; Eles nunca mais foram vistos. Apenas Léia e sua tripulação triunfaram sobre as águas mortais, chegando á terra das deusas. Esta saga é contada no Livro de Leia – Livro obrigatório para todo digarediano.

 


Miragem

“Tudo isto é ilusão do pesadelo de um gênio demente”

– Miner, nas terras de Euclides

Miragem (também chamado de Klitashen – klitaxem) é um dos planos mais temidos pelos digaredianos do sudoeste. Todos que seguem pelo deserto de Miragem correm o risco de entrar neste plano e lá ficarem aprisionados para sempre.

O que para uns deve ser evitado, para outros, que dependem do deserto para sobreviver ou viajar de Utera para outras regiões, é uma caótica aventura. A qualquer momento caminhando pelas areias quentes e superaquecidas pelas estrelas de Brigith, o viajante pode avistar uma onda de calor que vem arrasando e incinerando tudo pela frente. E ai imediatamente ele é tele-transportado para Miragem, o plano de Euclides: uma terra caótica e nefasta que ás vezes foge dos padrões naturais de Digared.

A origem de Miragem é quase desconhecida. O que se sabe, entretanto, é que Euclides, deus da mentira e ilusão (único filho de Isobel, deusa da magia), havia criado um terreno ilusório que foi ganhando forças até chegar a se tornar um plano de verdade. Porém acredita-se que ele não seja o único que o controla.

Porem Euclides é uma das poucas saídas de Miragem. E encontra-lo neste mundo insano, não é uma tarefa fácil.

Miner e Elissa são as duas únicas heroínas que entraram e saíram de Miragem, o que é documentado no livro “Inversões e Devaneios”.

 

Yurnen

“Se querem entrar tudo bem. Mas saibam que há muito eles esperam por nós…”

– Endon, no Limite do Yurnen

 

Quando se chega a Yurnen, se pode acreditarestar em Digared: as mesmas cidades, as mesmas ruas, as mesmas árvores, porem Yurnen segue apenas as leis das “lembranças”. Como por exemplo: Uma taverna em Trindade que foi muito visitada durante anos. Acaba sendo destruída por um incêndio. Ela não existe mais em Digared, mas em Yurnen ela continua existindo enquanto pelo menos “uma” pessoa lembrar dela.

Por isto o plano de Yurnen é um tanto bizarro e acaba sendo quase infinito. Pois num mesmo lugar dois ou mais corpos podem ocupar o mesmo espaço; Usando exemplo anterior, vamos supor que depois do incêndio tenha sido construída uma casa de cunhar ouro no lugar da taverna. Após algum tempo, ambas existiram no mesmo lugar dentro do Yurnen.

Assim como os locais e casas, as pessoas que se apegam a alguma coisa ou pessoa passam a existir no Yurnen. Pessoas que morreram, mas não conseguiram aceitar esta morte, ou ainda por que querem acompanhar a vida de algum ente querido.

Para os shayos, não se pode chorar num velório próximo do cadáver, eles acreditam que fazendo isto, a alma ficará presa no Yurnen e nunca chegara ao Woodigen. Já em Laphömy, a crença é de enterrar o morto de olhos vendados, pois assim ele não enxergará as coisas que gostava em vida e irá logo para Woodigen. Outra crença relacionada é a dos riornianos e nohëans, que cremam seus mortos para que estes viajem mais rápido para Woodigen, pulando a travessia do Yurnen. Os clédios mumificam seus mortos para caso eles fiquem presos ao Yurnen, possam fazer uso de seus corpos.

A verdade é que nenhuma alma deve ficar presa ao Yurnen, todas devem fazer a travessia para o Woodigen, mas muitas vezes isto não acontece. E aqueles que ficam presos ao Yurnen são chamados de desgarrados.

Embora Yurnen seja um lugar que a maioria dos povos possa temer, os bernas acreditam que este seja um plano sagrado, com uma segunda chance. A crença é que os seus mortos podem viver no Yurnen e retornar para o plano material em certas datas sagradas. Os bernas agradam as almas desgarradas em troca de favores muitas vezes. Alguns bruxos bernas contam que podem trazer as almas do Yurnen, trocando pela de um inocente, ou as aprisionando em bonecos ou objetos.

Algumas poucas pessoas conseguem enxergar o Yurnen. Por meios de magias ou dons especiais. O que mais aterroriza um mortal que enxerga este outro lado é os Famintos: Espíritos que não descansam por motivos de vingança ou vícios.

Os que buscam vingança perseguem seus inimigos os azarando ou vendendo favores a demônios para prejudicá-los. Nestes casos de vingança, quando o alvo morre, o espírito do faminto é enviado para Stambrillö; é o preço da vingança.

Já os viciados em jogos, libidinagem, gulosos, entre outros vícios. Acabam perseguindo pessoas para usufruírem de seus velhos hábitos.

Taissen

“Uma viajem por Taissen pode enlouquecer o mais equilibrado dos homens, mas para os insanos Taissen é o verdadeiro lar”.

– Mursh, Teoria de Taissen

 

Taissen (táiçim) é considerado por muitos como um plano complemento de Digared, mas na verdade ele estaria mais para um plano paralelo.

Segundo a crença Taissen é o mundo da mente dispersa. É também onde ficam armazenados os sonhos e temores. Todos os devaneios produzidos pelas pessoas em Digared vão para Taissen.

Taissen é também um caminho de passagem para os seres que viajam pelos planos ou pelas magias de tele-transporte. E alguns usuários da magia invisibilidade dizem ver também lampejos do plano. Muitos magos tentaram dominar a viagem por Taissen e nunca mais voltaram, outros enlouqueceram.

Existem criaturas (como as aranhas de Taissen e os Elefantes) deste plano que ainda conseguem invadir o plano material de Klispel, e retornar com facilidade para lá. Outros animais como os gatos e cavalos conseguem enxergar Taissen e seus atalhos, embora os cavalos raramente os façam, os felinos da cidade os percorrem o tempo todo.

Dizem que os caminhos mais comuns para percorrer este plano estão nos espelhos. Por isto todas as pessoas têm uma réplica sua interligada com a vida material. Esta teoria é defendida pela escola de necromancia: pois os mortos vivos nunca possuem a sua imagem refletida no espelho, pois sua imagem em Taissen já se apagou.

Embora um viajante em Taissen possa ver o plano de Digared como se ainda estivesse nele, ele não consegue mais interferir neste plano. Dessa forma os viajantes de planos conseguem atravessar obstáculos, mas nunca os golpear ou apanhar.

É bom lembrar que Taissen armazena os sonhos e temores de cada digarediano, o que o torna um terreno muitas vezes inóspito e sombrio, e aquele que percorre os atalhos por Taissen, pode muito bem ter de enfrentar seus maiores medos ou ficar refém dos seus maiores sonhos.

De qualquer forma a muito mais segredos neste plano a serem descobertos pelos mortais de Digared.

 

Woodigen

“Ganhe tempo em Woodigen com os Naiches. Pois vou lhe reviver em dois dias. Eu prometo!”

– Kille para Rontaros, A Pedra Shuoa

Woodigen (údiguem) é o reino dos mortos, para onde são enviadas todas as almas daqueles que morreram em Digared.

A entrada do Woodigen é um grande vale coberto por grama rasa onde as almas aguardam seu julgamento. Normalmente uma alma não permanece neste lugar mais que vinte e três horas. Mas alguns tentam permanecer mais, ganhara tempo, com a esperança de serem revividos.

Ainda no vale, os Naiches, principais habitantes do plano, cuidam para que as almas sejam selecionadas para a divisão: aqueles que entraram no Woodigen e aqueles que serão enviados para Stambrillö.

Após a seleção as almas entram definitivamente no Woodigen a cidade dos mortos. Nesta região os mortos recém chegados são recebidos pelos parentes e amigos que morreram antes. Cada um possui uma pequena maloca de pedra recoberta com folhas fofas que jamais ressecam, e podem viver nela com mais uma pessoa. Geralmente este é seu companheiro (a) em vida, porém em alguns casos, pode ser alguém conhecido no próprio Woodigen ou em vidas anteriores.

O objetivo inicial de cada alma é descansar da ultima encarnação, no entanto as lembranças dessa vida não desaparecem, pelo contrario, lembranças de outras vidas vêem imediatamente á tona quando o individuo chega a cidade dos mortos.

A cidade dos mortos é uma cidade como qualquer outra qualquer, porém sem necessidades ou funções políticas ou sociais estabelecidas, as coisas funcionam como um senso comum: cada um faz a sua parte. Dentro da cidade todos continuam se alimentando ou bebendo e fazendo atividades que normalmente fariam; exceto brigando ou matando. Cada alma possui um tempo para permanecer no Woodigen, após este tempo elas se encaminham para a fonte da transição, onde eles poderão reencarnar e voltar para o mundo material.

Deserto da Agonia

“A cada minuto um século, a cada dia uma eternidade de sofrimento e solidão. Vagar e perecer todos os dias, esta é minha sina…”

– Onajara, Deusa Banida

 

O Deserto da Agonia (também conhecido como Ilmar – ílmar) é para onde vão todos aqueles que se opuseram ou traíram Ividinia. Não se pode chegar ou sair sem a permissão dela. Pois é um plano que se localiza dentro da mente da deusa e que é moldado conforme sua vontade.

É um deserto de terra cinzenta e árida, muito frio. Onde o céu é um gigantesco nada e a única luz que se vê é de cometas caindo e explodindo no solo, fazendo tudo estremecer.

Muitos mortais e até mesmo deuses foram parar neste lugar. Onde eles vagam sem nunca enxergar um ao outro. Sempre em eterna solidão. O som é horripilante, o cheiro insuportável, e a visão deprimente e caótica. O único sentimento é de dor, fome, sede e eterno cansaço.

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